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Começa agora o Jornal da Uma com João Filipe Cruz. João, nos discursos das celebrações do 5 de Outubro, Marcelo Rebelo de Sousa mantém-se na bolha internacional e alerta para a urgência da mudança.

O presidente da República discursou na varanda que dá para a Praça do Município em Lisboa. Depois de lembrar os primeiros anos da República, Marcelo Rebelo de Sousa toma um ponto de vista mais internacional e afirma que o espaço democrático deve atualizar-se antes que outras forças ocupem esse lugar.

Se demorarem eternidades a compreender que devem evoluir e reformar-se, reaproximar-se dos povos e desse modo não deixarem espaço para que outros preencham o vazio que vão deixando atrás de si. Tudo isto poderá suster e mais depressa do que se pensa. A mudança a submergir pântanos, revolver águas paradas, abrir comportas demasiado tempo encerradas. Ou não. Pelo contrário, a mudança chegará porque se prefere a antecipação ao conformismo, a abertura ao fechamento, a alteração das mentalidades, das instituições e das práticas ao situacionismo e à inércia. Só depende de nós.

Quem também discursou foi Carlos Moedas, o presidente da Câmara de Lisboa falou em primeiro lugar, deixa uma mensagem para os políticos portugueses a quem pede para que virem a página.

Aquilo que precisamos é de moderação, lisboetas. Aquilo que precisamos é de bom senso, pragmatismo, coragem para fazer. São estes os ingredientes necessários para vermos e sermos aquilo que somos, para nos vermos como somos, mas também para construirmos o país a partir dessa realidade. Precisamos da moderação e do bom senso que superam as diferenças partidárias. Precisamos do pragmatismo para não nos deixarmos condicionar pelas subjetividades partidárias. Precisamos de coragem para fazer, para que as pessoas voltem a acreditar que os discursos políticos têm consequências práticas. Muitas vezes dizemos, e queremos, e estamos a dizer que viramos a página, mas depois a página não vira, como se o futuro fosse sempre uma espécie de sombra do passado.

O autarca lisboeta fala ainda de falta de ativismo moderado para não dar espaço a radicalismos.

Há um vazio capturado pelas minorias barulhentas, os ativismos radicais. À falta de um ativismo social moderado que dê respostas concretas, é a estes que as pessoas se agarram. E lembrem-se, devemos lembrar sempre: a República de 1910 autodestruiu-se também por causa destas minorias barulhentas e desses radicalismos. O 5 de Outubro é por isso também uma lição para a nossa história. Quem fomenta esses radicalismos arrisca-se a colher mais cedo ou mais tarde a dissolução do regime. Não queiramos nós hoje, que caminhamos para os 50 anos do 25 de Abril, contribuir para um desfecho assim.

Carlos Moedas anunciou ainda que a autarquia de Lisboa, para além das celebrações do 25 de Abril, vai também assinalar o 25 de Novembro com uma iniciativa.

Nas reações ao discurso do presidente da República, o PSD fala de um primeiro-ministro descolado do país real.

E diz Hugo Soares, o secretário-geral dos sociais-democratas, que os portugueses pagam muitos impostos, têm rendimentos baixos. Já o país oficial é completamente diferente deste país traçado pelo secretário-geral do PSD.

O país oficial que tem esta descolagem da realidade, no fundo, o governo. Ficou claro na entrevista que nesta semana deu o primeiro-ministro, o não reconhecimento de todas estas dificuldades das pessoas, mas sobretudo a incapacidade de ter políticas em concreto. Aliás, na segunda parte da intervenção do senhor presidente da República, quando ele apelava às reformas, ele dizia precisamente que é preciso reformar, é preciso transformar e não ficar à espera para que se possa resolver a vida das pessoas.

Pela Iniciativa Liberal, reagiu o líder Rui Rocha, considera que Marcelo Rebelo de Sousa deixou alertas ao governo pela incapacidade de antecipar problemas e aponta diretamente ao primeiro-ministro que diz é um residente não habitual do país.

Nós tivemos ainda esta semana uma entrevista do senhor primeiro-ministro em que demonstra que está completamente fora da realidade. Nada daquilo faz sentido para os portugueses que o ouvem. E depois a realidade impõe-se, porque passado dois ou três dias, o que é que temos? Temos urgências fechadas um pouco por todo o país, os hospitais com imensas dificuldades, temos o Banco de Portugal a baixar as previsões de forma significativa, as previsões de crescimento económico. Portanto, temos um António Costa à segunda-feira que está completamente fora da realidade e dois ou três dias depois, a realidade a apanhá-lo. Em bom rigor, António Costa é neste momento uma espécie de residente não habitual. Ele, de facto, anda por aqui, mas não sabe nada do que se passa no país.

A reação de Rui Rocha pela Iniciativa Liberal. Ainda à direita, André Ventura elogiou o discurso consensual de Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de o líder do Chega reconhecer as diferenças profundas em relação ao pensamento do presidente da República. À esquerda, pelo bloco Pedro Filipe Soares, o líder parlamentar diz que o presidente da República falhou na apresentação de soluções e reconhece que tem de haver um projeto de futuro, sobretudo em relação aos jovens, e aponta para essas falhas no discurso do presidente da República. Já o PCP alinha pela mesma linha, regista a ausência de soluções políticas no discurso do presidente da República. Já Rui Tavares, pelo Livre, prefere destacar que Carlos Moedas escolheu um momento de polarização, isto a propósito do anúncio do autarca de Lisboa de que a Câmara Municipal vai comemorar também o 25 de Novembro.

Falamos agora de Volodymyr Zelensky, que chegou ao local onde vai decorrer a Cimeira da Comunidade Política Europeia.

Um fórum criado em 2022 depois da invasão russa da Ucrânia. Participam nesta reunião perto de 50 líderes de países europeus. Havia essa dúvida sobre se Zelensky ia ou não estar presente. E está, de facto. E à entrada foi questionado sobre se está preocupado com o aproximar do inverno e as consequências que daí podem advir. Disse o presidente ucraniano que é demasiado tarde para estar preocupado. Manifestou também confiança na manutenção do apoio militar dos Estados Unidos à Ucrânia.

E João, passado o mês de setembro, foi o mais quente desde que há registros.

A informação é avançada pelos responsáveis do programa europeu Copernicus. A temperatura média do ar foi de 16,38 °C, mais meio grau do que a temperatura registrada em setembro de 2020. Ouvido pela Rádio Observador, o físico e especialista em alterações climáticas, Filipe Duarte Santos, afirma que este aumento da temperatura é revelador do perigo associado às alterações climáticas.

É uma situação de alguma preocupação para todo o mundo. Realmente, os últimos três meses foram os meses mais quentes. Julho, agosto e setembro foram os meses mais quentes que foram registados até agora, jamais registados. Por outro lado, temos as temperaturas superficiais do oceano bastante elevadas, mais elevadas do que em anos anteriores. E também temos outros indícios de que as alterações climáticas estão a avançar de forma perigosa.

Este especialista que faz ainda a previsão para o próximo ano, diz que é provável que as temperaturas continuem altas, tanto por causa das alterações climáticas como pelo fenômeno El Niño. As alterações climáticas têm estado na origem de vários protestos de ativistas ao longo da semana também em Portugal. Filipe Duarte Santos percebe a preocupação dos jovens, embora faça uma ressalva.

É uma situação de alguma preocupação para todo o mundo. Realmente, os últimos três meses foram os meses mais quentes. Julho, agosto e setembro foram os meses mais quentes que foram registados até agora, jamais registados. Por outro lado, temos as temperaturas superficiais do oceano bastante elevadas, mais elevadas do que em anos anteriores. E também temos outros indícios de que as alterações climáticas estão a avançar de forma perigosa.

As declarações do físico e especialista em alterações climáticas, Filipe Duarte Santos, entrevistado pela jornalista Maria Miguel Duarte sobre os dados do Observatório Copernicus. Setembro foi o mês mais quente desde que há registros.

É assim que fechamos este jornal da uma, teve edição do João Felipe Cruz. Ele que regressa para mais notícias à 13h30. Até já, João.

Até já.