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Com a Carla Jorge de Carvalho. Jornal das 10 na Rádio Observador. Começamos com o PS, garante que o aumento estrutural das pensões não coloca em causa a sustentabilidade da Segurança Social. Alexandra Leitão acusa o governo de eleitoralismo ao querer apenas aumentar o complemento solidário para idosos.

A líder parlamentar socialista diz que a proposta do PS dá mais previsibilidade aos reformados. Em causa, uma subida de 1,25 pontos percentuais no caso das pensões até aos €1.565. Alexandra Leitão pede à AD que dê mais segurança aos pensionistas.

É uma medida que dá uma permanência e uma previsibilidade aos aposentados relativamente àquilo que é o aumento das suas pensões, coisa que com os bônus pontuais, uma vez por ano e que nem sequer são certos, ou seja, o que se disser, se for possível, acontecerão. Além de ter aqui uma dimensão eleitoralista, convenhamos, é um bônus único, discricionário, é uma benesse que acontece se o poder político, no caso o governo, entender dar e isso parece-nos que não é, de facto, uma solução aceitável.

Alexandra Leitão lembra também que o PS aumentou as pensões nos oito anos de governação e que isso não pôs em causa a sustentabilidade da Segurança Social.

Do lado do PSD, Hugo Soares diz que o governo não vai aumentar estruturalmente as pensões dos idosos por causa da situação internacional.

O líder parlamentar social-democrata garante que se tivesse condições, subscrevia a proposta do Partido Socialista.

Eu não tenho dúvida que é mais previsível. E deixe-me dizer, não tenha também dúvidas que o governo, se tivesse a possibilidade de garantir hoje essa previsibilidade, que o faria. O ponto é o contrário. O ponto é que nós sabemos que o mundo vive tempos de grande mutação. Nós acabamos de eleger um novo presidente dos Estados Unidos, temos uma crise política e uma crise económica na Alemanha, temos duas guerras, uma à porta da Europa, outra na Europa. Nós sabemos bem que o ano de 25 encerra em si uma grande imprevisibilidade.

E é por isso que Hugo Soares garante que o aumento das pensões previsto na lei vai acontecer. Um novo suplemento adicional ao complemento solidário para idosos poderá acontecer.

A TAP lucrou €118 milhões nos primeiros nove meses do ano. É uma queda de mais de 40% face ao mesmo período do ano passado.

O lucro de 2024 foi praticamente todo conseguido no terceiro trimestre. Nos últimos três meses, a TAP lucrou mais de €117 milhões. Até junho, tinha lucrado 400 mil. O segundo trimestre do ano tinha sido o primeiro com lucros desde que os cortes salariais foram repostos. Nos primeiros nove meses deste ano, os custos operacionais recorrentes subiram mais que as receitas operacionais. Os custos com pessoal registaram uma subida de 44% a comparar com 2023, ano ainda com os tais cortes salariais. Junta-se agora a este jornal a editora de economia do Observador, Alexandra Machado. Bom dia, vamos explicar estes números. O que está a acontecer com a TAP?

A TAP teve neste terceiro trimestre um aumento de receitas, mas temos que ter em conta que também os custos estão a aumentar, fruto, como disseste, de ter os custos com pessoal a subir por causa da reposição dos salários que tinham sido cortados no âmbito do plano de reestruturação. E a comparação deste ano vai sempre ser prejudicada por esse indicador. Portanto, só para o ano é que percebemos exatamente como é que a atividade da TAP sobrevive ou vive com a situação dos custos com pessoal regularizada. Os custos de pessoal representam bastante fatia nos custos da empresa, a par de outros como os combustíveis, etc. Lembro que este terceiro trimestre é o melhor para a aviação, é um dos melhores para a aviação, é o período de verão e de facto os rendimentos, as receitas subiram e daí a atividade estar a melhorar. Também está a melhorar a operação de manutenção. A TAP também faz manutenção de aviões para terceiros e para ela própria, e houve um crescimento bastante grande dessa componente de atividade da TAP, o que permitiu esse tal aumento de receitas, que nos passageiros não foi muito elevada, mas foi um aumento ainda também face a 2019, que é o que a TAP gosta de comparar, porque é aquele ano imediatamente antes da pandemia, onde tudo estava a correr sobre rodas. Conseguiu com isto ter lucros de 117 milhões no terceiro trimestre, o que lhe permitiu chegar até ao final de setembro, portanto, nos nove primeiros meses do ano, a ter um lucro de €118 milhões, sendo que a própria TAP diz que há aqui vários desafios que tem que enfrentar, obviamente, e é uma atividade bastante volátil face aos acontecimentos geoestratégicos e políticos. Portanto, a ver se se aguenta com este ritmo de lucro, ou pelo menos de atividade, que lhe permita continuar a ter este registo de lucros.

Sim, o que torna esta empresa mais interessante para o ano começar mesmo o processo de privatização, como o governo tem anunciado.

Sim, obviamente, uma empresa com lucros é sempre mais interessante do que uma empresa com prejuízo. É importante é que esse lucro consiga ser consolidado.

E estas contas não conseguem mostrar ainda.

Consegue perceber-se aqui uma trajetória, pelo menos, de alguma normalidade na operação, o que é bom, e numa normalidade de ter lucros é bom. É um aspecto positivo para a transportadora aérea, especialmente, como disseste, numa altura em que poderá vir a ser privatizada e o processo de privatização lançado com uma empresa a dar lucro é sempre bom. Claro que nós estamos a falar aqui na TAP SA, que é de transportes aéreos e o problema é a companhia aérea, digamos assim, mas o governo ainda tem um problema para resolver na TAP Holding.

Que é?

Que dá prejuízo, tem capitais próprios negativos e tem ainda umas perdas com o Brasil. Portanto, o governo ainda tem que resolver o problema da TAP Holding SGPS. Mas a TAP, companhia aérea, está no bom caminho para ser privatizada. Enfim, pelo menos está com resultados que algum parceiro pode ficar agradado.

Podem mostrar isso aos interessados. Alessandra Machado, obrigada. Editora de Economia do Observador, ajuda-nos a ler a notícia desta manhã: a TAP lucrou € 118 milhões nos primeiros nove meses do ano. É uma queda de mais de 40% face ao mesmo período do ano passado. A explicação passa muito pela reposição dos cortes salariais.

Um dia depois de Joe Biden ter dado luz verde à Ucrânia para utilizar mísseis de longo alcance contra a Rússia, a União Europeia recusa que Vladimir Putin esteja disponível para negociar um acordo de paz.

Um acordo de paz que mantenha as fronteiras da Ucrânia tal como estão. À entrada para a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, Joseph Borel criticou o ataque de ontem da Rússia contra o sistema de energia ucraniano. Kiev refere mesmo que o país foi alvo de um ataque em grande escala. Ora, para o líder da diplomacia europeia, os ataques russos provam que Moscovo não pretende chegar a qualquer acordo com Kiev.

A resposta de Putin à tentativa de diálogo ou de negociação foi o maior ataque a infraestruturas civis e energéticas em meses na Ucrânia, com o uso de um número elevado de drones. Não me parece que o presidente da Rússia esteja disponível para negociar, muito pelo contrário.

Joseph Borel, à entrada para a última reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do Bloco dos 27, antes de passar a pasta a Kaja Kallas, da Estónia. O chefe da diplomacia europeia diz ainda que é preciso acelerar o apoio à Ucrânia, numa altura em que a imprensa norte-americana avança que Joe Biden terá dado luz verde para a utilização de mísseis de longo alcance. Uma decisão que foi avançada pela imprensa norte-americana, mas que ainda não foi confirmada nem pela Casa Branca, nem pelo Pentágono ou por Kiev.

Volodymyr Zelensky não comenta essa decisão de Joe Biden, mas os ucranianos em Portugal dizem que a ajuda chega tarde.

Pavlo Sadok é o presidente da associação que representa os ucranianos que vivem em Portugal. Está satisfeito com a decisão de Biden, mas diz que é algo que deveria ter acontecido logo desde o início do conflito.

Eu acho que os ucranianos já esperavam esta decisão logo do início desta guerra, porque aqueles avisos do Putin ou de outros políticos importantes na Rússia que não fazer escalada, não tinham nenhum sentido. A escalada foi logo do início do primeiro dia de avanço das tropas russas e território. Primeiros foguetes, mísseis caídos nas cidades da Ucrânia. Portanto, acho que é boa decisão.

O presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, em declarações à Rádio Observador. No mesmo sentido, o historiador Bruno Cardoso Reis fala de uma decisão importante para a Ucrânia, sim, mas que vem tarde. O historiador indica ainda que não é esperado que as dinâmicas do conflito mudem nesta altura.

À partida, aquilo que podia mudar o conflito era se muitos destes passos, que foram dados muito gradualmente, tivessem sido dados ao mesmo tempo, numa altura em que a Rússia revelava alguma fragilidade, por exemplo, naquela altura do golpe de Prigozhin ou pouco antes. E, portanto, aqui temo que seja um pouco demasiado tarde, pelo menos. Não quer dizer que em todo o caso não seja útil para a Ucrânia, nomeadamente para lidar com esta ameaça de uma contraofensiva russa, e que lhes dá aqui alguma capacidade de negociá-lo, no caso de vir a haver uma pressão muito grande e que é já crescente para negociações com a Rússia.

Bruno Cardoso Reis, no Gabinete de Guerra desta manhã, a considerar que a utilização dos mísseis de longo alcance pode ajudar a Ucrânia a eventuais negociações de paz.

Entretanto, os ataques contra a Ucrânia continuam, agora contra a cidade de Sumy.

Pelo menos 11 pessoas morreram, quase 90 ficaram feridas depois de um ataque russo com mísseis nesta cidade ucraniana. Ao todo, terão sido disparados 120 mísseis e 90 drones contra várias regiões da Ucrânia. A informação é avançada pelas autoridades locais, que indicam que alguns dos rockets atingiram um edifício de habitação. Os serviços de emergência e socorro da Ucrânia falam em 11 crianças feridas.

Antes do Contracorrente, temos ainda neste jornal das 10 outras notícias que estão a marcar a atualidade.

Um incêndio está a deflagrar num hospital na Rússia, de acordo com informações dadas por meios de comunicação locais. O incêndio começou no telhado do Hospital Central número 3, na cidade de Ekaterimburgo. O Ministério das Situações de Emergência confirma que as chamas se propagaram numa área de cerca de 30 metros quadrados, ainda sem dados sobre o número de vítimas. Sabe-se que pelo menos 350 pessoas foram retiradas do local. Israel reivindica o ataque de ontem em Beirute, que matou o principal porta-voz do Hezbollah. Foi uma das quatro vítimas mortais. Em comunicado, as forças israelitas responsabilizam este homem, o porta-voz, da autoria de atividades terroristas levadas a cabo contra Israel e de promover uma campanha de propaganda e terror psicológico. Oito pessoas morreram durante a passagem de um tufão pelas Filipinas no domingo, sete num deslizamento de terras no norte do arquipélago, é o que indicou um responsável da agência local de gestão de catástrofes. O presidente filipino referiu que o tufão não foi tão grave como o previsto. Ainda assim, mais de 1 milhão e 200 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as casas com a aproximação desta tempestade. Por cá, o SNS está a enviar cada vez mais doentes para serem tratados no estrangeiro. Em 2023, foram aprovados 470 pedidos de assistência médica fora de Portugal. O SNS gastou € 2,4 milhões no ano passado só com estes doentes. Os dados são revelados hoje pelo Jornal de Notícias e são avançados pela Direção-Geral da Saúde. E agora estamos no mês de novembro, que é um mês cheio de significado.

Então, é o mês antes do Natal, não é?

É verdade.

Já vamos ter Mariah Carey a cantar.

Não vamos por aí. É um mês que tem muitas outras celebrações antes mesmo do Natal.

Mas fazes anos em novembro?

Não.

Ah, ok. Alguém faz?

Não. Faz. Vou te dizer quem. Chegas lá?

São os Clã. Os Clã fazem anos?

Os Clã fazem anos, 32. Tu acreditas? Tantos.

São os maiores, gosto muito deles.

Eu também. E claro, têm festa, juntam-se às celebrações dos 100 anos do Teatro Tivoli e hoje vão subir ao palco para um grande concerto em que prometem uma viagem para ir com 32 anos e canções que não nos saem da cabeça, como esta. E portanto, hoje estão no Tivoli, em Lisboa, a partir das 21h.

Olha, parabéns aos Clã.

Parabéns aos Clã.

E à Manuela Azevedo, que é ótima, não é?

Também acho.

Grande frontwoman. Fica por aqui o Jornal das 10. Vai começar o Contracorrente.