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São 10 da manhã. Marta Temido acusa os Estados Unidos de pirataria e de abusarem da força. A eurodeputada do PS defende também que a União Europeia deve traçar uma linha vermelha perante o ataque à Venezuela para evitar que a tensão continue a escalar. Declarações de Marta Temido em entrevista à Rádio Observador. A eurodeputada do Partido Socialista pede que a União Europeia seja firme na resposta aos ataques dos Estados Unidos à Venezuela, sobretudo depois de Donald Trump voltar a admitir também anexar a Gronelândia, território que pertence à Dinamarca.
O que nós, União Europeia, temos que afirmar claramente é que não se trata de nenhuma legítima defesa, trata-se de uma utilização abusiva daquilo que é o uso da força e trata-se de pirataria, de autêntica pirataria, que nós temos que travar, porque coloca-se a questão de saber se não a travarmos agora, onde vamos travá-la? Na Gronelândia? No Mar dos Açores? Em que outros territórios? E isso é absolutamente insuportável e insustentável e coloca em crise tudo aquilo que são as regras nas quais nos habituámos a confiar.
Declarações de Marta Temido à Rádio Observador. Continuamos a recolher reações. Agora em direto neste jornal está o eurodeputado do PSD, Sebastião Bugalho. Bom dia, Sebastião Bugalho. Obrigada por estar aqui também conosco. Esperava que a União Europeia pudesse ter outro tipo de atitude e traçado as tais linhas vermelhas que acabámos de ouvir em relação aos Estados Unidos.
Bom dia, Carla. Bom ano.
Igualmente, obrigada.
Eu, com franqueza, percebo como me faço essa pergunta com base naquilo que eu acabei de ouvir da doutora Marta Temido, mas não compreendo como faço essa pergunta com base naquilo que a União Europeia tem dito, ainda por cima recentemente, com uma posição tomada pela Comissão Europeia, com o apoio dos 27 Estados membros da União, inclusivamente o nosso, inclusivamente Portugal, em que diz, e deixo lá reiterado, que os membros permanentes do Conselho de Segurança, portanto está claramente a referir tanto os Estados Unidos da América, como a Rússia, como a China, têm uma obrigação maior a respeitar o direito internacional. E nesse mesmo comunicado, nessa mesma posição conjunta, a Comissão Europeia e os 27 Estados membros da União, inclusivamente nós, reiteram que o futuro dos venezuelanos deve ser decidido pelos venezuelanos e apoiam uma transição democrática e pacífica. Portanto, eu sinceramente não entendo a sua pergunta.
Não entende a minha pergunta nem quando ouvimos o presidente dos Estados Unidos.
Não me leve a mal, eu interpreto a sua pergunta com base naquilo que disse a Marta Temido, não com base naquilo que é a posição da Comissão.
Deixe-me acrescentar então um outro dado, e que tem a ver com as declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, que falou também numa possibilidade da Gronelândia ser um território apetecível para os Estados Unidos. Isso não o deixa apreensivo?
Pois, mais uma vez, é o que eu estou a dizer. Não é por acaso que a Comissão Europeia e 27 Estados membros da União Europeia, inclusivamente a Dinamarca e Portugal, publicaram ontem uma nota pública onde apelavam a que os membros permanentes do Conselho de Segurança, na qual, como sabe, se incluem os Estados Unidos, respeitassem o direito internacional. E não é por acaso que a primeira-ministra Mette Frederiksen ontem criticou duramente essas declarações, reafirmando a soberania do seu Estado. Portanto, a ideia de que a Europa está de braços cruzados e de cabeça baixa face às afirmações habitualmente invulgares do presidente Trump, eu peço imensa desculpa, mas só é plausível e só é crível junto das pessoas que querem criticar as instituições europeias e junto das pessoas que obviamente têm um problema de oposição com o presidente Trump. Eu percebo que elas o façam. Não é a realidade. Está a ver?
Vê como uma ameaça essas declarações de Donald Trump? Uma ameaça não só ao direito internacional, mas à União Europeia.
Repare que não é a primeira vez que a Comissão Europeia e que a Dinamarca têm que se defender dessas afirmações. Portanto, como é evidente, nós sendo um país europeu, estaremos ao lado da Dinamarca na defesa da sua soberania, como é evidente. Mas não passa pela cabeça de ninguém que não seja assim, percebe? Essa perceção de que, de repente, o senhor Trump diz e faz aquilo que entende e que não há uma reação, desculpe, mas não tem sido assim nas últimas 24 horas.
Então deixe-me compreender melhor, Sebastião Bugalho. Não há um antes e um depois da intervenção militar que os Estados Unidos fizeram na Venezuela. Os Estados Unidos continuam a ser um aliado com quem a União Europeia pode contar, apesar do comunicado que aqui recordou.
Pronto. Repare, só duas notas sobre isso. Obviamente que há um antes e depois daquilo que aconteceu na Venezuela. Nós não sabemos é o que vai ser o depois. Acho que isso é uma posição relativamente moderada e sensata. Em relação às posições do presidente Trump, eu obviamente sou crítico de muitas delas e muitos dos líderes europeus e dos ministros das Relações Internacionais europeus já foram críticos, já se demarcaram. Vou dar aqui um exemplo que não tem a ver com a Venezuela, para conseguirmos entender isso numa retrospectiva mais longa. As posições do governo português sobre o conflito no Médio Oriente e sobre aquilo que se passou em Gaza são completamente distintas daquilo que foi verbalizado pelo presidente Trump nos últimos dois anos, como sabe. Portanto, essa ideia de que os Estados membros da União Europeia, inclusivamente Portugal, não têm autonomia na sua política externa, não dizem coisas diferentes do que os Estados Unidos da América, lamento, mas é de quem não acompanha a política internacional. Peço desculpa Obviamente não estou a falar de si. Era o que faltava. Mas está a ver o que eu quero dizer? Isso não é verdade. Mas depois também deixa-me dar uma segunda nota, se me permite. Eu também não sou fã, nem adepto, do modo de estar, de decidir, de fazer política e de comunicar do presidente Trump. Acho que ele suscita incerteza, instabilidade, isso é tudo verdade. E isso é criticável, não há dúvidas quanto a isso. Mas também tenho que lhe dizer que depois do senhor Trump fazer as suas habituais demonstrações de inusitado, há sempre um interlocutor do lado dos Estados Unidos da América que tem uma posição mais factual, mais moderada.
E quem tem sido?
Esse tem sido o papel do secretário de Estado Rubio, com quem eu muitas vezes também discordo, mas, por exemplo, o presidente Trump teve uma posição totalmente, eu diria, negligente em relação aos líderes eleitos e democráticos da Venezuela e o secretário de Estado Rubio, no mesmo dia, veio ter uma posição completamente diferente e mais moderada. E eu posso lhe dizer, só para dar algum contexto aos seus ouvintes, por exemplo, noutras matérias diferentes, mas também que nos tocam, como as tensões comerciais e as tarifas. Muitas vezes o presidente Trump tem uma posição e depois os embaixadores e os negociadores, nomeadamente nas reuniões com os interlocutores europeus, têm outra mais moderada. Portanto, nós temos que ter muita cautela e temos que nos perguntar: o que nos interessa a nós, enquanto portugueses, governantes e cidadãos? O que nos interessa? Primeira prioridade, as comunidades portuguesas. Defender os portugueses que estão na Venezuela. Isso parece-me evidente e compreensível que seja a nossa primeira prioridade. E nós para salvaguardarmos essa prioridade, o que é que precisamos? Precisamos de criticar os Estados Unidos da América e isso adianta em quê a defender as nossas comunidades? Não adianta em nada. Segunda prioridade, assegurar que os líderes eleitos e democráticos na Venezuela fazem parte da transição e lideram essa transição, que é a posição europeia subscrita pelo governo português. Essa é a nossa segunda prioridade. De que nos serve criticar os Estados Unidos da América e atacar o presidente Trump para conseguir essa segunda prioridade? Em nada. Está a ver?
Sim, e então é nesse sentido que devemos até entender a forma como a União Europeia está a acompanhar e a reagir. Há um risco nesta altura e sobre a Venezuela, concretamente, até porque é uma situação que conhece bem, Sebastião Bugalho, há o risco do país se transformar, de facto, num protetorado dos Estados Unidos? O que a União Europeia pode fazer para dar autonomia e autodeterminação aos venezuelanos?
Pois, esse é que é o ponto fundamental. Eu fico muito contente da Carla referir a questão da autodeterminação. É que o direito internacional não é só o respeito pelas fronteiras. Obviamente que isso é fundamental e que nós o defendemos sem qualquer hesitação. Mas o direito internacional também é o direito à autodeterminação dos povos. É, aliás, o segundo ponto da Carta das Nações Unidas, como sabe. E nesse sentido, o direito internacional não é só a soberania das fronteiras, é também a soberania das urnas, a soberania das escolhas dos povos. E no dia 28 de julho de 2024, os venezuelanos escolheram um presidente, escolheram um movimento democrático. O presidente é o Edmundo González e o movimento democrático é liderado pela Maria Corina Machado, que recebeu o Prêmio Sakharov do Parlamento Europeu e recebeu o Nobel da Paz. Portanto, há uma legitimidade democrática na Venezuela. E por isso é que era tão importante no ano passado, agora há dois anos, porque já estamos em 2026, por isso é que foi tão importante nós reconhecermos aquele resultado eleitoral, nós reconhecermos a vitória de quem ganhou e chumbarmos a tentativa de usurpar a eleição do Nicolás Maduro, que foi o que o G7 fez, o que a Comissão Europeia fez e o que governos europeus fizeram. Há aqui uma coisa que me deixa muito perplexo e tenho que deixar esta achega, que é: por que o direito internacional para algumas pessoas só conta nas últimas 24 horas e não contou nos últimos dois anos? Por quê? Eu não consigo compreender como é que a reação do Partido Socialista Português está à esquerda do PSOE espanhol. Porque se a Carla for ler a reação do PSOE e do primeiro-ministro Pedro Sánchez, como deve imaginar, não é exatamente um correligionário meu. A primeira coisa que eles dizem é: o Nicolás Maduro não tinha ganho as eleições, não tinha legitimidade. E o Partido Socialista Português nem isto consegue dizer. Isso é gravíssimo, porque o direito internacional não é seletivo, não é só nas ocasiões e nos pontos que nós queremos. O direito internacional, se é para valer, então não é só nas fronteiras, é nas urnas. Então não é só para os Estados Unidos da América, é também para o ditador Nicolás Maduro. E para estes senhores e para muitos daqueles que participam no espaço público português, não contou. Portanto, eu sinceramente levo muito pouco a sério.
Sim. Sebastião Bugalho, muito obrigada. Muito obrigada por ter estado conosco. Obrigada até por responder às perguntas que não percebeu, pelo menos os temas em que elas foram colocadas.
Eu percebi as suas perguntas e percebo muito bem o grau de dissimulação de algumas afirmações que têm sido feitas por alguns agentes políticos portugueses. Lamento que haja um grande distanciamento da realidade, da mesma forma como estamos a abordar aquilo que se está a passar na Venezuela.
Ainda bem que o ouvimos sobre esse assunto. Muito obrigada, Sebastião Bugalho, eurodeputado do PSD. Um bom dia e um bom ano. Como já dissemos, Donald Trump admite avançar com uma intervenção militar na Colômbia, insiste em anexar a Gronelândia e avisa que o regime cubano está prestes a cair. São declarações do presidente dos Estados Unidos esta madrugada a bordo do avião presidencial. A hipótese de anexar a Gronelândia, território autônomo da Dinamarca, já tinha sido levantada por Trump, mas o ataque na Venezuela abre também portas a outras mudanças geopolíticas na América Latina. O Miguel Gato faz-nos agora um resumo do que disse o chefe de Estado norte-americano nas últimas horas
Donald Trump ameaça fazer uma operação militar semelhante à da Venezuela na Colômbia. Em declarações à imprensa, o presidente dos Estados Unidos diz que o chefe de Estado colombiano, Gustavo Petro, é um homem doente, que contribui para a venda de droga para território norte-americano, algo que não vai acontecer por muito mais tempo.
He's not gonna be doing it very much.
So there will be an operation by the US in Colombia?
It sounds good to me.
Trump vê com bons olhos uma intervenção militar norte-americana em Bogotá, mas os avisos da Casa Branca não ficam pela Colômbia. O presidente dos Estados Unidos diz também que o regime cubano é um dos próximos que pode cair, agora que fica sem financiamento da Venezuela, após a queda do regime de Nicolás Maduro.
Cuba is ready to fall. Cuba now has no income. They got all of their income from Venezuela.
E como não há dois sem três, Trump volta também a falar da Gronelândia para deixar uma mensagem que não podia ser mais clara.
We need Greenland from the standpoint of national security.
Os Estados Unidos precisam da Gronelândia por uma questão de segurança nacional, diz Donald Trump. Isto porque o território tem estado rodeado por navios russos e chineses, uma situação, no entender do chefe de Estado norte-americano, inaceitável.
As ameaças de Trump sobre a Gronelândia já levaram o primeiro-ministro da Gronelândia e a primeira-ministra da Dinamarca a pedir aos Estados Unidos para pararem com as ameaças. A bordo do avião presidencial, Trump frisa ainda que é a Casa Branca quem controla temporariamente a Venezuela, apesar de hoje Delcy Rodríguez assumir o cargo de presidente interina do país. E falamos agora da corrida a Belém. Estamos no segundo dia de campanha, sendo que as últimas horas ficam marcadas por críticas de André Ventura e João Cotrim de Figueiredo ao apelo ao voto útil feito por Luís Montenegro. Montenegro apela ao voto útil de socialistas e de liberais contra André Ventura e Gouveia e Melo. As declarações foram feitas durante um almoço de campanha de Marques Mendes. Ventura sugere que Luís Montenegro está com medo de um bom resultado da candidatura apoiada pelo Chega.
Eu acho que o primeiro-ministro não devia ter entrado na campanha presidencial. Acho que é um erro que cometeu, mas sobretudo mostra que está com medo de alguma coisa. E se está com medo de quem pode estar na segunda volta e tem receio de eu ir à segunda volta das eleições, é porque não está a fazer as coisas bem.
André Ventura ontem à noite em Silves. João Cotrim de Figueiredo também critica as palavras de Luís Montenegro e promete mais espírito reformista.
O espírito reformista que já foi do PSD, que já foi de Sá Carneiro, a coragem que já foi de Pedro Passos Coelho, hoje está nesta candidatura.
Já António José Seguro volta a apelar ao voto útil à esquerda e dramatiza.
O espaço democrático à esquerda ou centro-esquerda corre o risco de ficar de fora da segunda volta. Isso teria consequências profundas, não para o partidarismo, mas para o país e para o equilíbrio democrático.
Declarações de alguns dos candidatos a Belém em ações de campanha ontem à noite. Também ontem, Henrique Gouveia e Melo garantiu que não é um perigo para a democracia e que não será nem oposição nem marioneta de um governo. António Filipe voltou a colar Marques Mendes ao governo da AD. Catarina Martins propõe ser uma presidente da República que defende valores, em vez de negócios de ocasião. E Jorge Pinto acusou os candidatos que apoiam Putin e Trump de serem traidores à pátria. São agora 10:15. Já a seguir o Contra Corrente sobre a Venezuela. Antes, Carla, que outras notícias marcam esta manhã de segunda-feira? Em última hora, é oficial, Ruben Amorim foi despedido do Manchester United. A informação é confirmada pelo clube inglês, em comunicado publicado há instantes no site. Ontem o United voltou a empatar para a Liga Inglesa e Ruben Amorim garantiu que ia cumprir o contrato. Agora foi despedido. É uma notícia que vamos acompanhar nos próximos jornais. Está marcada para hoje a reunião do Conselho de Segurança Municipal de Lisboa, convocada por Carlos Moedas, isto depois da PSP ter identificado cerca de 30 pessoas na sequência de disparos com armas proibidas em Lisboa. Ontem as autoridades voltaram a realizar uma operação de prevenção criminal no bairro Alfredo Bensaúde, nos Olivais.