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Este é o Jornal das duas na Rádio Observador, está em edição do Miguel Videra. Miguel, a presidente do movimento Missão Escola Pública defende o adiamento do prazo para a divulgação das notas dos exames nacionais.
Uma forma de retirar a pressão aos professores envolvidos na classificação dos exames, tendo em conta os problemas que têm vindo a ser reportados. A Cristina Mota sugere mesmo a necessidade de mexer noutros prazos, por exemplo, no calendário de acesso ao ensino superior.
O mais prudente seria adiarmos o prazo da afixação das pautas, adiarmos o prazo da segunda fase e adiarmos até mesmo o calendário de acesso ao ensino superior para que esta primeira fase concluísse de forma, não digo tranquila, isso já vai ser impossível, mas de uma forma menos prejudicial a todo o processo.
É essa a sugestão da Missão Escola Pública sobre a reflexão feita pelo ministro da Educação de que há professores que estão a recusar pedidos para classificarem exames. Cristina Mota confirma.
Há professores que estão a recusar, sim. Não todos.
E porquê?
Porque as condições que lhes estão a ser dadas para a conclusão colocam em causa o rigor e o seu profissionalismo, algo de que não abdicam. Quando se pede a um classificador para que no espaço de duas ou três horas classifique 100 itens, ele não vai conseguir fazer com o rigor e o profissionalismo que caracteriza os professores.
É que explica Cristina Mota, os problemas relatados nos últimos dias com a plataforma que gera a classificação digital dos exames ainda não foram totalmente resolvidos.
Os que conseguem aceder à plataforma deparam-se com itens com os mesmos problemas anteriormente reportados. Temos inclusive um colega que nos diz ter um item com duas folhas em que a caligrafia não corresponde. Continuamos a ter colegas que referem que têm itens com ausência de folhas de continuação. São todos elementos que nos levam a entender que não há condições para termos a afixação das pautas amanhã, pelo menos a todas as disciplinas.
Por isso a Missão Escola Pública defende que o melhor é mesmo adiar o prazo para a divulgação das pautas com os resultados dos exames nacionais.
O ministro da Educação admite mesmo que há esse risco das notas dos exames não serem divulgadas amanhã.
Amanhã, sexta-feira, o prazo é fixado pelo Ministério da Educação.
Enquanto eu não tiver as provas todas corrigidas, claro que há riscos, é óbvio. Há um calendário definido, há hora, todos os processos estão definidos, o processo tecnológico está testado e por isso agora o que nós precisamos é de fechar a correção das provas.
Sendo que já não falta muito, 99,3% das respostas já foram corrigidas, nalguns casos a percentagem até é superior.
Por exemplo, na prova de físico-química, nós temos neste momento 99,9% das respostas corrigidas. O que é que isso quer dizer? Que faltam 373 respostas para esta prova ficar fechada. 373 respostas. É muito difícil a sociedade portuguesa, os alunos, as famílias perceberem que uma prova não vai ter os resultados publicados porque há 373 respostas por corrigir, quando já foram corrigidas cerca de 30 mil.
Mas é esse o risco, tendo em conta que faltam, como já aqui referi, professores para corrigir o que falta, segundo o ministro da Educação, Fernando Alexandre.
De acordo com o Júri Nacional de Exames, está a ser difícil conseguir trazer mais professores classificadores para apoiarem. E aquilo que eu vos estou a dizer é: em português e matemática, os números ainda são um bocadinho elevados, mas penso que temos todas as condições para amanhã termos este problema resolvido, mas temos várias provas, por exemplo, biologia e geologia, uma prova também com muitos alunos, grande, nós temos 99,7% das respostas corrigidas. Faltam 584 respostas.
Face ao diagnóstico, o apelo do ministro Fernando Alexandre.
O apelo que eu deixo aqui é a todos os professores, agradecendo mais uma vez todo o esforço que fizeram, ainda por cima num contexto de perturbação, em que houve muita coisa que não correu bem.
Não estão disponíveis por causa das baixas.
Que possam, de facto, ajudar nesta fase final a resolver um problema que não é do ministro, é um problema do sistema educativo. O sistema educativo tem que conseguir responder àquilo que os alunos esperam, àquilo que as famílias esperam.
Foi isso que disse o ministro Fernando Alexandre esta manhã. Já aqui escutámos a reação da representante da Missão Escola Pública. Também a FENPROF, depois destas declarações do ministro Fernando Alexandre, convocou uma conferência de imprensa, onde esteve o jornalista do Observador, Hugo Fortunato de Oliveira. Hugo, os dirigentes da FENPROF reagiram, por exemplo, a esta afirmação do ministro Fernando Alexandre de que há o risco das pautas não serem afixadas dentro do prazo previsto, ou seja, amanhã.
Precisamente, Miguel, a Federação Nacional dos Professores entende que com essa nova possibilidade admitida hoje pelo ministro da Educação, é mais uma prova de que Fernando Alexandre perdeu o controle da situação e lamenta um novo ataque aos professores.
E esta admissão constitui o reconhecimento inequívoco que o ministro perdeu, de facto, o controle da situação. Mais grave ainda, em vez de assumir as responsabilidades que lhe cabem, o ministro voltou a procurar culpabilizar os professores, numa tentativa inaceitável de desviar as atenções do verdadeiro problema e isto é um ataque injusto e indigno, aliás, à semelhança do que já tinha sido feito pelo próprio primeiro-ministro.
O secretário-geral da FENPROF, José Feliciano Costa, a condenar as declarações desta manhã do ministro da Educação, Fernando Alexandre. A FENPROF diz que a plataforma falhou porque antes houve decisões políticas que também falharam e culpa as decisões deste ministério por este caos nos exames. Entendem, por isso, que Fernando Alexandre não tem condições para continuar a ocupar este cargo. Esta foi uma declaração feita a duas vozes, partilhada também com o outro secretário-geral da estrutura, Francisco Gonçalves, que tem dúvidas sobre se os resultados vão ser mesmo afixados amanhã e pede mais esclarecimentos ao ministro sobre esses itens ainda em falta.
Vão ser publicados os resultados todos
Fernando Alexandre é que tem que dar essa resposta, porque de fato estes últimos itens são aqueles que até o dia de hoje, e já passaram 15 dias, não foi possível encontrar e não foi possível disponibilizá-los na plataforma para os professores os classificarem. E esse é que é o grande problema e estamos numa situação absolutamente lamentável. Não sabemos como é que isto vai terminar, como é que se vai sair deste buraco.
A FENPROF fala mesmo de um buraco. Estas são as declarações do secretário-geral da Federação Nacional dos Professores, Francisco Gonçalves. A FENPROF admite também, como ouvimos há bocado a Missão Escola Pública dizer, que o início do ano letivo pode ser afetado e que também haverá problemas com o início do concurso de acesso ao ensino superior. Miguel, deixar ainda uma nota: amanhã a FENPROF vai apresentar pelas 9h a queixa contra o Ministério da Educação relativa a estes exames na Procuradoria-Geral da República.
A coincidir com o debate de urgência pedido pelo PCP no Parlamento, precisamente sobre este tema dos exames nacionais, agora com este risco admitido pelo ministro Fernando Alexandre de que as pautas podem não ser afixadas para amanhã. Escutámos também Fernando Alexandre queixar-se do facto de os professores estarem a rejeitar os pedidos feitos para se juntarem ao lote de docentes que estão a classificar os exames nacionais. É o pretexto para uma conversa com Filinto Lima, é o presidente da associação que representa os diretores das escolas públicas. Filinto Lima, boa tarde, bem-vindo, obrigado pela sua disponibilidade. De facto é assim, os professores estão a ser convidados pelas escolas e estão a recusar esses pedidos?
Nós desconhecemos este tipo de situação. O que nós sabemos é que os professores colaboraram inteiramente, até mais do que aquilo que era exigido, para classificar as provas. Aliás, desde 23 de junho que muitos professores estavam à espera, e estão à espera ainda alguns, que os deixem trabalhar. E é bom que isto seja clarificado. Eu acho que todos entenderam, menos alguns. A plataforma é que não funcionou, não foi amiga dos professores classificadores. O processo de digitalização também claudicou, falhou em algumas circunstâncias. Portanto, estas são as duas situações em que o processo não correu bem, correu muito mal. Espero que acabe rapidamente, isto parece uma maratona, parece uma novela mexicana, que não interessa a ninguém. Interessa é que resolvam os problemas. O ideal seria, amanhã, os diretores terem a possibilidade de afixar as pautas, mas hoje o ministro disse que isso pode não ser viável. E portanto, vai adiar alguns procedimentos, nomeadamente a constituição de turmas tendo em conta o próximo ano, ou seja, algum trabalho dos diretores poderá ser adiado, mas interessa é que isto fique resolvido de uma vez por todas. Portanto, que se clarifique a situação e que não se ande a passar constantemente as culpas para aquele e para aquele outro, porque não. O que falhou aqui foi a plataforma e foi o processo de digitalização das escolas.
Certo, esses processos já foram identificados há muito, o próprio ministro reconhece que sim, que há problemas. Mas tendo em conta a aproximação deste prazo de amanhã para a divulgação das notas, diz o ministro que foi pedido a professores para se juntarem a este processo de classificação dos exames e que não tem havido disponibilidade por parte dos professores. Isto é para si uma surpresa? Não tem conhecimento disto?
Eu estranhei as declarações do ministro, porque os professores podem ser de Viana, podem ser professores do Algarve, de Lisboa, de qualquer sítio. No passado é que não era assim. No passado eram professores daquele local, daquele concelho, daquele distrito. Agora não é assim, agora é coleção digital. Um professor que esteja no Algarve pode corrigir uma prova de um aluno de Viana do Castelo. Estranho o que disse o ministro, não será a mentir, mas estranho, na verdade, não haver neste momento professores de Português, de Matemática, de Física e Química, que foram os exames que ele mais enfatizou, que neste momento não estariam disponíveis para corrigir, para classificar os exames. Mas ele o disse. Agora terá que resolver este problema. Mas não é com palavras também, como o primeiro-ministro disse, e nós ficámos feridos no nosso orgulho, muito feridos, há dois dias, aquelas palavras do Luís Montenegro.
Que há professores que estão, de alguma forma, a obstaculizar o sucesso deste processo de avaliação digital.
Essas palavras que o país ouviu e escutou, foram palavras imprudentes, infelizes e injustas, porque os professores classificadores são os heróis. Os professores classificadores neste momento são os heróis. Faz-me lembrar aqueles médicos que na altura da pandemia nós íamos às varandas bater palmas aos médicos. Batamos palmas aos professores classificadores. Eles são os menos culpados de tudo. São professores sofredores, sofreram muito durante este processo, estão com elevados níveis de ansiedade. Portanto, a culpa não é dos professores. Nós queremos é soluções e percebe-se que o Ministro da Educação está a apostar, deixando usar esta palavra, todas as fichas. E ele não quer que este projeto morra na praia. E pode morrer na praia, mas ele não quer. E está a dar tudo por tudo. Está a dar tudo por tudo a tentar conseguir aquilo que o país inteiro deseja. E eu desejo, todos desejamos, que era amanhã podermos afixar as pautas. Agora, neste momento, já há umas semanas a esta parte, temos dito: é ver para crer, como São Tomé, é aguardar.
Filinto Lima, justificava-se o adiamento do prazo para a divulgação das pautas?
Eventualmente. O ministro sempre nos garantiu, e nós estivemos com ele na segunda-feira passada em Lisboa, que ele queria qualidade nas classificações. Ou seja, esta pressão que está a ser feita pelos professores tem que garantir a qualidade da classificação. Se não garantir, o melhor então é adiar. Mas ele, das palavras que mais usou conosco na segunda-feira é: "Eu quero garantir a qualidade das classificações." Se garantir a qualidade das classificações com as pautas afixadas amanhã, que o faça. Se não garantir, que adie mais algum tempo, não vem nenhum mal ao mundo.
Filinto Lima, obrigado pela sua presença neste jornal das 14h, a pretexto desta declaração, esta manhã, do ministro da Educação, dando conta que há o risco das pautas poderem não vir a ser afixadas amanhã.