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Notícias. Jornal do Meio-Dia, edição do André Maia. André, começamos com o mau tempo no Algarve. Um comboio descarrilou esta manhã, na Fuseta, depois de a linha ferroviária ter ficado inundada.

A linha continua interdita. O acidente aconteceu esta manhã na Fuseta, em Olhão, não causou feridos. O mau tempo fez a linha ferroviária ficar inundada e com pedras no troço, o que levou ao descarrilamento do comboio. O comandante dos Bombeiros Voluntários de Olhão, João Quintino, destaca à Rádio Observador que a situação está agora mais calma.

Já está tudo resolvido, só que está lá a firma da IP, da via ferroviária, para acabar os serviços. Foi só o descarrilamento, mais nada. Não houve feridos, não houve nada. Aquilo foi inundações. A via ficou inundada e o descarrilamento.

João Quintino, comandante dos Bombeiros Voluntários de Olhão, em declarações à Rádio Observador esta manhã. A circulação na via continua interrompida. Está a ser feito o transporte dos passageiros no troço da Fuseta. Numa publicação nas redes sociais, a CP também destaca que o acidente não causou feridos e lamenta os incômodos causados aos passageiros.

André, além da linha ferroviária, a Estrada Nacional 125, no Algarve, também está interdita ao trânsito.

Na zona da Luz de Tavira, isto por causa de inundações causadas pela chuva durante a noite e madrugada, é o que indica a Proteção Civil. O Algarve é uma das zonas mais afetadas pelo mau tempo que se tem feito sentir.

E já em todo o país foram registadas 45 ocorrências nas últimas horas.

A maioria são inundações e quedas de árvore, é o ponto de situação feita à Rádio Observador pelo comandante da Proteção Civil, José Costa.

Entre as 0h e as 08h, tivemos o registro de 45 ocorrências relacionadas com a meteorologia adversa, sendo 21 inundações, 17 quedas de árvore, seis limpezas de via e um movimento de massas. As áreas mais afetadas foram, sobretudo, o Algarve e também a região do Alentejo.

Comandante da Proteção Civil, José Costa, com o balanço das ocorrências nas últimas horas. Os distritos de Beja, Faro e a Ilha da Madeira continuam hoje com aviso amarelo por causa da previsão de chuva.

Mas, André, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê até uma melhoria do estado do tempo nos próximos dias.

A meteorologista do IPMA, Ângela Lourenço, explica que a depressão que tem afetado a região Sul e Centro-Sul do país está agora a dirigir-se para o Atlântico.

Prevê-se a continuação da ocorrência de aguaceiros mais fracos, mais dispersos e cada vez com menos frequência, e a afetar essencialmente as regiões Centro-Sul ou mesmo apenas a região Sul.

Ângela Lourenço, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, ouvida pela Rádio Observador. A meteorologista explica ainda que as temperaturas vão baixar ainda mais a partir de hoje.

Passam três minutos do meio-dia, mudamos de tema neste jornal. O PS anuncia que vai viabilizar, na especialidade, a redução de um ponto percentual no IRC.

O anúncio foi feito ontem à noite, numa nota enviada à Agência Lusa, isto depois de no último dia, para apresentação de propostas de alteração ao orçamento do Estado para 2025, o PSD ameaçar aprovar uma redução do IRC em dois pontos, caso o PS chumbasse a proposta do governo de descida de um ponto prevista no orçamento. O PS anuncia agora que vai viabilizar, na especialidade, essa descida e deixa claro que vai chumbar qualquer redução superior a um ponto percentual no IRC. Ora, os socialistas acusam ainda o governo de fazer uma manobra política infantil e irresponsável e afirmam que recusam alimentar as estratégias de distração por parte do Executivo.

Na atualidade internacional, a Ucrânia pode mesmo ver ceder territórios à Rússia para acabar com a guerra na Europa. É este o entendimento das especialistas em assuntos internacionais e defesa ouvidas esta manhã pela Rádio Observador.

Foi o tema do Causa Própria, programa da Rádio Observador. A antiga eurodeputada do PSD, Ana Miguel dos Santos, considera que existe um desgaste com a escalada do conflito na Ucrânia e que o sentimento nos corredores do Parlamento Europeu é o de acabar com a guerra, mesmo que isso implique uma cedência de territórios.

A Ucrânia está, evidentemente, numa situação de enorme fragilidade, muito por culpa nossa. E agora a grande questão é, perante esta situação, o que fazer. E sinceramente, acho que, olhando para aquilo que já é o sentimento, depois da apresentação do plano de vitória, por parte de Zelensky, no Conselho Europeu, aquilo que era o sentimento, muitos líderes nos corredores, e eu assisti a isto, não é o de que temos condições para continuar a apoiar. Aquilo que eu observo é exatamente o sentido oposto.

A especialista em assuntos internacionais, Helena Ferro Gouveia, atira também culpas aos líderes europeus pela situação que se vive na Ucrânia. Diz que a Europa já se habituou ao eventual cenário de cedência de territórios ucranianos à Rússia e culpa o desinvestimento europeu em matéria de defesa.

Parece que a NATO já se acomodou a essa solução e a Europa também. Aliás, viu-se a reação tíbia que se teve à anexação da Crimeia em 2014. Além de meia dúzia de sanções e de levantar a voz, do retirar a Rússia do grupo do G8, pouco mais aconteceu. O business as usual, continuou-se a comprar gás russo, continuou-se a fazer grandes negociatas. Não me parece que vá representar uma grande diferença em relação àquilo que já representa do ponto de vista da ameaça entre os nossos líderes. Tem mesmo que acordar, porque a Europa não tem a capacidade de se defender e abandonou a defesa há muito tempo por acreditar nesta paz kantiana, mas a paz assenta num fundamento que é a dissuasão e a capacidade de demonstrar força.

As especialistas em defesa e assuntos internacionais, Helena Ferro Gouveia e também Ana Miguel dos Santos, no Causa Própria desta manhã, na Rádio Observador. Volodymyr Zelensky acredita que a guerra na Ucrânia vai acabar mais cedo com a nova administração de Donald Trump, pelo menos mais cedo do que com Joe Biden. São declarações do presidente ucraniano, em entrevista a um canal de televisão do país. Zelensky acrescenta que, quando falou com Trump, o presidente eleito dos Estados Unidos ouviu os fundamentos do que a Ucrânia está a pedir.

Na altura em que passam seis minutos do meio-dia, já a seguir temos um novo episódio de Cinco Continentes com o historiador Bruno Cardoso Reis, mas antes, André, vamos a outras notícias em destaque a esta hora.

A primeira semana do COP 29 centrou-se no financiamento, mas sem avanços significativos no combate à clima. Ficou também marcada por acusações entre a França e o anfitrião Azerbaijão, sem que nada de substancial fosse decidido sobre o clima. As negociações da conferência anual das Nações Unidas devem terminar no dia 22 com acordo financeiro. Mais de 900 agricultores no norte do país declaram prejuízos de € 3,6 milhões depois dos incêndios de setembro. Os dados constam do portal da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. Como o limite de apoio é de € 6 mil, o valor considerado pela Comissão Regional vai apenas até € 2,6 milhões. E a fechar, e antes de fazer esta pergunta, João Costa e Silva, um bocadinho de ambiente, porque o tema que vamos falar é este.

Gosto muito.

Eu também. "Survivor", "Eye of the Tiger". Sempre que falamos de boxe, ou passa esta música de fundo, ou passa o tema principal do Rocky. Escolhemos este e a pergunta é se viste o combate de ontem entre a lenda do boxe Mike Tyson e o youtuber Jake Paul.

Não vi, mas sei que houve um grande zurruvu nas redes sociais.

Sabes quem ganhou, pelo menos?

Sei. Mas não estava à espera.

Não estava à espera também. Mike Tyson é Mike Tyson, mas já tem 58 anos. Jake Paul foi o vencedor. Pode dizer agora que ganhou o antigo campeão do mundo de boxe. Não é para todos, é verdade. Mas ainda assim, elogiou o adversário, disse que foi uma honra defrontar o maior da história, que considera ser Mike Tyson.

E foi uma humilde forma de fechar a carreira, não é?

Não sei.

Eu odiava terminar a minha carreira com uma derrota.

Eu acho que este vai ser o fecho de carreira não oficial de Mike Tyson.

Achas que ele ainda vai voltar, nem que seja com um adversário mais acessível?

Não sei. Agora parece que é de vez, pelo menos o pugilista de 58 anos disse que esta foi provavelmente a última vez que lutou profissionalmente e, portanto, fecha assim, em princípio.

Em princípio, até ver.

A carreira. Não com chave de ouro.

Não precisa de esperar.

Mas é digno. Com 58 anos, ir ao desafio.

E melhor do que o combate, só mesmo "Eye of the Tiger", Survivor, para fechar este jornal do meio-dia, edição do André Maia.