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Jornal das 5, na Rádio Observador, com o jornalista Luís Soares. Começamos com uma notícia dos últimos minutos, que chega da Alemanha. Há pelo menos dois mortos depois de um carro ter abalroado uma multidão. Onde é que isto foi, Luís?
Aconteceu em Leipzig nos últimos minutos, é pelo menos o que está a adiantar na imprensa local, sendo que há ainda muito poucas informações sobre o que se passou. Sabe-se que um carro avançou sobre uma multidão. Há essa indicação, essa confirmação, para já, de duas mortes, também de vários feridos. Há ainda o registo de várias pessoas cobertas com panos no local, com lençóis no local. Não é ainda possível contabilizar um número exato de vítimas. Estas são apenas as informações disponíveis até ao momento, até porque a notícia tem poucos minutos. Este atropelamento em Leipzig, na Alemanha. Há pelo menos dois mortos confirmados.
E Luís, a data para a entrega do projeto de revisão constitucional do Chega vai ser já na próxima quinta-feira.
Estava prometido entregar a proposta durante o mês de abril, que já chegou ao fim, mas agora o Chega confirma ao Observador que essa entrega vai acontecer no próximo dia 7 de maio, a próxima quinta-feira. Entre as propostas que têm sido enumeradas por André Ventura para uma revisão da Constituição estão: limpar a carga ideológica da lei fundamental, rever o modelo económico do país, aumentar penas de prisão e também reduzir o número de deputados da Assembleia da República. O Chega vai assim avançar com este processo, mesmo contra a vontade do PSD, que tem rejeitado discutir o tema neste momento. Os sociais-democratas insistem que só querem abrir o dossiê a partir da segunda metade da legislatura, ou seja, a partir do próximo ano. No entanto, o Chega avança já e entrega esse processo de revisão constitucional na próxima quinta-feira.
E ao longo do dia, os partidos têm estado a reagir à promulgação da Lei da Nacionalidade por parte do Presidente da República e que aconteceu este fim de semana. É uma promulgação da lei com avisos.
António José Seguro disse que seria desejável que essas alterações à Lei da Nacionalidade merecessem um consenso maior entre os vários partidos. Ora, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, reencaminha uma pergunta.
Quem tem de responder esse assunto é o primeiro-ministro, porque foi o primeiro-ministro que levou o reparo do senhor Presidente da República e, portanto, não sou eu que tenho de responder. O primeiro-ministro tem de responder ao reparo que foi feito por parte do senhor Presidente da República.
É o primeiro-ministro que tem que responder ao reparo do Presidente da República, é o que diz José Luís Carneiro. A mesma pergunta foi feita à presidente da Iniciativa Liberal e Mariana Leitão questiona a observação feita por António José Seguro.
Fala que gostaria de um consenso mais alargado, quando a lei foi aprovada por dois terços do Parlamento. Eu não sei que consenso alargado é esse. Só há consensos quando incluem o Partido Socialista. É a isso que o senhor Presidente da República se está a referir?
As dúvidas de Mariana Leitão. Já o PCP acusa o presidente de incoerência. A líder parlamentar Paula Santos diz que os recados deixados na mensagem que acompanhou a promulgação da lei justificavam, isso sim, o veto do diploma.
Estamos perante, de facto, uma lei que é um retrocesso, que é reflexo, inclusivamente, das opções retrógradas e reacionárias de PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega. A mensagem do Presidente da República relativamente à sua promulgação deixa um conjunto de recados que justificariam que tivesse sido vetada.
Uma ideia defendida por Paula Santos e de certa forma partilhada também pelo coordenador do Bloco de Esquerda, que também deixa críticas à atuação do Presidente da República. José Manuel Pureza diz que da mesma forma que na lei laboral, António José Seguro está a arranjar desculpas para subscrever uma política de extrema-direita.
Com matérias diferentes, António José Seguro fez o mesmo, que é arranjar uma desculpa para, no final do caminho, legitimar, aceitar, aprovar a política da direita. A política da extrema-direita, neste caso concreto.
José Manuel Pureza considera que esta Lei da Nacionalidade, promulgada ontem, é uma lei cruel por, por exemplo, alargar os prazos de naturalização ou por eliminar o regime transitório.
E numa outra notícia que vai prendendo a nossa atenção, está bem de saúde o português que se encontra a bordo de um cruzeiro onde morreram três pessoas infectadas com o hantavírus, um vírus com elevada taxa de mortalidade. Onde é que está este navio agora, Luís?
Este navio está ancorado ao largo da costa de Cabo Verde, de resto, o destino final deste cruzeiro, que começou na Argentina. Ora, este cidadão português é tripulante da embarcação, que tem bandeira dos Países Baixos, uma informação confirmada já pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. As três pessoas que morreram neste cruzeiro foram infectadas com o hantavírus. O investigador do Instituto de Medicina Tropical, Tiago Correia, explica como se transmite.
O hantavírus é transmitido, sobretudo, por roedores. A infecção entre humanos é muito rara e está associada a uma espécie específica deste vírus que está associada à América do Sul. E as outras variantes deste vírus, nomeadamente a europeia, não está associada à transmissão entre humanos. Há um caso confirmado laboratorialmente, isso significa que o vírus está presente no navio. Não se sabe exatamente as fontes, ou seja, se estas pessoas já vinham com o vírus antes do embarque, se contraíram durante a viagem, por exemplo, com alguma estadia em algum porto, ou se efetivamente foi por haver roedores com o vírus e que depois transmitiram o vírus às pessoas.
Explicações do especialista Tiago Correia. A taxa de mortalidade associada a este vírus é elevada, 40%, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, mas em todo o mundo são detetados alguns milhares de casos de infecção em humanos, sendo que dois terços das novas infecções são registadas na China. Em Portugal, ainda não foi detetado nenhum caso em humanos, nem sequer foi identificado qualquer roedor infetado com este vírus
O Ministro da Administração Interna quer rever o modelo de combate à criminalidade nos grandes centros urbanos. Luís Neves garante que há hoje menos criminalidade em Lisboa do que havia no passado.
A participar num evento da Polícia Municipal de Lisboa, o Ministro da Administração Interna considera que o combate à criminalidade nestas zonas não deve estar limitado às organizações municipais, nomeadamente às fronteiras dos concelhos. Luís Neves volta a contradizer a percepção de insegurança em Lisboa e deixa até uma comparação.
Só para que tenha uma ideia, em 2008, entre assaltos a bancos, carrinhas de transporte de valores e postos CTT, ocorreram quase 900 ataques por ano. Hoje, porventura, não teremos 10% desses crimes. Esse tempo acabou.
"Esse tempo acabou", garantia do Ministro da Administração Interna, que propõe um modelo global de combate à criminalidade que ultrapasse as fronteiras dos concelhos.
E já vamos voltar a este tema depois das 17h30, no explicador desta tarde política. Vamos ter conosco o representante da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo e também o sindicato da PSP, da ASP, precisamente para discutir esta questão da criminalidade e das percepções da criminalidade. O Ministro das Finanças garante que Portugal vai fechar o ano com uma dívida entre os 85% e os 86% do PIB.
A garantia foi deixada hoje em Bruxelas, à entrada para a reunião do Eurogrupo. Joaquim Miranda Sarmento diz que o aumento que se deu no primeiro trimestre do ano para 91% da dívida pública em relação ao PIB é apenas conjuntural.
Acontece todos os anos. Quem estuda dívida pública sabe que há momentos de reembolso das obrigações do Tesouro e agora também dos empréstimos do tempo da Troika, do Mecanismo Europeu de Estabilidade, e o IGCP tem que, nos meses anteriores, emitir dívida para chegar ao momento em que tem que pagar esse reembolso e poder liquidá-lo. No final do ano, a dívida pública estará alguns pontos percentuais abaixo dos 89,7%, como fechamos, estimamos em torno dos 86%, 85%.
A garantia deixada pelo Ministro das Finanças, segundo o Banco de Portugal, em março, a dívida pública totalizava cerca de 283 mil milhões de euros, mais cerca de 470 milhões do que no mês de fevereiro. Um aumento conjuntural que vai ser revertido no final do ano, garante o Ministro das Finanças.
E há outras notícias a marcar a tarde desta segunda-feira, 4 de maio.
A TAP reconheceu nas contas do ano passado a existência do processo instaurado com a antiga presidente executiva, isto na sequência do despedimento por justa causa, materializado em 2023, mesmo considerando que não é provável ter de pagar, a TAP reconheceu nas contas a ação de Christine Ourmières-Widener, que reclama uma indenização de 5,9 milhões de euros como contingência civil. Nem nas contas de 2023, nem das de 2024 é feita qualquer referência ao processo, nem às eventuais implicações jurídicas e financeiras, é feito agora nas contas de 2025. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde está a averiguar as alegadas mortes de doentes enquanto aguardavam uma cirurgia cardíaca na Unidade Local de Saúde de Santo António, no Porto. É o que refere a um processo consultado pela Agência Lusa, que foi instaurado na sequência de notícias relativas a alegados óbitos de doentes quando aguardavam intervenção clínica nesta Unidade Local de Saúde. A 19 de fevereiro, em entrevista à RTP, o diretor de cardiologia desta unidade disse que 10 doentes morreram nos últimos três anos devido a uma lista de espera demasiado elevada só neste hospital do Porto. Continua a troca de argumentos entre Irão e Estados Unidos. A Guarda Revolucionária Iraniana rejeita as informações avançadas pelos norte-americanos quanto à passagem de dois navios no Estreito de Ormuz. O Irão fala em mentiras completas e infundadas. Isto numa altura em que continuam também as contradições sobre o alegado ataque iraniano a um navio de guerra norte-americano. Um alto responsável iraniano disse à Reuters que as forças iranianas dispararam um tiro de aviso contra um navio de guerra norte-americano. No entanto, o mesmo responsável diz que não há certeza se o navio foi ou não atingido. Inicialmente, a imprensa iraniana tinha avançado que este navio de guerra tinha sido atingido por dois mísseis, uma informação desmentida pelos Estados Unidos. O historiador Bruno Cardoso Reis admite que as hostilidades entre Estados Unidos e Irão podem voltar a escalar se não houver avanços nas negociações. Fala numa situação precária, onde qualquer momento ou ação pode resultar numa escalada do conflito. Explica também que a ausência de avanços para reabrir a 100% o Estreito de Ormuz abre a porta a mais ataques, quer de forças norte-americanas, quer das forças iranianas.
Parece difícil que a situação se mantenha assim indefinidamente, digamos, com trocas propostas que não parecem permitir nenhum avanço negocial, ao ponto, de facto, de não haver novamente encontros entre os negociadores, numa parte e do outro. E por outro lado, de facto, a manutenção desta espécie de duplo bloqueio. Portanto, parece que terá de haver aí alguma evolução ou há sinais de que há avanço ao nível negocial ou provavelmente voltaremos a ter algum tipo de ação militar, de escalada em termos militares.
Análise de Bruno Cardoso Reis no gabinete de guerra desta tarde. E no fim do mês está de regresso ao Porto o Serralves em Festa, Ricardo, que este ano assinala a edição número 20.
E Serralves em Festa é festa vista durante horas e horas e horas.
Horas e horas seguidinhas. São 50 horas seguidinhas entre os dias 29 e 31 de maio, com teatro de rua, circo contemporâneo, sessões de cinema também de Manuel de Oliveira. O Serralves em Festa deste ano foi apresentado hoje, vai ter um aquecimento no dia 28, no dia anterior ao início, uma parada, um desfile que sai da Faculdade de Belas Artes, vai até à Praça Dom João I, um desfile para celebrar Maria José Siríaco, uma artista carioca visionária, irreverente, poeta, escritora e também pedagoga. Vai ainda haver música com os Mamorta, Conan Osíris, assim como alguns artistas internacionais.
É de tomar nota. Serralves em Festa abre a porta às 18h de dia 29 de maio e as portas só encerram às 22h do dia 31. O Luís Soares vai regressar às 17h30 para atualizar as notícias e daqui a instantes vamos ter Passos Perdidos com o jornalista Miguel Viterbo Dias.