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A Rádio Observador. O Jornal do Meio-Dia tem edição do jornalista Luís Soares. Os quatro grandes incêndios no distrito de Aveiro têm um perímetro de aproximadamente 100 km e já consumiram uma área de 10 mil hectares de floresta.

O balanço foi feito esta manhã pela Proteção Civil, num briefing antes das 11h, no posto do Comando Distrital, em Oliveira de Azeméis. O comandante operacional Mário Silvestre explicou que a situação no terreno é muito complexa.

O que temos neste momento a registar é uma situação ainda bastante complexa. O vento não nos tem ajudado. O vento não nos tem ajudado, tem sido extremamente complexo. Durante a noite, para termos noção do que falamos, tivemos ventos que rondaram os 70 km/h, com temperaturas de 25 graus. Portanto, na realidade, é extremamente complexo. Aquilo que normalmente é as nossas janelas de oportunidade para fazer combate aos incêndios, neste incêndio não se verificou de forma nenhuma, porque para termos noção, as umidades relativas noturnas andaram na casa dos 30% e isto foi o que nos deu a meteorologia durante esta noite, o que foi extremamente complexo.

Durante a noite, 57 pessoas tiveram que ser retiradas de casa. Há ainda 54 vítimas, das quais 17 tiveram que ser transportadas ao hospital, por razões de segurança. A prioridade do combate centra-se, sobretudo, no sul do incêndio, na zona de Águeda. Nesta altura, não há povoações em risco, mas é algo que, diz o comandante operacional, pode mudar a qualquer momento.

Em Telhadela, no município de Albergaria-a-Velha, alguns edifícios não resistiram ao fogo durante a madrugada.

Apesar do grande contingente de bombeiros no local, o vento forte deixou a aldeia cercada pelas chamas. Arderam oficinas, alguns carros também, e o fogo esteve bem perto de habitações. O repórter Miguel Cordeiro descreve como acordou esta pequena aldeia do distrito de Aveiro.

Manhã na localidade de Telhadela, manhã em que há muito fumo, uma grande nuvem de fumo sobre toda esta pequena aldeia de Albergaria-a-Velha. Durante a noite, o fumo estava acompanhado pelas chamas. Em todos os acessos desta aldeia havia chamas. Estou numa rua perto de um morador. Cláudio vive em Telhadela e acordou já com o fogo há dois dias. Esteve a lidar com o fogo há dois dias. Não dorme desde então. É possível ver o cansaço de quem tem lidado com esta situação. Esta noite, a última, foi a mais complicada.

Na nossa zona, aqui, sim. Tem sido no lugar todo, mas a partir da 01:30 aqui onde a gente vive, aí sim, correu bastante mal, foi muito mal mesmo. Mas com a ajuda de todos, acho que conseguimos safar. E estamos bem, pelo menos estamos vivos. Já não é mau.

A imagem que vejo à minha frente, duas casas ao lado da sua, ardeu. Ardeu ali um edifício. O que estava ali?

Carpintaria, são duas carpintarias. E ardeu. Essas arderam, mas foi só o que ardeu, basicamente. Tinha uma vacaria em cima, mas consegui safar também, com a ajuda dos bombeiros e com os nossos meios.

Alguns jardins, algumas plantações arderam também aqui. As casas resistiram, mas os campos arderam. Há também, parece um armazém de pneus no fundo desta rua. Sabe se ficou tudo bem?

Está tudo intacto. Não se passou nada, não ardeu. Está tudo em segurança, para já.

Os bombeiros estiveram cá durante toda a madrugada. Sei que no início desta rua estão vários caminhões bombeiros a descansar. Muitos, acredito, pernoitaram um pouco dentro do possível. Tem sido assim durante o último dia?

Sim, sempre estiveram por aqui. Claro, cansados também e às vezes sem meios, sem água, sem nada, mas a gente tem que compreender que às vezes não é fácil estar em todo lado ao mesmo tempo.

Cláudio, morador de Telhadela, muito obrigado por este testemunho. Está em frente à casa que resistiu às chamas, que passaram nesta aldeia, neste lugar, durante a madrugada. À minha esquerda, e consigo sentir esse terreno queimado, um jardim, o que seria um jardim, uma pequena horta, ardeu completamente ao lado de uma casa que resistiu, não está sequer chamuscada. Os bombeiros são forte presença neste lugar, junto a um cruzamento onde têm descansado durante as últimas horas, mas onde, durante a madrugada, tiveram muito trabalho.

A reportagem do Miguel Cordeiro em Telhadela, a acompanhar a evolução dos incêndios em Albergaria-a-Velha.

E Luís Soares, por causa dos incêndios, importa conferir por esta altura as estradas que estão cortadas.

Sobretudo na região centro do país e também no norte. Informações da GNR que vamos conferir agora com o Miguel Gato. Miguel, para já com uma boa notícia, uma estrada que foi reaberta.

Exatamente, Luís. Começo pela abertura da A13 entre Coimbra e Condeixa. A informação que tínhamos por volta das 08:30 era de que esta estrada estava fechada, mas na última atualização, a que a Rádio Observador teve acesso por volta das 11:30, a A13 já aparece aberta. No entanto, segundo a GNR, há ainda muitas estradas fechadas neste momento, um pouco por todo o país. E começo por Aveiro. Os fogos em Sever do Vouga e Albergaria-a-Velha continuam a obrigar ao corte da A1 entre Aveiro Sul e Estarreja, em ambos os sentidos, e também à interdição da A25 até Reigoso, já no distrito de Viseu. Também o IC2 está cortado entre a A25 e a Estrada Nacional 1, assim como existe também um corte na Nacional 16 entre Cassia e Sever do Vouga.

E no que diz respeito ao incêndio no distrito de Viseu, Miguel?

Este fogo em Nelas, Penalva do Castelo e Castro Daire está a obrigar ao corte da A24 entre o nó de Castro Daire e Mamores e também

Da A25 entre Mangualde e Sãos de Tavares. No que toca as vias menos rápidas, estão cortadas as Nacionais 2, entre Mamoures e Ponte Pedrinha, e a 234, no trajeto que vai desde Canas de Senhorim até Oliveirinha.

E vamos agora mais a norte, em Trás-os-Montes. Miguel, também há cortes de estradas por causa dos incêndios.

Sim, Luís, o fogo faz com que neste momento a A24 esteja cortada entre o nó de Samardã e o nó de Vila Pouca de Aguiar, mas também a Nacional 2, entre Covelo e Pedras Salgadas, e a Estrada Nacional 103, desde a Sureira até Águas Frias. Também em Chaves, um pouco mais a norte, a Estrada Nacional 2 está cortada na zona de Vilarinho de Paranhos.

E olhamos agora para o distrito do Porto, Miguel, onde há igualmente cortes de vias.

Em Gondomar, a A43 está cortada nos dois sentidos, assim como a Estrada Nacional 101 entre Cavalinho e Mesão Frio e a Estrada 321 até Campelo. Em Baião, onde a situação também está complicada neste momento, estão cortadas as Nacionais 101 em Bustelo e a 221 entre Eiris e Campelo, e a Estrada Nacional 321 em Soalheães. Dá conta também, Luís, de que no Minho, por causa do incêndio em Fradelos, em Braga, está cortada a Estrada Nacional 207, desde a localidade de Gonça até à localidade de Garfe.

Miguel Gato, e essa é uma longa lista de estradas cortadas ainda a esta hora por causa dos incêndios.

12h09 agora. Decorre por esta hora em Aveiro uma reunião da equipa multidisciplinar que junta o governo e os autarcas das zonas mais afetadas pelos incêndios dos últimos dias. O ministro da Coesão avisa que esta equipa se destina ao apoio no pós-incêndio e não ao combate às chamas.

Uma tarefa que cabe à Proteção Civil, é o que sublinha o ministro-adjunto e da Coesão Territorial. À entrada para essa reunião com os autarcas da região de Aveiro, Manuel Castro Almeida explica que o foco da tutela está em garantir a proximidade com as vítimas.

O nosso grupo não tem missão de combater o incêndio. Isso está tarefa a cargo da Proteção Civil, a cargo do Ministério da Administração Interna. Nós estamos aqui para ajudar a resolver os problemas das pessoas que já foram vítimas de um incêndio. E há problemas de natureza imediata ou problemas de emergência. Nós temos que garantir que ninguém fica sem comer, ninguém fica sem ter uma cama para dormir, ninguém fica sem roupa para vestir, sem um tostão no bolso. É preciso garantir problemas de emergência e depois problemas de médio prazo, que nós queremos que seja de curto prazo também, para recuperar infraestruturas, recuperar casas ardidas, recuperar empresas e postos de trabalho.

A reunião que decorre no Centro de Congressos de Aveiro pode repetir-se noutras regiões, se a intensidade dos focos assim justificar. Manuel Castro Almeida revela que tem a mala feita para três dias, mas espera que tudo fique resolvido mais rápido.

Hoje vamos reunir aqui com os autarcas da região de Aveiro, mas se houver outras regiões do país onde surjam volumes de incêndios semelhantes, com gravidade semelhante, nós temos que repetir o exemplo e ir lá perto deles resolver os problemas da mesma forma. O princípio tem que ser proximidade e rapidez como método para fazer com que as pessoas lesadas sintam que alguém está a olhar por elas.

Isso implica ficar aqui quanto tempo?

O que for necessário. Tomara que seja pouco.

Espera resolver a questão hoje?

A minha mulher preparou uma mala para três dias, mas vamos ver. Espero não precisar.

Declarações do ministro-adjunto e da Coesão Territorial à entrada para a reunião com os autarcas do distrito de Aveiro.

Ursula von der Leyen promete solidariedade europeia a Portugal no combate aos incêndios e descreve os fogos como devastadores.

Foi questionada Ursula von der Leyen sobre os incêndios em Portugal, depois de apresentar a proposta para a nova Comissão Europeia. Diz que a Europa tem de decidir como apoiar os Estados-membros afetados pelas alterações climáticas. São declarações numa conferência de imprensa, em que alerta que o impacto das alterações climáticas vai estar cada vez mais no centro da discussão em Bruxelas.

E já é conhecida a equipa de Ursula von der Leyen. Maria Luísa Albuquerque é a nova comissária europeia com a pasta dos serviços financeiros.

E também a União de Poupança e Investimento. Ursula von der Leyen divulgou esta manhã a proposta de equipa para um segundo mandato à frente do Executivo Comunitário. Uma proposta que inclui o nome de Maria Luísa Albuquerque. O primeiro-ministro já elogiou a qualidade e coerência dos nomes da nova Comissão. Realça que a pasta proposta para a antiga ministra das Finanças portuguesa vai ser vital para a competitividade da economia financeira. E João Gama, a Ursula von der Leyen justifica a escolha da comissária portuguesa com o currículo.

A presidenta da Comissão Europeia vê em Maria Luísa Albuquerque a pessoa certa no sítio certo. Diz que a antiga ministra portuguesa tem a experiência política e privada necessária para o cargo, mas não só.

Maria Albuquerque vai ser excelente neste portfólio. Tem uma vasta experiência como ministra das Finanças, mas também no setor privado. Combina tudo. Sabe quão difícil é o campo político, mas também sabe que temos que ter o setor privado, o capital privado e os investimentos privados a bordo. E isto vai ser possível para concretizar a união do mercado de capitais. Sim, é difícil, mas sabemos que a pressão está a crescer. Se olharmos para os números do Banco Central Europeu, vemos que perdemos 470 milhões de euros de investimento que não é feito na União Europeia, por falta de um mercado de capitais. Há uma urgência enorme para o fazer e ela é a pessoa certa.

O nome certo para tirar do papel a união do mercado de capitais.

Maria Luísa Albuquerque não é a única novidade na equipa de comissários. Quem são, João, os restantes comissários da equipa de von der Leyen?

São 27, um por cada Estado-membro. Nunca o Partido Popular Europeu, a família política de von der Leyen, teve tantos comissários europeus. São no total 14. Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, conseguiu uma vice-presidência na Comissão, a de Raphaël Fitto. França e Eslovénia tiveram duas das negociações mais tensas com Ursula von der Leyen. As primeiras propostas não foram aceites e depois de um braço de ferro e de um ultimato, França conseguiu uma das pastas mais influentes, a do Mercado Único. A Eslovénia vai ficar com a pasta do alargamento da União, o que acaba por ser importante, dada a proximidade que tem dos países candidatos, a Geórgia e a Ucrânia.

Já Tecnologia e Segurança vão ficar juntas na mesma pasta por causa da Rússia. A pasta da Segurança e Democracia passa a incluir as responsabilidades soberania tecnológica e fica a cargo da Finlândia. João Gama, e a proposta de Ursula von der Leyen para a nova Comissão. Somam-se, entretanto, as reações com Luís Montenegro a elogiar a escolha de Maria Luísa Albuquerque para uma pasta crucial.

Muito rapidamente, neste final de jornal do meio-dia, Luís Soares, olhamos para outras notícias que estão em destaque a esta hora.

250 pessoas foram retiradas de uma residência de estudantes em Lisboa por suspeitas de intoxicação química. Uma informação já confirmada por fonte dos Bombeiros Sapadores de Lisboa. Há feridos, mas não há ainda indicação de quantos serão os feridos. Em Lisboa, um avião vindo de Punta Cana, na República Checa, aterrou de emergência no Aeroporto Humberto Delgado. O aparelho reportou problemas hidráulicos nas portas do trem de aterragem e acabou por aterrar pouco depois das 9h, em Lisboa.

Já a seguir, na repetição da história do dia, olhamos para os incêndios que estão a assolar o nosso país.