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Seis horas. As notícias com Miguel Gato.

Há contradições nos documentos internos da Polícia Judiciária, entregues por Aníbal Pinto ao Ministério Público na queixa contra o diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro. O Observador teve acesso à queixa e à documentação que a acompanha. Um dos documentos, datado de 9 de outubro de 2015, pede à Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico da PJ uma operação de vigilância ao então advogado Rui Pinto, com o objetivo de seguimento de suspeita. Acontece que essa vigilância é pedida para o Porto e não para Oeiras, onde aconteceu o encontro de 21 de outubro entre o advogado e os representantes da empresa Doyen. Há, depois, um relato de diligência externa sobre uma operação realizada a 4 de novembro, que refere a colocação de dispositivos na pessoa ofendida e na pessoa colaborante e a obtenção de ficheiros áudio, mas o relatório não está assinado e a diligência ocorreu noutro dia, no dia 4 de novembro. Ontem foi um dia marcado por buscas realizadas por vários procuradores do Departamento Regional de Investigação e Ação Penal de Lisboa, à sede nacional da Polícia Judiciária, com o diretor nacional Carlos Cabreiro como alvo, à Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico e ao posto de trabalho de David Freitas, um dos autores das queixas apresentadas contra Cabreiro e vários inspetores da PJ. O secretário-geral do PS pede esclarecimentos rápidos à ministra da Justiça sobre as buscas ao gabinete do diretor da Judiciária. Ontem à noite, em entrevista à RTP, José Luís Carneiro afirma que esta iniciativa do Ministério Público é inédita e, por isso mesmo, o líder socialista pede que a investigação seja célere e considera que Rita Alarcão Júdice deve vir a público dar explicações. Vamos ouvir essas declarações de José Luís Carneiro.

Quanto mais célere forem as investigações, quanto mais rapidamente se restabeleça o normal funcionamento da Polícia Judiciária, melhor. E acho que a senhora ministra da Justiça deve velar por esse objetivo.

Deve fazê-lo amanhã, já?

Deve fazê-lo quando entender, no meu entender, quanto mais rápido o fizer, melhor. Ou seja, é importante que dê uma palavra pública, enquanto responsável política pelo Ministério da Justiça, sobre a importância, não apenas do escrutínio sobre a ação dos titulares das mais importantes funções, mas também uma palavra de tranquilidade, porque isto também é demonstração de que, no Estado de Direito, ninguém está acima da lei.

José Luís Carneiro a falar sobre este caso a envolver o diretor da Polícia Judiciária. O secretário-geral do PS falou ainda, nesta entrevista à RTP, sobre a confirmação da Comissão Parlamentar de Inquérito ao ministro da Administração Interna, Luís Neves. José Luís Carneiro considera que o Parlamento não se deve substituir aos tribunais no apuramento de eventuais crimes.

Esses atos estão a ser objeto, precisamente, de várias investigações. Uma delas, por aquilo que é público, conduzida pela própria Procuradoria-Geral da República. E, portanto, há que aguardar pelas investigações e pelas conclusões dessas investigações. Confundir o plano parlamentar e político e procurar fazer na Assembleia da República aquilo que compete fazer às instituições que têm por objeto e por responsabilidade averiguarem atos que possam ter constituído ilícito criminal, é procurar confundir papéis, no nosso entendimento.

Declarações de José Luís Carneiro esta noite em entrevista à RTP. O primeiro-ministro discursou hoje nas Nações Unidas, em Nova Iorque, a poucos meses de Portugal regressar ao Conselho de Segurança da ONU como membro não permanente. Luís Montenegro cumpre o terceiro e último dia de visita oficial aos Estados Unidos, antes de regressar ainda hoje a Portugal. Há dois anos, quando se estreou na Assembleia Geral da ONU, o chefe de Governo defendeu uma reforma institucional da organização e disse também que o Conselho de Segurança deveria passar a tomar algumas decisões por maioria, em matérias e circunstâncias previamente elencadas, para não ficar bloqueado pelo direito de veto. A intervenção do primeiro-ministro está prevista para o início da tarde em Nova Iorque, final da tarde em Lisboa. Ontem, na sede das Nações Unidas, o primeiro-ministro Luís Montenegro criticou o que considera ser a realidade absurda e insensata do aumento do preço dos combustíveis. Luís Montenegro defende que o investimento nas energias renováveis tem vários objetivos, entre os quais garantia de maior autonomia estratégica. Garante que Portugal está na linha da frente, precisamente da transição energética.

Uma altura onde estamos todos a ser afetados por esta realidade absurda e insensata de estarmos todos a pagar os combustíveis provenientes do petróleo mais caros, com inegável prejuízo para as nossas populações e para as nossas economias, a capacidade de sermos mais autónomos, cada um de nós também mais soberano, mais amigo do ambiente e podermos oferecer fontes de energia a um preço mais acessível é um objetivo comum que partilhamos convosco.

O primeiro-ministro Luís Montenegro, que discursou hoje na Assembleia Geral das Nações Unidas, diz que Portugal deve conseguir antecipar em alguns anos o objetivo de alcançar a neutralidade carbónica em 2050. O presidente da República vai ser hoje recebido pelo Papa Leão XIV, a primeira visita oficial de António José Seguro ao Vaticano. A audiência está marcada para as 09h locais, ou seja, 08h em Lisboa. Em declarações aos jornalistas em Roma, ontem, Seguro admitiu estar com enorme expectativa em ouvir Leão XIV sobre os principais problemas globais, em especial guerras.

A minha responsabilidade é dirigir à Sua Santidade o convite para fazer uma visita de Estado ao nosso país. Isso vai reforçar estas relações de amizade e vai ser também um momento e um palco Num país aberto ao mundo, para que a palavra do papa também possa ser ouvida por quem deve e para que se calem as armas. Nós precisamos de acabar com as guerras. A Europa tem uma guerra, o Estreito de Hormuz está a provocar muito sofrimento às pessoas e também em Portugal, e a palavra do papa é uma palavra importante.

Como escutámos o presidente da República a dizer que vai convidar o Papa Leão XIV a visitar Portugal. O regresso ao país de António José Seguro, o regresso ao Palácio de Belém, está previsto para hoje à tarde. Estados Unidos e China concordaram em prolongar as tréguas comerciais até 10 de janeiro. O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro norte-americano Scott Bessent, numa entrevista à Fox News, depois de uma reunião com o vice-primeiro-ministro chinês. O acordo deveria terminar já no mês de novembro, no dia 10. Ao abrigo das tréguas, os dois países comprometeram-se a reduzir as tarifas aplicadas mutuamente e a não impor novas medidas comerciais restritivas. Tréguas anunciadas numa altura em que o presidente da China já está nos Estados Unidos para a primeira visita a Washington em mais de uma década. À chegada, Xi Jinping foi recebido por Donald Trump e pela primeira-dama na base aérea de Andrews, nos arredores de Washington. Entretanto, numa declaração divulgada à chegada a território norte-americano, o presidente chinês defendeu que a China e os Estados Unidos devem ser parceiros e não rivais. Xi Jinping, presidente chinês, sublinha que os dois lados devem aproximar-se e trabalhar em conjunto para garantir a paz e a estabilidade global. A marcar o dia de ontem, o último adeus a Jorge Palma. O artista morreu na madrugada de segunda-feira, aos 76 anos. O velório aconteceu ontem na Voz do Operário. Muitos foram os que por lá passaram para uma última homenagem ao artista. Beatriz Félix.

Palmas para Jorge na Voz do Operário e também o operário de tantos poemas e canções da língua portuguesa. No último adeus, o mar de outras vozes que juntas compõem o bairro do amor por Jorge Palma. À porta, muitos esperavam para homenagear e agradecer de forma silenciosa ao compositor que acompanhou tantas gerações em muitos momentos. Tiago Melo é exemplo disso.

Tudo aquilo que implica o crescimento, conhecer pessoas, dar-nos com pessoas e ter desilusões, ter amores, e Jorge Palma consegue, efetivamente, nas suas letras, traduzir isso. Nós já vivemos cem mil anos, encosta-te a mim. Talvez eu esteja a chegar, encosta-te a mim. Dá cabo dos teus desenganos.

Da porta ao último andar da Voz do Operário, o caminho faz-se em silêncio até chegar à sala onde o corpo do cantor descansa, mas sempre rodeado de amigos e até daqueles com quem nunca se chegou a cruzar. As caras conhecidas acabam por chegar e da música à política, muitos vieram recordar Jorge Palma. Marcelo Rebelo de Sousa fala no artista singular, um cantor como não há muitos.

Eu juntava a originalidade nas letras e nas músicas com poucos. À doçura.

Carlos Moedas, também de passagem, lembra Jorge Palma com uma capacidade única de ler a emoção humana. Já Margarida Balseiro Lopes fala de um homem livre. E das bancadas do Parlamento para a Voz do Operário, Paulo Raimundo, do PCP, deixa ponto assente. A partida de Jorge Palma não faz com que o legado se perca.

Jorge foi embora, mas a sua obra, mesmo que ele quisesse, vai ficar sempre entre nós.

Fica entre todas as gerações que cresceram ao ouvir músicas de Jorge Palma, o criador da "Terra dos Sonhos". Jorge Palma foi embora juntamente com o verão, mas João Gil, cantor e amigo, garante: Palma era amado e sabia.

Foi amado em vida, soube quantos portugueses gostavam dele e amavam-no. Ele amava os portugueses.

O legado deste nome maior da música feita em português fica em boas mãos, porque enquanto houver estrada para andar, o nome de Jorge Palma não vai ser apagado. As palavras que deixa serão eternas.

Quanto houver vento e mar, a gente não vai parar.

A jornalista Beatriz Félix, que acompanhou o velório do cantor Jorge Palma. Hoje realiza-se o cortejo fúnebre. Parte às 15h, da Voz do Operário, em direção ao Cemitério do Alto de São João, em Lisboa. Jorge Palma morreu na segunda-feira, aos 76 anos. O funeral é reservado apenas à família.