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Jornal do Meio-Dia com a edição do Miguel Cordeiro. Miguel, entre os 60 votos que estavam por contar em Lisboa, a CDU teve mais seis do que o Chega. Os comunistas mantêm viva a esperança de eleger o segundo vereador na capital.
A coligação liderada por João Ferreira na capital ficou inicialmente a 11 votos da candidatura de Bruno Mascarenhas. Estes 11 votos valeram ao Chega mais um vereador que a CDU. Ainda assim, nem todos os votos estavam contados na cidade de Lisboa. João Gama, é o caso, por exemplo, dos 60 votos na freguesia de São Domingos de Benfica.
E nestes boletins de voto, a coligação liderada por Alexandra Leitão teve 30, a coligação de Carlos Moedas 21, a CDU sete e o Chega apenas um. São os mesmos votos que o voto. Estes seis votos que João Ferreira conquista podem ser decisivos para os comunistas segurarem o segundo vereador na Câmara Municipal de Lisboa.
A conta ainda não bate certa, seis votos, estavam a 11 de diferença. Isto pode ser importante porque os resultados podem não ficar por aqui. Feitas as contas, são apenas cinco votos, nesta altura, a separar a CDU do Chega.
Os resultados podem sofrer ainda assim, Miguel, mais oscilações, até porque durante este processo é feita uma análise de todos os votos que foram primeiro considerados nulos e também dos protestos que podem ser apresentados por parte destas duas candidaturas. Importa recordar que a CDU já disse que admite pedir uma recontagem dos votos depois dos resultados desta assembleia de apuramento geral e de acordo com o que apurou o Observador, hoje devem ser conhecidos os resultados finais.
Ontem, também aqui na Rádio Observador, Bruno Mascarenhas, vereador eleito pelo Chega, contou uma versão contrária. Disse que a diferença para a CDU estava a crescer e não a diminuir.
Foi convidado do Explicador das Dados Políticas, Mascarenhas assegurou que a diferença duplicou e que o Chega, pelo menos à data de ontem à tarde, já estaria com uma diferença não de 11, mas sim de 20 ou 21 votos para a CDU. Ainda assim, o vereador eleito pelo Chega não poupou nas críticas ao Partido Comunista Português, acusou o PCP de estar a interferir na contabilização dos votos. A expressão que utilizou foi mesmo manigância eleitoral.
João Gama, com o que está em causa nesta contagem dos votos na cidade de Lisboa, pode ser decisiva para a eleição de um segundo vereador, ora no Chega, ora na CDU. O processo deve terminar hoje. Para já, são cinco votos os que separam o Chega e a CDU, cinco votos que valem a um vereador.
E o PSD vai viabilizar o projeto do Chega, que prevê a proibição da utilização de burcas no espaço público.
Este projeto foi apresentado por André Ventura esta manhã no Parlamento e o PSD diz que está disponível para construir um diploma que respeite a Constituição e que garanta a liberdade e os direitos das mulheres. Mas à esquerda foram muitas as críticas. A acompanhar este debate no Parlamento está o repórter Miguel Viteiro Dias. Miguel, a esquerda diz que este projeto do Chega tem um objetivo escondido. Do que é que estamos a falar?
Sim, diz que o objetivo do Chega é atacar a comunidade islâmica e não propriamente defender a legalidade sobre a ocultação do rosto no espaço público, que é o título deste projeto. André Ventura, desde logo na intervenção de apresentação desta iniciativa, disse que queria falar de forma direta e compreensível e clarificou que o objetivo desta iniciativa é mesmo apontar a utilização de burcas no espaço público.
O Chega quer hoje impedir que as mulheres andem de burca em Portugal. E para que sejamos claros e de linguagem direta e compreensível a todos, uma mulher forçada a usar burca ou uma mulher que pela sua cultura foi forçada a usar burca, deixou de ser uma mulher livre e independente, passou a ser um objeto. O Chega não quer e não aceita que as mulheres sejam objetos.
André Ventura, na apresentação desta iniciativa, que ao que tudo indica contará com a viabilização do PSD e que mereceu críticas da esquerda. Pedro Delgado Alves diz que está a fugir-se ao debate do essencial nesta matéria, que estamos num contexto de ódio e de estigmatização perante as populações oriundas da religião islâmica e que esse é o objetivo escondido do Chega, num debate que demorou a arrancar, em que a maioria dos partidos não queria usar da palavra e por isso Rui Tavares foi o primeiro à esquerda a inscrever-se para dizer que não quer que o Chega adivinhe aquilo que a esquerda tem a dizer sobre o assunto.
Acham que adivinham o que é que a esquerda vai dizer? Esperem. A esquerda fala, não precisa de vocês adivinharem. Eu não vou gastar um segundo a defender uma coisa contra a qual eu sou. Sou contra a burca e mais ainda sou contra os gajos que são a favor da burca. Ponto final.
Rui Tavares, com a utilização desta expressão, que gerou, claro está, muito ruído e burburinho na sala. Pouco depois, foi André Ventura também a responder numa moeda idêntica ao perguntar onde estava o projeto que os gajos do Livre iriam apresentar sobre esta matéria. Essa expressão a merecer já uma reprimenda por parte da Mesa da Assembleia, neste caso, porque André Ventura se dirigia aos deputados do Livre e, por isso, a merecer aqui também uma troca de palavras mais acalorada neste ponto de debate que já terminou, mas numa manhã que ainda se vai prolongar. Há ainda mais dois pontos em discussão e também votações para fazer, entre elas a descida do IRC para os 19%. Foi aprovada já na especialidade, pode ser hoje viabilizada de forma final pela Assembleia da República.
Reportagem em direto a partir da Assembleia da República. Escutámos o repórter Miguel Viteiro Dias.
E o antigo vice-presidente do Chega, Gabriel Mithá Ribeiro, acusa André Ventura de ter uma personalidade tóxica e vingativa. São alguns qualificativos que estão num artigo de opinião publicado hoje no Observador.
Os sete pecados mortais do predador narcísico. Uma referência direta a André Ventura. Mithá Ribeiro acusa o presidente do Chega de ser um demónio vingativo, diz que Ventura tem uma personalidade tóxica e que abusa do poder. Compara-o mesmo a José Sócrates. Diz que, tal como o antigo primeiro-ministro, André Ventura não tem personalidade para liderar um governo. O antigo deputado do Chega deixa também críticas à liderança de Ventura à frente do partido. Escreve que a direita não pode ser infantil, imoral, irresponsável, nem submissa a um dono.
E Gabriel Mithá Ribeiro revela ainda a razão pela qual decidiu abandonar o Chega.
Escreve que saiu do partido por não ter feito parte do governo-sombra apresentado por André Ventura. Gabriel Mithá Ribeiro diz que o Chega apresentou nomes fracos neste projeto de oposição ao executivo de Luís Montenegro. O ex-deputado entende que André Ventura é incapaz de atrair cidadãos competentes para o partido. O antigo deputado renunciou ao mandato na Assembleia da República, também à candidatura na Câmara Municipal de Pombal nestas autárquicas e já não é militante do Chega. A Rádio Observador pediu uma reação ao Chega, mas ainda não obteve resposta.
E hoje há greve de enfermeiros e, Miguel, acontece a esta hora uma concentração frente ao Ministério da Saúde.
Estão em protesto as profissionais contra o banco de horas e a proposta de acordo coletivo de trabalho apresentada pelo governo. Esta concentração começou há cerca de uma hora em frente ao Ministério da Saúde. É por lá que está o repórter João Costa Campos. João, bom dia. Tens ideia de quantos enfermeiros estão nessa concentração num dia em que se tem apontado para praticamente 100% de adesão a esta greve?
Mais de 600, Miguel, é o que nos disse, pelo menos, ainda há pouco o sindicato e o que é certo é que a rua do Ministério da Saúde está completamente cheia de manifestantes em protesto. Ainda há pouco falou o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, que nos diz que não consegue, neste momento, dar números relativamente à adesão à greve, porque toda a estrutura do sindicato está aqui e não conseguiram, por isso, fazer essa contagem. Mas garante que há, como dizias, Miguel, uma adesão de 100% em centenas de centros de saúde e em serviços de vários hospitais um pouco por todo o país. José Carlos Martins diz que a falta de pessoal é um problema que vai continuar a piorar enquanto o governo não quiser investir nas carreiras e deixa um aviso ao executivo.
Era fundamental, e era isso que até tínhamos expectativas ontem, quando o governo nos convocou para uma reunião sobre gestão de recursos humanos, que o ministério apresente um pacote de soluções para o problema de gestão de recursos humanos de enfermagem. Isto é, ainda contabilizar pontos em relação às carreiras, pagar retroativos de 2020 a 2021, compensar a mobilidade através da profissão mais rarecer e um plano efetivo da demissão de enfermeiros, fruto da brutal carência de enfermeiros e dos milhões de horas extraordinárias que a ACSS tem contabilizado.
São as condições, no entender do presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, para resolver a questão dos recursos humanos. Também aqui esteve Paulo Raimundo, o secretário-geral do PCP, diz que esta manifestação é uma amostra da mobilização que vai ser feita pelo país se a reforma laboral proposta pelo governo realmente avançar.
Eu diria que isto é um ensaio. O que está aqui é um ensaio, no que diz respeito aos enfermeiros e toda a administração pública, daquilo que o governo quer introduzir no pacote laboral. Mais precariedade, mais regulação dos horários, despedimento sem justa causa, a total desregulação da vida das pessoas. É isto que o governo quer no pacote laboral. Diria a recuperar até medidas da troica, bem lá atrás, para introduzir agora nos enfermeiros e em toda a administração pública. E os enfermeiros não dão uma resposta.
Paulo Raimundo, líder do PCP, que se juntou aqui à manifestação. Por aqui, Miguel, a greve nacional dos enfermeiros continua a fazer-se sentir.
Protesto em frente ao Ministério da Saúde.
É o ponto final no Jornal do Meio-Dia que teve edição do Miguel Cordeiro.