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São 10 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Começamos com a análise ao debate entre AD e CDU. Alexandre Poço, do PSD, acusa Paulo Raimundo de não ter sido capaz de colocar qualquer questão ao primeiro-ministro sobre o caso da empresa familiar. João Oliveira, do PCP, antecipa que a campanha de Luís Montenegro vai ser marcada pela vitimização. São os destaques do explicador desta manhã da hora da campanha. Estivem em análise o debate entre Luís Montenegro e Paulo Raimundo de ontem à noite. O vice-presidente social-democrata, Alexandre Poço, considera que os partidos da oposição têm tido dificuldades em confrontar o primeiro-ministro com a polêmica da Spinon Viva por falta de provas.

Eu acredito que o tema possa continuar a fazer parte dos debates, mas ontem foi mais uma vez uma situação em que nós apenas assistimos a um repetir daquilo que tem vindo a ser as principais mensagens críticas à figura do primeiro-ministro ao longo do último mês, mês e meio, mas sem depois ter a capacidade de concretizar alguma situação que coloque em causa o comportamento ético do primeiro-ministro ou da ação governativa.

O comunista João Oliveira admite que o PCP não tem como objetivo fazer do caso de Montenegro o centro da campanha. Ainda assim, acusa o primeiro-ministro de não estar disposto a dar todos os esclarecimentos.

Eu acho que essa questão ficou muito clara na forma como o Sr. Raimundo colocou a questão ao primeiro-ministro. Porque o problema não tem que ver apenas com o comportamento individual do primeiro-ministro, é um comportamento individual que espelha uma política, que é uma política de confusão, de promiscuidade entre o interesse público e o interesse privado. A tática do PSD para essas eleições vai ser a lógica da abordagem a esta questão por via da vitimização, não por via do esclarecimento, dando a justificação daquilo que o primeiro-ministro fez, porque o próprio primeiro-ministro sabe que aquilo que fez é injustificável, não tem justificação possível.

João Oliveira, da CDU, e Alexandre Poço, do PSD, estiveram em debate no Explicador. E já esta manhã tínhamos recebido Pedro Frazão, do CHEGA, e Pedro Fidalgo Marques, do PAN, para analisarem o debate entre André Ventura e Inês de Sousa Real, com Pedro Fidalgo Marques a acusar o CHEGA de espalhar desinformação sobre a imigração.

O que a Inês de Sousa Real fez foi muito bem, porque teve uma postura combativa, teve uma postura que não deixou, em momento nenhum, que passassem essas ideias demagógicas e populistas do CHEGA, como, por exemplo, quando falava do aumento da criminalidade e associava aos imigrantes. Isso é falso. Quando falava, por exemplo, dos imigrantes virem só atrás dos subsídios. Isso é falso. Isso também não quer dizer que tenhamos uma política de portas escancaradas. Não é isso que quer dizer e é isso que as falsas verdades, que vão dentro dessas fake news, que André Ventura passou o debate todo a tentar passar.

Já Pedro Frazão acusa o PAN de utilizar táticas da extrema-esquerda para atacar o CHEGA.

Parece que o PAN está a seguir a extrema-esquerda, apesar de se ter tentado marcar ontem da extrema-esquerda, o facto é que utiliza as mesmas técnicas argumentativas de estar sempre a atirar contra o CHEGA esta anátema das fake news e da mentira. Quando a Inês de Sousa Real diz que os imigrantes contribuem grandemente para a Segurança Social, quem contribui são um determinado tipo de imigrantes, que são exatamente os imigrantes que o CHEGA defende, que são os imigrantes que vêm da Europa, dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Canadá.

Pedro Frazão, do CHEGA, Pedro Fidalgo Marques, do PAN, estiveram no Explicador esta manhã. Os debates televisivos vão continuar. Hoje, Pedro Nuno Santos e Mariana Mortágua têm encontro marcado às 21h, na SIC. Já André Ventura e Rui Tavares debatem uma hora depois, na RTP3. E o governo está a esta hora reunido com várias associações empresariais por causa das tarifas de Donald Trump. Nos próximos dois dias, o ministro da Economia vai ouvir patrões e empresários para avaliar o impacto destas medidas na economia nacional. O João Lourenço está a acompanhar estas reuniões, agora em direto. João, bom dia. Quantas associações vão ser ouvidas hoje?

Bom dia, Carla. São cerca de 18 associações de vários setores, desde o mobiliário, calçado, têxteis, automóvel e outros setores. Estamos a falar de reuniões que estavam agendadas para amanhã e para sexta-feira, mas foram antecipadas para o dia de hoje e também o dia de amanhã. Estas reuniões acontecem depois das decisões dos Estados Unidos, concretamente de Donald Trump, a anunciar novas tarifas norte-americanas de cerca de 20% a produtos importados da União Europeia, que acrescem os de 25% sobre os automóveis, aço e alumínio. A esta hora está reunida a Associação Portuguesa das Indústrias da Cerâmica e da Cristalaria. Já esteve reunido com Pedro Reis, o ministro da Economia, a Associação Portuguesa de Empresas do Setor Elétrico e Eletrónico. Outra reunião está marcada para às 19h15, à química, e na reunião também constam o secretário de Estado do Tesouro e o secretário de Estado da Economia. Duas notas: estas reuniões têm como objetivo auscultar as soluções que estes empresários e patrões têm para mitigar estas novas tarifas por parte dos Estados Unidos e também o facto de o Ministério da Economia estar articulado com a União Europeia para responder às novas tarifas e às medidas de proteção que estão a ser desenhadas para os diferentes setores da atividade. Outra nota, até porque o líder da oposição, Pedro Nuno Santos, falou acerca destas tarifas e das soluções que os governos podem apresentar para as mitigar. Pedro Nuno Santos criticou o atual governo por não dar respostas e lembrou a solução apresentada por Pedro Sánchez, o primeiro-ministro espanhol, que anunciou na semana passada um pacote para ajudar as empresas, pacote esse que pode ascender até aos 14 mil milhões de euros. As reuniões vão prosseguir aqui no Campus 21, a sede do governo, com os vários patrões e empresários de Portugal.

E nesta altura, João Lourenço, a serem recebidos os empresários do setor da cerâmica e do vidro, reuniões que decorrem no Ministério da Economia, em Lisboa, zona que reúne nesta altura a maioria dos ministérios deste governo, numa altura em que Donald Trump ameaça a China com novas tarifas de 50%. Os mercados europeus abriram, entretanto, hoje no verde, e isto depois de vários dias com resultados negativos. A Bolsa de Lisboa também começou o dia a subir 1,2%, depois de vários dias no negativo. A Amnistia Internacional alerta que a pena de morte continua a ser uma realidade bem presente em vários países em todo o mundo. Mais de 1500 pessoas foram executadas em 2024, o que representa um aumento de 32% em comparação com o ano anterior. Manifestantes, opositores políticos e grupos étnicos estão, sobretudo, entre as vítimas. É a conclusão do mais recente relatório da Amnistia Internacional. Miguel Gato.

Mais de 1500 pessoas foram executadas em 2024, o que representa um aumento de 32% face ao ano anterior e o valor mais alto registrado pela Anistia Internacional na última década. A organização estima que foi a China o país que mais pessoas matou no ano passado, apesar de as execuções no Irã, no Iraque e na Arábia Saudita representarem 90% do total das que ocorreram no ano passado. A Anistia denuncia, através deste relatório, que há Estados a aplicar a pena de morte contra manifestantes, opositores políticos e grupos étnicos, e há registro também de um aumento das execuções relacionadas com crimes de droga, tudo violações dos direitos humanos estabelecidos internacionalmente. O número de pessoas executadas aumentou, mas a quantidade de países onde a pena de morte é aplicada diminuiu. 2024 registou o número mais baixo desde que há registro. Sabe-se que apenas 15 nações aplicam execuções no território. No cômputo geral, 113 países aboliram totalmente a pena de morte, enquanto 145 já o fizeram na lei ou na prática. Ainda assim, em 15 países há ainda pessoas a serem condenadas à morte. Os métodos utilizados em 2024 foram a decapitação, o enforcamento, a injeção letal, o fuzilamento e a asfixia com gás nitrogênio.

Miguel Gato, com o relatório da Anistia Internacional sobre a pena de morte e os números referentes ao ano passado. Registou-se um aumento do número de pessoas mortas após serem condenadas com esta sentença, mas há também uma diminuição gradual ao longo dos anos dos países que ainda aplicam a lei capital. Hoje o Contracorrente é dedicado ao efeito das tarifas nas bolsas, mas primeiro, Carla, que outras notícias marcam esta manhã? No Médio Oriente, subiu para 25 o número de mortes na sequência dos mais recentes ataques do exército de Israel à Faixa de Gaza. Entre as vítimas mortais estão cinco crianças. Donald Trump e Benjamin Netanyahu afirmam que estão a negociar um acordo para a libertação de reféns. A Inspeção-Geral da Administração Interna instaurou quatro processos disciplinares a agentes da PSP por discriminação no ano passado. De acordo com o jornal Público, em causa estão alegados comportamentos racistas, nomeadamente em publicações nas redes sociais e crimes contra a identidade cultural e a integridade pessoal. No caso dos militares da GNR, em 2024 foram registadas três denúncias de alegados comportamentos xenófobos e discriminatórios. Já está disponível o novo episódio de "O Misterioso Engenheiro Jardim". O novo podcast Plus do Observador tem narrado ao longo das últimas semanas a vida de Jorge Jardim, empresário e agente secreto ao serviço do governo português durante os anos 50 e 60. Jardim foi também um dos grandes promotores dos concursos de misses, uma atividade na qual se envolveu com o objetivo de promover Moçambique. Iris Maria dos Santos, eleita Miss Portugal em 1962, é uma das participantes do episódio desta semana.

E depois era a prova, que estava tudo combinado, a hora das provas dos vestidos. Nós sabíamos que tínhamos que estar naquela hora, que o engenheiro ia lá, que é para nos ver. Nós vestimos e ele dava o seu parecer. Fica bem, fica mal, mais decotado, menos decotado. Quando chega a minha vez, eu vou toda muito descontraída com o meu vestido para eu ver qual era a opinião dele. Quando ele fica assim muito sério e diz assim: "Este não é a cor do vestido que eu escolhi pra Iris". "Senhor Engenheiro, pois não é, o senhor Engenheiro tinha escolhido este, mas achamos assim uma cor mais pálida pra ela, que ela tem estes olhos, para sobressair os olhos". "Não, não. É daquele lilás que eu escolhi, é aquele que vai ser".

O certo do novo episódio de "O Misterioso Engenheiro Jardim" é uma série em podcast narrada pelo ator Lourenço Ortigão, com banda sonora original dos HMB. O quarto episódio já está disponível no site do Observador e nas plataformas de podcast. Os assinantes Standard e Premium têm acesso antecipado a todos os episódios, ou seja, à série completa.