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A uma hora. Está a começar o Jornal da Uma, com a edição do Miguel Vilar. Miguel, é assunto de Estado. O primeiro-ministro conversou via telefone com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol e também com o selecionador Jorge Jesus sobre o caso que envolve Cristiano Ronaldo.
Luís Montenegro está preocupado com os danos reputacionais que decorrem deste episódio, teme impactos negativos, desde logo para a imagem internacional da equipa, da federação e, em última instância, para o país. Assim que adianta que o chefe de governo também conversou com Cristiano Ronaldo.
Este foi o tema da emissão especial que pudemos ouvir aqui na última hora. O especialista em liderança, Luís Lourenço, aponta responsabilidades a Jorge Jesus pelo desfecho do caso.
Considera que a forma como o selecionador expôs as fragilidades de Cristiano Ronaldo contribuiu para a decisão do internacional português.
O Jorge Jesus é o elefante na sala naquela conferência de imprensa. Expõe o Ronaldo ao dizer que ele que já não pode, tem que ter dois dias de descanso depois do jogo, expõe o Ronaldo ao dizer que ele não vai jogar, quem vai jogar é o Gonçalo Ramos, e é aí que está a traição. Com toda a seleção a assistir no balneário à conferência de imprensa do Jorge Jesus, quando acaba a conferência de imprensa, o Cristiano Ronaldo deu um pontapé num balde que tinha à frente, chamou de "mentiroso de..." e depois um valente palavrão, e disse: "Vou-me embora". E pegou nas coisas e foi-se embora.
Luís Lourenço sublinha ainda que Jorge Jesus apresenta qualidades de chefe e não de líder dentro do balneário, e que a constante necessidade de Jorge Jesus dizer que é ele, Jorge Jesus, o chefe, é a prova dessa falta de liderança.
E o diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing acredita que os danos à Federação Portuguesa de Futebol e a Ronaldo, após o abandono de CR7 dos trabalhos da seleção, vão ser apenas temporários.
Sim, Daniel Sá admite que a Federação Portuguesa de Futebol sai mais prejudicada depois da saída de Ronaldo, mas que daqui a umas semanas ninguém se vai lembrar deste caso. Apesar de o mundo inteiro estar atento à polêmica, o diretor-executivo do IPAM diz que ambas as partes querem enterrar o machado e que esta história ainda vai ter um final feliz.
Esta história não vai terminar assim. Eu não acredito que Ronaldo e a Federação se despeçam assim um do outro, desta forma. Não acredito, porque a história que está para trás não me leva a crer que isso seja verdade. E, portanto, o que eu tenho como sensibilidade é que daqui a uns dias, daqui a umas semanas ou daqui a uns meses, quase ninguém se lembra disto e daqui a 10 anos isto não tem relevância nenhuma e não aparece sequer na biografia de Ronaldo, nem na história da Federação.
É pelo menos essa a expectativa de Daniel Sá, manifestada há pouco aqui na antena do Observador. O diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing afirma que o episódio não vai entrar na história da relação entre Ronaldo e a seleção nacional.
Perspectiva diferente tem Carlos Coelho, é especialista em marketing e construção de marcas. Avisa que a Federação está em risco de perder contratos devido à saída de Ronaldo.
Carlos Coelho fala num cenário mais do que provável e que as perdas para a Federação vão ser significativas. O especialista em marketing admite que os contratos de patrocínio em curso vão ter que ser renegociados, com perdas de milhões, tendo em conta que a seleção perde o ativo mais importante.
Nós, portugueses, queremos que Portugal ganhe. Mas o valor dos contratos não é de se Portugal ganhar, é quem é que vê os jogos. O futebol não é isso. O futebol tem a ver com a quantidade de pessoas que querem ver aquele jogo. E a quantidade de pessoas que querem ver um jogo com o Ronaldo ou sem o Ronaldo é muito diferente.
Carlos Coelho, entrevistado pelo jornalista do Observador, José Rafael Lopes, diz ainda que a marca CR7 é mais abrangente do que a marca Federação Portuguesa de Futebol e que o impacto do jogador vai muito para lá do futebol.
A marca do Cristiano Ronaldo é claramente mais abrangente do que a marca do país. Consegue chegar mais longe, consegue chegar a mais sítios. Há muita gente que conhece o Cristiano Ronaldo e não faz ideia sequer o que é futebol e, portanto, não acompanha o futebol. Ainda há pouco, enviaram um vídeo que mostrava, creio eu, na Colômbia, dois irmãos pequenos, um deles com uma paralisia, que estava a fazer fisioterapia e o irmão mais pequeno o incentivava. Quando ele conseguiu fazer o exercício, deu o salto do Cristiano Ronaldo. Aquilo que ele criou, uma marca de si próprio, faz com que ele valha muito mais, porque quando aquilo não seja igual aos outros.
Carlos Coelho, escutado pelo Observador, a pretexto dos impactos para a Seleção Nacional, para a Federação Portuguesa de Futebol, desta saída de Cristiano Ronaldo da seleção portuguesa.
E seguimos com dados do Eurostat divulgados hoje. Portugal é o país da União Europeia que regista a maior subida do preço das casas no segundo trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado.
E muito acima, João, da média dos 27 Estados membros e dos países da zona euro, os países que têm a moeda do euro. A subida em Portugal foi de 16,5%. A média da zona euro é de 4%, valor que sobe para 4,7% se considerarmos todos os países da União Europeia.
E o co-porta-voz do LIVRE, Jorge Pinto, considera estranho que o Partido Socialista se comprometa com a aprovação do Orçamento do Estado sem conhecer o documento.
José Luís Carneiro anunciou que vai propor aos órgãos do PS a abstenção na votação do Orçamento do Estado para 2027. Ora, Jorge Pinto diz que vai ser difícil ter uma discussão séria na Assembleia da República do documento face a esta pré-aprovação do PS, que considera estranha.
É no mínimo estranho que alguém se comprometa a aprovar um documento que não é ainda sequer conhecido. E não é um documento qualquer, é o Orçamento do Estado, no momento em que o custo de vida está a trazer consequências tremendas para os bolsos dos portugueses. Portanto, um documento importante e fundamental para assegurar que o aumento do custo de vida é combatido como é o Orçamento do Estado, ter a pré-aprovação garantida do PS é estranha e surpreende-nos.
Jorge Pinto, um dos porta-vozes do LIVRE, a manifestar estranheza pela posição assumida ontem por José Luís Carneiro, que anunciou que vai propor a abstenção do Partido Socialista durante a votação do Orçamento do Estado para o próximo ano. Expressa também preocupação com a revisão constitucional. Jorge Pinto acredita que o PS não tem a garantia de que o Chega vai ser excluído da discussão.
Nós fomos os primeiros a alertar para a necessidade de o PS, se quisesse viabilizar o Orçamento do Estado com a sua abstenção, como parece ser o caso, fazê-lo com algumas condições, desde logo, a condição da revisão constitucional não ser feita com a extrema-direita em nenhum ponto. E isso, repito, até agora, daquilo que nós ouvimos, não foi garantido. José Luís Carneiro vai propor a abstenção do PS no Orçamento do Estado sem uma real contrapartida, pelo menos que seja do conhecimento dos portugueses.
Jorge Pinto, do LIVRE, em declarações junto à FIL, em Lisboa, onde corre um evento dedicado a jogos e apostas. Jorge Pinto falou ainda do diploma que prevê a revisão do regime de arrendamento urbano, aprovado ontem na Assembleia da República. O deputado diz que era evidente que o Chega ia apoiar o governo.
E Miguel, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu afirma que é cedo para assumir que o Irão está envolvido no incidente com o voo da FlyDubai.
Sim, em declarações à CNN, Netanyahu sublinha que Israel não recebeu qualquer aviso ou informação dos serviços secretos sobre a eventualidade deste acidente, deste avião que transportava mais de 170 passageiros, e garante que em breve se vai chegar à raiz da questão, principalmente responder a esta pergunta: está ou não o Irão envolvido neste incidente?
Uma hora e oito minutos, Miguel. Que outras notícias vão marcando a atualidade a esta hora?
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde abriu um inquérito às mortes num lar em Estremoz, devido a um surto de gripe A. A informação é avançada pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, IGAS, à Agência Lusa. O objetivo é avaliar a resposta prestada aos utentes. Há registo de, pelo menos, seis mortes na sequência deste surto. Hoje, dia em que se assinala o Dia Internacional do Idoso, o Instituto Nacional de Estatística dá conta que 46% dos portugueses com 65 ou mais anos têm dificuldade em realizar pelo menos uma tarefa doméstica. Segundo o INE, 17% admitem ainda ter dificuldades nos cuidados pessoais e outros 17%, dificuldades em morder ou mastigar. Em relação aos obstáculos do dia a dia, os inquiridos apontam, sobretudo, problemas na utilização dos transportes, no acesso e utilização de edifícios e na mobilidade fora de casa. A nível de cuidados informais, quase 22,5% dizem que recebem apoio ou assistência. Mais de 1/3 revelou beneficiar de um suporte social forte.