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Notícias. Jornal da Uma, Luís Soares. E vamos em direto para esse ponto de situação da Proteção Civil.
Já a ser feito na Autoridade Nacional de Emergência, Inês Batista já começou o ponto de situação dos incêndios.
No Tâmega e Sousa, duas ocorrências também.
André Fernandes já está a fazer a esta hora o ponto de situação da Proteção Civil. Vamos ouvir.
Em resolução, também informar que o complexo de incêndios de Oliveira de Azeméis, Sever do Vouga, Albergaria-a-Velha e Águeda está neste momento dominado. Todos estes quatro incêndios estão em resolução, mas ainda se mantém um dispositivo robusto no terreno, em virtude de ser expectável que hajam algumas reativações que podem ser com alguma intensidade. Estes incêndios estão dominados, mas carecem ainda de preocupação e de acompanhamento também no terreno. Em termos das determinações operacionais, mantemos aquilo que foi o reforço de meios, não há aqui mais novidades. Mantemos todo o dispositivo empenhado e no terreno, estão envolvidos nas ocorrências que ainda estão ativas, em particular aquelas que nos preocupam mais. Na sub-região de Viseu, Dão Lafões, Penalva do Castelo e as duas ocorrências de Castro Daire e na área importante do Porto, a ocorrência de Alvarenga, que são aquelas que ainda estão com bastante intensidade. Em termos de vítimas acumuladas desde o dia 16 até às 10h do dia de hoje, temos mais três agentes de proteção civil assistidos, temos mais 13 feridos ligeiros, 10 agentes de proteção civil e três civis. Isto a somar ao dia de ontem. Temos um total de 166 vítimas, 71 assistidos, 78 feridos ligeiros, 12 feridos graves e a lamentar as cinco vítimas mortais. Em termos de zonas de concentração de apoio à população, há três delas que já foram encerradas, uma em Sever do Vouga, outra em Albergaria-a-Velha e outra em Águeda. Mantemos cinco zonas de concentração de apoio à população instituídas, duas delas ativas e três disponíveis, sem utilizadores até o momento. Significa que ainda temos 37 pessoas acolhidas nestas zonas de concentração de apoio à população, 36 em Castro Daire e uma em Cinfães. Não há afetação ainda de estradas, neste caso rodovias, nos principais itinerários. Contudo, mais uma vez, apelamos a que consultem as informações das forças de segurança, nomeadamente da Guarda Nacional Republicana e também da Polícia de Segurança Pública, para irem ver a atualização de eventuais cortes que possam vir a existir ou a ser implementados nestas áreas ainda atingidas pelos incêndios, em particular a região de Viseu, Dão Lafões e a área importante do Porto, na área específica de Alvarenga. A ferrovia também não está condicionada. Em termos de planos de emergência, temos um total de três planos distritais acionados e 13 municipais. A situação do ponto de vista meteorológico durante o dia de hoje tende a ter uma melhoria em relação aos incêndios rurais. Contudo, as próximas 12 horas ainda serão complexas. Com esta alteração da meteorologia, é expectável que possa haver algum vento intenso e, acima de tudo, alguma convectividade nas áreas onde hajam incêndios. Significa que quem está no terreno, em particular os operacionais que já têm esta informação, mas também a população, para terem atenção àquilo que possam ser as rotações dos ventos e as alterações das frentes de fogo que ainda estão ativas e manterem-se em segurança e, acima de tudo, articularem esta presença que têm no teatro de operações com as autoridades que estão no terreno, em particular também com a Guarda Nacional Republicana e com quem dirige as operações. Como eu estava a dizer, a situação meteorológica vai se alterar ao longo do dia de hoje, em particular a partir das 20h, para passar por uma situação em que é previsível que hajam aguaceiros em todo o território continental, mas com particular incidência começando na zona Sul e passando gradualmente para a zona Centro e Norte. Aqui também algumas medidas preventivas face a esta alteração de situação meteorológica, em particular para o dia de amanhã e para sábado, que é previsível que hajam aguaceiros pontualmente fortes. Aliás, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera vai emitir os seus avisos amarelo para precipitação. Neste sentido, nas zonas de incêndio, pode haver efeitos que são expectáveis com esta precipitação, que pode ser pontualmente forte e medidas preventivas que devem ser implementadas por todos, nomeadamente nas áreas afetadas pelos incêndios rurais que ficaram sem o coberto vegetal ou pela esterilização do solo, ficam mais expostas e vulneráveis a esta precipitação e pode haver fenômenos de escorrência de detritos destas áreas ardidas, que podem vir a afetar a via pública e também as áreas habitacionais. Devem, obviamente, tomar as medidas preventivas, nomeadamente as obstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais, verificar se está tudo pronto para a recepção desta precipitação e também desobstruir dos inertes que possam ser arrastados ou que criem os obstáculos ao livre escoamento das águas. E também estar atento às informações da meteorologia e às indicações também da Proteção Civil e das Forças e Serviços de Segurança. Vamos ter aqui uma mudança. Deixamos de estar hoje, nestas próximas 12 horas, ainda focados naquilo que é o combate aos incêndios florestais e a partir das 20h, e também em particular o dia de amanhã, com o potencial de haver nestas áreas que tenham sido afetadas por incêndios, de fenômenos que possam ter também os detritos serem mobilizados pela precipitação e criar algum fenômeno de escoadas de detritos. E terminava com uma palavra de apreço a todos os operacionais que estão no terreno, que ainda continuam nestas duas áreas afetadas pelos incêndios, nomeadamente Viseu, Dão Lafões e também no concelho de Alvarenga, que ainda temos frentes ativas e estamos a fazer tudo o que é necessário e possível para dar como dominado os incêndios ao longo do dia de hoje ou eventualmente na manhã de amanhã. E uma palavra de apreço também à população e às autarquias que têm sido inexcedíveis neste esforço de supressão e na gestão das emergências que têm vindo a ocorrer nos últimos dias no nosso país. Encontro-me disponível para qualquer questão.
O comandante nacional vai agora aceitar perguntas dos jornalistas. Uma questão sobre três bombeiros feridos. Na sequência disso, o presidente da Liga de Bombeiros Portugueses disse ontem que a coordenação falhou e pediu à equipa de coordenação técnica nacional que se demita. É um pedido de comentário por parte do comandante nacional. Na fase mais crítica do incêndio, a própria ministra da Administração Interna tinha o telefone desligado. E uma questão sobre o presidente da Câmara Municipal de Arouca, que tentou contactar a ministra da Administração Interna e que tinha o telefone desligado.
Não faço comentário às declarações. Ainda estamos focados naquilo que é o esforço de supressão e é isso que nos pauta e é isso que nós estamos a fazer, como eu referi, tudo o que é necessário, todos os meios estão mobilizados para dominar os incêndios que ainda estão ativos o mais rápido possível.
André Fernandes, que repete uma ideia que já transmitiu ontem.
Pelo menos pelas informações que temos agora, não há população, não há casas em risco nestes incêndios?
Como eu referi, a população deve estar alerta naquilo que tem a ver com as possíveis alterações nestas zonas que ainda estão ativas, com esta rotação de vento e alteração meteorológica, que pode haver alguma reativação de algumas frentes e as frentes podem mudar de sentido. E ainda não é tempo para baixar os braços, é tempo para estar atento. Ainda temos incêndios ativos, alguns deles com alguma complexidade, e é isso que nos foca e nos pauta. E a população deve estar alerta e, acima de tudo, atenta àquilo que são as indicações das autoridades e à verificação também da movimentação das linhas de fogo.
Quais são aqueles incêndios que ainda têm algumas frentes ativas? É o de Castro Daire, quais são os outros?
São os três que estão na sub-região de Viseu e Dão Lafões, dois em Castro Daire e outro em Penava do Castelo, portanto Miuzela, Penava do Castelo, Soutelo Móns, Castro Daire e Moção em Castro Daire. E depois o de Alvarenga, no município de Arouca, que são aqueles quatro incêndios que nos preocupam.
A RTP acabou de comentar que vai ser feito um balanço para saber a quantidade de casas.
A RTP a pedir um balanço de casas ardidas.
Esse levantamento ainda está a ser feito. Mas como eu lhe disse, nós ainda estamos no esforço de supressão e de socorro e esse levantamento ainda está a ser feito e à medida que vai sendo atualizado, também será informado.
Agora sobre vítimas e feridos. Onde é que aconteceu, em que circunstâncias?
São feridos ligeiros, foram nos diversos teatros de operações, mas foram devidamente assistidos e não correm qualquer risco, não têm risco de vida.
Então o assistente também ficou ferido?
Sim, a mesma situação.
Relativamente aos três bombeiros que faleceram em Tábua, já há alguma conclusão em que circunstâncias é que ocorreu este acidente? Uma questão sobre o acidente dos bombeiros de Tábua. O presidente da Federação Portuguesa diz que eles morreram em combate. Uma questão se há novas informações.
Essa é uma situação que ainda está a ser avaliada. Efetivamente, eles estavam em combate quando faleceram.
E já agora, senhor comandante, há informações também de que em relação a este incêndio, eles estavam no incêndio de Anelas, há informações de que este incêndio terá começado de uma forma de fogo posto. Há alguma informação em relação à origem deste incêndio?
Não temos essa informação. O que sabemos é que o incêndio estava ativo e que eles foram, como bombeiros que são, foram despachados para a ocorrência e infelizmente sofreram o acidente.
E não sabe onde é que começou esse incêndio?
Não temos esses dados.
Se desenvolveu alguma estrada nacional, por exemplo.
Não temos esses dados. Esses dados, quem faz a investigação, nomeadamente quer a Polícia Judiciária, quer a Guarda Nacional Republicana, irão apurar as causas do incêndio.
Sr. Comandante, o presidente da Câmara de Mangual disse esta manhã que o incêndio do concelho estava dominado, muito por causa do trabalho da população. Houve falta de meios, falta de coordenação de meios no combate a este incêndio?
Não houve falta de coordenação e os meios foram sendo alocados à medida das disponibilidades. Eu volto a referir, nós tivemos uma situação muito complexa, com muitas ignições e os meios nesta situação que nós vivemos, aquilo que são a intervenção, de facto, é esta da salvaguarda da vida e da salvaguarda dos bens. E foi isso que foi feito com o emprego dos meios à medida que iam vindo as solicitações para as áreas mais complexas, aquelas que eram mais complicadas, os meios foram fazendo o seu trabalho e foram sendo libertos para as outras frentes de fogo existentes. E os meios foram despachados. Obviamente, aqui uma palavra de agradecimento às câmaras municipais, que estiveram na linha da frente e também à população, que auxiliou, e muito, aquilo que foram as entidades que estiveram no terreno e também o esforço conjunto, de facto, permitiu que nós hoje estejamos um pouco mais calmos, com uma situação mais tranquila, mas ainda com quatro incêndios bastante ativos. Estamos focados neles para dá-los como dominados o mais rapidamente possível.
Volto a perguntar, o sistema não falhou, como diz o presidente da Liga de Bombeiros? Os jornalistas insistem, perguntam se o sistema não falhou.
O que eu estou a dizer é que existiu coordenação. Nós tivemos uma situação muito complexa, uma situação com várias ignições. Nós estamos a falar que num dos dias, à noite, tivemos 125 ignições Portanto, acho que os números também traduzem aquilo que foi o esforço do dispositivo. Obviamente, as críticas existem sempre e ainda bem que existem. E também vos posso dizer que algumas das informações que foram vindas por parte dos senhores autarcas foram tomadas em linha de conta e foram incorporadas no planeamento. Portanto, o sistema funcionou num todo, o sistema disponibilizou os meios que estavam disponíveis e mobilizáveis e foi isso que nós fizemos em conjunto em sistema de proteção civil, que é um sistema nacional, mas que tem as suas componentes todas implementadas desde o nível municipal até ao nível nacional, passando pelos diferentes agentes de proteção civil e também pelo cidadão, que é o principal agente de proteção civil.
Já tem alguma explicação de porque esses incêndios começaram de uma forma descontrolada?
Como eu disse, ainda não.
Das condições meteorológicas, já há alguma explicação para esta dimensão?
As condições meteorológicas propiciam que os incêndios tenham grande dimensão. Foi isso que nós alertámos desde o início e as primeiras comunicações que nós fizemos para todos a alertar da situação. A origem das ignições, lá está, a Guarda Nacional Republicana, conjuntamente com a Polícia Judiciária, irão apurar as causas dos incêndios.
E quando é que vão ficar também os meios aéreos europeus, também uma próxime, até quando é que também vão cá ficar os militares espanhóis?
Os meios aéreos, nós agora estamos a fazer um plano de desmobilização. É expectável que durante o dia de amanhã, o reforço dos meios aéreos europeus possa começar a ser desmobilizado e os meios terrestres ainda vão ficar, mas ainda estamos a fazer esse planeamento, a validar aquilo que são também as necessidades dos diferentes teatros de operações, porque a situação meteorológica está a mudar, mas temos vastas áreas que estão ardidas e, portanto, importa acautelar que não haja, de facto, mais reativações e que os incêndios estejam mesmo estabilizados a 100%.
Senhor Comandante.
Como é que se faz esta mobilização dos milhares de homens no terreno, ficando zonas com uma maior cobertura e outras sem?
Uma questão sobre como são escolhidos os operacionais a serem mobilizados.
Este planeamento é feito consoante as necessidades operacionais que vêm dos terrenos, vêm dos teatros de operações e são alocados os meios àquilo que são as necessidades que existem. E além disso, não nos podemos esquecer que tem que se garantir o ataque inicial. Aliás, as taxas de sucesso cifram-se entre os 88 e os 94%, consoante também a variação dos dias e da hora. E portanto, mantivemos aquilo que foi um ataque inicial musculado, evitando novas grandes ignições. Aí também o sucesso do dispositivo e dos operacionais e o reforço de meios é disponibilizado ocorrência a ocorrência, consoante as necessidades, e são libertados das diferentes ocorrências para as outras, que depois acabam por ter uma prioridade nessa intervenção.
Senhor Comandante, disse que todos os meios mobilizáveis estavam no terreno a trabalhar e a combater o fogo. Tendo em conta as críticas dos autarcas, seria preciso ter mais meios mobilizáveis?
Eu não me vou focalizar nesta questão das críticas. O que eu vos posso dizer, o sistema funcionou, os meios estavam disponibilizados. A situação, de facto, foi deveras crítica e extrema. Temos que compreender isso. As críticas são compreensíveis, mas os meios foram disponibilizados e foram empenhados nas diferentes ocorrências. E mais uma vez, nós temos também que perceber que tínhamos ocorrências ativas complexas, muitas delas, com muitos operacionais. Nós fomos fazer também essa análise e mantivemos um ataque inicial forte, robusto e musculado. Portanto, o dispositivo respondeu.
O risco de inundações ou cheias não se interessa com as apostas do tempo.
O que nós alertamos é que com esta questão da situação meteorológica adversa, há vastas áreas que estão agora sem coberto vegetal e como há possibilidade, essa é a previsão, de haver precipitação pontualmente forte, nestas áreas é preciso olhar e perceber se pode ou não haver algum fenômeno de movimento de vertente. E portanto, já foram dadas também essas orientações para que se iniciem também esses trabalhos de estabilização de emergência e, acima de tudo, a verificação das situações mais críticas para implementar as medidas mitigadoras para salvaguarda também das pessoas e dos seus bens. Muito obrigado a todos e uma boa tarde.
André Fernandes aceita uma última pergunta. Em relação aos bombeiros espanhóis, se vão continuar.
É uma análise que nós ainda estamos a fazer agora com as necessidades operacionais. Vamos ver como é que corre o dia de hoje, como é que também a situação meteorológica, a alteração dela, que impacto é que tem no terreno e depois faremos essa avaliação da retração de meios. Muito obrigado a todos e obrigado pelo vosso trabalho.
O Comandante Nacional da Proteção Civil, André Fernandes, termina assim este ponto de situação sobre a situação de incêndios em Portugal. Aponta que desde a meia-noite até ao meio-dia foram registadas um total de 50 ocorrências, 28 aconteceram durante a noite. Até ao meio-dia havia 18 incêndios ativos. Há neste momento a combater incêndios 1642 operacionais que estão a ser apoiados por 20 meios aéreos e o Comandante Nacional destaca nove ocorrências significativas e destaca também que os incêndios de Sever do Vouga, Albergaria-a-Velha e Mangualde estão dominados. Diz que sobre o reforço de meios não há novidades. O dispositivo está empenhado e está também no terreno e fez uma atualização do número de feridos. Há um total de 166 vítimas deste incêndio, entre eles vários feridos leves, mas há a registar 12 feridos graves e cinco vítimas mortais. Trinta e sete pessoas continuam a ser realojadas naquilo que a Proteção Civil chama zonas de concentração de apoio à população disponível. Há também a destacar deste briefing que não há cortes de vias principais como autoestradas, IP e IC, nem de vias ferroviárias e que a esta hora continuam acionados três planos distritais de emergência e 13 municipais. A meteorologia melhorou e isso vai-se sentir no terreno, diz o comandante nacional, mas também é esperado vento intenso. André Fernandes pede, por isso, atenção a quem está no terreno para que esteja atento às alterações do sentido de vento e, por isso, também às frentes de fogo. A partir das 20h, destaca André Fernandes, estão previstos aguaceiros e alerta que poderá haver efeitos nas zonas que recentemente arderam. Pode haver deslizamento de terras, por exemplo, nessas áreas ardidas e por isso devem ser tomadas medidas preventivas. André Fernandes, que terminou a sua comunicação com uma palavra de apreço a todos os operacionais no terreno, destaca as situações em Viseu e Alvarenga, onde ainda há frentes ativas. Destaca também o esforço da população e da autarquia. Depois, nas perguntas aos jornalistas, os jornalistas insistiram nas críticas feitas pelos autarcas, mas também pela Liga de Bombeiros Portugueses à situação operacional no terreno e à coordenação de meios. André Fernandes continua a insistir que se tratou de uma situação muito complexa
Mas que todos os meios disponíveis estavam no terreno a combater incêndios.
A reportagem em direto da Inês Batista na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, onde foi feito esse briefing operacional relativamente à situação dos incêndios. De notar também, e é essa notícia que avançamos também no arranque, o governo vai decretar para amanhã um dia de luto nacional no final desta semana de grandes incêndios que provocaram cinco vítimas mortais diretas.
Nesta conferência de imprensa, André Fernandes foi questionado sobre as críticas de alguns autarcas. A autarca de Arouca, por exemplo, queixa-se da falta de apoio do governo e acusa a ministra da Administração Interna de ter o telemóvel desligado.
Margarida Belém diz que hoje o cenário é diferente, está mais calma em Arouca, mas sublinha que na primeira noite sentiu a falta de quem lidera.
Na primeira noite, eu efetivamente senti falta, nomeadamente, de quem lidera estas matérias, a senhora ministra, que tinha efetivamente o telemóvel desligado e não tínhamos a quem recorrer. E, portanto, hoje o cenário é diferente e devo-vos dizer que o senhor secretário de Estado tem efetivamente, desde ontem, acompanhado a situação. Mas é nos momentos críticos, nas grandes dificuldades, e que são imputadas sempre aos presidentes de câmara, é importante que nós tenhamos quem lidera, conheça as realidades destes territórios tão específicos.
Declarações de Margarida Belém, autarca de Arouca, a denunciar a falta de apoio, nomeadamente por parte da Ministra da Administração Interna, logo no primeiro dia de incêndios, declarações registadas pela RTP3. A autarca destaca ainda que até agora os bombeiros conseguiram atingir o objetivo do município, que foi proteger as pessoas e também a maior parte dos bens.
E a Polícia Judiciária deteve um homem suspeito de atear incêndios em Albergaria à Velha.
Um deles, o incêndio que começou em Paus no domingo. Em comunicado, a Polícia Judiciária explica que deteve, em colaboração com a GNR, um homem de 67 anos. Ele é suspeito de ser o presumível autor de um incêndio florestal no domingo, além de outros três incêndios na mesma região no mês de julho. O modus operandi consistiu no recurso à chama direta para dar início ao incêndio em zonas de extensa mancha florestal próximas de várias habitações, instalações industriais e também agrícolas. O suspeito terá atuado de forma compulsiva e sem qualquer motivação racional ou explicação plausível. O detido será presente às autoridades judiciárias para primeiro interrogatório judicial e também aplicação de medidas de coação.
O PSD quer criar na Assembleia da República uma comissão para avaliar o combate aos incêndios deste ano.
Anúncio feito pelo líder da bancada parlamentar do PSD, depois da reunião da bancada na Assembleia da República. Hugo Soares considera que deve ser feita uma análise da atuação dos meios da Proteção Civil, pedindo que o jogo partidário fique de fora desta comissão.
Decidimos propor ao Parlamento a criação imediata de uma comissão eventual para a avaliação do sistema de proteção civil, de prevenção e de combate aos incêndios de 2024. Creio que é já o momento de podermos, do ponto de vista político, do ponto de vista parlamentar, começar já a fazer as diligências que são necessárias, sem o jogo político, sem o jogo partidário, sem o aproveitamento político que estas situações muitas vezes motivam.
Declarações do líder parlamentar do PSD, depois de ter reunido a bancada num encontro em que a atual situação política também foi tema. Depois do relatório do Conselho de Finanças Públicas ter apontado para o fim do excedente orçamental em 2026, devido ao IRS Jovem, Hugo Soares mantém que a previsão do governo é de que é possível manter o saldo do país positivo.
O Conselho de Finanças Públicas aponta excedentes orçamentais no ano de 2024 e no ano de 2025. E com o IRS Jovem, eu vou repetir, com o IRS Jovem, o Conselho de Finanças Públicas aponta também para excedentes orçamentais no ano de 2027 e no ano de 2028. Creio que as previsões do governo é que também no ano de 2026, ao contrário do que diz o Conselho de Finanças Públicas, possa haver excedentes orçamentais. E devo, em nome do grupo parlamentar do PSD, dizer o seguinte: é absolutamente fundamental que nós possamos baixar a fiscalidade em Portugal.
Hugo Soares, presidente do grupo parlamentar do PSD, desvaloriza também a notícia do Correio da Manhã de que o presidente da República se prepara para marcar eleições caso o orçamento seja chumbado. Mantém o tom de que o PSD está concentrado em aprovar o orçamento e pouco preocupado com o futuro político.
A reação de Hugo Soares acontece depois dos alertas do Conselho de Finanças Públicas. O fim do PRR vai ter impacto negativo na economia portuguesa, que este ano vai crescer mais do que o previsto.
O PIB vai crescer 1,8% este ano, o excedente orçamental pode chegar aos 0,7%. O organismo presidido por Nazaré Costa Cabral atualizou as perspectivas económicas e orçamentais para 2024-2028. Numa conferência de imprensa, a presidente do Conselho de Finanças Públicas diz que Portugal tem um sério problema com o investimento público e que é preciso acautelar o fim do PRR.
Portugal tem tido nos últimos anos um problema sério com o investimento público. Isso significa que há uma área das políticas públicas, digamos assim, que tem sido sacrificada, que é a área do investimento público. Por outro lado, uma outra coisa que este cenário também nos mostra é que, neste momento, o investimento público está muito ancorado no PRR. O desfazer do PRR, o término do PRR significa uma quebra no próprio comportamento do investimento.
Este não é o único aviso deixado pelo Conselho de Finanças Públicas. Medidas como o IRS Jovem podem trazer um impacto orçamental significativo e fazer com que Portugal regresse a uma situação de déficit já em 2026, é o que adianta Nazaré Costa Cabral.
Há, desde logo, uma deterioração apreciável do saldo orçamental. Portanto, se essa medida fosse concretizada nos seus exatos termos, isso significaria, ao longo do período de projeção, de fato, um impacto do ponto de vista do saldo e da dívida. Por exemplo, em 2026, em vez de termos esse ligeiro excedente de 0,1% do PIB, teríamos mesmo um déficit orçamental.
O aviso deixado por Nazaré Costa Cabral, numa altura em que estamos também a poucas semanas de conhecer a proposta do governo para o orçamento do Estado do próximo ano. A presidente do Conselho das Finanças Públicas pede que os atores políticos negociem com responsabilidade.
O PS admite vir a chumbar o nome de Maria Luís Albuquerque para a Comissão Europeia.
A antiga ministra das Finanças foi proposta esta semana por Ursula von der Leyen para a pasta dos Serviços Financeiros, mas em Portugal a oposição não gostou. Ouvida no explicador desta manhã, Marta Temido aponta falhas ao currículo político da antiga ministra das Finanças e alerta para possíveis conflitos de interesse. Por isso mesmo, a eurodeputada socialista recusa dar uma carta branca e admite que o PS deixa todos os cenários em cima da mesa, votar a favor ou contra Maria Luís Albuquerque.
É evidente que quando se processam estas audições, uma e outra hipótese são sempre possíveis. Eu não vou responder-lhe de uma forma diferente daquela que respondi em relação, por exemplo, à designação, à proposta do presidente do Conselho Europeu. As avaliações são para ser feitas e os eurodeputados têm uma obrigação específica de, nestas audições, confrontar os nomes propostos com aquilo que são as suas virtudes, os seus aspectos de maior robustez, mas também com as suas fragilidades. E aqui há muitas.
Marta Temido, no explicador desta manhã, insiste que o PS vai avaliar o nome de Maria Luís Albuquerque, como todos os outros nomes propostos para integrar o Executivo comunitário. Ainda assim, a antiga ministra da Saúde diz que não está em cima da mesa a possibilidade de Portugal ficar sem representação na Comissão Europeia.
Já Paulo Cunha, eurodeputado do PSD, acusa a oposição de estar a criar uma cortina de fumo em torno do nome de Maria Luís Albuquerque.
Elogia o percurso político da antiga ministra das Finanças, diz que é bom sinal para Portugal receber uma pasta com peso no próximo executivo comunitário. Avisa também a oposição, diz Paulo Cunha, que o governo não tem um outro nome para propor para a Comissão Europeia, caso Maria Luís Albuquerque seja chumbada no Parlamento Europeu.
Eu percebo que a narrativa da oposição seja criar uma cortina de fumo em torno disto, procurando trazer para o domínio do discurso político outras questões que são totalmente irrelevantes. Nós estamos absolutamente seguros de que Maria Luís Albuquerque cumpre todos esses requisitos, reúne todas as condições também técnicas, não só as políticas e pessoais que há pouco lhe falei, mas também técnicas, para o exercício desta função.
O PSD e o governo não têm um plano B, caso o nome de Maria Luís Albuquerque seja chumbado.
De todo, não há um plano B, porque este é o plano de Portugal para integrar a próxima Comissão Europeia.
As visões opostas de Paulo Cunha e de Marta Temido, eurodeputados do PSD e do PS, no explicador desta manhã. O eurodeputado social-democrata insiste que o papel de Luís Montenegro foi determinante para conseguir colocar Maria Luís Albuquerque na pasta dos Serviços Financeiros e União de Poupança e Investimentos.
Ursula von der Leyen diz que um dos objetivos do novo mandato da Comissão Europeia é baixar estruturalmente os preços da energia.
A líder do Executivo comunitário reconhece que esta é uma desvantagem competitiva da União Europeia face a outras potências mundiais. Por isso mesmo, traça esse objetivo: mais independência no setor da energia, com aposta nas energias renováveis.
Nós sabemos que os preços da energia na União Europeia estão mais altos comparando com o resto do mundo. Um objetivo claro do novo mandato da Comissão Europeia é baixar estruturalmente o custo da energia. Claro que a questão também é de como é que o mercado global se vai comportar nos próximos tempos. Estamos muito dependentes desses valores por causa dos combustíveis fósseis que importamos. Mas quanto mais energia renovável produzirmos na Europa, mais independentes somos e os preços da energia acabam por baixar.
Declarações de Ursula von der Leyen, que falou esta manhã na sede da União Europeia em Bruxelas.
A presidente da Comissão Europeia anunciou também na mesma conferência de imprensa um novo apoio comunitário para o inverno na Ucrânia.
Uma ajuda no valor de 160 milhões de euros em abrigos, aquecedores, obras de reparação, energias renováveis. Von der Leyen assegura que 100 destes 160 milhões provêm das receitas dos ativos russos imobilizados na União Europeia. Diz que é justo que a Rússia pague pela destruição que causou em território ucraniano. A presidente da Comissão anunciou também que vai fazer amanhã uma nova visita a Kiev para se encontrar com Volodymyr Zelensky.
Olhamos ainda neste jornal para outras notícias que estão a marcar a atualidade. É 13h30.
Recuperando a informação dos incêndios, estão dominados os incêndios em Oliveira de Azeméis, Sever do Vouga, Albergaria-a-Velha e também em Águeda. Uma informação dada no briefing da Proteção Civil, que decorreu à 13h e que acompanhamos aqui em direto. Nesta altura, há quatro incêndios considerados mais preocupantes, dois em Castro Daire, um em Tondela do Castelo e também outro em Arouca. Para amanhã, o governo decretou um dia de luto nacional. Vinte e cinco farmácias aderiram este ano à campanha de vacinação contra a gripe e a Covid-19. O anúncio foi feito pela presidente da Associação Nacional de Farmácias, em declarações à Agência Lusa. Irma Paolino indica que, no total, são mais de 2500 os estabelecimentos abrangidos nesta campanha. A Associação Nacional de Farmácias tem a expectativa de abranger todos os concelhos do país nesta campanha de vacinação. Os oito detidos pela Polícia Judiciária na Madeira, no âmbito da Operação Ab Inicio, relacionada com suspeitas de criminalidade económica e financeira, deram hoje entrada no Tribunal do Funchal para serem submetidos a primeira interrogatória judicial. De acordo com a Agência Lusa, os oito detidos entraram algemados no tribunal por volta das 9h. O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, vai alertar esta tarde os Estados Unidos da América e os países da Europa para o perigo do isolacionismo. Vai ser no discurso de despedida que vai ser feito esta tarde e que a France Presse antecipa. Jens Stoltenberg diz que o isolacionismo não vai deixar ninguém em segurança. A última intervenção do secretário-geral da NATO só está prevista para as 15h, hora de Lisboa.
Jornal da Uma com edição do Luís Soares.