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Jornal do Meio-Dia . O Jornal do Meio-Dia tem edição do Luís Soares. Luís, Donald Trump está de regresso à Casa Branca. O candidato republicano venceu as eleições presidenciais nos Estados Unidos.
Com a conquista dos estados do Wisconsin e do Alasca, Donald Trump consegue 279 votos no Colégio Eleitoral, acima dos 270 necessários para garantir a eleição. Kamala Harris, a candidata democrata, consegue para já 223 votos no Colégio Eleitoral. No discurso feito ainda de madrugada, Donald Trump falava numa vitória política nunca antes vista no país.
"Vamos ajudar o nosso país a curar-se. Temos um país que precisa de ajuda e precisa de muita ajuda. Vamos reparar as nossas fronteiras, vamos reparar tudo no nosso país. Fizemos história por um motivo esta noite, e o motivo é mesmo esse. Ultrapassamos obstáculos que ninguém pensava possível e é agora claro que conquistamos a mais incrível coisa política. Olha o que aconteceu. Isto não é de doidos?"
A pergunta deixada por Donald Trump no discurso de vitória, feito já de madrugada a partir de West Palm Beach, na Flórida, pede também união ao Partido Republicano. Donald Trump teve ao lado J.D. Vance, que será o próximo vice-presidente dos Estados Unidos, ele que promete também uma recuperação econômica histórica. Quanto a Kamala Harris, a candidata democrata continua em silêncio.
Já as reações a esta vitória multiplicam-se por todo o mundo e também em Portugal. O presidente da República felicita a eleição de Donald Trump. Marcelo Rebelo de Sousa diz que a cooperação entre Estados Unidos e Portugal é para ser reforçada, e não diminuída.
Em declarações aos jornalistas no Palácio de Belém esta manhã sobre os resultados das eleições norte-americanas, Marcelo Rebelo de Sousa fala numa decisão soberana. Explica também que o objetivo nos próximos quatro anos não muda, continua a ser o de reforçar as ligações transatlânticas.
Nos últimos anos, começando ainda no mandato do presidente Trump e depois continuando no último mandato do presidente Biden, houve um acréscimo claro de relações, quer no domínio do comércio, quer no domínio do investimento, quer no domínio do turismo entre Estados Unidos da América e Portugal. O povo americano é soberano, escolheu quem deveria escolher no sentido de que era sua decisão e só sua decisão. Agora é trabalhar em conjunto, Portugal e Estados da América, e Europa e Estados da América, para retirarmos os máximos benefícios para as pessoas.
Declarações do presidente da República, que lembrou também o encontro que teve com Donald Trump na Casa Branca em 2018. Diz que o agora presidente eleito dos Estados Unidos se mostrou sensível a alguns temas que preocupam Portugal. Antes de Marcelo Rebelo de Sousa, Luís Montenegro, o primeiro-ministro português, disse esperar uma colaboração estreita entre Lisboa e Washington. Já Paulo Rangel, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, antecipa que a relação institucional com os Estados Unidos em nada será alterada.
Lá por fora, Luís, destaque para as reações dos países onde estão em curso guerras, Médio Oriente e também leste da Europa.
E começando pelo leste, o porta-voz do Kremlin diz que os Estados Unidos não são um país amigo e que, para já, não está previsto que Vladimir Putin felicite Donald Trump. Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fala numa vitória impressionante de Trump e diz que espera o apoio à Ucrânia, tanto de republicanos como de democratas. No Médio Oriente, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu fala num grande regresso à Casa Branca e o Hamas diz que a promessa de Trump de acabar com a guerra no Médio Oriente numa questão de horas será desta forma testada.
E a vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas foi também tema da audição de Maria Luísa Albuquerque no Parlamento Europeu.
A antiga ministra portuguesa das Finanças, que é a comissária designada para a pasta dos serviços financeiros, hoje esteve a ser ouvida pelos eurodeputados. Questionada sobre se Donald Trump irá reduzir a regulação dos mercados, Maria Luísa Albuquerque lembrou que há acordos que têm que ser cumpridos.
Estou perfeitamente consciente da necessidade de preservar a estabilidade financeira. Estou ciente dos desafios necessários para manter condições de concorrência equitativas, mas apelo aos nossos parceiros internacionais para que implementem também os acordos que fizeram, porque acredito que esses acordos são fundamentais para desenvolver ou para manter um sistema financeiro resiliente.
Maria Luísa Albuquerque garante que a União Europeia não irá entrar numa corrida para tentar ganhar competitividade reduzindo a regulação.
Já questionada pela eurodeputada do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, Maria Luísa Albuquerque disse que não sabe o que vai fazer depois de ser comissária.
A antiga líder do Bloco classificou como cadastro a experiência da antiga ministra das Finanças e deixou a pergunta.
Agora estava a trabalhar para a Morgan Stanley e quer vir para a Comissão trabalhar em dossiês em que a Morgan Stanley é interessada. Pergunta: há limite para o conflito de interesses? E já sabe para que banco vai trabalhar a seguir?
Aquilo que vou fazer depois disso, senhora deputada, não sei. Se me confirmarem, eu estou muito focada nos próximos cinco anos, onde espero verdadeiramente contribuir para o bem da Europa.
O momento mais tenso protagonizado por Catarina Martins e Maria Luísa Albuquerque. A comissária designada para a pasta dos assuntos financeiros diz que será necessário coragem política para tomar as decisões que são necessárias para aumentar a competitividade europeia.
E os socialistas no Parlamento Europeu vão votar a favor do nome de Maria Luísa Albuquerque.
Garantia deixada pelo eurodeputado Francisco Assis em declarações à Rádio Observador. Ele explica que os esclarecimentos da antiga ministra das Finanças foram suficientes.
Todo o discurso que fez, as respostas que deu, vão no sentido de ir claramente de encontro às nossas preocupações, de encontro àquilo que era a carta de demissão que foi enviada e que ela própria já materializava compromissos assumidos pela von der Leyen com os socialistas europeus aquando da discussão no Parlamento, da indigitação dela. E agora este momento foi o momento em que, muito claramente, o que ela disse não suscita nenhuma posição. Agora vamos acompanhar, naturalmente, ao longo dos próximos cinco anos.
A garantia deixada por Francisco Assis no final da audição, Maria Luís Albuquerque disse que ficou satisfeita com a prestação que teve.
Eu estou satisfeita de ter chegado até aqui. Espero ter respondido de forma satisfatória às questões que me foram colocadas. Procurei ser direta, transparente, completa e refletir aquilo que são as minhas convicções relativamente ao que é importante que seja feito.
Maria Luís Albuquerque, comissária designada para a pasta dos assuntos financeiros, em declarações aos jornalistas em Bruxelas, depois de ter sido ouvida pelos eurodeputados.
Meio-dia e oito, Luís, que outras notícias vão marcando a atualidade?
A Frente Sindical e a FESAP assinaram hoje um novo acordo da função pública com o governo, que assegura aumentos mínimos a todos os funcionários públicos até 2028. Esta manhã, na cerimônia de assinatura do acordo, apenas com os sindicatos afetos à UGT, Luís Montenegro sublinhou que este é um passo importante para a reforma estrutural do setor e para a estabilidade dos trabalhadores da administração pública. A taxa de desemprego estabilizou nos 6,1% no terceiro trimestre do ano, mantendo o mesmo valor dos segundos três meses deste ano e também do mesmo período do ano passado. São dados divulgados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística. Já em valores absolutos, o número de desempregados aumentou entre julho e setembro. O aumento foi de perto de 3 mil pessoas desempregadas em relação ao trimestre anterior. António Costa critica as declarações de Ricardo Leão, autarca de Loures, que defendeu despejos sem dó nem piedade para pessoas que tenham participado nos desacatos na Grande Lisboa. O antigo primeiro-ministro e militante do PS afirma que a proposta ofende os valores, cultura e identidade do partido. Críticas feitas num artigo intitulado "Em Defesa da Honra do PS", divulgado pelo jornal Público, é assinado por António Costa e também por outros militantes do partido.
Luís Soares e o Jornal do Meio-Dia.