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As notícias na Rádio Observador com Luís Soares. O Ministério Público abriu um inquérito à correção digital dos exames nacionais do ensino secundário. Foi na sequência de uma queixa apresentada pela FENPROF.
A Procuradoria-Geral da República confirma que a queixa da FENPROF deu origem a um inquérito. O processo está no Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Lisboa. Informação avançada há instantes pela Agência Lusa. A queixa foi entregue em julho, motivada sobretudo pelos relatos de folhas desaparecidas em vários exames. Ao longo de várias semanas, os professores relataram também atrasos na disponibilização de provas, erros na digitalização das respostas e também dificuldades na plataforma de classificação. O Ministério Público confirma agora a abertura de um inquérito.
E ainda sobre este assunto, o ex-ministro da Educação, Eduardo Marçal Grilo, considera que a correção digital dos exames do ensino secundário não é reforma nenhuma.
Convidado da comissão de inquérito desta manhã, o ex-ministro da Educação, Marçal Grilo, defende que o que devia ser reformado é o acesso ao ensino superior.
O que se passou foi considerado uma reforma. Eu acho que aquilo não é reforma nenhuma. Aquilo é, sobretudo, e bem, o aperfeiçoamento de uma parte de um processo, que é o processo de validação e da avaliação das provas dos exames do 12º ano. Mas isto faz parte de um processo. Eu pensei muito nisso. O que vale a pena pensar é em reformar o acesso ao ensino superior. Isto não tem nada a ver com a reforma do acesso ao ensino superior.
O antigo ministro da Educação, Eduardo Marçal Grilo, defende uma reforma do acesso ao ensino superior. Foi na comissão de inquérito há instantes aqui na Rádio Observador.
O antigo ministro da Economia, António Costa Silva, avisa que depois do PRR, o país vai ter de ser criativo nas políticas públicas. Como exemplo, o ex-governante apontou o dedo à compra das três fragatas italianas por parte do governo.
António Costa e Silva afirma que é tempo de potenciar as empresas portuguesas depois do prazo para a aplicação do PRR ter chegado ao fim. Quanto à aquisição de fragatas, o antigo ministro defende que a construção de duas delas deve ser feita nos estaleiros navais de Viana do Castelo.
Por que nós vamos comprar três fragatas à Itália? Por que não associamos uma das nossas grandes empresas, que é a West Sea, que é do grupo Martifer e que opera os estaleiros de Viana do Castelo? Isto é uma questão crucial. Se for olhar para os estaleiros de Viana do Castelo, em 2014, como se recordarão, estavam na falência. O Estado conseguiu chegar a acordo com a Martifer, pegou nos estaleiros, criou a West Sea. Nestes últimos 12 anos, estes estaleiros construíram 23 navios e, por ano, estão a reparar 50 navios.
Em vez de comprar ao exterior, temos capacidade para construir.
Não, a primeira fragata, muito bem, é construída em Itália, mas temos que associar a West Sea. Repare, a tecnologia da West Sea é referenciada hoje no mundo.
António Costa e Silva defende que Portugal devia, pelo menos, construir duas das três fragatas que foram adquiridas a Itália. A aquisição destas três fragatas veio entretanto gerar polêmica, com o governo a não revelar quanto é que Portugal vai pagar em juros para pagar estas fragatas.
O antigo governante do PS falou ainda sobre a entrada do Estado no capital da REN.
E levanta algumas questões quanto à pertinência deste negócio.
A REN não faz nada sem ser aprovada pelo Estado, em termos de investimento. E depois tem a ERSE, que é o grande regulador da energia, que intervém na regulação dos preços da energia. Portanto, o que eu levanto aqui é esta entrada, qual é o custo da oportunidade. E se aquele dinheiro, evidentemente, que é um investimento financeiro, vai funcionar porque há um dividendo de 4% ou mais que vai ser adquirido, mas esse dinheiro era necessário ser nesta altura.
Este investimento faz mais sentido do ponto de vista da soberania ou do ponto de vista econômico?
É mais do ponto de vista da soberania.
No Explicador desta manhã, António Costa e Silva deixa também alertas sobre o estado da economia portuguesa, influenciada igualmente pelo cenário geopolítico.
No segundo trimestre cresceu, o crescimento em cadeia foi 0,8%, o que é positivo, mas nós temos, quando analisamos o investimento direto estrangeiro, e tínhamos colocado já Portugal no mapa no top 10 dos países europeus que mais investimento direto estrangeiro atraíam, quando analisa o que se passou entre 2024 e 2025, há uma queda de quase 35%. Quando analisa as exportações, elas atingiram 50% do PIB em 2022, no ano seguinte 49%, mas nos últimos anos têm havido a declinar. E temos vindo a perder competitividade a nível de quase 57% dos nossos mercados-alvo. E isto combinado com outro fator, nós temos a despesa estrutural do Estado a aumentar e os excedentes estão a diminuir e se não tivermos atenção a isso, podemos entrar em déficit.
Antigo ministro da Economia do PS, António Costa e Silva, no Explicador desta manhã. Ele foi o responsável por elaborar a visão estratégica para o plano de recuperação econômica de Portugal 2030, o documento que serviu de base ao PRR.
O ministro da Administração Interna promete para as próximas horas novos esclarecimentos sobre os casos em que está envolvido. Luís Neves vai falar numa altura em que o Chega ameaça com uma moção de censura, mas o governante afirma estar absolutamente tranquilo.
É a resposta do ministro quando confrontado pelos jornalistas com a possível moção de censura por parte do Chega. Luís Neves remeteu novos esclarecimentos para hoje, garante que não tem nada a esconder. Ora, o Chega mantém a hipótese de avançar com uma moção de censura ao governo, mas André Ventura revela agora que ainda vai reunir primeiro os órgãos do partido antes de tomar uma decisão final e depois de ouvir o que tem a dizer Luís Neves.
Eu respeito muito os órgãos do partido, eu tenho a minha própria posição sobre isso, mas reservo para amanhã. Hoje tive uma reunião com a liderança parlamentar.
Então André Ventura tem uma posição, André Ventura está aqui a ser inquirido.
Mas eu não sou o único no Chega. Eu sou o presidente do partido.
Mas podemos conhecer qual é a convicção do André Ventura a respeito.
A minha é que este problema não está ainda resolvido e que eu acho que as instituições A sua integridade está em causa se Luís Neves continuar. É a minha perspectiva.
E por isso deve avançar com a moção de censura.
E na minha perspectiva-
Mesmo que tenha a certeza que ela vai ser chumbada.
E na minha perspectiva, as moções de censura são uma censura ao governo. Nós não fazemos com cálculo político. O PS tomará a sua decisão sobre se quer ficar atrelado a Luís Neves ou não quer ficar atrelado a Luís Neves. E se houver moção de censura, o PS tomará essa decisão.
André Ventura, entrevistado ontem à noite no Canal Nau, insiste que Luís Neves não tem condições para continuar como Ministro da Administração Interna e que a demissão é o único caminho. O líder do Chega afirma também que nunca viu o primeiro-ministro tão condicionado e sem autoridade perante as polémicas que envolvem Luís Neves.
São agora 10h10, a seguir o ControCorrente. Primeiro, Luís, que outras notícias marcam esta manhã?
Um incêndio começou esta madrugada numa fábrica de pellets de madeira em Alcácer do Sal. As chamas estão circunscritas a um armazém. Não há registro de vítimas. No combate às chamas estão mais de 30 operacionais dos bombeiros e da GNR. O alerta foi dado por volta das 5h40 da manhã. A PSP já sinalizou no último mês 284 idosos em situação de vulnerabilidade. Dos casos identificados, 182 estavam em situações de risco social, sobretudo por falta de autonomia, isolamento e suspeitas de serem vítimas de crimes. A operação decorre em todo o país até 25 de setembro, pretende identificar de forma precoce situações de fragilidade e assim encaminhar os idosos para o apoio necessário. A União Europeia pede aos estados membros para que doem à Ucrânia mísseis intercetores em fim de vida útil. A chefe de diplomacia europeia alerta que a Rússia está a intensificar os ataques a civis para quebrar a população ucraniana. Kaja Kallas defende, por isso, que Kiev precisa de mais armas e considera que estes mísseis seriam importantes. Um pedido que surge depois de mais uma noite de ataques da Rússia contra Kiev. Pelo menos 12 pessoas morreram. Subiu para 1003 o número de mortos nas cheias que atingiram o Nepal e o Tibete na semana passada. Os dados foram atualizados esta manhã pelas autoridades locais. Há ainda o registro de quase 4000 desaparecidos, entre os quais quatro portugueses, três no Nepal e um no Tibete. Até agora foram resgatadas quase 12 mil pessoas. E esta é uma história de espionagem, segredos, traições, que aconteceu há apenas 10 anos no Serviço de Informações de Segurança. Falo, claro está, do mais recente podcast do Observador. Já está disponível o sexto e último episódio.
A vida dupla do espião traidor revela a história de Frederico Carvalhão Gil, o agente do SIS que foi apanhado a vender segredos da NATO à Rússia de Vladimir Putin.
Carvalhão Gil ainda estava preso em Évora quando pediu à Caixa Geral de Aposentações para calcular o valor da pensão a que teria direito. Tinha mais de 60 anos e mais de 40 de descontos. Estava na hora de pensar na reforma. O cálculo do valor, responde-lhe, andará à volta dos 1500 € mensais. É menos de metade do salário que tinha antes da detenção em Roma. Carvalhão Gil contesta. Não concorda com o valor. Estão a tirar-lhe anos de serviço. Recorre formalmente da decisão e consegue que o valor seja revisto. Agora é um homem livre. Cumpriu a pena a que foi condenado, mas também perdeu tudo. Não pode voltar ao SIS e as poupanças estão a esgotar-se.
Um excerto do sexto e último episódio do mais recente podcast do Observador, "A Vida Dupla do Espião Traidor", uma série em podcast narrada pelo ator Ivo Canelas, com música original de Bruno Pernadas.
A partir de hoje, todos os episódios estão disponíveis no site do Observador, nas plataformas de podcast e no YouTube.