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Em silêncio até agora, Kamala Harris reage ainda hoje à derrota eleitoral na corrida à Casa Branca, há cerca de sete horas que as projeções deram a vitória a Donald Trump.

De acordo com as projeções, o candidato republicano ultrapassou já largamente o número de grandes eleitores necessários para regressar à presidência dos Estados Unidos.

Vai em 279, quando precisava de apenas 270. Trump recuperou a Geórgia, a Pensilvânia e Wisconsin aos democratas, venceu ainda no outro estado decisivo, a Carolina do Norte.

A adversária não chegou a subir ao palco, onde estava previsto fazer um discurso esta madrugada, hora de Lisboa. A NBC News adianta agora que Kamala Harris deve dirigir-se à nação quando forem 11 da noite em Portugal, na Universidade de Howard, em Washington, DC.

E se ontem se mostrou preocupado no caso de Donald Trump ser eleito, hoje o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa prefere ver o copo meio cheio.

Nos últimos anos, começando ainda no mandato do presidente Trump e depois continuando no último mandato do presidente Biden, houve um acréscimo claro de relações, quer no domínio do comércio, quer no domínio do investimento, quer no domínio do turismo entre Estados Unidos da América e Portugal. O povo americano é soberano, escolheu. Agora é trabalhar em conjunto.

Marcelo Rebelo de Sousa diz que Donald Trump se mostrou sensível quanto a alguns temas que preocupam Portugal, a base das Lajes nos Açores, a questão do gás líquido entrar na Europa através de Portugal e também a posição portuguesa quanto ao contributo financeiro na NATO. Também o primeiro-ministro deu já os parabéns a Donald Trump.

Luís Montenegro espera uma colaboração estreita, bilateral, na NATO também, e multilateral, uma reação na rede social da X. Uma ideia repetida de viva voz pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

Naturalmente, respeitar a vontade clara, eu diria mesmo muito clara, do povo americano. Nós trabalharemos com qualquer administração americana. Temos uma aliança multissecular. Os Estados Unidos são um parceiro preferencial na área da segurança e da defesa. Temos hoje relações econômicas altamente promissoras a correrem francamente bem.

Ministro Paulo Rangel, em declarações à RTP. Já o líder do PS, Pedro Nuno Santos, espera que os Estados Unidos possam ser parte da solução para as guerras e não do problema.

Pelo Chega, André Ventura cola-se à vitória de Donald Trump.

A mudança à direita nos Estados Unidos é não só um bloqueio a essa agenda de esquerda que tinha estado a varrer um pouco algumas capitais europeias. É também um estímulo a todos os partidos parceiros do Partido Republicano, como é o nosso caso, e ao mesmo tempo, que é o sermos o baluarte de liberdade. Os europeus têm que perceber que têm de investir na defesa.

E entre os eurodeputados portugueses reina mais a preocupação, mas há quem dê a Miguel o benefício da dúvida.

Tanger Correia, também do Chega, diz que Donald Trump sabe que vai precisar da Europa. Também Lídia Pereira, do PSD, diz que os Estados Unidos são parceiros e espera que a União Europeia fale a uma só voz.

Pela Iniciativa Liberal, se o líder Rui Rocha diz que a Europa vai ter de aprender a cuidar de si própria, o eurodeputado João Cotrim Figueiredo também alinha nesse discurso.

É um período difícil para a União Europeia, porque a fazer fé naquilo que foram as declarações de campanha de Donald Trump e da sua equipa, estamos perante uma posição muito menos multilateral, muito mais isolacionista. Portanto, desde logo, os temas da defesa, os temas do comércio internacional e os temas do apoio militar e diplomático à Ucrânia estão em causa. Não é normal, vivemos décadas e décadas na dependência do apoio militar americano.

Pelo Bloco de Esquerda, a eurodeputada Catarina Martins teme a perseguição de minorias e de mulheres nos Estados Unidos com esta vitória de Trump e a nível mundial, as implicações para a guerra em Gaza.

O seu alinhamento completo com a extrema-direita israelita é seguramente preocupante, mas devo dizer que desse ponto de vista, os democratas também não davam grandes garantias. Será um período complicado.

Um período complicado. Pouco surpreendido com a vitória de Donald Trump está o PCP, com o eurodeputado João Oliveira a criticar os Estados Unidos.

Há uma alteração do ponto de vista eleitoral muito significativa, mas eu julgo que a eleição de Donald Trump, na sequência de uma campanha eleitoral degradante, associada ao caráter opaco e até antidemocrático do próprio sistema eleitoral, dá uma verdadeira dimensão do nível de degradação do sistema político norte-americano, que ainda assim se arroga o direito de dar pelo mundo fora lições de democracia.

As reações de eurodeputados e líderes partidários à eleição de Donald Trump está de regresso à Casa Branca quatro anos depois.

Também o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, espera poder trabalhar de forma construtiva com a nova administração e lembra a cooperação que existe entre Estados Unidos e a ONU.

Voltamos a Pedro Nuno Santos, porque já reagiu à demissão de Ricardo Leão da presidência da Federação do PS Lisboa.

A decisão foi tomada depois da polémica dos despejos, sem dó nem piedade, em Loures, e que hoje é criticada por António Costa, ex-líder do PS, num artigo de opinião no jornal Público. O ex-primeiro-ministro diz que a medida ofende gravemente os valores, a identidade e a cultura dos socialistas.

Pedro Nuno Santos tinha segurado esta semana Ricardo Leão no cargo do líder do PS Lisboa, argumentou que todos podemos ter momentos menos bons que não definem o nosso trabalho.

Deparar-se com o puxão de orelhas de António Costa levou o atual líder do PS a defender que é possível conciliar uma posição clara e firme sobre matérias identitárias do PS, lidar com isso internamente, sem fazer julgamentos na praça pública.

Isso não é forma, não é pelo menos a minha forma de liderar o Partido Socialista, de me relacionar com aqueles que são eleitos em nome do PS e ao mesmo tempo, nós sabermos lidar com estas questões, mas lidar com elas internamente, sem fazer julgamentos públicos ou na praça pública.

Pedro Nuno Santos, depois de o autarca de Loures ter justificado a saída da liderança do PS Lisboa para não prejudicar o partido por uma polêmica que, diz, foi descontextualizada.

E que polêmica é essa? A aprovação pela autarquia socialista em Loures e pelo PSD de uma recomendação do Chega para que as pessoas envolvidas em distúrbios possam perder o direito à habitação municipal.

Ricardo Leão quer ainda assim ser recandidato a Loures nas próximas eleições autárquicas.

Dia intenso na política nacional. Também na Madeira, o Chega apresentou uma moção de censura ao governo de Miguel Albuquerque.

O líder da estrutura regional do partido Miguel Castro exige a demissão imediata do chefe do executivo madeirense.

O Chega Madeira sempre foi claro E dissemos com Miguel Albuquerque não. Esta moção de censura não é apenas uma moção momentânea. Miguel Albuquerque e o seu atual governo são um obstáculo ao verdadeiro progresso da nossa região.

Um obstáculo, porque quatro secretários regionais são arguidos em processos na Justiça.

A persistente recusa dos visados membros do governo em darem explicações públicas sobre os fatos, viola claramente os seus deveres de titulares de cargos públicos. Esta é uma governação de fachada, onde a transparência e a responsabilidade são constantemente sacrificadas.

A justificação do Chega para esta moção de censura contra o governo de Miguel Albuquerque.

Maria Luís Albuquerque pode respirar de alívio. A Conferência de Presidentes do Parlamento Europeu aprovou por maioria a indigitação como comissária europeia.

Depois de dúvidas iniciais, o PS ficou convencido, como anunciou ao Observador o eurodeputado Francisco Assis.

Todo o discurso que fez, as respostas que deu, vão no sentido de ir claramente de encontro às nossas preocupações, de encontro àquilo que era a carta de demissão que lhe foi enviada e que ela própria já materializava compromissos assumidos pela von der Leyen com os socialistas europeus.

E Maria Luís Albuquerque também considera que esteve à altura. Vai ser a comissária com a pasta dos serviços financeiros.

À altura, pelo menos melhor do que o anterior, está o acordo para a função pública em Portugal, dizem os sindicatos afetos à UGT, que assinaram hoje o documento com o governo.

Acordo que assegura aumentos mínimos a todos os funcionários públicos até 2028, pelo menos 2,15% para o próximo ano e para 2026, 2,3% para os dois anos seguintes. A ideia é que até o final da legislatura, pelas contas do Ministério das Finanças, haja uma subida mínima de €234.

O salário mínimo do Estado sobe para €878,41 a partir de janeiro, acima dos €870 de remuneração mínima do setor privado.

Do lado do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, Helena Rodrigues quer ir mais longe, mas admite que se conquistou mais do que no acordo anterior. José Abraão, da FESAP, fala no começo de um caminho.

A Frente Comum afeta à CGTP ficou de fora deste acordo.

O INEM vai criar uma triagem de emergência para chamadas com três ou mais minutos de espera. A proposta faz parte de um conjunto de medidas de contingência para otimizar o funcionamento dos centros de orientação de doentes urgentes.

O objetivo é responder à sequência dos atrasos de atendimento das chamadas no CODU, que alegadamente causaram a morte de três pessoas.

No comunicado, o Conselho Diretivo do INEM adianta que vai avançar ainda hoje com a implementação imediata de medidas.

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar saúda a disponibilidade do governo para negociar, mas diz que o INEM não vive só de helicópteros.

O governo anunciou esta manhã a compra de mais 320 veículos de emergência, o reforço das linhas telefónicas e 98 milhões para contratar helicópteros com prazo mais dilatado. Apesar de se congratular, Rui Lázaro, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do INEM, confirma que a greve às horas extraordinárias vai manter-se até haver um acordo com o governo.

Olhamos com bons olhos a disponibilidade do governo. Estamos a aguardar que nos contacte para iniciar as conversações e estamos claro, disponíveis, assim que forem encontradas soluções para suprimir a greve. O objetivo da greve é esse. Não poderíamos ficar mais satisfeitos do que levantá-la por nos terem sido apresentadas soluções que reivindicamos.

Rui Lázaro, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, em declarações à Rádio Observador. Por agora passam 10 minutos das 17h. Há também outras notícias a marcar a atualidade.

E ainda na saúde, o Hospital Amadora-Sintra ativou o plano de contingência de cirurgia geral no fim de semana passado, na sequência da saída de 10 cirurgiões. Mas só hoje é que a situação foi revelada pela unidade hospitalar. O plano esteve ativo entre as 20h de sexta-feira e as 8h de sábado.

Durante esse período, a urgência de cirurgia geral não recebeu doentes externos. De acordo com uma fonte do hospital à Agência Lusa, desde então não foi necessário voltar a ativar o plano, mas pode voltar a ser acionado sempre que necessário.

O Infarmed ordenou hoje a retirada do mercado de cinco lotes do medicamento Fluoxetina, usado para o tratamento da depressão. Foi encontrada uma impureza nos comprimidos, um alerta feito pela Autoridade Nacional do Medicamento.

Em comunicado, o Infarmed pede às entidades que tenham estes lotes de medicamento em estoque para não os vender ou administrar. A autoridade aconselha ainda aos doentes que estejam a utilizar o medicamento a não interromper o tratamento e contactar o médico assim que possível para substituir por outro lote ou por um fármaco alternativo.

Em Espanha, três detidos pela Guarda Civil na sequência dos protestos em Paiporta, Valência, durante a visita de Pedro Sánchez e dos reis de Espanha.

Um comunicado divulgado no mesmo dia em que as autoridades prenderam também um homem de 41 anos, responsável por bater no carro do primeiro-ministro espanhol nesse mesmo local.

É natural de Paiporta, não tem antecedentes criminais.

A Agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos diz que a organização enfrenta o momento mais sombrio de sempre no Médio Oriente e pediu aos países-membros da ONU que defendam esta instituição contra a proibição de Israel.

As Nações Unidas deixaram de poder operar na região. A agência explica que, sem a intervenção dos Estados-membros, a ajuda humanitária vai entrar em colapso.

E o Hezbollah recusa uma solução diplomática para o conflito enquanto Israel não puser fim à agressão. É o que diz o novo líder do grupo xiita.

Citado pelo Times of Israel, Naïm Qassem diz que Israel tem de baixar as armas e acusa Tel Aviv de usar este conflito como um primeiro passo para conquistar o Líbano e mudar o mapa do Médio Oriente.