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Duas em ponto. Jornal das duas, na Rádio Observador, uma edição do Luís Soares. E Luís, um homem de 34 anos morreu no Hospital Amadora-Sintra, depois de ter sido baleado no bairro da Cova da Moura.

Deu entrada durante a madrugada com ferimentos de arma de fogo na Amadora-Sintra, juntamente com um jovem de 16 anos, isto após confrontos no bairro da Cova da Moura. Fonte da PSP explicou à Agência Lusa que tudo aconteceu por volta das 04h15, quando as autoridades tiveram conhecimento da entrada no hospital de dois homens com ferimentos de arma de fogo. Um deles, com 34 anos, tinha ferimentos graves na zona do peito. Ainda entrou no bloco operatório do hospital, mas acabou por falecer. O outro, de 16 anos, tem ferimento leve no braço. Sobre o autor dos disparos, até o momento não há ainda suspeitos. A PSP reforçou o policiamento na zona da Cova da Moura e comunicou os factos apurados ao Ministério Público e à Polícia Judiciária.

E seguimos com a Proteção Civil, que diz, Luís, que Portugal vive uma situação de desagravamento. As autoridades mantêm-se em alerta, mas afastam para já o risco de novas inundações.

Até porque os rios como Mondego, Tejo, Sorraia ou o Sado estão agora a regressar aos leitos normais. No entanto, o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, regista esse desagravamento dos efeitos das tempestades em vários pontos do país, sublinhando que a situação agora está estável.

Continua, apesar do desagravamento, a existir uma monitorização e um cuidado muito fino relativamente a cada uma das situações que assolam o país, de forma a garantir que não existe mais impacto. No rio Tejo, os caudais que são a ser descarregados pelas barragens espanholas também diminuíram e, portanto, temos o Tejo também com caudais bastante mais baixos do que aquilo que tem sido registado até ao dia de hoje. Portanto, é expectável que também em toda aquela zona ribeirinha vão se manter as cheias, mas é expectável que não haja novas zonas alagadas pelas cheias do Tejo.

Mário Silvestre avisa que apesar da situação estar estável em vários rios, isso não significa que a população deva baixar a monitorização ou abandonar o comportamento seguro. Já quanto ao fim da situação de calamidade em dezenas de municípios, o comandante nacional da Proteção Civil explica que isso é uma decisão política.

A situação de calamidade não tem, do ponto de vista da Proteção Civil e da atuação da mesma, qualquer tipo de impacto e é uma questão do foro político e há de estar a ser analisada e há de haver uma decisão relativamente a essa matéria.

Comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, que fez ao início da tarde o novo ponto de situação quanto às situações de mau tempo em Portugal. Até agora, registro de quase 19 mil ocorrências. Há ainda 26 mil pessoas sem energia em todo o país.

Mas, Luís, o fim da situação de calamidade merece críticas de alguns municípios. Autarquias como Arruda dos Vinhos e Alcácer do Sal queixam-se da falta de apoios. Isto na recuperação dos conselhos depois da intempérie.

Situação de calamidade que esteve em vigor desde 28 de janeiro, termina à meia-noite de hoje, mas houve algumas exceções, como é o caso de Arruda dos Vinhos. O presidente da Câmara, Carlos Alves, foi convidado do Explicador desta manhã, critica a falta de resposta por parte do governo, diz mesmo que está estupefacto.

É algo que me deixa estupefacto, numa situação que é de calamidade instalada, o Conselho de Arruda dos Vinhos não tem uma situação de calamidade, nem mesmo de contingência. E isso é algo que me deixa intranquilo. Tenho a garantia do senhor Secretário de Estado Silvério Regalado que o enquadramento jurídico e Arruda não vai ser penalizador relativamente àquilo que são as medidas que já estão em cima da mesa, mas não vejo isso plasmado, nomeadamente no decreto-lei mais recente, nem tudo aquilo que tem sido feito do ponto de vista do governo central.

As críticas de Carlos Alves, presidente da Câmara de Arruda dos Vinhos. Já o autarca de Alcácer do Sal diz que apenas seria útil prolongar a situação de calamidade se os apoios aos municípios fossem ajustados. Clarice Campos diz que as atuais ajudas, como estão, não chegam.

Eu tive a oportunidade de dizer ao senhor primeiro-ministro que na fase da reconstrução, aquilo que está neste momento divulgado e que está disponível para os particulares e para as empresas, é pouco, é irrisório. Como eu já disse, não serve para recuperar tudo aquilo que ficou devastado. Não serve para recuperar as habitações que ficaram quase totalmente ou uma grande parte danificadas.

Clarice Campos, autarca de Alcácer do Sal, no Explicador desta manhã. Neste momento, a situação de calamidade está decretada em 68 conselhos do país, termina à meia-noite. Termina também a essa hora a isenção de portagens para as zonas mais afetadas pela Depressão Kristen, os troços na A8, A14, A17 e A19.

E Luís, em dia de votação para a segunda volta das presidenciais, nos conselhos mais afetados pelas tempestades, a participação está a ser baixa.

Na freguesia de Bidueira de Cima, Leiria, votaram 6% dos eleitores até o meio-dia e meia hora, de um total de cerca de 2100 eleitores inscritos. Nesta freguesia, houve uma falha de energia que levou à suspensão temporária das mesas de voto. O ato eleitoral esteve interrompido por cerca de uma hora, mas a votação está agora a decorrer com normalidade. Em Arruda dos Vinhos, a perspectiva é de uma abstenção em torno dos 70%. No Pavilhão Multiusos de Arruda dos Vinhos, continua o repórter Martim Madeira. E Martim, até à hora de almoço, a afluência às mesas de voto ia sendo pouca.

E continua a ser pouca, Luís. Muita pouca gente aqui no Pavilhão Multiusos de Arruda dos Vinhos. Já era o expectável nesta segunda volta das eleições por causa do adiamento das eleições e falámos com todos os presidentes das oito mesas de voto aqui no Pavilhão Multiusos de Arruda dos Vinhos e a perspectiva é essa, 70% de abstenção para uma terra que na primeira volta teve apenas cerca de 30%. Até esta hora já votaram cerca de 20% dos eleitores que constam nos cadernos eleitorais. A presidente da mesa número dois, Sara Grijó, diz que ainda podem existir surpresas durante o período da tarde.

Isto é muito incerto, porque à parte da tarde as pessoas, por norma, vêm em maior número. Portanto, eu penso que a partir das 16h é que nós conseguimos ter uma ideia mais fixa daquilo que será a taxa de abstenção no Conselho.

Mas não acredita que vai ser alta mesmo

Por já se saber quem ganhou ou pelo mau tempo?

Eu acho que as pessoas, até mesmo por alguns apelos que circularam nas redes sociais através do município, mantêm a vontade de exercer o seu direito de voto, independentemente de já termos um presidente eleito. Portanto, eu acho que durante a tarde vamos ter algumas surpresas.

A presidente da mesa número dois, Sara Grijó, a dizer que vão existir surpresas. Veremos então como vai correr durante a tarde a votação aqui em Arruda dos Vinhos. Durante a manhã, a influência foi muito baixa, poucas pessoas a vir votar comparativamente com a primeira volta. Continua a ser muito baixa, o pavilhão está praticamente vazio. As duas razões principais a serem o mau tempo e o fato das eleições já estarem decididas.

Martim Madeira, aqui em direto, a acompanhar a votação em Arruda dos Vinhos, um dos locais onde hoje decorre essa segunda volta das presidenciais. Outro local é Alcácer do Sal, onde está o repórter Vasco Maldonado Correia e onde, Vasco, se vai votar de barco.

Continuamos na localidade de Arez, local onde muita gente tem de vir votar de barco, vêm de outras localidades, como Vale de Guiso, apanham um barco e chegam aqui para votar. Comigo eu tenho o senhor João, é escrutinador aqui desta mesa de voto. Eu pergunto-lhe se esta mesa de voto sempre recebeu os votos destes eleitores de Vale Guiso e dessas localidades à volta ou se essa situação foi criada por causa deste adiamento.

É assim, esta secção de voto, que é a mesa número quatro, pertencente à Junta de Freguesia de Santiago Alcácer do Sal, por acaso, foi transferida para aqui, esta é a terceira eleição que é feita aqui, porque realmente, esta mesa de voto, a secção de voto, era na localidade de Vale do Guiso, que era a sede daqui da aldeia, e até há bem pouco tempo era lá que as pessoas iam votar, do outro lado, lá de onde costuma encher ali a cheia. Passou pra cá e este constrangimento agora das pessoas virem votar aqui, desta altura, foi excepcional e mediante também este adiamento das eleições por a presidente da Câmara de Alcácer do Sal, e as pessoas, algumas, não são muitas, que têm vindo votar de barco.

Era precisamente isso que eu lhe ia perguntar, se tem ideia de quanta gente é que teve de vir de barco para votar.

Até agora, não sei precisar, mas o que olhamos ali para o controle de votos foi que, se calhar, vieram dali do Vale Guiso, talvez umas três, quatro pessoas, tanto.

Três ou quatro, sendo que agora, da parte da tarde, vai haver novas rondas de barco para ver se mais alguém quer votar.

Sim, durante a tarde, entre as 14h e as 16h, vai estar aqui novamente o barco da Marinha fazer o transporte dessas pessoas para virem votar aqui. Se bem que esta mesa, maioritariamente as pessoas são daqui da aldeia do Arez. De Vale de Guiso já tem muito poucas pessoas. E depois temos outras pessoas que também vêm votar de outras localidades, de Albergaria, Castelo Ventoso, pessoas que estão recenseadas aqui, mas que vivem em outras aldeias, que vêm aqui votar.

E eu pergunto-lhe também, e para fechar esta conversa, se as pessoas que têm que vir aqui votar sabiam, por exemplo, que tinham de apanhar o barco para o fazer.

Sim, essa informação é pública, está nos canais de comunicação da Câmara Municipal nas redes sociais. Há essa informação e acho que as pessoas estão esclarecidas relativamente a isso. Uma das coisas que também notamos aqui na mesa é que, da primeira volta para esta segunda volta, e mediante também esta situação de calamidade aqui em Alcácer do Sal, que obrigou, pela parte do município, ao adiamento destas eleições, foi que até agora e até esta hora, não notamos, achávamos que havia uma quebra do número de votantes, mas até comparando com a primeira volta, não sentimos até agora uma quebra nas pessoas no sentido de voto. Acho que as pessoas estão a aderir realmente na mesma, na situação, ao exercer o direito do voto.

Fica então esse sinal positivo, senhor João. Muito obrigado que tem estado aqui a trabalhar nesta secção de voto e assim vai continuar ao longo das próximas horas.

Vasco Maldonado Correia, que está em Arez, Alcácer do Sal, onde se vai votar de barco.

Tempo ainda nesta edição das duas para falar da atualidade internacional, isto porque o ex-ministro da Energia da Ucrânia foi detido enquanto tentava deixar o país. Ele tinha renunciado ao cargo devido a suspeitas num escândalo de corrupção.

A Agência Anticorrupção da Ucrânia anunciou a prisão do ex-ministro da Energia enquanto ele tentava sair do país, uma informação avançada num comunicado em que a agência se refere ao escândalo de corrupção que abalou o setor energético ucraniano no ano passado. O nome do ex-ministro não foi mencionado no comunicado, mas ele ocupou o cargo de ministro da Energia no ano passado, renunciou em novembro, fazia parte dos ministros que renunciaram depois da revelação de uma vasta rede de lavagem de dinheiro no setor energético ucraniano pela Agência Anticorrupção. A Ucrânia está há muito tempo a ser afetada pela corrupção e a luta contra esse flagelo é considerada condição essencial a ser cumprida para aderir à União Europeia.

Notícias de regresso à antena da Rádio Observador quando forem 14h30, também com edição do Luís Soares. Luís, até já.

Até já.