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Jornal da Uma com Miguel Vidara. Miguel, o secretário-geral da CGTP prepara-se para fazer um balanço da participação na greve geral convocada por esta confederação sindical. Já vamos até à sede da CGTP. Antes ficamos a conhecer um balanço que já foi feito na última hora pelo governo.

Sim, e muito em particular pela ministra do Trabalho. Maria do Rosário Palma Ramalho afirma que a paralisação está a ter mais impacto no setor público que no setor privado. Globalmente, Hugo Fortunato de Oliveira, agora aqui em direto do Ministério do Trabalho. A ministra diz que a maioria dos portugueses está a trabalhar.

Essa foi mesmo a principal ideia transmitida por Maria do Rosário Palma Ramalho nesta conferência de imprensa, que decorreu aqui no Ministério do Trabalho, com a ministra a sublinhar que muitos dos portugueses optaram neste dia de greve geral pelo teletrabalho. Esta greve geral que está a provocar, garante a ministra, maiores constrangimentos no setor dos transportes. Maria do Rosário Palma Ramalho garante que no setor privado, que será o mais afetado pelo pacote laboral que defende, o impacto desta paralisação é muito reduzido. Já no setor público, a situação é diferente.

A expressão é muitíssimo reduzida no setor privado, o país está a trabalhar, o país e os trabalhadores a quem primacialmente esta legislação laboral se vai aplicar. No setor público já não é naturalmente assim, por força do que eu indiquei, mas os serviços públicos continuam a ser assegurados, nomeadamente os serviços de atendimento e alguns casos específicos, como o da saúde, naturalmente, os serviços de urgência estão plenamente assegurados.

Em relação a eventuais leituras políticas que se possa tirar desta greve geral, a segunda em menos de um ano, Palma Ramalho diz que o pacote laboral seguirá agora o seu caminho natural com a discussão na Assembleia da República.

O governo respeita integralmente o direito de greve e o exercício da greve, mas o que lhe cabe no final do dia é executar o seu programa e, portanto, o governo mantém, como é óbvio, a intenção de discutir o projeto da reforma laboral Trabalho 21, que, aliás, já está na Assembleia e esse projeto será tratado aí.

A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, sem querer tirar grandes leituras políticas desta paralisação, nesta conferência de imprensa, onde também a ministra avançou uma série de números em muito diferentes daqueles dos sindicatos. Vamos deixar apenas aqui alguns. Na educação, 45% dos alunos do sexto ano não conseguiram realizar a prova-moda de Português. Cerca de 38% a 40% das escolas estão encerradas, muito por causa da adesão do pessoal não docente a esta paralisação, uma adesão que ronda os 40%. Já nos professores, o pessoal docente, a adesão é de quase metade, cerca de 25%. A ministra, Miguel, admite que a adesão é grande nos transportes, mas que os serviços mínimos decretados estão a funcionar, algo que está também a acontecer na saúde. Ainda assim, os hospitais registam perturbações nos serviços.

O balanço é feito pela ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, aqui trazida à antena do Observador pelo jornalista Hugo Fortunato de Oliveira, que acompanhou esta conferência de imprensa e este balanço feito pela ministra. Como disse no arranque deste jornal, para esta hora, 13h, estava agendada uma conferência de imprensa da CGTP, precisamente para fazer também um balanço destas primeiras horas da paralisação, estas primeiras 12 horas da greve geral convocada pela CGTP. Não há indicação de que essa conferência de imprensa já tenha começado. Se assim for, havemos de rumar à sede da Intersindical para escutar esse balanço.

No setor da educação, há muitas escolas de portas fechadas, cerca de metade, de acordo com as contas do governo. Muitos alunos do sexto ano não puderam fazer as provas de monitorização de aprendizagem.

Provas-moda, como são conhecidas. De resto, Hugo Fortunato de Oliveira fazia referência precisamente a este facto. O presidente da associação que representa os diretores das escolas, Filinto Lima, quer alguns esclarecimentos na sequência do cancelamento da realização destas provas.

E também estamos a aguardar que o ministro da Educação diga se vai haver uma segunda chamada. Ele já disse que sim, com toda a legitimidade. A pergunta é esta: em que dia que vai ser essa segunda chamada? Até porque nós temos só mais cinco dias de aulas até ao final do ano letivo e, portanto, rapidamente temos que saber qual é o dia que o ministro vai escolher ou há outra hipótese, poderá não escolher. Até porque estas provas, não quero tirar o mérito, têm todo o mérito, mas não contam para a avaliação final dos nossos alunos.

Filinto Lima, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, e a preocupação em torno do reagendamento das provas que não puderam ser realizadas hoje por vários alunos do sexto ano. Já aqui dei conta, estava agendada para esta hora a conferência de imprensa da CGTP para fazer um balanço da participação nesta greve. Tenho a indicação de que já começou. Vamos escutar Tiago Oliveira, o secretário-geral da Intersindical.

Setor da construção, cerâmica, cimentos e vidro. Ciarga, 100% adesão, Cimpor, 100% adesão, Galvidro, 88% adesão. Setor com empresas onde a produção se encontra parada. GNL Solutions Leiria, Teijin, SMP e Faurecia em Palmela, APICO e Ficocabos na Maia, Grosbecker em Vila Nova de GaiaAurica em Aljustrel, a Mecacrom em Évora, a Hutchinson em Campo Maior e Valongo, a Knorr em Lisboa, a Funfrap em Ave. Hospitalização privada: impactos significativos nos Lusíadas, Amadora e Lisboa, no Hospital CUF em Sintra, no Hospital Luz em Lisboa. Setor do têxtil e calçado: empresa Mabera, 99% de adesão, Tearfil, 95% de adesão. Setor dos transportes: Metro de Lisboa, 100% de adesão, Transdev Viseu, 100% de adesão, empresa Transportes Urbanos da Guarda, 100% de adesão, Transportes Urbanos da Covilhã, 100% de adesão, Oficinas Carris, 98% de adesão, Soflusa Transtejo, 85% de adesão, CP IP apenas nos serviços mínimos, com um forte impacto no setor aéreo. Repito, estes são alguns exemplos que vos queríamos aqui deixar ficar, tanto pelo setor de atividade como pela região onde se encontra a empresa. Temos um número significativo de encerramentos de diversos serviços também nas autarquias, no setor público, na recolha de resíduos encerrados ou a 100%, um número elevado de escolas encerradas, hospitais e ULS, na generalidade, com serviços mínimos. A greve geral que está em desenvolvimento ganha ainda expressão de rua, como já aconteceu nas manifestações norte a sul do país, e que sairá à rua às 14h30 em Lisboa. Os trabalhadores têm direito, de facto, a uma vida melhor. Os trabalhadores de todos os setores exigem a retirada do pacote laboral, exigem soluções aos seus problemas, exigem mais salário, mais direitos e uma melhoria concreta das suas condições de trabalho.

As razões que levaram à convocação desta greve geral, escutámos aqui um balanço parcial feito pelo secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, dando conta de vários serviços, várias empresas que pararam a laboração no setor privado, dando aqui também conta do impacto em alguns hospitais privados e também nos estabelecimentos de ensino. Não foi avançado nenhum número, pelo menos não apanhámos aqui nesta declaração, que aponte para uma taxa de participação global nesta greve geral. Haveremos de detalhar estas declarações de Tiago Oliveira na edição das 14h.

E vamos a outras notícias em destaque a esta hora, Miguel.

Ainda sobre a greve, a Ministra da Saúde garante que no caso do INEM, o Instituto Nacional de Emergência Médica, os serviços mínimos estão a ser totalmente cumpridos, sem registo de falhas no socorro. Foi isso que disse Ana Paula Martins durante uma audição no Parlamento. Nesta audição, Ana Paula Martins deu também conta que está concluída a portaria que vai regular as cirurgias em produção adicional. Explica que os médicos só vão poder realizar cirurgias adicionais, extraordinárias, depois de atingirem um patamar mínimo de cirurgias no âmbito da atividade quotidiana dos clínicos. Na atualidade internacional, destaque para o ataque da Ucrânia ao terminal de petróleo de São Petersburgo, na Rússia. Volodymyr Zelensky já veio confirmar o ataque, que deu origem a um incêndio nesta infraestrutura. O Irão afirma que o Kuwait e Bahrain têm a responsabilidade direta e clara pelos ataques a Teerão, reação que surge depois de Kuwait e Bahrain denunciarem ataques inimigos nas últimas horas. Também no estreito de Ormuz, há a notícia de troca de ataques entre Estados Unidos e Irão esta madrugada. No futebol, Sidney Lopes Cabral vai mesmo deixar o Benfica. O atleta cabo-verdiano está na Turquia, vai assinar pelo Trabzonspor. Segundo a imprensa, Lopes Cabral vai ficar ligado ao emblema turco por quatro temporadas.