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No distrito de Faro. Jornal das cinco, a Vanessa Cruz. Vanessa, cerca de 200 centros de saúde vão estar abertos até mais tarde, agora no fim do ano, neste fim de semana prolongado. Anúncio feito esta tarde pelo Ministério da Saúde. Replica-se, portanto, a medida que já tinha sido posta em prática durante o Natal. O objetivo é o mesmo: aliviar a pressão nas urgências hospitalares. Esta semana têm estado entupidas, os tempos de espera têm ultrapassado as 10h em algumas unidades. Há casos em que ultrapassam as 20. Os horários dos centros de saúde são, por isso, alargados. No máximo, funcionam até à meia-noite e isto é para estar em vigor até à próxima terça-feira, dia 2 de janeiro. Vanessa, onde é que podemos consultar os horários dos centros de saúde que nos convêm? Estão disponíveis por dias 30, 31, 01 e 02 no site do SNS, na parte das notícias. Há também uma notícia em destaque no site do Observador. O Ministro da Saúde já veio hoje reforçar o apelo para que os doentes menos urgentes recorram primeiro aos centros de saúde e, antes disso, até liguem para a linha de saúde 24. Contamos agora com o André Biscaia, presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar. Obrigada por estar conosco. Este reforço dos centros de saúde acredita que vem ajudar, que a população está sensibilizada para recorrer ao centro de saúde, tendo em conta que fica aberto até mais tarde ou, mesmo assim, pode ser difícil?
As medidas não podem ser únicas. E aquela sequência que disse, que foi apresentada aqui na notícia, aquela que deve ser seguida: primeiro, telefonar pro SNS 24, e eles depois orientam qual é a melhor solução. E muitas vezes a solução é o autocuidado. E se realmente não houver esta parte do autocuidado, ou seja, se as pessoas forem ao primeiro sinal de tosse ou às primeiras horas de febre à procura ou serviço de urgência hospitalar ou centro de saúde, não vai ser possível dar resposta. Portanto, é preciso que todas estas medidas sejam tomadas em conjunto. Primeiro, realmente esta parte da literacia, uma boa comunicação com a população. Depois, telefonar pro SNS 24. O SNS 24 tem que ter capacidade e bons algoritmos pra poder discernir quais são as situações e, sempre possível, aconselhar o autocuidado e realmente permanecer em casa. Depois, temos a solução para aquilo que for indicado, para o centro de saúde ou pra urgência hospitalar.
Foi anunciado um reforço da linha SNS 24, foi anunciado ontem, mas há casos em que de fato as pessoas ficam muito tempo à espera de serem atendidas. Nesse caso, mais vale ir a uma farmácia? Estava a falar no autocuidado.
O autocuidado tem que haver o literacia, ou seja, tem que haver informação. Se as pessoas não puderem telefonar, tem que conseguir um site onde há acesso à informação. O site do SNS 24 e do próprio SNS tem muita informação, e muitas pessoas podem se orientar também por aí. Portanto, essas têm que ser realmente as primeiras medidas que as pessoas têm que tomar. Depois, houve aqui uma série de medidas que já foram sendo tomadas, nomeadamente esta questão da autodeclaração da doença. Muitas vezes as pessoas só procuram os cuidados de saúde porque precisam de uma justificação para a ausência ao trabalho. Temos também as autodeclarações de doença. E tudo isso são medidas que foram importantes. Mas se realmente não houver esta, digamos, conscientização maior sobre o que se pode fazer em casa e quando é que se deve realmente contactar os serviços de saúde, isso não vai acontecer. Outra medida importante são as outras medidas de autocuidado. Parece que esquecemos tudo aquilo que aprendemos com a Covid, a utilização da máscara.
A Ordem de Médicos hoje já recomendou o uso de máscara, também recomenda para prevenir o contágio.
Exatamente. Também a limpeza das mãos, se as pessoas realmente tiverem queixas de sintomas de infecção respiratória viral, utilizarem sempre a máscara, autoisolarem-se. Tudo isso são coisas fundamentais. E depois a questão toda da vacinação. A vacinação da gripe, da vacinação contra a Covid. Este ano tivemos realmente constrangimentos nesta vacinação, porque se optou, apesar de Portugal ser dos únicos países que tem conseguido cumprir as metas da vacinação da gripe todos os anos, este ano a direção executiva do SNS decidiu mudar a estratégia. E essa estratégia fez atrasar aquilo que eram as taxas de vacinação que tivemos no ano passado em cerca de um mês.
E é por isso que a cobertura agora está abaixo do desejável?
Está abaixo, sem dúvida. Sempre correu bem. Este ano decidiu-se mudar e correu pior. A 20 de novembro tínhamos 48% da população alvo vacinada, quando realmente no ano anterior era muito superior. E agora, depois de realmente voltar-se à estratégia, tendo sido feito o apelo da direção executiva para que os centros de saúde retomassem a estratégia que tem sido seguida todos os anos, já se está quase a aproximar da meta, mas perdeu-se um mês. Portanto, isto tem que servir para realmente se aprender pro próximo ano. Disse que, com esta estratégia de se passar a maior parte da vacinação pras farmácias comunitárias, que iam aumentar os postos de vacinação, mas não é isso que se passou. Ou seja, quem tem o conhecimento e se fosse perguntar aos cuidados de saúde primários, sabe-se perfeitamente que os postos de vacinação, em termos de Covid e de gripe nos anos anteriores, são cada enfermeiro que está no SMS. E nos cuidados de saúde primários estão cerca de 9 mil enfermeiros Esses são os postes de vacinação que conhecem a população e aquilo que se sabe, isso também já foi dado aqui nos relatórios do Vacinômetro, é que realmente a recomendação das equipes de saúde, nomeadamente os médicos, os enfermeiros, é aquilo que realmente leva a população a querer se vacinar. Não são os SMS que são recebidos. Portanto, este ano optou-se por outra estratégia, e a estratégia não deu certo. Espero que pro ano não se insista nessa estratégia, até porque custou dinheiro também, ou seja, com aquilo que realmente se gastou na vacinação para a gripe este ano e da Covid, dava pra contratar os enfermeiros que faltam ao SNS durante um ano. Portanto, é esse tipo de reflexão que tem que ser feito.
E esse apelo fica feito. Deixe-me só voltar aqui à questão do alargamento dos horários dos centros de saúde. Têm capacidade de resposta para garantir, de facto, esta abertura até mais tarde? Há recursos humanos suficientes ou esta medida foi tomada em cima do joelho?
Bom, é assim, aquilo que nós sabemos também é que por cada ida à urgência hospitalar, há duas ou três que são feitas por doença aguda nos cuidados de saúde primários. Portanto, sempre houve essa resposta. A resposta que tem que ser dada é uma resposta de fundo, que passa pela cobertura da população com equipes de saúde familiar. Isso é algo que se está a tentar agora com a generalização das USF modelo B.
As tais 222 que vão entrar em vigor a partir de janeiro.
Exatamente. Isso é uma medida positiva, é uma medida que a minha associação, a USF AN, a Associação Nacional das USF, tem lutado desde sempre. As cotas para as USF modelo B é aquilo que nós consideramos a principal razão pra não haver uma cobertura da população toda por equipes de saúde familiar. Esta é uma medida que começou na troika, com o governo PSD, e que foi alterada a seguir. E isto levou a uma desmotivação e realmente a uma desmobilização. São formados médicos de família, enfermeiros de família e também secretários clínicos, que também existem no mercado de trabalho, suficientes pra população toda. O problema aqui é que realmente faltam incentivos, e estes incentivos, que agora se vai tentar com esta generalização do modelo B, é nesse sentido. O problema é que há aqui uma série de contrastes, ou seja, temos esta generalização, temos um aumento do vencimento base, mas depois, nas partes variáveis do vencimento, que tem a ver com as listas e com os indicadores de desempenho da qualidade, vai haver alterações e nós não sabemos qual vai ser esse impacto. Sabemos que neste momento está havendo uma limpeza das listas nos cuidados de saúde primários e isto pode levar à saída de várias centenas de pessoas de cada lista do médico de família.
A medida pode ser boa, mas ainda tem de ser afinada, pelo que percebemos aqui por André Biscaia. Já estamos mesmo no limite do nosso tempo.
Só mais um ponto. São umas medidas que foram demasiado centradas no médico de família e realmente esqueceram-se dos outros grupos profissionais. E isto cria problemas a nível da equipe e isto era tudo aquilo que nós queríamos evitar. Portanto, há aqui realmente uma série de medidas positivas, mas há outras que realmente ainda têm que ser limadas.
André Biscaia, obrigada por ter estado nesta edição das 17h. O presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar, ele que aponta o dedo à direção executiva do SNS pela cobertura vacinal estar este ano abaixo daquilo que seria desejável. Vamos continuar a falar deste assunto depois das 18h. É nosso convidado no Direto ao Assunto, o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Nuno Jacinto. Vanessa, vamos agora tentar perceber se os utentes já sabem, se estão a par do reforço dos horários dos centros de saúde. Vamos até ao Hospital Amadora-Sintra, é lá que está a jornalista Laura Figueiredo. Laura, os utentes por aí já sabem desta notícia, que já tem algumas horas, de que os centros de saúde vão estar abertos até mais tarde este fim de semana prolongado?
Não tinham conhecimento desta, mas depois de eu lhes dizer, eles concordaram e disseram que pensam que o alargamento do horário dos centros de saúde no período do Ano Novo é uma boa forma de minimizar a sobrecarga das urgências. E quanto à utilização das máscaras, os utentes também, com quem falei, concordam que é uma medida que deve, de facto, ser adotada para evitar o contágio de doenças respiratórias. E por aqui, o cenário nas urgências do Hospital Amadora-Sintra mostra, de facto, alguma sobrecarga. Neste momento, o tempo de espera para urgentes com pulseira vermelha é de duas horas. Já os doentes com pulseira verde enfrentam um tempo de espera de nove horas e meia. E os doentes com pulseira amarela têm de esperar cerca de uma hora para serem atendidos. Nos dias que se seguiram ao Natal, este hospital teve um recorde de urgências. Foram atendidos 881 doentes apenas em 24 horas. Isto fez mesmo com que na noite de Ano Novo o hospital tivesse pedido para desviar ambulâncias para outros hospitais por ter 200 doentes à espera de atendimento, mas o INEM não permitiu. E há pouco falei aqui com uma senhora que veio acompanhar o pai, que está aqui à espera desde a 13h, sendo que tinha já vindo de um centro de saúde onde não conseguiu ser atendida. Aqui nas urgências do Amadora-Sintra, o cenário está aparentemente mais calmo.
Fica esse ponto de situação, Laura Figueiredo. Há aqui algumas dificuldades na comunicação com a Laura, mas ficou este registo de que muitos utentes ainda não sabem que os centros de saúde vão estar abertos até mais tarde a partir de amanhã, mas fica aqui a reportagem da Laura Figueiredo. Na economia, Vanessa, o Estado regista um excedente orçamental perto de €6.500 milhões.
Os dados divulgados pelo Ministério das Finanças dão conta de uma estabilização do saldo orçamental em novembro face ao mês de outubro. O Estado regista agora esse excedente perto do que dizias, €6.500 milhões. Representa mais 4.300 milhões em relação ao mesmo período do ano passado. A receita cresceu perto de 10,5%. A despesa aumenta menos de 6% e isto permite estabilizar os saldos orçamentais do Estado português.
E o Banco de Brasília retirou quase €16 milhões dos resultados depois de suspensa a parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
As instituições tinham feito uma parceria com o objetivo de explorar o negócio dos jogos de lotaria no Distrito Federal. Com este acordo, o Banco de Brasília lançou de forma indevida uma receita de cerca de €16 milhões, que inflacionou os resultados do primeiro trimestre da instituição bancária. No entanto, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa acabou por cancelar esta parceria por ser um dos negócios que está a ser analisado pela auditoria forense às operações internacionais da instituição portuguesa. Na sequência desta decisão, o Banco Central do Brasil obrigou o Banco de Brasília a uma correção das contas. Foram assim retirados os quase €16 milhões relativos à parceria com a Santa Casa. É o artigo que está em destaque a esta hora no site do Observador.
E Vanessa, o metrô de Lisboa vai estar aberto até às três da manhã durante a passagem de ano.
Mas a estação do Terreiro do Paço vai estar encerrada. Esta é uma medida anunciada durante uma conferência conjunta da empresa que gere os equipamentos e a animação cultural em Lisboa e as forças de segurança, a propósito dos festejos do Réveillon. O subintendente David Vieira, da Polícia Municipal, explica que vai haver um reforço tanto do policiamento como nos transportes e também na oferta. O Terreiro do Paço e o Parque das Nações, onde vão ocorrer duas das principais festas de passagem de ano, vão estar debaixo do foco das autoridades. A Polícia de Segurança Pública, através do comissário Sérgio Paulo, deixa alguns conselhos para quem vai deslocar-se em Lisboa para celebrar a entrada do novo ano.
Enquanto conselhos, aquilo que a PSP tem para dizer é que tentem chegar com antecedência para o evento. Tentem utilizar ao máximo os transportes públicos. Respeitem a todo momento as ordens dos polícias. Vai ser importante para a boa execução e a realização do evento. Se têm crianças pequenas, evitem transportá-las em carrinhos ou cadeiras. Isto dificulta imenso a mobilidade.
Conferência de imprensa das Forças de Segurança de Lisboa com os planos para os festejos da passagem de ano. Vão contar, estes festejos, com 500 operacionais no terreno, entre PSP, Polícia Municipal, Proteção Civil e Bombeiros.
E Vanessa, neste jornal vamos a mais notícias que marcam esta sexta-feira.
O CDS acusa André Ventura de querer derrubar um futuro governo à direita. Para os centristas, as declarações do líder do Chega significam que se prepara para unir-se ao PS, PCP e Bloco de Esquerda para derrubar um eventual governo de maioria relativa do PSD e do CDS, que anunciaram uma pré-coligação eleitoral. Em entrevista à Vichy Soares, aqui na Rádio Observador, o vice-presidente do CDS, Paulo Núncio, fez estas acusações diretas a André Ventura. Os bombardeamentos no centro da Faixa de Gaza continuam a levar dezenas de milhares de palestinianos a fugir para sul, em direção à já lutada cidade de Rafah, perto da fronteira com o Egito. É o que adianta a Associated Press. Chegam a pé, de carro ou em caminhões e, quando não há espaço nos abrigos, constroem barracas para se abrigar. De acordo com as Nações Unidas, as pessoas estão a usar qualquer espaço vazio para construírem barracas. Alguns dormem nos próprios carros e outros ao relento. A Polónia confirma que um míssil russo violou o espaço aéreo do país. Confirmação numa conferência de imprensa do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. O míssil entrou no país a partir da Ucrânia, permaneceu no espaço aéreo da NATO por três minutos, o suficiente para Varsóvia acionar o protocolo de defesa. Muitas famílias viram no Natal uma oportunidade de acrescentar um elemento ao núcleo. Pela primeira vez em 47 anos, todos os animais de um abrigo no estado norte-americano da Pensilvânia foram adotados. E isto foi dois dias antes do Natal.
E Vanessa, falamos de quantas famílias?
Famílias, não sabemos, mas foram quase 600 cães e gatos, além dos mais muitos animais adotados. 125 foram ainda devolvidos aos tutores que os procuravam. Em Portugal, nesta altura do Natal, muitas vezes há abrigos de animais que não permitem adoções porque os animais não devem e não podem ser encarados como presentes.
É isso mesmo. É com este apelo que fechamos este jornal das 17:00 com a Vanessa Cruz.