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O Observador 10:03. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Já está a funcionar a segunda urgência regional de ginecologia e obstetrícia do país. Os serviços da Península de Setúbal estão concentrados no Hospital Garcia de Orta. Mas, Carla, as escalas já estão no limite. Apesar do reforço de recursos humanos, é o que conta uma fonte hospitalar ao Observador, cada turno da nova urgência regional tem escalados dois especialistas e três médicos internos de ginecologia e obstetrícia. É o mínimo exigido pela ordem, ou seja, basta a indisponibilidade de um para a urgência entrar em déficit. Para já, as escalas estão asseguradas, mas há indicação de que não há médicos tarefeiros interessados em fazer parte dessas equipas. A repórter do Observador, Matilde Malva Sabino, está à porta do Hospital Garcia de Orta. Matilde, bom dia. Esta nova urgência está a funcionar há uma hora. Como é que este processo está a ser recebido pelos utentes que recorrem ao hospital?
Nesta primeira manhã, Carla, o sentimento de algumas pessoas é de apreensão e uma utente disse mesmo que a preocupava a distância entre o Hospital do Barreiro e esta unidade hospitalar em Almada. Também tem o receio de que o hospital não tenha capacidade para receber tantas pessoas. A partir de hoje são esperados 70 a 90 atendimentos diários, mas, por norma, o Garcia de Orta já se encontra muita vez indisponível para receber as grávidas que acabam por ser encaminhadas para Lisboa, nomeadamente para a Maternidade Alfredo da Costa. Pelo que o Observador pôde apurar junto dessa fonte que referiste, há também outra questão a levantar dúvidas: a própria infraestrutura do hospital. Isto porque a unidade hospitalar ainda não foi alvo de obras de ampliação, de forma a estar capaz de dar resposta ao número crescente de atendimentos. Por isso, a nova urgência regional arranca hoje com a mesma infraestrutura e apenas com os elementos dos serviços de ginecologia e obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, aqui em Almada, e do Hospital do Barreiro. Foi onde estive esta manhã e verifiquei que não havia sinais de contestação ou de protestos por parte da população nas imediações da unidade hospitalar. Noto que demorei cerca de 35 minutos desde o Hospital da Nossa Senhora do Rosário até aqui ao Garcia de Orta, em Almada. O maior obstáculo que senti foi nos acessos principais, tanto no Barreiro como à chegada a Almada, onde o trânsito estava mais lento. Esta distância e a imprevisibilidade das estradas pode confirmar a apreensão de alguns utentes ouvidos pelo Observador quanto a este novo modelo das urgências.
Reportagem direta da Matilde Malva Sabino, que começou a manhã no Hospital do Barreiro, seguiu depois para o Hospital Garcia de Orta, onde a nova urgência regional arrancou esta manhã. Esta é a segunda urgência regional do país. Amanhã faz um mês que foi criada a primeira, em Loures. Ricardo Leão, autarca de Loures, diz estar solidário com as preocupações dos autarcas da região de Setúbal, mas defende que a urgência regional no concelho trouxe previsibilidade aos utentes. É desde o mês passado que o Beatriz Ângelo está a receber os serviços centralizados de obstetrícia e ginecologia de Loures e também Odivelas e Estuário do Tejo. Este modelo começou a ser aplicado esta manhã na Península de Setúbal. O presidente da Câmara de Loures destaca esta previsão da disponibilidade do serviço como um fator positivo. Ainda assim, Ricardo Leão defende que é cedo para fazer balanços e alerta desde já para a falta de profissionais de saúde.
Todas as reuniões que temos tido e as informações que tenho recebido é que tem corrido dentro daquilo que é a normalidade. Neste momento, é importante haver previsibilidade e era algo que não acontecia. Nós não sabíamos se a urgência estava aberta, se era de Loures, se era de Vila Franca. Agora, aquilo que era lógico era estar próximo das pessoas, mas nós não temos recursos para isso. O SNS não está a ser atrativo e essa é que é a razão fundamental.
O autarca de Loures, que ainda assim diz entender a frustração dos autarcas da região de Setúbal, que viram as urgências encerrar para concentrar serviços.
Era hipócrita e não era honesto da minha parte dizer que se a decisão for de fechar a urgência de Loures, vocês já me conhecem também como é que eu reagiria. Agora, não foi o caso, eu percebo. Eu sou o presidente da Câmara de Loures, tenho que salvaguardar os interesses da minha população do concelho de Loures. Mas isso não deixa, obviamente, de compreender as posições dos autarcas que viram as urgências nos seus concelhos encerradas.
Declarações de Ricardo Leão na Rádio Observador. Amanhã faz um mês que foi criada a urgência regional a funcionar no Hospital de Loures. Conduzir sob o efeito de álcool é um problema particularmente grave em Portugal. O alerta é deixado hoje pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. Em causa, um estudo revelado hoje que mostra que dois em cada três condutores envolvidos em acidentes que causaram vítimas em 2024 apresentavam valores de álcool no sangue acima do limite legal. No estudo revelado pela Agência Lusa, pode ler-se que Portugal tem um problema estrutural persistente e particularmente grave com a condução sob o efeito do álcool. Outra das conclusões é que o país tem o perfil de mortalidade urbana mais elevado da União Europeia, por causa do aumento do número de mortes na estrada, particularmente em contexto urbano. E por causa de dados como este, o governo deve anunciar hoje algumas medidas estratégicas sobre segurança rodoviária. O Expresso diz que o governo está a preparar uma reforma da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que prevê a extinção dos atuais 24 comandos sub-regionais e o regresso aos 18 comandos distritais. Uma mudança que visa alinhar a estrutura da Proteção Civil com a da PSP e GNR. A TVI, por seu lado, adianta que Luís Neves está a preparar o regresso da Brigada de Trânsito da GNR, que foi extinta em 2009, na altura do governo de Sócrates. O ministro da Administração Interna prometeu agir assim depois de serem conhecidos os números da sinistralidade durante a Páscoa, em que 20 pessoas morreram, um número muito superior aos registos anteriores. Ainda os efeitos da tempestade Cristina. O governo já pagou mais de € 3 milhões a 400 agricultores afetados pelo mau tempo. No âmbito do apoio dos € 10 mil de dotação para os conselhos que estiveram em situação de calamidade, a relação foi feita hoje no Parlamento pelo ministro da Agricultura. No total, foram gastos € 3,3 milhões. José Manuel Fernandes fez este balanço das medidas que foram avançadas por causa dos efeitos do mau tempo. Avisou ainda que não vai aceitar prorrogações dos prazos nestes apoios. O ministro diz que o objetivo é não prejudicar os agricultores que fizeram candidaturas nos prazos acertados.
Neste momento, este aviso está aberto até o fim de abril
Não há nenhuma candidatura submetida e só estão seis em preparação. Portanto, é essencial que se avance com as candidaturas. Eu não vou aceitar prorrogação de prazos. Fecho e posso abrir a um outro aviso, caso contrário, estamos a prejudicar aqueles que já fizeram as candidaturas e a atrasar. E depois os atrasos são sempre da minha responsabilidade. Como em alguns concursos e avisos que fizemos, pediram às organizações do setor para se prorrogar o prazo, prorrogamos e depois dizem-nos que não devíamos ter prorrogado.
O ministro da Agricultura, que está a ser ouvido no Parlamento, continua a responder às perguntas dos deputados a propósito dos apoios pagos pelo Governo aos agricultores. E falamos agora da atualidade internacional. Numa altura em que se espera o regresso à mesa das negociações entre Teerão e Washington, o presidente do Irão diz estar aberto a um diálogo construtivo com os Estados Unidos. Mas deixa também um aviso: não vai aceitar ser subjugado. São declarações do chefe de Estado, citado pelos média iranianos. Esta posição surge quando a Casa Branca admitiu um regresso à mesa das negociações no final da semana e surge também depois de uma entrevista de Donald Trump à Fox Business, em que acredita que o conflito está quase a chegar ao fim.
Acho que está perto do fim, sim. E sabes que mais? Se eu retirasse tudo agora, eles demorariam 20 anos a reconstruir o país. E nós ainda não terminamos. Vamos ver o que acontece. Eu acho que eles querem muito chegar a um acordo.
Declarações de Donald Trump numa entrevista à Fox Business. Ainda assim, o presidente norte-americano não poupa nos avisos em relação à destruição do conflito. Diz que ainda não terminou. Neste momento, continua em vigor um bloqueio dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. Ainda assim, também aqui os meios de comunicação social iranianos dizem que esta manhã um superpetroleiro do Irão conseguiu atravessar o local. São 10h12, Carla, antes do contracorrente, que outras notícias marcam esta manhã? Luís Montenegro regressa hoje ao Parlamento. O debate quinzenal acontece numa altura em que a política nacional está marcada por temas como a lei laboral e também o aumento dos combustíveis. Para amanhã está marcada uma reunião da Concertação Social, decisiva para se conseguir um acordo entre o GT e as confederações patronais. Com ou sem o acordo, o Governo já admitiu que a proposta há de ser enviada depois para o Parlamento. Fecharam mais duas unidades de cuidados continuados na região de Lisboa. O alerta é feito pela Associação Nacional dos Cuidados Continuados, que acusa Luís Montenegro de faltar à promessa de aplicar uma nova lei de finanças para o setor, uma lei que aumenta as verbas para que estas unidades possam continuar a funcionar. A GNR deteve quatro pessoas em Penafiel por suspeita de tráfico de droga. Um dos suspeitos vai aguardar o processo em prisão preventiva. Durante a investigação, foram apreendidas centenas de doses de haxixe e ainda uma arma branca. Carla Jorge Carvalho com as notícias que marcam esta manhã de quarta-feira. Quando forem 11, voltamos a olhar pro mundo.