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Jorge de Carvalho. Começamos este jornal das 10 com os destaques da entrevista do secretário-geral do PS no "Sob Escuta" da Rádio Observador. José Luís Carneiro garante que não teme eleições e sobre as polémicas à volta de Luís Neves, considera anormal que o atual governo já tenha tido tantos problemas com ministros.

José Luís Carneiro esteve há pouco em entrevista aqui na Rádio Observador sobre a possibilidade de o país ir a eleições legislativas antes do previsto. O líder socialista garante que o partido está pronto para servir os portugueses quando surgir a oportunidade.

O Partido Socialista será parte responsável para garantir estabilidade política ao país, mas não teme as eleições.

Isso quer dizer o quê, exatamente?

Quer dizer que o Partido Socialista se tem vindo a preparar para ser uma alternativa, para responder aos cidadãos.

E já está pronto?

Há um ano que tenho e que temos equipas diversificadas.

José Luís Carneiro, já está pronto?

O Partido Socialista é um grande partido que tem capacidade de convocatória para servir o país quando os portugueses assim o entenderem. Não é por nós que haverá crise política.

Já sobre as polémicas em redor do atual ministro da Administração Interna, critica a escolha de Luís Montenegro e reitera que tem sido o governo o principal fator de instabilidade política por culpa do primeiro-ministro.

O Luís Montenegro é o principal responsável por tudo quanto se tem vindo a passar. E por quê? Eu devolvo com uma pergunta: é normal ter tantos problemas com tantos ministros? Não é normal falharem tantos membros do governo, falharem nas funções de soberania, na gestão de crise. A gestão de crise tem sido um falhanço completo do governo. O que isso significa? Significa que não há liderança do governo, porque a liderança do governo, um líder do governo, um primeiro-ministro, tem o dever de antecipar. Aquilo que eu tenho lido, olhe, nomeadamente aqui de textos que têm sido escritos por alguns dos vossos colegas, é que há um governo em dissolução, em anarquia na forma como funciona.

José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, foi o convidado do "Sob Escuta", que terminou há instantes. Diz ainda o líder socialista que se o orçamento do Estado chumbar, não há drama. Vamos partir para a análise a esta entrevista com o painel das manhãs 360. Paulo Ferreira, o que destacas desta entrevista de quase uma hora a José Luís Carneiro?

Destaco o tom sereno de José Luís Carneiro, que já lhe conhecemos, mas mesmo em momentos em que se nota que o governo vai escorregando, mantém essa serenidade e eu diria que ele não precisa, de facto, de outro tom, porque se há uma frase que deve marcar esta entrevista, talvez seja esta, que aliás tu acabaste de recordar, quando José Luís Carneiro diz: "Governo é a principal fonte de instabilidade política". Isto remete-nos um bocadinho para aquela frase: "Se o teu adversário ou teu inimigo, se quiserem, está a cometer erros, não o distraias". E eu acho que essa é um pouco a política de José Luís Carneiro.

Já mesmo no fim da entrevista, dizia: "Se querem uma oposição que faça barulho e distraia, já sabem a expressão."

E que são mais competentes.

São mais competentes e nós estamos cá para falar disso.

Porque nós, PS, queremos ser a alternativa para governar. E de facto, José Luís Carneiro vai tendo razão. Nós olhando à volta, percebemos que vamos passando um pouco o tempo a discutir problemas que são ou causados pelo próprio governo ou aos quais tem dificuldade em reagir. E José Luís Carneiro falou disso na gestão de crise. Agora, na questão do MAI, na questão dos exames também não correu bem, independentemente do intuito de melhorar, mas não correu bem. E por este andar, com as sondagens que vamos vendo, José Luís Carneiro, um dia destes ainda lhe pode cair o governo no colo. Agora, nota-se que ele vai tendo cuidado para não-

E aí exige o princípio da reciprocidade ao PSD.

Isto no sentido de permitir criar condições para que o PS governe, nessa eventualidade.

A questão da governabilidade foi um dos temas nesta entrevista, Bruno.

Sim, a cenarização. Aquilo que os políticos às vezes dizem que não gostam de fazer, traçar cenários no futuro. Aqui ficou muito claro que o PS, em caso de haver eleições, de ganhar essas eleições, espera que o PSD deixe o PS governar. Eu acho que José Luís Carneiro sabe que isso será difícil em caso do PS ganhar com uma margem pequena sobre a AD, mas que será quase obrigatório por parte do PSD se o PSD ficar atrás do Chega. E por isso mesmo é que também eu creio que José Luís Carneiro não admite já a possibilidade de se avançar para eleições, porque apesar de ter vantagem nas sondagens, ele referiu isso, sabe que neste momento-

O tempo favorece-o.

O deixar o governo atolar-se no pântano. Neste momento, José Luís Carneiro não quer drenar o pântano, quer que o governo se vá atolando devagarinho no pântano e isso, com a sucessão de casos em diferentes áreas, é o que está a acontecer.

José Manuel, esta entrevista começa com a questão Luís Neves, com José Luís Carneiro a dizer que com ele Luís Neves nunca seria ministro e, portanto, não teriam estes problemas, mas ele depois consegue explicar.

É um bocado tarde para dizer isso.

Eu consigo explicar depois os elogios que houve.

Quando Luís Neves foi nomeado, a reação foi: "Apanharam-nos numa curva".

Foram só elogios.

Foram só elogios. Agora, de repente, é fácil dizer isso. Na altura, quando ele foi nomeado, lembra-me uma pessoa que disse isso, que foi Pedro Passos Coelho, não foi José Luís Carneiro. Portanto, agora é fácil. Eu creio que é uma daquelas coisas, é uma entrevista que cumpre os chamados mínimos e onde ele eventualmente admite que se pudesse falar daquilo que não falou e que no fim ficou a pedir para falar, que é a visão para o futuro, tivesse tido outras oportunidades. Se queres que te diga, as críticas ao governo são um bom momento para se fazer, há uma altura de clara fragilidade. É uma boa altura para um líder da oposição dar uma entrevista. Agora, há aqui um tema que é: ele aceitar a altura, foi por um caminho que eu... Será que os portugueses não têm memória? Que é: "nós fizemos muito melhor. Nós, Partido Socialista, fizemos muito melhor". Inclusivamente, agora, por exemplo, as questões da burocracia, o governo está a fazer, está a ver como é difícil. Bem, e eles também tinham a obrigação de ter mexido, por que não mexeram nada? Tiveram a maioria absoluta. Baseando-se no princípio de que não há memória, as coisas podem funcionar. Daquilo que foi entrevista, eu diria que é uma entrevista que cumpre os mínimos, aproveita o momento em que o governo está com mais fragilidade, põe o dedo nas feridas e carrega. Não sei se é uma entrevista galvanizadora, talvez porque não teve a tal mensagem para o futuro que eu gostaria de ter dado. Se essa mensagem para o futuro é ou não galvanizadora, estamos para ver.

Estamos para ver. Como dizias, um bom momento para o líder do Partido Socialista dar uma entrevista quando se vão acrescentando casos em relação à governação da AD. Esta entrevista vai estar disponível daqui a pouco em podcast.

António José Seguro está preocupado com o impacto que a polêmica em torno de Luís Neves pode ter na Polícia Judiciária. O presidente da República quer salvaguardar a honra das instituições sem pôr em xeque a relação com o primeiro-ministro e deve mesmo falar nos próximos dias.

O Observador sabe que o presidente da República passou os últimos dias a fazer contactos para perceber a real dimensão da polêmica e não terá gostado nada do que ouviu. Seguro poderá reagir de viva voz nos próximos dias. A estratégia já está definida. O presidente vai, sobretudo, defender a importância de preservar a dignidade das instituições como a Judiciária, ou seja, vai mostrar desconforto perante a polêmica, mas sem pôr em causa a relação de lealdade institucional com o primeiro-ministro. António José Seguro quer evitar o que Marcelo Rebelo de Sousa fez com António Costa quando exigiu publicamente a demissão de João Galamba. Estávamos em 2023. De resto, o presidente da República, tal como muitos outros elementos do núcleo mais próximo do Montenegro, suspeita que as histórias em torno de Luís Neves não ficarão por aqui, pelo que teme ainda mais desgaste político. Hoje há a reunião da conferência de líderes para decidir se Luís Neves é ou não ouvido em reunião extraordinária da Comissão Permanente da Assembleia da República.

Continuamos a falar deste tema porque o antigo diretor nacional da Polícia Judiciária, Almeida Rodrigues, nega as críticas feitas por Luís Neves sobre a falta de meios na PJ.

Foi na conferência de imprensa desta semana que Luís Neves diz que quando chegou à Judiciária, em 2018, encontrou uma instituição profundamente fragilizada, sem meios e sem instalações dignas. Almeida Rodrigues, diretor nacional da PJ, que antecedeu Luís Neves, quebra um silêncio de oito anos para repudiar estas declarações. Numa carta a que a Agência Lusa teve acesso, faz uma defesa do mandato e destaca vários investimentos de relevo em plena crise financeira. Almeida Rodrigues diz também que estranha as declarações do atual ministro ao lembrar que, na altura, Luís Neves já fazia parte da direção enquanto líder da Unidade Nacional Contra Terrorismo. De acordo com Almeida Rodrigues, Luís Neves nunca mostrou registro de discordância. Garante também que exerceu o cargo de diretor nacional com sobriedade, rigor e isenção, sem nunca se envolver, diz Almeida Rodrigues, em questões de natureza político-partidária.

Subiu para 19 o número de migrantes mortos depois de tentarem chegar a Ceuta. Nos últimos dias, mais de 40 mil pessoas tentaram entrar ilegalmente em Espanha. As imagens mostram os jovens que chegam a nado apenas com a roupa que levam no corpo.

Os números são avançados pelas Forças de Segurança de Espanha e este movimento migratório em massa dura há já 10 dias. O caso levou ao colapso dos serviços de acolhimento da cidade e o exército foi já chamado a intervir. Inês André Figueiredo, enviada especial a Ceuta, relata um cenário de desespero.

A chegada aqui a Ceuta é avassaladora. Logo que saímos do porto, vimos um número incontável de pessoas na rua a caminhar, aparentemente sem rumo, pessoas a dormir sentadas no chão, em muros. A imagem que descreve melhor o que estamos a ver é quando termina um grande evento, como um concerto, e há pessoas por todo o lado, nem sequer é possível ver algumas das estradas. São maioritariamente homens e vêm sem nada, só com as roupas que têm no corpo. Muitos estão descalços, outros de chinelos e de sapatilhas, mas há mesmo muita gente descalça, claramente sem nada, sem bens, sem malas e aparentemente sem destino. E neste momento, a viagem desde o ferry até ao ponto de fronteira entre Marrocos e Espanha, por onde está a entrar mais gente, fizemos de carro, durou cerca de 15 minutos e acabamos de estacionar nesse ponto. Há dezenas de tanques parados na estrada, centenas de pessoas e muita gente a chegar a todo momento.

É o relato da Inês André Figueiredo, enviada especial a Ceuta, em conjunto com o fotojornalista do Observador, João Porfírio. O presidente do governo espanhol visita esta manhã Ceuta, em conjunto com o ministro do Interior. A Casa Real Espanhola informa que o rei está em contacto com o chefe de governo.

O novo podcast Plus do Observador está em destaque no Contracorrente, que começa já depois deste jornal, mas ainda temos tempo para outras notícias que estão em destaque a esta hora.

A taxa de inflação foi de 3% em julho, face ao mesmo mês do ano passado. Consolida assim o abrandamento registrado já no mês de junho. Os dados foram divulgados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística. Mil operacionais, apoiados por 300 viaturas e quatro meios aéreos, combatem a esta hora o incêndio de Vale Passos. O fogo chegou aos concelhos de Mirandela e Vinhais, no distrito de Bragança. Atenções viradas também para um outro incêndio em Chaves. Tem uma frente ativa, estão 200 operacionais, 50 viaturas e três meios aéreos. Donald Trump anuncia um acordo para o desarmamento total do Hamas. O presidente dos Estados Unidos adianta que o plano será aplicado de forma faseada e que prevê a retirada das forças israelitas da Faixa de Gaza. Na Truth Social, Trump classifica este acordo como histórico.