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Jornal das 5, com Luís Soares. Começamos pelos avisos da Proteção Civil. Estamos e vamos viver dias ainda mais quentes, isto de dia e de noite. As autoridades apelam aos portugueses para que tomem as necessárias medidas preventivas.
E que, por um lado, evitem um risco agravado de incêndio, mas também que tomem medidas para mitigar os efeitos do calor na saúde das pessoas. No que diz respeito aos incêndios, há já a esta hora algumas situações que preocupam as autoridades, nomeadamente o incêndio em Vouzela. O ponto da situação e também os apelos foram deixados na última hora. Martim Madeira, agora em direto aí na sede da Proteção Civil.
Aqui em Carnaxide, na conferência de imprensa da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, deu um ponto de situação nos incêndios e das ocorrências nas últimas horas. 1995 operacionais, 537 meios terrestres, 61 meios aéreos para todos os 62 focos. Apesar de não ter a fotografia completa, há um que preocupa mais do que os outros.
Não tenho a fotografia completa. Posso dizer que, neste momento, o incêndio que mais preocupações nos levanta é o incêndio de Vouzela, que falámos há pouco. As outras ocorrências, são ocorrências que estão em curso. Em princípio, daquelas que eu tinha conhecimento quando viemos para esta conferência, nenhuma delas nos dará grandes problemas. Agora, qualquer ocorrência vai gerar empenhamento de meios.
O incêndio em Vouzela está a ser o mais difícil de combater, devido aos difíceis acessos, com mais de 300 operacionais, 90 meios terrestres e quatro meios aéreos. Já os outros, Mário Silvestre disse que não dariam grandes problemas, mas o que é facto é que, com o maior empenhamento de meios, o de Canha e de Ourém, esses à hora que entrevistámos o comandante estavam ativos e agora, de facto, já foram extintos. Ainda assim, Mário Silvestre deixou o alerta de que o período da noite, que normalmente ajuda o combate, vai ter temperaturas altas, o que dificulta o combate às chamas. Várias autoridades estiveram também presentes nesta conferência. A Direção-Geral da Saúde, a Guarda Nacional Republicana, as Forças Armadas, a Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais e o IPMA, que pela voz de Jorge Ponte, alerta que estas temperaturas se vão manter por largos dias. Vamos ouvir então essas declarações.
Este será um episódio bastante prolongado no tempo. Estamos a prever que esta onda de calor dure até 10 dias nas regiões do interior, sendo que nas regiões do litoral poderá terminar um pouco mais cedo. Na região do litoral norte, em princípio, a partir de dia 6 ou dia 7, segunda ou terça-feira, já deverá haver um alívio. Também na região de Lisboa já poderá haver uma diminuição da temperatura a partir de terça-feira, mas no fundo, é praticamente uma semana com temperaturas permanentemente elevadas.
O aviso do IPMA para os próximos dias, em que são esperadas elevadas temperaturas que podem dificultar o combate aos focos e também prejudicar a saúde da população. E para esse efeito, aqui na conferência também, a Direção-Geral da Saúde deu recomendações como, por exemplo, aumentar o consumo d'água, ir para locais climatizados e, acima de tudo, proteger os mais vulneráveis nos dias que se seguem.
Martim Madeira, em direto da sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide. Nesta altura, é o incêndio de Vouzela que mais preocupa as autoridades. São mais de 300 operacionais no combate a este incêndio. Também ficou essa indicação de que, com a mudança dos ventos prevista para mais logo, poderá ser possível aos bombeiros conseguir dominar este incêndio, que nesta altura é aquele que mais preocupa as autoridades.
O governo declarou, entretanto, situação de alerta até segunda-feira. O primeiro-ministro justifica a decisão com as altas temperaturas que já se fazem sentir.
Justificação deixada na rede social X. Luís Montenegro vai estar esta noite no Canadá a acompanhar o jogo da seleção portuguesa de futebol. Garante que vai acompanhar ao detalhe a evolução do estado do tempo. Pede respeito pelas indicações das autoridades e diz que cabe a todos os cidadãos a responsabilidade da prevenção nestes dias mais difíceis. Alertas deixados pelo primeiro-ministro depois, ao fim da manhã, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, ter anunciado a decisão de decretar situação de alerta e também a proibição de várias atividades agrícolas. Luís Neves, numa conferência de imprensa em Leiria, numa das regiões em maior risco de incêndio depois da passagem da depressão Cris e na situação de alerta decretada hoje pelo governo, vai vigorar da meia-noite de mais logo até ao fim do dia de segunda-feira, implica a proibição de acesso, circulação e permanência no interior de certos espaços e caminhos florestais, bem como a realização de queimadas e queimas e de trabalho em espaços florestais com maquinaria.
No meio de tudo isto, o PSD e PS continuam a trocar acusações sobre a questão das casas, alegadamente prontas e alegadamente por entregar. Ontem, José Luís Carneiro foi a Grândola mostrar algumas dessas casas. Hoje, Sebastião Bugalho reagiu.
Diz que o líder do PS enganou ou foi enganado. Ontem, José Luís Carneiro tinha acusado o governo de ter casas prontas a habitar, nomeadamente em Grândola, mas que não as entregava por estar à espera de um novo ciclo eleitoral. Na resposta, Sebastião Bugalho, o porta-voz do PSD, explicou que os alojamentos que o secretário-geral do PS visitou em Grândola nada têm a ver com construção para resposta habitacional. Diz que se trata de um conjunto de habitações para proteção temporária. Sebastião Bugalho deixa, em nome do PSD, uma questão principal ao líder do PS: se mantém a acusação de calendarização eleitoral ao Executivo ou se retira uma acusação que Sebastião Bugalho considera infundada.
O governo admite que há habitações prontas a entregar vazias, mas rejeita responsabilidades.
A secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão admite que há casas vazias, mas por falta de instituições particulares de solidariedade social com condições para as gerir. Clara Marques Mendes critica as visitas do líder socialista a estes equipamentos.
Estas casas que ontem
Foram mostradas nas televisões com a visita do senhor secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro. São casas com um fim muito específico, designadamente para vítimas de violência doméstica. E permita-me também acrescentar que, além de ainda não terem identificação desta IPSS e, portanto, não estarem prontas a funcionar, é manifestamente imprudente que, sendo estas casas destinadas a este fim específico de vítimas de violência doméstica, tenha sido mostrada a sua localização por parte do senhor secretário-geral do Partido Socialista.
As críticas de Clara Marques Mendes, secretária de Estado da Ação Social de Inclusão, críticas deixadas ao líder do PS, José Luís Carneiro, aqui em declarações à Agência Lusa.
O Banco de Portugal decidiu mudar as regras para os créditos de habitação e consumo. A taxa de esforço vai baixar, mas os mais jovens vão ter agora mais tempo para pagar o empréstimo.
São novas regras para os créditos bancários à habitação e ao consumo, que forem feitos a partir do dia 1 de agosto. O Banco de Portugal altera as recomendações. Os bancos terão de respeitar, ainda que não tenha a força de lei. A principal mudança refere-se à taxa de esforço, passa a ser de 45% em vez dos atuais 50%. Ao mesmo tempo, os jovens até aos 35 anos vão ter mais tempo para pagar todo o empréstimo. São recomendações do Banco de Portugal conhecidas esta tarde.
E há outras notícias a marcar a tarde desta quinta-feira.
A Entidade Nacional para o Setor Energético diz que os custos fixos da refinação e a escassez de armazenagem na Europa são os fatores que explicam uma redução mais lenta dos preços dos combustíveis face à descida da matéria-prima. Na sequência das declarações da ministra do Ambiente, que disse ter pedido à ENSE para analisar a evolução dos preços dos combustíveis, a entidade não concretizou à Lusa se já existe uma análise específica em curso. Na resposta, limitou-se a referir que acompanha, de forma semanal, os preços de venda ao público e os preços de referência dos combustíveis para apoio, nomeadamente do regulador com competências em preços, que é a entidade reguladora dos serviços energéticos. Subiu para 79 o número de mortos portugueses e lusodescendentes vítimas dos sismos na Venezuela. São mais quatro do que no último balanço feito pelo Ministério Português dos Negócios Estrangeiros. Quanto ao número de desaparecidos, desceu de 66 para 64. Entretanto, a equipa portuguesa que está na Venezuela para ajudar nas operações de busca e salvamento às vítimas dos sismos, salvou esta tarde um homem que esteve oito dias soterrado debaixo dos escombros de um edifício. Operação que durou três dias, envolveu um conjunto de socorristas, militares e paramédicos. Hernán Gil, de 40 anos, estava preso nos escombros do edifício em Catiamar, na cidade venezuelana mais afetada pelos sismos da semana passada. Foi salvo pela Força Operacional Conjunta Portuguesa. Estamos em contagem decrescente para o jogo da Seleção Portuguesa de Futebol, mais logo, frente à Croácia, dos seis avos de final do Mundial de Futebol. Roberto Martinez diz que agora vai começar um novo mundial.
Terminamos o primeiro mundial, amanhã começamos o segundo mundial e é só quando termina o mundial que podemos avaliar. Eu posso avaliar agora a atitude, o compromisso, o trabalho dos jogadores, que é exemplar. E isso é o aspecto mais importante. Depois, no relvado, há um adversário, há os aspetos do jogo.
Roberto Martinez na antevisão do jogo de mais logo, à meia-noite, entre Portugal e a Croácia, diz ainda esperar um jogo competitivo frente à seleção croata. Fala então nesse novo mundial para a equipa das Quinas. Às 18h, vamos estar já em direto de Toronto com o enviado especial do Observador, Miguel Cordeiro. E Ricardo, olhar para o céu e ver as estrelas pode tornar-se cada vez mais complicado.
Por causa da luz?
Por aí, estás lá perto, porque há um problema que não são as nuvens, não é o fogo, não é o fumo, são mesmo os satélites. Um novo estudo do Observatório do Sul alerta que os milhões de satélites que estão previstos para os próximos anos podem dificultar a observação do céu noturno e comprometer mesmo o trabalho dos astrónomos. Para termos uma ideia, só a empresa SpaceX pretende lançar cerca de um milhão de novos satélites.
Um milhão?
Um milhão. E há outras empresas com projetos semelhantes. O problema é que muitos vão ser visíveis a olho nu e até podem tornar o céu muito mais luminoso.
Sabes que ainda recentemente tive essa experiência. Gosto muito, confesso, de olhar para o céu estrelado naquelas noites escuras, em locais mais escuros. E é impressionante a quantidade de satélites que vês a passar. Já não são estrelas cadentes, são satélites.
Exatamente. E vai ser mais difícil distinguir o que é uma estrela do que é um satélite. Esse é um dos receios dos investigadores que alertam para o impacto na astronomia e não só, até a própria qualidade do ar poderá ficar comprometida devido aos inúmeros lançamentos que são necessários para enviar e manter os satélites em órbita e a poluição também provocada pela queima quando depois reentram na atmosfera terrestre no fim de vida.
É o chamado acumular de lixo espacial quando eles deixam de funcionar. O Luís Soares vai regressar às 17h30.