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É meia-noite. As notícias com João Lourenço.
Muito boa noite. No Congresso do PSD estava guardada uma surpresa para o final desta noite. Santana Lopes volta a ser militante do partido. O antigo primeiro-ministro e atual presidente da Câmara da Figueira da Foz entrou no Congresso poucos minutos antes da meia-noite. Depois de uma aproximação ao partido, agora volta a receber o cartão de militante. Junta-se agora a este noticiário o jornalista Miguel Viterbo Dias. Miguel, esta era mesmo a surpresa para um dia que já vai quase domingo.
Sim, esteve prometida durante todo o dia uma surpresa por Luís Montenegro. É habitual também, desde que é líder do PSD, Luís Montenegro trazer sempre surpresas ao Congresso. O presidente social-democrata que chegou a levar, por exemplo, Aníbal Cavaco Silva a um congresso em Almada, recuperou também Leonor Beleza como vice-presidente do PSD e tinha promovido já uma reaproximação de Pedro Santana Lopes ao Partido Social-Democrata. Só que Santana Lopes tinha sido candidato independente à Câmara Municipal da Figueira da Foz, portanto, não poderia aderir a partidos ou readherir a partidos durante essa fase em que liderava a autarquia. Nestas últimas autárquicas já foi candidato com o apoio do PSD e, portanto, essa aproximação já se pode tornar numa oficialização, que é isso que vai acontecendo por esta hora. Pedro Santana Lopes, que aliás, foi chamado agora mesmo ao palco para partilhar esse regresso ao PSD. Recordo que ele chegou a deixar o partido para criar o Aliança, depois de ter sido candidato contra Rui Rio. Esse projeto do Aliança acabou por não correr bem, não chegou a eleger nenhum deputado, não chegou a eleger também eurodeputados, embora tendo sido candidato ao Parlamento Europeu e acabou por depois se reaproximar do PSD para agora sim, voltar a receber o cartão de militante, numa altura em que para este congresso não estava previsto, por exemplo, a participação de mais nenhum antigo presidente e assim também acaba por marcar novamente presença um antigo primeiro-ministro do partido, Pedro Santana Lopes, que vai discursando já nesta noite longa, com a sala meio preenchida. Já não será o discurso mais aplaudido da noite, porque já só está meia sala, mas ainda assim, um dia que fica marcado por esta oficialização de regresso ao PSD. E voltaremos aqui, João, proponho-te para escutarmos Santana Lopes daqui a alguns minutos, se ainda tivermos essa oportunidade.
Vamos então aguardar por, neste caso, estas declarações de regresso por parte de Pedro Santana Lopes, o antigo primeiro-ministro, também presidente do Partido Social Democrata e agora presidente da Câmara da Figueira da Foz, agora que fala aos congressistas, também a todos os militantes do PSD. Vamos escutar Pedro Santana Lopes.
Em 2018, disputei as diretas de então com o nosso companheiro Rui Rio. E aqui não há nenhuma questão pessoal, considero de quem posso ser seu amigo à distância, mas sou, que respeito, mas com quem não concordava de todo. E na altura fiz a campanha toda pelo país a avisar que novas realidades iam aparecer no espectro direito do sistema político. Eu não tinha nenhum dado concreto, adivinhava. Estava em convulsão e que achava um erro o partido ir encostar-se mais no tal centro-esquerda ou esquerda, que militantes como Rui Rio, Pacheco Pereira e outros, não só eles, não estou a falar em Pacheco Pereira por nada, uma linha que havia na altura que defendia o partido estar melhor no centro-esquerda. E lembram-se do pacto com António Costa e tudo isso. Eu na altura disse: "Isso é um erro crasso". E sabemos o que se passou. Sabemos o que aconteceu à nossa direita e sabemos aquilo que aconteceu no sistema político e partidário português. Com isto não quero dizer, nenhum de nós deve pensar isso de si próprio, que sabemos adivinhar o futuro. E a propósito de adivinhar o futuro, quero evocar aqui aquele que de nós, esse sim, sempre foi capaz de adivinhar o futuro, menos a tragédia que lhe aconteceu. Permitam que no dia de hoje evoque de modo muito especial o antecessor daquele senhor Luís Montenegro, o número um, Francisco Sá Carneiro. Esse adivinhou o futuro muita vez, no curto período de tempo que teve até à tragédia de Camarate em dezembro de 80. Mas eu gostava de recordar outra data. Não vim aqui para falar do passado. Em 2005, e vejam então aquelas que são mais novas e mais novos, como a senhora ministra da Cultura e da Juventude, pensem o que é a passagem do tempo. Em 2005, em maio, em Pombal Eu disse a tal frase, que não sabia que ia ficar registrada, quando me despedi de todos: "Eu vou andar por aí." E foi uma frase que ficou. 2005, já lá vão 21 anos. Tinha, na altura, 48. Agora tenho 50, quase mais 20, daqui uma semana ou duas. E é bom que todas e todos interiorizemos isto: a responsabilidade que temos para com Portugal é tão forte que quando passa o tempo de uma vida, muito tempo, não sabemos quanto tempo temos, e olhamos para trás, pensamos muito no que ficou por fazer e o que falta fazer no país que amamos. E é aqui, sem dúvida nenhuma, que entra o presente. Deixemos já agora fazer esta nota: eu aderi ao PPD/PSD faz em outubro 50 anos, em 1976. Cinquenta anos é uma coisa que faz muita impressão, especialmente a quem tem sempre a mania que é jovem. Mas o ser jovem, que temos que ser sempre, não implica, como é óbvio, menos sentido de responsabilidade. Quero agradecer ao Dr. Luís Montenegro. Eu saí com Rui Rio e no dia seguinte à eleição do Dr. Luís Montenegro, ele teve a enorme gentileza. De manhã foi a outro lado, que não tem nada que dizer, foi público, mas foi ali perto e à tarde teve a enorme gentileza de ir falar comigo à Figueira da Foz. E por isso, com emoção, eu lhe quero agradecer o facto de, desde que foi eleito, ele particularmente e o seu secretário-geral, terem feito tudo, não era preciso muito, mas tudo para eu regressar a esta casa que tanto queremos. Agradeço muitíssimo, como é evidente.
Recriar a história deste regresso e desta aproximação.
Só mais uma nota. Em 2005, quando saí e disse "vou andar por aí", tinha acontecido o que aconteceu nas eleições com José Sócrates, com a dissolução por Jorge Sampaio, e aí entendi que devia apresentar a demissão e foi quando me impediram de me recandidatar à Câmara de Lisboa. E enquanto primeiro-ministro, quando alguns cá dentro não me atendiam o telefone e depois até vieram a ser, dois deles, presidentes da República. Isto é história, são factos, mas para as pessoas agora não causa mágoa para presente e futuro. Não podemos viver de rancores, temos de viver das coisas boas, saber construir das energias positivas, senão é mau para todas e para todos, incluindo para nós próprios. E por isso queria dizer que é nesta altura. Desde o congresso anterior, onde eu entrei, também fui dar um abraço ao presidente do partido, ali em Braga. Do congresso anterior até agora passaram-se eleições legislativas, presidenciais, e os congressos são quando se faz o balanço do que aconteceu desde o último. Eu não tenho autoridade para fazer, porque não estava cá. Regressei hoje. Mas temos que nos orgulhar, no geral, do caminho que o PPD/PSD fez, como é evidente, sob a liderança de Luís Montenegro. Mas já agora quero dizer uma coisa: desde que me refiliei hoje, os estatutos dizem que quando um ex-presidente ou ex-primeiro-ministro se filia, passa a fazer parte, por inerência, do Conselho Nacional, com direito a voto, e do Congresso, sem direito a voto. Portanto, acho que já sou membro do Congresso de pleno direito.
Santana Lopes aqui a recuperar que foi por causa do Rui Rio que deixou o PSD.
Mas só mais uma nota antes de falar do governo e do tempo que estamos a atravessar. Houve, como eu disse há pouco, militantes que saíram do partido e depois de entrarem, foram presidentes do partido. Depois de regressarem, Mota Pinto, Rui Machete, Luís Montenegro. Não te preocupes, não está nas minhas intenções candidatar-me à presidência do partido, mas quero dizer hoje aqui, tenho a certeza absoluta, candidatasse quem se candidatasse neste congresso ou nos que aí vêm, tu ganhavas e largo. Candidatasse quem se candidatasse. E digo isto com todo o respeito por todos. E quero sublinhar, eu o que fiz em 2018 podia ter feito mais cedo, não tivesse ascendido à liderança alguém que tanto consideramos, respeitamos e admiramos como Pedro Passos Coelho e o trabalho notável que teve que fazer no tempo de emergência nacional. Portanto, é isso que eu hoje aqui quero muito vir dizer, com os meus cabelos não muitos e mais esbranquiçados. É que é nestas alturas, em que as sondagens nos dão, as tais sondagens, Santa Maria, em terceiro, que me sabe bem voltar aqui. Se te dessem disparado à frente, não é muito o meu gênero. Foi por isso também que quando foi a troika quis continuar Lembro-me que fui à convenção da AD no Estoril dizer a ti o que merece ser dito, a capacidade que tens, a competência que tens. Aliás, basta ver a equipa dos teus ministros, o que o teu Governo tem feito. Estou a olhar aqui para a Ministra da Saúde e é extraordinário o tempo que se perde em Portugal a falar de coisas que não interessam muito e a falar pouco do que interessa bastante. A reforma que o teu Governo, a Ministra da Saúde, fizeram só nesta questão dos médicos tarefeiros, que não trabalham na urgência do respectivo hospital e depois entram a trabalhar por empresas de recursos humanos noutros hospitais, é uma reforma extraordinária, com uma coragem enorme, da qual poucas e poucos falam. É uma coragem enorme que outros não tiveram. E já dura anos.
Uma das ministras mais polémicas do Governo é elogiada por Pedro Santana Lopes.
É isso que pergunto a todas e todos. Quando se fala em reformar mais, eu preciso que cada um que diz isso, e cada uma, diga: "Muito bem, mas quais reformas? Até onde e com quem?", como se viu ontem naquele espetáculo confrangedor na Assembleia da República. Com quem? E é por isso que digo que sendo a tarefa obviamente muito difícil, tu tens tido uma postura de serenidade como estadista irrepreensível, que não é fácil nos tempos que vivemos, no mundo que vivemos. E, mal ou bem, com todo o respeito, elegemos um Presidente da República novo. Novo? Novo mandato. E eu gostava de sublinhar duas ou três coisas a este propósito. Esta gente da oposição, ou das oposições, mal veem uma sondagem apetitosa, começam logo a falar em crise ou em eleições. Eu já ouvi hoje na televisão. Felizmente, elegeu-se um Presidente da República, não votei nele, estou à vontade para dizer. Também não votei no outro. Elegeu-se um Presidente da República que disse expressamente que as legislaturas são para serem cumpridas e que preza muitíssimo a estabilidade política. Portanto, essa é uma garantia de que o sistema poderá funcionar corretamente com a oposição no Parlamento, e não nas ruas, principalmente, e com o Governo a governar. É que nós temos tanta coisa para fazer, para além do que o Governo tem feito. Eu não vou aqui dizer mal do Tribunal de Contas. Sou presidente de câmara, não posso. Mas ainda hoje, há bocado na televisão, ouvi a presidente da Câmara de Bragança, Dal Portela, falar disso. Mas o ministro, não sei se está aqui, vi-o na televisão há bocado, Gonçalo Matias, dizia há pouco tempo só 11%, julgo, dos processos que vão a visto prévio. É 1%. Eu ouvi um e nem acreditei, julguei que era 11, não leva a mal. 1% dos processos que vão a visto prévio é que não passam, é isso, não é? Portanto, a reforma faz sentido, mas já antes desta, o Governo tinha decidido que as obras, os processos que têm fundos europeus, não pode haver um visto antes, não pode haver uma ação com efeitos suspensivos em tribunal. E a importância que isso tem para as autarquias de todo o país, para o Estado em geral, é imensa. Agora, se perguntarem: "Foi uma reforma importante?", o ministro Castro Almeida, não sei se está cá, também se empenhou bastante. Fala-se pouco. É por isso que eu digo, no estado em que está o mundo, nós já não percebemos nada. Ontem tinha aberto o Estreito de Hormuz, não foi? Hoje fechou o Estreito de Hormuz outra vez. Dizem que vai fechar. É um bocado como cá dentro. Anteontem estava aprovada a legislação laboral, passo a comparação. Ontem já não estava aprovada a legislação laboral. Vivemos neste mundo e é por isso que, para terminar, eu quero dizer que é neste mundo difícil que temos duas hipóteses: ou estamos na nossa concha, na nossa casa, no nosso reduto, no nosso município e taparmos um pouco os ouvidos e os olhos e não ouvirmos toda a loucura em que o mundo está mergulhado ou, pelo contrário, assumirmos as responsabilidades que temos e dizermos: "Aqui estamos presentes para o combate e para construir o tal novo futuro". E é esse apelo que eu faço ao partido, à Jota, a todos. O presidente do partido tem essa especial preocupação, orientação nesta reforma administrativa. Lideremos os tempos da revolução tecnológica, os tempos da coexistência com a inteligência artificial. O Papa já fez a encíclica, chamou um dos principais cientistas para o seu lado. Tudo isto em meses vai mudar. Se calhar o próximo congresso daqui a dois anos já vai ter alguns robôs ou alguns humanoides, não faço ideia, mas tudo isto está a mudar muito depressa. Só há uma coisa que quero dizer lá para fora também. Tenho ouvido aí umas teorias sobre o futuro do PPD/PSD. Ó minhas amigas e meus amigos, desde sempre se disse que o PPD/PSD era um partido que não estava previsto Havia até alguém que morreu há pouco tempo, o Joaquim Aguiar, que tinha um livro extraordinário, "A Ilusão do Poder", sobre um partido a mais, um partido a menos. Mas era o CDS que era da democracia cristã, o PS da Internacional Socialista, e nós? Mas dizíamos de nós próprios, sempre, e somos, o mais português dos partidos portugueses. E é isso que também nesta altura tão particular do globalismo, do europeísmo que queremos manter vivo, temos que sublinhar em relação a nós próprios. Porque há uma coisa: muitos vaticinaram maus tempos para este partido. Desde 1978, com uma estratégia chamada do camelo, as duas borsas do camelo, com o devido respeito aos nossos amigos do CDS, em que só sobreviveriam o CDS e o PS, que o PPD/PSD estaria condenado a desaparecer. O PPD/PSD cá está, tem um líder à frente. Mais uma nota pessoal, é uma chatice quando se chega aos 60 e muitos, 70 anos, fala-se muito do passado, mas quando aquele senhor tinha 34 anos e eu era presidente do grupo parlamentar, eu aí adivinhei o futuro. Olhei para ele e disse: "Este tipo não engana". Ele está se a rir, que ele sabe as coisas. Só me irritava quando eu lhe perguntava a idade, eu já contei isso várias vezes, ele me dizia: "Tenho 34", que até é o meu número, mas enfim. Mas não enganava e está cá e é estadista. E eu felicito-te pela maneira como tens aguentado. É tão curioso, quando está o centro-direita no poder, há sempre suspeitas sobre as nossas honras, sobre a honra de cada um. Quando eles estão, têm que ir lá vasculhar as gavetas para se provar o que é a força da realidade. Não comparando, não há comparação. E é por isso que eu digo: podem teorizar à vontade, podem gritar, berrar. Termino com esta nota pessoal. Na minha ficha de nova inscrição, pus como militante proponente o presidente do partido que apreendeu a Conceição Monteiro. Eu peço a cooperação para ela não ter assinado, porque ela está no hospital e não pode atender o telefone. Mas é a pensar nela e a pensar na Jota e a pensar nos meus netos, que hoje se me virem na televisão, devem estranhar e perguntar assim: "Ô vô, que clube é aquele?" Porque eles ainda são todos pequeninos. Mas há uma matéria em que eu lhes ensino qual é o clube que devem ser. Aqui eles escolhem com liberdade, mas tenho a certeza que eles vão gritar: "Viva o PPD/PSD, viva Portugal!" Muito obrigado.
O regresso oficializado de Pedro Santana Lopes à liderança do PSD, um discurso com uma tônica muito pessoal, onde explicou os motivos da saída, diz que não pede desculpa por essa decisão. Na altura, fez o que estava certo, o que considerou que estava certo e aplaudido ali, principalmente por Luís Montenegro, com quem trocou um largo cumprimento e que vai cumprimentar agora novamente à descida do palco e também a dar conta de que a ficha de regresso ao PSD, assinada por Conceição Monteiro, ela que era a secretária pessoal de Francisco Sá Carneiro, foi recentemente homenageada no aniversário do partido. E assim, digo eu, é a última surpresa do dia neste Congresso do PSD.
Journalista Miguel Viterbo Dias e também toda a equipa do Observador, que está neste fim de semana em Anadia para acompanhar o 43º Congresso do Partido Social-Democrata. A terminar, pelo menos o primeiro dia, com esta surpresa, Pedro Santana Lopes é novamente militante do PSD. O atual presidente da Câmara de Figueira da Foz anuncia o regresso em pleno Congresso dos Sociais-Democratas. Neste noticiário, dá-lhe ainda conta de 21 portugueses que já foram realojados na República Dominicana devido a um forte incêndio num resort. O Ministério dos Negócios Estrangeiros afirma que todos os cidadãos lusos estão bem e que este fogo, que atingiu grandes dimensões, já foi controlado. É o que diz também o Centro de Operações de Emergências da República Dominicana. A lamentar estão, neste caso, a morte de uma mulher de 46 anos de origem italiana. Também dar conta de nove feridos que foram reencaminhados ou para o hospital ou também, neste caso, assistidos junto a esta unidade hoteleira. Dar-lhe conta também dessa possibilidade avançada pelo Observer este sábado. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer deverá apresentar a demissão na próxima segunda-feira. De acordo com este jornal, o primeiro-ministro britânico terá concluído que a posição de líder do governo deixou de ser sustentável após vários contactos com membros deste executivo, assessores e líderes sindicais. A mesma fonte refere que o primeiro-ministro estará a discutir a decisão, neste caso, com membros da família na residência oficial, antes de tomar uma decisão. Ainda assim, várias figuras de topo do Partido Trabalhista Britânico esperam um anúncio claro sobre o futuro deste governo britânico já no início da próxima semana. Este noticiário fica por aqui. As notícias estão de regresso aqui à antena da Rádio Observador dentro de seis minutos com a Marta Caramelo Nobre.