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Vamos às notícias . Jornal das três, na Rádio Observador, começamos com o Luís Montenegro, que está nesta altura a falar aos jornalistas em Nova Iorque.

Sim, depois do encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, vamos escutar a audible da RTP Notícias.

Nem por falta de esforço do secretário-geral, é mesmo por incapacidade de alguns dos seus membros e, em particular, de membros permanentes do Conselho de Segurança, o que não deixa de ser, naturalmente, muito preocupante.

Esta é a hora das despedidas, mas já se perfilam vários candidatos à sucessão do secretário-geral. Portugal já escolheu que candidato vai apoiar?

Não, ainda não escolhemos e estamos nesta fase a fazer a apreciação desse processo. Há candidatos que estão pré-anunciados, há outros que deixaram de estar e se projetavam como possibilidades e, portanto, quando sentirmos que esse processo está estabilizado, tomaremos a nossa posição.

Mas precisava que seja uma mulher?

Nós já manifestamos a nossa concordância de que isso possa acontecer.

Senhor Primeiro-Ministro, ontem esteve numa receção com o presidente Trump. Qual é que é o seu alinhamento político nesta altura com a administração norte-americana?

Vamos lá ver, nós temos que reconhecer que as questões da relação entre blocos políticos e comerciais no mundo atravessa um momento extremamente complexo e que nós desejamos que possa ser alterado o quanto antes, com um equilíbrio entre continentes, entre nações, que evite conflitos e que evite que os cidadãos, as pessoas, individualmente consideradas, os seus núcleos familiares, as economias, estejam comprimidos como estão hoje, a sofrer os inconvenientes da falta de capacidade de entendimento. E pra isso, todos devem colaborar e qualquer perspectiva que ofenda o multilateralismo, a capacidade de termos equilíbrio e diálogo, não é o caminho que nós sustentamos. Mas o presidente Trump, ontem nessa receção, acabou por corroborar as posições que tinha assumido anteriormente na Assembleia Geral das Nações Unidas, que não são propriamente novidade. Foi uma espécie de compilação de posições que foram vindo a ser assumidas ao longo dos últimos meses, mas nós, mais do que estarmos a fazer uma apreciação e entrarmos em debates polêmicos sobre o que se diz neste dia ou naquele, e se disse mais esta palavra ou aquela, aquilo que nós desejamos é que possa haver resultados positivos face àquilo que são desafios e conflitos. E, por exemplo, aquilo que aconteceu no caso da Gronelândia, é aquilo que nós desejamos, mais do que estarmos a criticar, às vezes a escalar a linguagem. Aquilo que nós sempre dissemos foi que era preciso, pela via diplomática, pela via do diálogo, aproximar posições. Isso aconteceu e a verdade é que todas as partes envolvidas estão satisfeitas e o conteúdo do acordo revela um equilíbrio efetivo entre todos os interesses que estão ali presentes. E o que eu desejo é que isso possa ser reproduzido ao nível de outros conflitos e, em particular, daquele que é, neste momento, o que mais consequências tem trazido pra vida de todos nós, que é o conflito no Médio Oriente.

Na semana passada, chegou a falar num caminho estúpido que estava a levar este conflito. Era uma crítica ao presidente norte-americano?

É uma crítica geral a todos aqueles que não têm capacidade de superar este bloqueio ao desenvolvimento global e ao desenvolvimento de cada um de nós, dos nossos países. De fato, há um conflito cuja consequência é prejudicar todos.

Essa crítica inclui o chefe de Estado norte-americano?

Inclui todos. Isto é um absurdo. Nós estamos todos a ser prejudicados, estamos todos a ser penalizados, estamos todos a contribuir para que o ambiente, a atmosfera social e econômica à volta do mundo, seja mais pesado e que as dificuldades apareçam na vida das pessoas e na vida das empresas e na vida das instituições e das organizações também. E, portanto, nós temos de apelar aqui a um sentido de responsabilidade geral, que integra todos, não deixa ninguém de fora. Aqui não há exceções, somos todos chamados, as partes envolvidas e as partes que podem ter uma intervenção, a dar o nosso contributo. E, portanto, o meu desejo é que se aproveitem todas as iniciativas que estão em curso de restabelecer um memorando de entendimento que possa servir também os interesses das partes conflituantes. É isso que se deseja. Deseja-se no Médio Oriente, mas também se deseja já agora na Ucrânia, onde a nossa preocupação se mantém relativamente ao processo de obtenção de uma paz justa e duradoura, que possa, também por essa via, dar maior estabilidade à Europa.

Senhor Primeiro-Ministro, André Ventura ontem fez sérias acusações sobre o negócio da REN, na compra das ações por parte do Estado. Não sei se teve a oportunidade de ouvir essas acusações e se lhe quer responder.

Não, mas se são assim tão sérias, quais são?

Que há membros do governo que poderão alegadamente ter beneficiado desse negócio.

Isso é um disparate

Luís Montenegro sobre as acusações ontem feitas por André Ventura numa declaração que se seguiu ao encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Uma declaração muito centrada na apreciação que faz da política da administração de Donald Trump. Diz Luís Montenegro que independentemente de se identificar mais ou menos com o estilo de governação de Trump, é preciso soluções. Exemplo de soluções encontradas independentemente do estilo: o acordo alcançado por Estados Unidos, Dinamarca e Gronelândia para a partilha de segurança desta região do Ártico. O chefe de governo português vai intervir amanhã na sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, uma sessão que foi retomada há pouco, aguardada com a expectativa à intervenção do presidente iraniano Masoud Pezeshkian. Também para as próximas horas estão agendadas as intervenções de Javier Milei, o presidente argentino, José Ramos-Horta, presidente de Timor-Leste, e Volodymyr Zelensky, o chefe de Estado ucraniano.

Miguel, está agendado para esta hora o início do velório de Jorge Palma.

Sim, o cantor e compositor que morreu na madrugada de terça-feira aos 76 anos. O velório decorre na Voz do Operário, em Lisboa. As portas estão abertas até às 22h. O funeral realiza-se amanhã, momento reservado à família e amigos mais próximos. Seguimos ao encontro da jornalista do Observador, Beatriz Félix, que chegou há pouco à Voz do Operário. Beatriz, já decorre essa última homenagem a Jorge Palma?

Sim, Miguel, já decorre esta homenagem a Jorge Palma e cá fora, à porta, já há uma fila que junta cerca de duas dezenas de pessoas de todas as idades. Comigo está Tiago Melo, tem 32 anos. É talvez uma das pessoas mais jovens que se encontra nesta fila, o que acaba por mostrar que Jorge Palma marcou um leque vasto de gerações. Tiago, boa tarde. Sendo uma das pessoas mais jovens desta fila, de pessoas que aqui esperam por poder prestar uma última homenagem a Jorge Palma, pergunto-lhe: em que ano, mais ou menos quando é que Jorge Palma e a sua música entraram na sua vida?

Em quê?

Em que ano é que conheceu Jorge Palma e a sua música?

Sim, eu conheço Jorge Palma desde pequeno e não consigo precisar o ano mesmo, mas, por exemplo, comecei a aprofundar mais o gosto pelas letras e pelas músicas de Jorge Palma quando vim estudar para Lisboa. Isto em 2011, por volta disso. E nós vamos crescendo e tudo aquilo que implica o crescimento, conhecer pessoas, dar-nos com pessoas e tudo mais, ter desilusões, ter amores, ter tudo e mais alguma coisa. E Jorge Palma consegue, efetivamente, nas suas letras, traduzir isso. E quer seja para os bons e para os maus momentos, conseguimos sempre arranjar palavras nas músicas dele para situações das nossas vidas. E quando um artista consegue traduzir isso tão bem como Jorge Palma fez ao longo da sua vida toda e como vai continuar a fazer para muitas pessoas futuramente, quer seja para mim, quer seja para outros tantos, porque as músicas são intemporais e vão continuar eternamente por aí. Numa situação dessas, eu decidi vir cá hoje então prestar uma homenagem e fazer parte desta comoção geral que existe, acho que foi em todo o país, pela morte deste artista, que acho que efetivamente faz significado e pelo peso que deve ter tido também na vida de muitas outras pessoas.

Até porque nos estava a dizer há pouco que ainda tem uma viagem hoje, longa, até Coimbra, mas que não quis deixar de passar por aqui.

Exato, sim. Eu neste momento não estou a viver em Lisboa. Eu vim de Fátima hoje. Quis passar por aqui, organizei a minha vida minimamente em cima da hora para passar por aqui. Daqui a bocado tenho que ir ter uma reunião em Coimbra. Por isso ainda vou ter que apanhar um Alfa Pendular, estou a ver se ganho. Eu não sou muito destas coisas de vir prestar homenagem, mas achei que Jorge Palma era merecido e eu merecia essa comoção. Acho que para mim, muito mais do que artista, era um poeta e, por exemplo, a minha mãe já morreu, utilizei as palavras de Jorge Palma para homenagear no próprio funeral. As namoradas que eu tive, muitas coisas também utilizei Jorge Palma, às vezes, para me declarar ou alguma coisa. E mesmo no resto da minha vida.

Acompanhou-o em muitos momentos. Pergunto também se chegou a ouvir de viva voz essas palavras que tantas vezes utilizou em vários momentos. Chegou a ir a concertos de Jorge Palma?

Sim, principalmente na Festa do Avante, 2013 e 2018, se não me engano. Vi dois concertos dele lá e depois vi também noutros espetáculos, mas os mais marcantes para mim foram também na Festa do Avante, não só porque é um ambiente diferente e eu também, como faço parte muitas vezes da construção da Festa do Avante e fui construtor da Festa do Avante, todas as palavras que ele tinha de carinho para os construtores da Festa isso aí tocava-me também especialmente e acho que a música de Jorge Palma se enquadrava efetivamente com o espírito da própria Festa em si.

Tiago, obrigada. Vou deixá-lo entrar para então prestar esta homenagem a Jorge Palma. Agora sim, as pessoas começam a entrar para poder prestar uma última homenagem, dizer o último adeus a Jorge Palma. Para já, ainda não se viu por aqui caras conhecidas, outros grandes nomes da música ou até membros do governo. É esperada a presença de Margarida Balseiro Lopes, a ministra da Cultura. Até lá, vamos ficar por aqui, enquanto muita gente, muitas pessoas se juntam para esta última homenagem ao cantor Jorge Palma.

Que decorre na Voz do Operário em Lisboa. Um momento de homenagem que está a ser acompanhado e que vai ser acompanhado ao longo da tarde pela jornalista do Observador, Beatriz Félix.

Seguimos neste jornal com o ministro das Finanças reafirma que a proposta de descida do IVA aplicado à habitação e combustíveis põe em causa o equilíbrio das contas públicas.

Afirmação feita a reboque dos dados do Instituto Nacional de Estatística, que apontam para um excedente orçamental de 0,5% nos primeiros seis meses do ano. Joaquim Miranda Sarmento, o ministro diz que é a prova de que as contas públicas estão controladas. Antecipa que Portugal deve fechar o ano com saldo zero, nem superávit, nem défice. Já para 2027, o ministro com a pasta das Finanças prevê um ligeiro excedente, caso não vinguem as propostas da oposição de descida do IVA aplicado à alimentação e aos combustíveis.

As propostas que estão em cima da mesa dos dois partidos da oposição, do Chega e do PS, custam, no seu conjunto, cerca de 2000 milhões de euros durante um ano inteiro. Se o Parlamento aprovar esta medida para vigorar um ano inteiro em 2027, sendo o saldo orçamental muito inferior a este valor, sendo o saldo orçamental positivo, mas relativamente pequeno, naturalmente que o país entrará em déficit por responsabilidade exclusiva destes dois partidos.

Joaquim Miranda Sarmento aproveita para responder ao deputado do PS, João Torres, que hoje veio afirmar que há margem financeira para adotar mais medidas este ano que ajudem a minimizar o impacto da subida do custo de vida.

O Partido Socialista faz uma quadratura do círculo notável, porque está sempre a dizer que a despesa está descontrolada e que o país vai para déficit, mas depois diz que há margem e que quer aplicá-la. A margem que existia, o governo decidiu aplicar 400 milhões nos pensionistas, 400 milhões na descida do IRS. A decisão dos pensionistas é uma decisão que compete apenas ao governo, já foi aprovada. A decisão do IRS virá ao Parlamento, creio que dia 8 de outubro, o Parlamento será soberano se quer ou não baixar o IRS dos portugueses.

Joaquim Miranda Sarmento contraria desta forma o diagnóstico traçado pelo deputado do PS, João Torres. Entende o ministro das Finanças que não, à luz das medidas já anunciadas pelo governo, não há margem orçamental para adotar outras iniciativas que ajudem famílias e empresas a enfrentar com menor impacto a subida do custo de vida, particularmente decorrente da subida do preço dos combustíveis.

A Polícia Judiciária foi hoje alvo de buscas. Uma diligência relacionada com o caso que envolve o diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro.

A informação das buscas foi avançada pelo Expresso, confirmada pelo Observador. O diretor nacional da Polícia Judiciária foi alvo de uma denúncia por alegadamente ter permitido a realização de escutas ilegais no âmbito do processo Football Leaks. Carlos Cabreiro nega, foi aberto um inquérito no âmbito da investigação. Decorreram as buscas nas instalações da Polícia Judiciária.

Vamos às notícias de âmbito local.

E começamos pelo Porto. O plano de mobilidade urbana sustentável está a partir de hoje em consulta pública. O plano inclui quase 70 medidas para mudar a forma como se circula no Conselho, prever mais transportes públicos, expansão das redes de metro e de autocarros, mais ciclovias e zonas de acesso a automóveis condicionadas. A consulta pública decorre até ao próximo dia 4 de novembro. Em Leiria, chegaram a um acordo os pais de um aluno que morreu após a queda de uma baliza no Colégio de Leiria e a instituição de ensino. Os pais pediam uma indemnização de quase 500 mil €, ponto de partida para uma negociação que terminou com um acordo revelado pelo Diário de Notícias. Não se conhecem os pormenores do entendimento. Em Sintra, a Unidade de Saúde Mental deve reabrir até o próximo mês de novembro. O serviço vai ser assegurado pelo Hospital de Cascais, fruto de um acordo com a Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra. É isso que avança o Jornal de Sintra. Contudo, a Câmara Municipal garante que está disponível para suportar os custos de manutenção das instalações. Em Aveiro, o novo concurso para a recolha de lixo e tratamento de resíduos pode custar pelo menos 36 milhões de euros. O valor quase que duplica face à estimativa apresentada em janeiro. O jornal Notícias de Aveiro explica que a Assembleia Municipal justifica esta atualização de custos com o aumento do preço dos combustíveis, salários e outros serviços. Vamos terminar no Seixal. O arranque das obras de requalificação da Estrada Nacional 378, que liga o Seixal a Sesimbra, só deve acontecer depois do inverno. O presidente da Câmara diz que falta ainda concluir processos de expropriação de terrenos. A intervenção, avaliada em cerca de 15 milhões de euros, visa melhorar as condições de circulação, drenagem e segurança rodoviária. De saída, dar-lhe ainda conta que daqui a pouco, 15h30, Nelson Jorge Jesus, o novo selecionador nacional, vai dar uma conferência de imprensa de antevisão da partida de Portugal a contar para a Liga das Nações frente a País de Gales. Vamos acompanhar tudo, não é?

Vamos acompanhar tudo em direto. Está por lá também o jornalista do Observador, João Lourenço.