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Jornal da Uma, com edição do André Maia. André, o Presidente da República deixou de fora do discurso o momento político atual de negociação do Orçamento do Estado. O chefe de Estado optou por uma intervenção apaziguadora e de unidade.

Num discurso de apenas sete minutos, Marcelo Rebelo de Sousa voltou ao combate ao populismo e indicou caminhos de mudança para uma República que, diz, continua a merecer ser festejada. Miguel Vitor Dias.

Num discurso de unidade, Marcelo Rebelo de Sousa deixa de lado o dia a dia e olha para o quadro geral.

Com 114 anos a República, e 50 anos a democracia, com anos amiúde atribulados para uma e para outra, o certo é que estão vivas. Por isso, vale a pena aqui virmos todos os anos.

O Presidente da República, que tira as conclusões.

Quais as razões essenciais de estarem vivas? República e democracia. Viver com liberdade é muito melhor do que viver com repressão.

Mas faz também o diagnóstico do futuro.

Não é perfeita nem acabada, longe disso. República e democracia estão vivas, mas sabem que têm de mudar, e muito.

E por que caminhos deve ser feita a mudança?

Nos dois milhões de pobres e mais uns em risco de pobreza, nas desigualdades entre pessoas e territórios, no combate à corrupção, no envelhecimento coletivo e também de tantos sistemas sociais.

Marcelo Rebelo de Sousa, que depois de ter cancelado uma visita de Estado por causa do Orçamento, deixa de fora do discurso a situação política atual e vira a agulha, como noutras ocasiões, para o combate ao populismo, com temas como a imigração.

Os que vivem cá dentro, um milhão de não nacionais, neles claramente dominando os lusófonos. Mosaico riquíssimo, bem diferente de alguns dos nossos vizinhos europeus.

O Presidente da República nos 114 anos do 5 de Outubro, em mais um discurso nos Paços do Conselho, em Lisboa, à margem das preocupações das últimas semanas.

Jornalista Miguel Vitor Dias a acompanhar a intervenção do Presidente da República em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa, que já ontem tinha dito que não queria comentar as negociações do Orçamento do Estado, depois de várias semanas de pressão.

Ainda nas celebrações do 5 de Outubro, Carlos Moedas afirma que o país não pode ficar refém de ansiedades pessoais e partidárias.

Foi o primeiro aviso do discurso do presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Carlos Moedas refere-se indiretamente ao impasse orçamental e fala em vaidades pessoais.

Quantas vezes na história nos desviamos dos caminhos, porque foram preferidas vaidades pessoais e interesses partidários em vez do bem comum. Tudo isto nos desvia do caminho que devemos seguir e em que se dá a oportunidade e prioridade ao que é muitas vezes imediato e não se pensa no futuro. O próprio 5 de outubro de 1910 foi uma resposta contra isto, contra a vaidade de políticos que se achavam donos do país.

O autarca lisboeta dedicou ainda uma parte do discurso ao tema da imigração e anuncia que a Câmara Municipal de Lisboa encontrou alojamento para as pessoas em situação de sem-abrigo, próximo da Igreja dos Anjos.

E todos os partidos com assento parlamentar reagiram aos discursos desta manhã, mas, André, o foco acabou por ser o Orçamento do Estado.

Apesar da insistência dos jornalistas, a ministra Margarida Balseiro Lopes respondeu sempre da mesma forma: o foco hoje não são as negociações do Orçamento.

Estamos aqui hoje para comentar esta intervenção do senhor Presidente da República, para falarmos do 5 de Outubro e não para falar do Orçamento do Estado.

A não resposta da ministra Margarida Balseiro Lopes, a resposta do governo chegou apenas por parte do CDS. Paulo Núncio acusa o PS de ser intransigente.

Já Alexandra Leitão, líder parlamentar do PS, assegura que o partido está a guardar com serenidade a resposta do governo às propostas conhecidas ontem.

E não comenta os avisos de Carlos Moedas a propósito do país não poder estar refém de interesses partidários.

Não sei a quem se estava a referir, francamente, porque julgo que é pressuposto de qualquer relação cordial, em prol exatamente desse interesse nacional, que esse tipo de comentários não sejam feitos relativamente a nenhum líder partidário. Portanto, eu suponho que não foi a ninguém que eu conheça.

Reação do Partido Socialista, ainda sobre o Orçamento do Estado. Pedro Pinto, líder do grupo parlamentar do Partido Chega, acredita que existe um acordo entre o PS e o PSD para viabilizar o Orçamento do Estado.

Aquilo também que se percebeu, e por isso, se calhar, o senhor Presidente da República não falou nisso, é que existe um acordo já entre o PS e o PSD. Percebe-se claramente que eles estão a chegar a um acordo para um Orçamento Estado, que será feito entre o PSD e o Partido Socialista e, portanto, eles vão ficar com o ônus disso.

Já Mariana Leitão, da Iniciativa Liberal, critica a proposta do Partido Socialista para o Orçamento, diz mesmo que mais vale ir a eleições.

Para a Iniciativa Liberal, é preferível eleições a um mau orçamento. É preferível voltar a dar a voz aos portugueses do que continuarmos com políticas que atrasam o desenvolvimento do país.

Já João Ferreira, vereador da Câmara Municipal de Lisboa, eleito pela CDU, fala de uma novela orçamental que diz prova que o PS e PSD estão mais próximos do que o que querem fazer parecer.

E Carlos Moedas foi mesmo o principal alvo das críticas dos partidos à esquerda.

O Bloco de Esquerda fala num discurso lamentável do presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Diz mesmo que é um discurso colado à extrema-direita.

O que nós ouvimos hoje do presidente da Câmara de Lisboa foi um discurso de um pequeno Napoleão que não reconhece o fato de Lisboa hoje estar pior. Se há portas escancaradas em Lisboa, há portas escancaradas à especulação imobiliária, ao excesso de carga turística.

Já o Livre, na voz de Rui Tavares, desmente a garantia de Carlos Moedas. Assegura o vereador da Câmara Municipal de Lisboa que os sem-abrigo continuam a viver na zona dos Anjos. O PAN critica também o discurso de Carlos Moedas, que diz estar virado para o passado e não para o futuro.

E na opinião do antigo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, é preferível ter um orçamento aprovado do que não ter.

No caso da própria desta manhã, o ex-deputado socialista e ex-ministro afirma que para o orçamento ser aprovado, é preciso maturidade democrática.

Efetivamente Houve aproximação nas últimas duas semanas e não um debate dramatizado pela forma como o Presidente da República e alguma comunicação social costuma dramatizar este debate. Aprovar o orçamento é importante. É preferível para o país ter um orçamento para 2025 aprovado do que não ter. Aprová-lo exige este esforço de concertação, que é um sinal de maturidade democrática e não de vitórias ou derrotas.

Já Miguel Relvas, antigo ministro de Pedro Passos Coelho, acusa o Partido Socialista de querer impor a sua vontade na proposta orçamental. Afirma mesmo que Pedro Nunes Santos está a brincar com o fogo.

O governo num gesto correto, adequado, de humildade, de quem não tem maioria no Parlamento, se aproximou de propostas apresentadas pelo Partido Socialista. Há uma inversão de polaridade. O Partido Socialista voltou a ser radical, não quer negociar, o Partido Socialista quer impor. Eu penso que o doutor Pedro Nunes Santos anda a brincar com o fogo.

O social-democrata Miguel Relvas, antigo ministro-adjunto e dos assuntos parlamentares no "Causa Própria" desta manhã, isto numa altura em que aumenta a pressão interna no Partido Socialista para Pedro Nunes Santos dar luz verde ao orçamento do Estado. Num artigo de opinião no Expresso, Francisco Assis junta-se a José Luís Carneiro e diz acreditar que o secretário-geral do Partido Socialista vai ser capaz de não se enclausurar numa oposição irredutível e sectária e viabilizar assim o documento.

André, vamos agora conhecer outras notícias que marcam a atualidade.

As Forças de Defesa de Israel prometem um ataque sério e significativo contra o Irão. O exército do país sublinha que o lançamento por parte do Irão de mais de 200 mísseis balísticos vai ter consequências. As Forças de Defesa de Israel adiantam que as ofensivas no sul do Líbano vão continuar nos próximos dias até que 60 mil residentes retirados do norte do país possam regressar a casa. O provável sucessor de Nasrallah na liderança do Hezbollah foi morto nos ataques israelitas de sexta-feira no sul de Beirute. É o que escreve o jornal israelita Haaretz, citado pelo jornal saudita Al Arabiya. Pelo menos 21 pessoas morreram e dezenas continuam desaparecidas na Bósnia-Herzegovina por causa das inundações e deslizamentos de terra. É uma notícia avançada pela emissora local. A Sérvia e a Croácia vão enviar equipas de salvamento para ajudar a localizar os desaparecidos e ajudar nos esforços de limpeza. Chuva forte e persistente coloca os distritos de Viseu, Aveiro e Coimbra sob aviso laranja durante o dia de amanhã. O aviso nestes três distritos começa pelas 06h desde domingo, estende-se até às 15h. Atenção de quem nos está a ouvir em Viseu, Aveiro e também em Coimbra.

E é assim que fechamos este Jornal da Uma.