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É meio-dia. Está a começar o Jornal do Meio-Dia com a edição do Miguel Vilar. Miguel, o julgamento da Operação Marquês foi suspenso até ao dia 4 de dezembro.

Por forma a que José Sócrates tenha tempo para designar um novo advogado. A decisão foi anunciada esta manhã pela juíza presidente Susana Seca, que acusa o antigo primeiro-ministro e o ex-advogado Pedro del Lilho de manobras dilatórias. A magistrada explica que o defensor oficioso nomeado para representar o ex-primeiro-ministro cessa funções e que irá correr o prazo de 20 dias até ser nomeado novo advogado. À saída do campus de justiça, o advogado oficioso de José Sócrates, José Manuel Ramos, diz que cessa funções de consciência tranquila.

Acho que o tribunal, vendo que o assunto era complexo e que suscitava algumas dúvidas, considerou inverter a situação, até porque o senhor engenheiro garantiu que iria apresentar um advogado.

Fica mais confortável com esta decisão?

Eu cumpri o meu serviço, aquilo para que fui nomeado, e ainda por cima hoje é um dia importante na minha carreira, porque completo 27 anos de advocacia, que foi no dia de São Martinho. Então, sinto-me completamente tranquilo.

O advogado José Manuel Ramos acrescenta que não foi fácil estabelecer contato com José Sócrates. De resto, não confirma se chegou ou não à fala com o antigo primeiro-ministro.

Permitir-me-á que eu vou contar primeiro à Ordem o que se passou e depois dar-lhe conhecimento.

Mas houve esse contato?

Eu mandei-lhe uma carta.

E houve resposta?

Tem sido difícil o contato.

Não foi fácil. José Manuel Ramos, o advogado oficioso nomeado para defender José Sócrates, cessa hoje funções. O julgamento da Operação Marquês está suspenso até ao próximo dia 4 de dezembro.

Em resposta a Luís Montenegro, José Luís Carneiro acusa o primeiro-ministro de faltar à verdade nas acusações que fez sobre a greve geral.

Luís Montenegro disse há dias que a paralisação do próximo dia 11 de dezembro, anunciada pela UGT e pela CGTP, serve os interesses do PS e do PCP. Ora, na resposta, esta manhã, José Luís Carneiro exigiu respeito ao primeiro-ministro. Lembra que, no caso da UGT, há trabalhadores de várias famílias políticas, incluindo do PSD.

Aquilo que o governo disse, e que disse o primeiro-ministro, foi uma atoarda contra valores consagrados há 50 anos. Todos sabem que esteve no Partido Socialista uma das principais iniciativas políticas para garantir a independência, a pluralidade e a diversidade da representação sindical. A UGT é uma instituição que merece o respeito de todas e de todos os portugueses. Recordo ao primeiro-ministro que a UGT e a sua composição têm trabalhadores sociais democratas que já se pronunciaram publicamente contra as intenções do governo.

A defesa da UGT, pela voz do secretário-geral do PS, em declarações captadas há pouco pela CNN Portugal. José Luís Carneiro está em Almada, primeira paragem de um roteiro dedicado ao distrito de Setúbal. Aproveitou para voltar a criticar as alterações à lei laboral proposta pelo governo. O líder socialista fala de um ataque aos direitos dos trabalhadores mais jovens e das mulheres.

E o PCP, através do secretário-geral, acusa o governo de não querer negociar o novo pacote laboral. Insiste o partido que este documento deve ser retirado.

Numa ação de contacto com os trabalhadores da Casa da Moeda em Lisboa, Paulo Raimundo acusou o executivo de não ter em conta a realidade do país e diz que está à vista de todos quais as verdadeiras intenções do executivo.

E não vale a pena virem já agora, se me permite, com esta manobra. Nós já andamos aqui há muito tempo. Com esta manobra de: "ai, mas o governo quer negociar". Não quer nada! O governo não quer nada. Aliás, se quisesse negociar, não tinha dito logo que as linhas mestras estão definidas. E portanto, a primeira coisa a fazer é retirar o pacote laboral da discussão. Não tem jeito nenhum. Não vai lá com remendos, não vai lá com uma coisinha aqui, uma coisinha ali. Ele é mau no seu geral e é isso que é preciso acabar com ele de uma vez por todas.

Paulo Raimundo, o secretário-geral do PCP, sobre as alterações à lei do trabalho, alterações promovidas pelo governo, que estão na base da greve geral convocada pela CGTP e pela UGT para o próximo dia 11 de dezembro.

E Eunice Baieta, a candidata da Iniciativa Liberal à Câmara Municipal de Sintra, garante que só soube da recusa do partido em formar alianças com o Chega depois das eleições.

Foi uma surpresa. Eunice Baieta, eleita pela Iniciativa Liberal, integrada na coligação PSD e ALIPAN, liderada por Marco Almeida. O novo presidente da Câmara de Sintra chegou a acordo com o Chega para a governação do município e Eunice Baieta aceitou fazer parte do executivo, apesar da oposição da Iniciativa Liberal. Ora, Eunice Baieta quebrou o silêncio esta manhã no Explicador da Rádio Observador. Explica que não lhe foi comunicado que existiam linhas vermelhas em relação ao Chega.

Eu acho que estas linhas vermelhas deveriam ter sido colocadas antes de qualquer acordo de coligação, porque quando nós partimos para uma eleição, temos que desenhar uma estratégia e essa estratégia tem que ser desenhada antes de nos coligarmos com quem quer que seja.

E isso não aconteceu?

Isso não aconteceu. Além disso, eu sempre expliquei ou sempre transmiti, até mesmo dentro do partido, aos meus pares, como é óbvio, que as linhas vermelhas em nível autárquico fazem realmente muito pouco sentido.

Eunice Baieta sublinha também nestas declarações ao Observador que há uma enorme diferença entre o Chega no Parlamento e o Chega no poder local.

A Iniciativa Liberal teve sempre, em todas as propostas que apresentou, o voto favorável do Chega e naquilo que foram políticas locais e propostas locais do Chega, não houve absolutamente nada que eu tivesse visto proposto que ferisse

Aquilo que são os princípios liberais que defende.

Portanto, vê uma diferença entre, por exemplo, o comportamento do Chega ou de alguns deputados do Chega a nível nacional para aquilo que é a realidade municipal no caso de Sintra.

Enorme. Devo dizer que nesse aspecto é uma diferença realmente muito grande.

Eunice Paeta no Explicador desta manhã, primeira entrevista desde que a Iniciativa Liberal retirou a confiança política à vereadora eleita para a autarquia de Sintra.

E a nova presidente da Câmara Municipal de Setúbal, eleita com o apoio do PSD, a nova presidente da Câmara de Setúbal considera que o plano do governo para criar uma urgência regional no distrito não vai resultar.

Não sem mais diálogo com os profissionais de saúde.

Não estou lá muito de acordo. Acho que não vai resultar. Precisa de uma grande revisão relativamente ao funcionamento das urgências. Não podemos continuar com esta situação. A dúvida está na forma como as pessoas podem ser convocadas para trabalhar nas urgências. Acho que depois não resulta, porque depois são baixas, porque depois são fugas para os privados, etc. E não funciona. Tem que se fazer um grande diálogo com os médicos. Como é que se vai resolver? Pode ser que eles tenham, com certeza, ideias para se resolver. É preciso ouvi-los mais, é preciso dialogar mais, até à exaustão.

Maria das Dores Meira foi eleita para a Câmara Municipal de Setúbal como independente, mas com o apoio do PSD e do CDS, apesar da ligação, e por isso o teu erro há pouco, João, de estar ligada há vários anos à CDU. De resto, foi presidente da autarquia de Setúbal, precisamente eleita pela CDU. Diz Maria das Dores Meira que a narrativa comunista está gasta. A recém-eleita para a autarquia de Setúbal defende também que é preciso uma nova visão para olhar para as questões nacionais e internacionais e por isso vai manter-se como independente. São outras declarações que haveremos de escutar ao longo desta manhã, início de tarde aqui na Antena 2.

Para já, e numa altura em que passam nove minutos do meio-dia, outras notícias, Miguel, que marcam a atualidade.

Falta de conhecimento é a razão encontrada pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar para o governo ter decidido adquirir quatro helicópteros que só podem aterrar em um heliporto hospitalar em todo o país. É o Hospital de Braga. Só essa unidade de saúde tem condições para aterragem dos aparelhos destinados a missões de emergência médica. É uma informação adiantada pela Autoridade Nacional de Aviação Civil ao jornal Público. À Rádio Observador, Rui Lázaro, o presidente do sindicato que representa os trabalhadores do INEM, defende que o Ministério da Defesa escolheu o modelo de helicópteros errado. Está concluída a investigação ao caso das cirurgias adicionais no Santa Maria. O relatório seguiu para o Ministério Público e a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde conclui que houve, de facto, uma violação das regras de funcionamento do sistema que permite cirurgias fora do horário de trabalho para responder às listas de espera no SNS. Esta investigação foi espoletada pelo caso do dermatologista que recebeu mais de €50 mil por um dia de trabalho, além de cerca de €400 mil em 10 sábados. De acordo com a CNN Portugal, o relatório revela que terão sido feitas uma série de pequenas cirurgias, como se fossem cirurgias de ambulatório, e que foi feita também uma codificação indevida destas intervenções. Destaca-se ainda a falta de mecanismos de controle deste sistema. Estas conclusões seguiram para o Ministério Público.