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Edição das 10 na Rádio Observador com João Gama. O Ministro da Reforma do Estado diz que o governo vai apostar numa bazuca da simplificação e estabelece o prazo de um ano para o essencial da recuperação nos conselhos afetados pelo mau tempo.

É uma notícia Observador. O Executivo quer implementar uma série de medidas para aliviar a burocracia associada às obras de recuperação e reconstrução de tudo o que foi destruído com a força do vento e da chuva nas últimas semanas. Entre as medidas constam ajustes diretos simplificados, a dispensa de avaliações de impacto ambiental e a possibilidade de suspender os prazos de trabalho, caso não haja mão de obra. Ao Observador, o ministro Gonçalo Matias, ministro da Reforma do Estado, fala de um conjunto de medidas que nunca foram tomadas em Portugal, nem mesmo nas alturas mais difíceis, como a crise financeira ou a crise causada pela Covid-19. O governo admite uma situação no terreno complexa e diz que o esforço financeiro necessário para levantar o que caiu do chão está ainda a ser contabilizado. É o que diz o ministro da Reforma do Estado, em entrevista ao Observador.

E é o artigo que faz manchete a esta hora no nosso site. E João, espera-se, por isso mesmo, um grande investimento para recuperar os estragos causados pelo mau tempo e o governo não exclui o cenário de déficit orçamental.

Foi o que disse ontem à noite o ministro da Economia da Coesão Territorial, na Sic Notícias. Manuel Castro Almeida diz que as contas certas têm de estar principalmente ao serviço da população.

Temos que arranjar dinheiro, evidentemente. E vamos procurar manter as contas certas na medida do possível. Mas as contas certas não são um fim em si mesmo. Portanto, se houver necessidade de fazer déficit para garantir condições de conforto e de bem-estar mínimo das pessoas, para garantir o relançamento da economia, para garantir que as empresas não vão fechar, que não vamos perder a capacidade exportadora que hoje temos, se for necessário, teremos que chegar a isso, porque as contas certas são, de facto, um objetivo que tem que estar ao serviço das pessoas.

O governo anunciou na quinta-feira o PTRR, o Plano de Recuperação e Resiliência, exclusivamente português para colmatar os estragos causados pelo mau tempo. Manuel Castro Almeida dá mais detalhes, explica que vai ser financiado com fundos europeus, mas também com verbas do Orçamento do Estado. O Executivo admite chegar ao déficit numa altura em que a estrutura de missão para a recuperação das zonas mais afetadas indica que ainda é difícil quantificar os prejuízos causados pelo mau tempo.

E o candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo considera que o primeiro-ministro devia ter assumido as rédeas desde o início das tempestades.

E que devia também ter mobilizado todos os ministérios para o terreno desde o início e não apenas o da Administração Interna. Ontem à noite, em entrevista à CNN Portugal, Gouveia e Melo afirma que esta crise climatérica mostrou as fragilidades do Estado.

O Estado falhou. No entanto, é preciso ter a noção da dimensão da crise. A crise foi de uma dimensão não habitual e, portanto, o poder do Estado também é limitado. No entanto, nesta crise, o que notamos foi um conjunto de fragilidades, quer organizacionais, quer de capacidades de resposta, que fizeram com que o Estado, no início, tivesse falhado e depois, de alguma forma, não tem conseguido responder às populações. Não tem conseguido responder às populações, o que cria muita instabilidade e incerteza nas populações, o que não é bom.

Críticas de Henrique Gouveia e Melo ontem à CNN Portugal. O antigo candidato presidencial tem estado numa maratona de entrevistas televisivas. Já passou pela Sic e assina também um artigo no jornal Público, todos com a mesma mensagem, as críticas ao governo na gestão da crise causada pelo mau tempo.

Em Coimbra, a situação mais calma esta manhã. A autarca Ana Abrunhosa admite que o pior já passou.

O cenário previsto pelo IPIM, pela Proteção Civil, de cheias centenárias na baixa da cidade, acabou por não se verificar. Por isso, ontem à noite, a presidente da Câmara Municipal, Ana Abrunhosa, diz que a população pode finalmente respirar de alívio.

Com as condições climatéricas que temos, com os caudais que temos, que vêm da Agueira, podemos dizer que a situação de risco grave acabou. Isto significa que aquela situação que temíamos de a baixa de Coimbra ficar inundada é já algo que não consta das nossas previsões nem dos nossos temores.

A autarca de Coimbra, Ana Abrunhosa, em conferência de imprensa ontem ao início da noite, depois de ter estado com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que voltou a visitar a região. Uma visita que aconteceu de surpresa. Marcelo pediu mais rapidez às seguradoras para acelerar as peritagens nos locais mais afetados, para que as famílias retomem a normalidade o mais rapidamente possível.

E precisamente em Coimbra, João, a barragem da Agueira foi uma das preocupações maiores nos últimos dias.

Uma estrutura que entrou em funcionamento há cinco anos, que continua a ser a principal forma de controlar as cheias no Baixo Mondego, mas nem sempre foi assim. O repórter Luís Soares foi ao encontro de quem ajudou a construir a barragem, uma estrutura, Luís, que serviu também de cupido.

A casa onde eu namorava era aqui. A minha mulher ia lá para cima para a varanda e eu punha-me aqui em baixo da estrada a espreitar.

Namorava à varanda.

Com a ajuda de uma régua, Jaime Vitorino aponta para uma fotografia a preto e branco. Vê-se a casa onde, há mais de 45 anos, namorava com a ainda agora mulher em Foz do Dão, uma aldeia que foi engolida pela água do Mondego depois ter sido construída a barragem da Agueira.

A Foz não era uma aldeia bonita, apenas era um ponto de turismo. Temos ali o quadro

Foi pena aquilo ter vido desaparecer, mas a lei da vida é assim.

Agora, a barragem protege Coimbra, mas Jaime Vitorino explica: o rio Mondego tem uma personalidade muito própria.

A barragem ajuda muito, mas é aquilo que eu digo. A serra da Estrela manda muita neve, ajuda muito, porque se aquilo estiver cheio de neve, o rio Mondego fica doido e não há barragem nenhuma que o aguente.

De resto, antes de haver barragem, Jaime Vitorino lembra que a baixa de Coimbra costumava inundar.

Basta que a baixa de Coimbra ficava toda alagada. Onde é a estação nova, o Banco de Portugal, aquilo ficava tudo inundado.

Ele que participou na construção da barragem, viu a estrutura a encher, ainda no início dos anos 80. Na altura, Jaime Vitorino ouvia dizer que ao fim de 20 anos era preciso realizar uma manutenção, mas nunca soube que isso tenha acontecido.

Ela começou a encher mais ou menos em 80. Até diziam que depois ao fim de 20 anos, que era despejada pra fazer uma manutenção e já vamos lá em 40 e tais. E manutenções, nada. Isto não sei, mas penso eu, que isso deve ser um risco muito grande depois amanhã.

Jaime Vitorino defende também que o governo não devia permitir construção à beira dos rios.

É muito bonito fazer aqueles bares à beira do rio, como está lá em Coimbra. Aqueles esplanadas, aquilo é muito bonito. É, pra o verão, mas temos que convencer que quando São Pedro abrir as portas, as torneiras não ligam. É assim.

Repórter Luís Soares, numa barragem que esteve sob alerta por causa do agravamento do estado do tempo em Coimbra, a barragem da Aguieira. Já no distrito de Leiria, também muito afetado pelo mau tempo nas últimas semanas, há ainda 20 mil clientes sem energia elétrica, 17 dias depois da passagem da depressão Kristen por Portugal continental. O último balanço da Enredos, feito ontem, João, às 17h30, dava conta de 32 mil clientes do norte ao sul do país, sem eletricidade.

numa altura em que ainda se faz, aliás, a contabilização dos estragos, mas este fim de semana podemos respirar todos um bocadinho de alívio, isto porque o mau tempo vai dar tréguas entre hoje e amanhã, João.

É a previsão do IPMA, num distrito que está sob aviso amarelo devido à chuva, o vento forte. Há assim aviso amarelo no norte e aviso laranja em toda a costa centro e sul do país, mas por causa da agitação marítima. A chuva dá tréguas este fim de semana, mas a Proteção Civil continua a alertar para o risco de desabamento de estradas nas zonas mais afetadas por deslizamento de terras. Por isso, todo o cuidado é pouco nas estradas nos próximos dias. Foi isso que disse ontem à noite, no briefing ao final da tarde, da Proteção Civil, o comandante Mário Silvestre.

E mudamos de tema. Hoje, dia 14 de fevereiro, é Dia Nacional do Doente Coronário. A Sociedade Portuguesa de Cardiologia indica que as mortes por doenças cardiovasculares reduziram na última década.

Portugal tem vindo a reforçar os cuidados primários no SNS e não falha no tratamento das pessoas com doenças coronárias. Quem o diz é Cristina Gavina, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, que fala em números extraordinários.

Nós temos uma redução de mortalidade por AVC, que anda à volta dos 45% e por infarto de 35%, que são números absolutamente extraordinários nos últimos 10 anos. E há uma coisa que em Portugal acontece, que é que nós somos muito melhores na fase aguda de tratamento das 10 doenças e, portanto, temos tido grandes ganhos em termos de mortalidade também porque tratamos cada vez mais atempadamente e cada vez melhor as pessoas que têm estes eventos.

Ainda assim, as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal, de acordo com os dados da Direção Geral da Saúde. Cerca de 33 mil pessoas morrem por ano devido a AVCs ou infartos, uma média de uma morte a cada 15 minutos. A presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia diz que se o tratamento tem vindo a melhorar, o problema está principalmente na prevenção.

Falhamos, provavelmente, nas áreas onde são, quer, por um lado, depois de já ter um evento, garantir que não vai haver um novo evento, porque vamos fazer todas as medidas de prevenção para evitar esse evento e, por outro lado, identificar as pessoas que estão em maior risco, tratar agressivamente esses fatores de risco e evitar que algum dia venham a ter um evento.

Cristina Gavina, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, entrevistada pelo jornalista Miguel Gato, diz maioritariamente preocupada com a população mais jovem afetada por doenças cardiovasculares.

São agora 10h11. Vamos ainda a outras notícias que marcam esta manhã de sábado, João.

O Partido Socialista quer regular os cartões de saúde para não enganar o consumidor. Em declarações à Agência Lusa, o deputado Miguel Costa Matos indica as linhas gerais de um projeto de lei que já deu entrada na Assembleia da República. O PS quer também proibir a designação de planos de saúde e criar um regime sancionatório e de fiscalização. Entra hoje em vigor, na cidade de Lisboa, a proibição de vendas de bebidas alcoólicas para consumo exterior durante a noite. A proibição a partir das 11h passa a estar em vigor de domingo a quinta-feira. Já às sextas, sábados e vésperas de feriado, a venda é proibida a partir da meia-noite. Uma regra que surge com o objetivo de combater o ruído e salvaguardar o direito ao descanso dos moradores da cidade, é o que diz a Câmara Municipal de Lisboa. O secretário de Estado norte-americano garante que a Europa e os Estados Unidos da América vão continuar a cooperar. Foi durante o discurso desta manhã, na Conferência de Segurança em Munique, na Alemanha. Marco Rubio destacou a importância histórica da Aliança Atlântica numa altura de tensão entre a Europa e os Estados Unidos, nomeadamente por causa das declarações de Donald Trump em relação à Gronelândia. E o Benfica foi ontem aos Açores vencer o Santa Clara por duas bolas a uma, no jogo de abertura da jornada 22 do Campeonato Nacional. Os encarnados igualam assim à condição o segundo classificado, o Sporting, com 52 pontos, e reduzem a distância pro líder Futebol Clube do Porto, que soma 56. Leões e Dragões jogam apenas, João, amanhã.

Jogos com relato aqui em direto na Rádio Observador.