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Na Rádio Observador. Jornal de Meia Noite com edição de Martim Madeira. Martim, hoje Ana Paula Martins volta a dizer que está de consciência tranquila com o trabalho que tem feito e que só sai do cargo quando o primeiro-ministro entender.
Hoje a ministra assina um artigo de opinião no Jornal de Notícias, em que sublinha que reformar exige coragem aos atores políticos, tempo de concretização, perseverança e capacidade de gerir os descontentamentos. Esteve durante a tarde também na inauguração do Hospital Luzia de Obelora, em Sintra, e à margem foi confrontada com esse mesmo artigo. Questionada sobre ser um autoelogio ao ministério, Ana Paula Martins garante que não é.
O artigo que eu escrevi não pretendia, de forma alguma, ser nenhuma ode ao trabalho que temos feito. Ou seja, eu falo do trabalho que temos feito, mas também falo de factos com números que não estão bem, naturalmente. E, portanto, o que eu lhe posso dizer? A consciência não me pesa porque eu estou a cumprir o meu dever. E eu já disse isto várias vezes. Mesmo atendendo àquilo que os barómetros dizem, e eu compreendo, eu não confundo popularidade com responsabilidade.
Ana Paula Martins também reagiu aos resultados de uma tracking poll da CNN, que avança que é a ministra com a maior taxa de reprovação dentro do governo. A ministra diz que é normal que a pessoa a cargo da pasta da saúde tenha uma avaliação mais negativa.
Ainda sobre a ministra da Saúde, Ana Paula Martins quer remodelar o SNS e diz que pode demorar até um ano.
A ministra admite que há falta de recursos no SNS e, por isso, defende que é preciso concentrá-los. Aponta para a necessidade de fazer uma otimização das urgências, que identifica como uma das maiores redes em toda a Europa. Aos jornalistas, a ministra avança que está a ser feita uma revisão das urgências a nível nacional por vários especialistas e aponta as primeiras datas previstas para os resultados deste trabalho.
Os primeiros resultados desta reorganização acontecerão no final do mês de novembro. O que eu quero dizer com isto? Estará em audição pública esta primeira parte do trabalho deste grupo de especialistas, exatamente, por uma questão de transparência, tem que estar, e depois avançaremos para essa regionalização das urgências.
Resultados que são referentes à região de Lisboa e Vale do Tejo, uma das zonas onde os tempos de espera têm sido os mais elevados. Esta remodelação vai durar um ano a nível nacional, mas vão ser apresentados resultados já no final do mês de novembro a nível local.
E passamos agora ao desporto. Frederico Varandas garantiu que o lugar de Rui Borges nunca esteve em causa e nega qualquer reunião para discutir o futuro do treinador.
A declaração foi feita hoje à noite, durante a cerimônia do Portugal Football Globes, a gala que distingue personalidades e entidades com destaque no futebol português. O técnico do Sporting admitiu que todos erram, mas reforçou a confiança no técnico leonino.
Sobre o Rui Borges ainda, e é importante para mim referir isto, porque todos erram. No dia a seguir, quando acordei de manhã, vi em vários órgãos de comunicação social que teria havido uma reunião de emergência ou uma reunião da administração da SAD, onde se estava a decidir o futuro de Rui Borges no Sporting. E eu gostaria, porque, como digo, não foi em um órgão de comunicação, foram em vários. Acontece, eu sei que vocês muitas vezes podem ser levados ao engano, as fontes podem não ser as melhores, mas não houve reunião alguma, nunca esteve em causa sequer o lugar de Rui Borges.
Sobre a arbitragem, defendeu que o futebol português deve seguir um caminho diferente e elogiou Rui Borges por evitar falar sobre árbitros.
Eu elogio muito o meu treinador, eu peço ao meu treinador para não falar e ele não fala. Eu entendo e percebo o adepto. Percebo perfeitamente o adepto, percebo muitas pessoas que trabalham comigo, percebo. Mas nós entendemos que este é o caminho que o futebol português deve ir. É fácil? Não. É justo? Não.
Declarações de Frederico Varandas no Portugal Football Globes, no registo do Não.
E agora, nos Estados Unidos, Donald Trump reage novamente ao processo instaurado pelos órgãos de comunicação social SNS, MSNow e político sobre ele próprio. Antes da decisão sobre o processo, avisa já que a Casa Branca vai recorrer da decisão do juiz.
Os órgãos norte-americanos processaram o presidente dos Estados Unidos depois de Trump ter proibido a cobertura destes três canais na Casa Branca. A CNN, o Politico e o MSNow ficam assim proibidos de qualquer tipo de cobertura e processam Trump por considerarem que está a infringir nos direitos de liberdade de imprensa. Numa nova nota na rede social Truth Social, Trump afirma que o juiz escolhido para a decisão do processo legal é um juiz que vai favorecer os órgãos da comunicação, apesar de ter sido apontado pelo próprio Donald Trump. E, portanto, a Casa Branca vai recorrer dessa mesma decisão, que ainda não foi tomada. Acrescenta no final que a CNN, a MSNow e o Politico são fake news e um perigo para a segurança nacional e que fará tudo para tornar a América grande novamente. Também J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, ataca os órgãos de comunicação social envolvidos e defende o presidente norte-americano.
Ele não está a proibir os meios de comunicação social. O que ele está a fazer é dizer: nós vamos conceder acesso à Casa Branca se se envolverem no que é, na prática, propaganda. Temos de nos lembrar que estes três órgãos de comunicação representam cerca de 92% das notícias negativas sobre o presidente dos Estados Unidos e a administração. Portanto, se dedicam ao que é, na prática, propaganda de extrema-esquerda, por que razão uma Casa Branca republicana lhes concederia acesso especial? Eu acho que é totalmente adequado, a menos que, claro, comecem a comportar-se como verdadeiras organizações noticiosas.
Durante a tarde, as cadeias de televisão norte-americanas CBS, NBC, ABC e Fox decidiram suspender a cobertura de Trump em apoio aos órgãos de comunicação social que ficaram proibidos de entrar na Casa Branca
E falamos ainda do Comédia à la Carte. O festival lançou um comunicado a garantir que o festival vai realizar-se.
Explica ainda como vai funcionar o sistema de reembolso dos bilhetes. O Festival de Comédia ficou marcado pela polêmica que envolve o humorista Jerry Seinfeld, que está como cabeça de cartaz. Vários outros humoristas decidiram boicotar o festival por serem contra a visão de Seinfeld sobre o conflito israelo-palestiniano em Gaza. Num comunicado enviado hoje à noite, a organização esclarece que Jerry Seinfeld mantém-se como cabeça de cartaz e que o festival vai decorrer com as atuações que não cancelaram e ainda permanecem. Quanto ao reembolso de bilhetes afetados pelos cancelamentos, vão ser contactados diretamente e já estão a ser contactados. Os restantes bilhetes continuam válidos. O festival começa no dia 28 de outubro e dura até o dia 1 de novembro, o dia em que atua Jerry Seinfeld.
Sete minutos para lá da meia-noite. Que outras notícias marcam esta hora, Martim?
Falamos da Paramount, que chega a um acordo com os Estados que queriam travar a compra da Warner Bros. E avança mesmo para essa compra da Warner Bros. Portanto, a Paramount queria comprar a Warner Bros. Discovery também. Doze estados norte-americanos queriam impedir a compra deste canal de mídia e a Skydance conseguiu dar mais um passo na aquisição, num negócio que promete mudar o panorama do entretenimento. A empresa chegou a este acordo por um processo que tinha avançado para impedir a compra, avaliada em 81 milhões de dólares, cerca de 70,6 mil milhões de euros. É uma notícia avançada pelo Wall Street Journal, Bloomberg, Reuters e CNBC. Os detalhes do acordo ainda não são conhecidos na íntegra, mas vários jornais avançam que a Paramount poderá assim evitar ter de vender os canais de cabo, como a CNN ou a HBO. A Reuters também refere que a Paramount se compromete a criar um conselho editorial independente para a CNN e a CBS e a lançar também 30 filmes. Falamos ainda também do Reino Unido, que vai enviar ajuda militar para a Arábia Saudita, neste caso, para combater os houthis no Iêmen. É o que confirma Andy Burnham, citado pela Telegraph, diz que receberam o pedido do reino da Arábia Saudita para apoiar militarmente e o conselho do secretário de defesa e do secretário de Estado estrangeiros britânicos concordou com o pedido para reabastecer a parte defensiva aérea. É o que diz Andy Burnham em Nova York, o primeiro-ministro inglês em Nova York, antes da Assembleia Geral das Nações Unidas, que começa amanhã. A ajuda consiste no envio de uma aeronave da Força Aérea Real Britânica com reabastecimento aéreo para evitar ataques nas instalações petrolíferas sauditas. E Rita, para fechar, uma mulher desconhecida interrompeu a atuação do cantor Blue Eye e tornou-se um dos momentos mais virais.
Então conta-nos melhor o que aconteceu.
O momento aconteceu durante a iniciativa Sem Olhar a Quem, da Rádio RFM, dedicada à acessibilidade e à inclusão. O músico Blue Eye era um dos convidados, também por ser cego, e estava em palco quando uma mulher, que ninguém conhecia, subiu ao palco e começou a cantar. Não cantou muito, mas a verdade é que o cantor já toca repetidamente nas redes sociais.
Eu gosto muito da música.
Gosta, está no ouvido.
Fica no ouvido, sim.
Se calhar a senhora tem um futuro que nós não sabemos.
Quem sabe? Depois de toda esta repercussão, será que ainda vamos ouvir o famoso "O que tem no Ka?" numa música a sério?
No Ka, e também há muita gente a questionar. O que tem no carro, se é cais.
Pois é.
Pode ser o cais. O cais tem um pingo doce e tem um jardim. Achas que é o que cabe?
Eu acho que é carro.
Achas que é carro?
Até porque é o carro do Pingo Doce.
Mas é o quê? O carrinho das compras do Pingo Doce? O que tem no carrinho das compras do Pingo Doce? Achas que é essa a questão?
Sim, foi essa a situação.
E depois a parte do jardim?
Não sei.
Eu passei com o carrinho de compras do Pingo Doce. O próprio músico partilhou este vídeo, diz que só me acontece isto a mim e que foi roubado em cima do palco. E parece que o cantor Blue Eye também já revelou que quer gravar uma nova versão da música com a mulher que invadiu o palco.
Acho isso ótimo.
Aquilo que começou com uma interrupção inesperada, acabou-se por se transformar num convite para entrar em estúdio.
Sim, agora toda a gente conhece o Blue Eye e também esta senhora misteriosa que vamos conhecer melhor em breve a sua identidade, até aposto. Quem sabe no anúncio do Pingo Doce, não é?
Exato.
Quem sabe?
Alguém diga que já há contactos.
E assim fechamos o jornal da meia-noite, edição do jornalista Martim Madeira. Não regressa à meia-noite e meia porque vai-se embora. Quem regressa é sim, Martim?
Hugo Fortunato Oliveira.
É isso mesmo. E já a seguir fique com o Porque Sim, Não É Resposta. Eu também regresso amanhã. Tchau, tchau.
Tchau.