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Uma da tarde. Está a começar o "Jornal da Uma" com a edição do Miguel Cordeiro. Miguel, mais de metade dos candidatos ao ensino superior conseguiu entrar na primeira opção escolhida na primeira fase.

E quase 85% acabou por ser admitido numa das três primeiras opções. Quase 50 mil estudantes ficaram colocados já nesta primeira fase e com isto sobram cerca de 6 mil vagas para a segunda fase. Temos estado a analisar estes dados esta manhã na Rádio Observador e agora recebemos Luís Louro, presidente do Conselho Coordenador de Institutos Superiores Politécnicos. Bom dia, bem-vindo à Rádio Observador. Está satisfeito com os resultados divulgados hoje e com este aumento de colocações logo na primeira fase?

Não, os resultados são muito positivos, quer a nível nacional, quer especificamente para as universidades politécnicas. Efetivamente, tal como já foi dito na peça, acreditamos que para estes bons resultados concorreram efetivamente dois aspetos principais. O primeiro que tem que ver com a alteração daquele que foi o regime de acesso e ingresso, ou seja, com a eliminação da obrigatoriedade de ter no mínimo duas provas de ingresso, passando para o mínimo de uma prova. Isso teve um impacto muito positivo, que fez com que não só mais alunos que concluíram o ensino secundário este ano pudessem concorrer, mas também que vários alunos que o ano passado concluíram o ensino secundário e que não puderam concorrer, não conseguiram ter positiva nas duas provas, pudessem tentar a sua sorte este ano. E isso, naturalmente, teve um impacto positivo. Ao Conselho Coordenador, para registar estes dois aspetos fundamentais, que são os dois aspetos que nos fazem crescer, resultam de propostas e alterações legislativas apresentadas pelo Conselho Coordenador. Fomos nós que apresentamos à tutela a proposta de redução de duas para uma prova e, para além daquilo que são resultados positivos a nível nacional, é importante verificar que as universidades politécnicas tiveram um aumento superior a 25% naquela que foi a percentagem de colocação. E isso obviamente que é um aspecto muito relevante e para o qual concorro também, para além destes aspetos que já foram referidos, a questão da alteração da designação que acaba por permitir uma maior equidade, mas também um maior reconhecimento a nível nacional daquela que é a capacidade instalada e a qualidade das instituições.

Mas acha que essa mudança de nome nestas instituições, agora universidades politécnicas, contribuiu essa simples mudança de nome?

Está a ver, essa é uma visão falaciosa.

Não, peço desculpa. Quando eu digo simples, estou a lhe perguntar se acha que essa é simples na razão, ou seja, se terá sido uma razão principal.

Não é a razão principal. A razão principal é aquela que eu lhe disse. O que eu estou a dizer é que o subsistema cresceu na generalidade, mas as universidades politécnicas cresceram muito mais do que as universidades tradicionais. Por isso tem que haver uma razão. A questão das provas de ingresso é igual para as duas, não há diferença. O modelo de ingresso foi alterado para o sistema como um todo. O que eu estou a dizer é que esse poderá ter sido também um aspeto, e nós vamos analisá-lo de forma mais concreta.

Claro.

Mas poderá ter sido também um aspeto. Por quê? Porque efetivamente havia aqui algum enviesamento naquele que era o reconhecimento do ensino superior politécnico como algo de menor qualidade. E esta correção vai mostrar que isso não é assim. Aliás, é importante dizer isto, eu digo isto sempre, porque muitos quiseram fazer crer e passar uma ideia de que isto era uma transição automática. Não é. Passaram a universidades politécnicas os institutos politécnicos que cumpriam critérios de excelência avaliados por uma agência independente e por painéis internacionais. E eu já disse isto, as pessoas não conseguem perceber muitas vezes. Nós temos universidades tradicionais que não cumprem, à data, os critérios que foram exigidos aos politécnicos para se transformarem em universidades politécnicas. Por isso não é uma simples transição. Foi resultado de muito trabalho, neste caso 40 anos de afirmação e que agora começa a ter um resultado prático. E quanto a mim, com o passar do tempo vai criar um equilíbrio ainda maior entre subsistemas, que é aquilo que nós esperamos.

Luís Louro, as notas foram divulgadas mais cedo do que estava previsto. Já aconteceu em anos anteriores também fugas de informação, mas desta vez aconteceu quase dois dias antes do que seria suposto. Como é que avalia esta situação? Isso também soube pela comunicação social, como já nos disse, por exemplo, esta manhã o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas.

Sim, eu tenho que lhe dizer de forma muito honesta que lamento imenso esta situação. Lamento não é que saiba antes, porque eu acho que poder saber antes o calendário era para amanhã, mas está tudo pronto hoje, não é preciso estar a pressionar e a fazer com que os alunos fiquem nesta expectativa e nesta ansiedade mais tempo. O que eu acho que não é tolerável é, tanto eu como o presidente do CRUP, começarmos a ser contactados pela comunicação social para reagirmos a resultados que não conhecíamos. Parece-me um bocadinho pouco avisado que, obviamente, a tutela tem todo o direito de fazer a comunicação mais cedo. Eu acho é que também a devia ter feito aos reitores das instituições de ensino superior públicas, que são uns dos principais interessados em que o processo corra bem.

Já recebeu essa comunicação do Ministério da Educação, das colocações?

Não. Posso lhe dizer que aquilo que é o ficheiro de vagas que está a circular e que, por exemplo, ontem o "Expresso" colocou on-line para os alunos poderem ver as notas do último caso.

E o Observador também.

Não recebemos oficialmente. Está a ver isto. Eu estou lhe a dizer, por acaso não vi no Observador, porque não me fizeram chegar essa informação. Recebi uma mensagem com "os dados já estão aqui, nós ainda não recebemos de colegas reitores de outras instituições Que obviamente costumam receber através do Conselho Coordenador, que encaminha no exato momento em que recebe. Mas ainda não recebemos. É preciso ter consideração pelas instituições e é preciso verificar que, efetivamente, o que nós estamos aqui a falar é isto. Imagine, eu agora estou a comentar resultados, mas estou a comentar resultados com base num ficheiro que me enviou a comunicação social, que eu ainda não recebi da tutela.

Certo.

E por isso, naturalmente, eu percebo as críticas que foram apresentadas pelo presidente do CRUP e associmo-me a elas.

Luís Loures, muito obrigado por ter estado conosco nesta edição da Uma da Rádio Observador. É presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. Obrigado e bom fim de semana.

E Miguel, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas considera que o aumento do número de colocados no ensino superior pode estar relacionado com a diminuição das provas de ingresso necessárias para fazer as candidaturas.

E para além disso, fala também das revisões das notas dos exames.

Talvez devido ao número muito elevado de reapreciações de notas, como nós sabemos, foram muito superiores àquilo que é costume. Tivemos mais de 20 mil reapreciações, sabendo que mais de 70% dessas reapreciações conduziram a notas mais elevadas do que tinham anteriormente e, portanto, provavelmente também terá tido alguma influência nisso.

Luís Ferreira critica também a divulgação das colocações antes do previsto, sem que o Conselho de Reitores tenha sido informado.

E a Federação Académica do Porto considera que o aumento do número de colocados aumenta também a responsabilidade das instituições do ensino superior.

Francisco Porto Fernandes, presidente desta federação, pede atenção acrescida para garantir a equidade entre todos os estudantes.

Temos um recorde absoluto de entradas no ensino superior. É algo que é muito positivo. Apesar do caos nos exames nacionais, o acesso ao ensino superior funcionou. Mas este sucesso é também uma responsabilidade acrescida, uma responsabilidade que o ensino superior tenha de ser verdadeiramente o elevador social que o país precisa e que os estudantes portugueses tenham condições de equidade, que sabemos que devido à crise do alojamento, muitas das vezes não acontece.

O presidente da Federação Académica do Porto deixa também críticas à falta de investimento do Estado na habitação estudantil.

Uma hora e oito minutos. Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade este sábado?

O deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, vai suspender o mandato no Parlamento. É substituído por Andreia Galvão. Já comunicou esta posição à Assembleia da República e explica que vai ser substituído temporariamente por motivos pessoais. Andreia Galvão assume o lugar da deputada durante o mês de setembro. Fabian Figueiredo vai regressar antes da data da entrega do Orçamento do Estado em outubro. A Ordem dos Advogados acusa a Agência para a Integração, Migrações e Asilo de prejudicar a defesa dos imigrantes e exige o investimento numa plataforma online que ultrapasse os problemas no atendimento a estas pessoas. Em comunicado, a Ordem critica as filas extensas de advogados que se têm formado nos locais de atendimento da AIMA. Fechamos com desporto. A Premier League está na primeira jornada. Começou ontem com uma vitória do Arsenal por 3 x 0. E hoje há mais jogos no calendário da Premier League, cinco jogos. O primeiro já está em andamento. O Wolves City está a receber o Manchester United. O jogo segue com 39 minutos e o Wolves City está a vencer por 2 x 0. Na equipa do Manchester United, titularidade para Bruno Fernandes. Diogo Dalot está no banco de suplentes.

É o ponto final no jornal da Uma.