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Começa agora o Jornal das 11, edição de Miguel Vider. Miguel, arrancam a esta hora as comemorações oficiais do 5 de outubro, o dia da implantação da República.
Foi há 113 anos, uma efeméride comemorada em Lisboa, na Praça do Município, onde já está o repórter do Observador, Miguel Viterbo Dias. Miguel, bom dia, conta-nos tudo, quem vai participar na cerimônia e qual é o programa das comemorações.
Desta vez, todas as altas entidades do Estado estão confirmadas, isto porque o ano passado António Costa chegou a dizer que não podia vir à cerimônia, depois à última da hora confirmou que conseguia estar presente para ouvir os recados de Marcelo Rebelo de Sousa. Este ano, o primeiro-ministro vai também marcar presença, ainda que depois siga para Granada, para esse encontro com líderes europeus. Neste momento, na Praça do Município, ainda poucos convidados, para já, figuras militares, também é esta hora que está previsto o início oficial da cerimônia, com a formação de um batalhão da Guarda Nacional Republicana, mas os principais convidados começam a chegar perto das 11h20, é essa hora que é esperado António Costa. Cinco minutos depois, Augusto Santos Silva e às 11h30, Marcelo Rebelo de Sousa. O início da cerimônia propriamente dita arranca 10 minutos depois. Já se sabe também como é o cerimonial, o tradicional hastear da bandeira na varanda da Praça do Município, aqui em Lisboa, e depois apenas dois discursos, o de Carlos Moedas, presidente da autarquia, será o segundo discurso enquanto líder da Câmara Municipal, e também o de Marcelo Rebelo de Sousa, que encerra estas comemorações. O ano passado, o presidente da República deixou alguns recados sobre o fato de a democracia não se fazer apenas na altura das eleições, mas também no dia a dia, ao longo dos quatro anos. Foi a primeira intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa, já debaixo da maioria absoluta do governo de António Costa, com esses recados numa altura em que surgiam já alguns casos sobre ministros e secretários de Estado, esses recados de Marcelo Rebelo de Sousa para que António Costa conserve essa democracia e a forma de lidar também com a oposição. Este ano, a situação é ligeiramente diferente. É sabido que o presidente da República e o primeiro-ministro já tiveram momentos de costas voltadas nesta relação, apesar de ambos garantirem que continuam a dar-se bem. Por isso, há essa expectativa sobre se Marcelo vai aproveitar esta intervenção para fazer mais um puxão de orelhas a António Costa ou se fará um discurso mais virado, por exemplo, para a questão da importância do PRR, que tem marcado também as intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa. Carlos Moedas tem também aqui um palco privilegiado, ele que é apontado como uma figura do presente e do futuro do PSD, tem aqui um palco de exposição nacional para essa intervenção, onde pode também dar recados não só para o próprio partido, mas também para António Costa. Como disse, a chegada dos convidados está prevista para daqui a 20 minutos. Daqui a 40 começa esta cerimônia do 113º aniversário da implantação da República.
Reportagem direto da Praça do Município, do Miguel Viterbo Dias, ao som da banda da Guarda Nacional Republicana. Vamos abrir às 11h40 uma emissão especial aqui na antena do Observador para acompanhar as intervenções de Carlos Moedas e do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
O presidente da República, precisamente, expressou esta manhã condolências às famílias das duas vítimas mortais do acidente da passada terça-feira em Veneza.
Morte confirmada dos dois cidadãos portugueses ontem à noite pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Há ainda um cidadão português ferido na sequência da queda de um autocarro de um viaduto de uma altura de 15 metros. O autocarro incendiou-se, 21 pessoas morreram, a maioria turistas, dois eram portugueses. Marcelo Rebelo de Sousa já expressou pesar pela morte dos dois cidadãos nacionais.
E Volodymyr Zelensky chegou há pouco ao local onde vai decorrer a Cimeira da Comunidade Política Europeia.
Em Granada, o fórum foi criado em 2022, depois da invasão russa da Ucrânia. Participam na reunião perto de 50 líderes de países europeus. Havia a dúvida sobre se Zelensky iria ou não estar presente. Sim, está. E à entrada foi questionado sobre se está preocupado com o aproximar do inverno e as consequências que daí podem advir. Disse o presidente ucraniano que é demasiado tarde para preocupações. Manifestou também confiança na manutenção do apoio militar dos Estados Unidos a Kiev.
E Miguel, o mês de setembro foi o mais quente desde que há registros.
Informação avançada por responsáveis do programa europeu Copernicus. A temperatura média do ar foi de 16,38 °C, mais meio grau do que a temperatura registrada em setembro de 2020. Ouvido já esta manhã pela jornalista do Observador, Maria Miguel Duarte, o físico e especialista em alterações climáticas, Filipe Duarte Santos, afirma que este aumento da temperatura é revelador do perigo associado às alterações climáticas.
É uma situação que eu diria de alguma preocupação para todo o mundo. Realmente, os últimos três meses foram os meses mais quentes. Julho, agosto e setembro foram os meses mais quentes que foram registados até agora, jamais registados. Por outro lado, temos as temperaturas superficiais do oceano bastante elevadas, mais elevadas do que em anos anteriores, e também temos outros Indícios de que as alterações climáticas estão a avançar de forma perigosa.
Filipe Duarte Santos antecipa, de resto, que no próximo ano as temperaturas devem manter-se elevadas, tanto por causa das alterações climáticas como pelo fenômeno El Niño. As alterações climáticas têm estado na origem de vários protestos de ativistas ao longo da semana. Filipe Duarte Santos percebe a preocupação dos jovens, embora faça uma ressalva.
Eu penso que atitudes extremadas não resolvem o problema. É um problema que é difícil de resolver. É importante salientar que a União Europeia é o conjunto de países que tem feito mais no sentido de descarbonizar a economia, no sentido da transição energética, depender menos dos combustíveis fósseis, mas de qualquer modo, respondendo diretamente à sua pergunta, penso que é natural que os jovens tenham uma preocupação com as alterações climáticas, porque a geração deles vai ser mais afetada por elas do que as gerações anteriores.
A declaração do físico e especialista em alterações climáticas, Filipe Duarte Santos, entrevistado pela jornalista Maria Miguel Duarte, a pretexto dos dados do Observatório Copérnico, setembro foi o mês mais quente desde que há registros.
E sobre as alterações climáticas e também sobre os protestos dos ativistas, falou também a secretária de Estado da Energia.
Foi a entrevista ao jornalista do Observador, Ana Suspiro. A secretária de Estado, Ana Gouveia, sublinha que o governo está a fazer os possíveis para que o processo de descarbonização seja feito de uma forma justa para toda a sociedade.
Teremos todos a nossa visão sobre o ritmo a que o país está a seguir. Eu creio que aquilo que estamos a fazer está perfeitamente alinhado com aquilo que são as expectativas dos portugueses, que obviamente querem fazer um caminho para a transição climática, mas querem fazê-lo assegurando também que essa transição é justa, que os empregos que eventualmente desaparecem são substituídos por outros empregos do futuro, e portanto, que esse caminho é feito com toda a segurança e toda a justiça social.
A secretária de Estado da Energia sobre os protestos dos ativistas pelo clima. Nesta entrevista ao Observador, Ana Gouveia antecipou também a possibilidade do governo vir a fazer injeções extraordinárias no sistema elétrico e do gás. Uma forma de garantir preços estáveis.
Estamos a trabalhar com o regulador também. Como sabe, ainda existe alguma volatilidade nos mercados internacionais e a garantia que lhe posso dar é a garantia que temos dado sempre: faremos aquilo que é necessário para proteger as famílias numa escalada de preço e continuar a garantir preços de eletricidade no nosso mercado estáveis, e estaremos dispostos a fazer injeções extraordinárias no sistema, se for caso disso.
É o que antecipa Ana Gouveia, essa possibilidade de o governo vir a utilizar verbas públicas para garantir a estabilidade dos preços do gás e da eletricidade.
Seguimos com o balanço feito pela ministra da Habitação. Há 86 mil famílias a viver em condições indignas.
Um número que compara com os 26 mil agregados familiares identificados em 2018. O balanço atualizado foi feito ontem à noite pela ministra da Habitação, Marina Gonçalves, em entrevista à RTP.
Nós em 2018, quando definimos, quando apresentamos o programa Primeiro Direito, junto dos municípios, aquele que deveria responder à indignidade, falávamos de 26 mil famílias. Hoje, temos 270 municípios, todos estão a trabalhar nas suas estratégias, mas 270 municípios com a estratégia já em execução, e falamos já de 86 mil famílias.
Mas é um grande salto de 2018 para 2023.
Na verdade, há duas dimensões. Há uma dimensão conjuntural de uma pandemia que atravessamos, de um conjunto de fatores que acabaram por inflacionar o mercado de arrendamentos, também pelo período que vivemos de aumento das taxas de juro, de aumento da inflação, isto tudo contribuiu pro aumento dessas necessidades, mas há também uma mudança de paradigma na forma como nós olhamos para as necessidades habitacionais e pra indignidade habitacional.
Um problema que se acentuou nos últimos cinco anos. A ministra revela que há 2900 casas para entregar a famílias mais carenciadas, para fazer face a este problema. Nesta entrevista, Marina Gonçalves falou também sobre o tema da atualização de rendas do próximo ano. De acordo com a fórmula de cálculo em vigor, que tem em conta a inflação até agosto, o aumento pode chegar quase aos 7%. O primeiro-ministro já disse que não vai repetir a decisão de 2023, que limitou o aumento a 2%, face a um aumento de rendas também superior a este valor, tendo em conta a fórmula de cálculo que está em vigor. A ministra não esclarece o que vai ser feito no próximo ano, diz que o tema está a ser analisado e que são necessários equilíbrios, sem, no entanto, distorcer o mercado.
É pra nós também fundamental, e sobretudo depois da densa discussão que tivemos, dar esta estabilidade ao mercado de arrendamento. Mas há aqui compatibilização e estes equilíbrios e estas convergências depois determinam que tenhamos que perceber onde é que esse esforço pode ser repartido. É essa avaliação que estamos a fazer.
Mas neste momento, o que é mais provável que aconteça? É o governo determinar um valor ou, de facto, deixar que aquilo que era suposto acontecer, aconteça.
Há, necessariamente, pra nós, uma avaliação que é fundamental e que estará na base de qualquer decisão que viermos a tomar. Tem a ver com o equilíbrio e uma repartição de esforço.
O tema continua em análise. Para já, não há qualquer decisão do governo.
E olhamos agora para o futebol. O Sporting entra hoje em campo. Os Leões jogam frente à Atalanta para a Liga Europa, um adversário que Rúben Amorim classifica como aleatório.
Considera o treinador do União que é muito difícil prever como é que a equipe italiana se vai apresentar em campo. Uma dificuldade acrescida para preparar o encontro.
A equipa da Atalanta é tão difícil de entender taticamente que os treinos foram um bocadinho mais confusos, porque é difícil eu dizer o que é que vai acontecer no jogo, porque a forma como o Mister Gasperini prepara a equipe, a forma como De Roon se joga dum lado, se joga do outro, Koopmeiners se joga na frente, se joga no meio-campo. É completamente aleatório aquilo que vai acontecer. É difícil de perceber, o que tornou a semana estranha, diferente, e onde eles tiveram que estar muito concentrados porque vão enfrentar algo que não estão habituados. E isso às vezes é bom.
Rúben Amorim, na antevisão do jogo com a Atalanta, segunda jornada da Liga Europa. Há uma boa notícia para o técnico dos Leões. O capitão Sebastien Coates recuperou e é opção para este encontro. De fora, por lesão, fica Francisco Trincão. O jogo entre Sporting e Atalanta tem como palco o Estádio José Alvalade. A bola começa a rolar às 17h45. Vamos contar-lhe tudo com relato em direto aqui na Rádio Observador.
E a emissão arranca depois do Jornal das Cinco. E é assim que fechamos este jornal, o das 11 da manhã, com Miguel Videra, que está de regresso às 11h30. E já a seguir, temos um Cassete 60 especial do casamento real.