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Jornal das 5, com Vasco Maldonado Correia. Afinal, o PSD não prevê ouvir antigos ministros do PS sobre os dados da imigração.
Nem antigos ministros socialistas, nem por isso José Luís Carneiro. Na semana passada, o porta-voz do partido, Sebastião Bugalho, tinha dito que era natural que o secretário-geral do PS fosse chamado a responder na qualidade de antigo ministro da Administração Interna, no âmbito dessas audições que o partido vai realizar no Parlamento sobre o aumento da população imigrante revelada pelo Instituto Nacional de Estatística, mas afinal, o requerimento para as audições, que deve ser revelado nos próximos dias, não vai pedir a chamada de nenhum antigo governante do PS. Temos conosco em estúdio o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes. Rui, boa tarde. Afinal, o que se passou e o que explica esta aparente contradição?
Olha, Vasco, começando por aí, o primeiro ponto desta notícia é que os ex-ministros do PS iam ser chamados pelo PSD e a notícia é que eles já não vão ser, porque de facto era isso que tinha sido extraído dessa intervenção do porta-voz do PSD, mas de facto o assunto passou para o grupo parlamentar, que pelos vistos não tem, nem nunca teve intenção, neste primeiro momento, de chamar ex-ministros do Partido Socialista, em particular o secretário-geral do PS. A ideia era que a lista das pessoas chamadas fossem mais de estruturas e de instituições que são tuteladas por esses ministérios, mas não chamar os próprios ex-ministros, embora admita que se for mesmo necessário, possa vir a fazer.
Mais para a frente, é isso?
Mais para a frente, mas não é provável, ou seja, é só numa garantia de que podem sempre chamar, porque o intuito das audições nunca foi ir tão longe neste nível. Sebastião Bugalho tinha dito, como tu disseste, que era natural chamar José Luís Carneiro. Sobre António Costa, disse que era uma porta que não estava aberta, nem estava fechada e houve durante muito tempo, nove dias, esta ideia de que de facto os ex-ministros do PS iam ser chamados. O que agora se comprova é que não. Em breve, em poucos dias, deve ser conhecido o requerimento com os nomes das pessoas e não estarão lá os antigos governantes do Partido Socialista, porque efetivamente não era esse o ponto inicial. Onde é que falhou a transmissão da mensagem ou quem é que falhou nessa mensagem e nessa coordenação é uma coisa que ainda está por descobrir, mas o que é facto é que, como tu dizes, acho que nem é só aparente contradição. Há, de facto, uma contradição com aquilo que foi anunciado pelo partido na semana passada e com aquilo que é agora conhecido através do Observador, a posição do grupo parlamentar do PSD.
Obrigado, Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, a dar voz a esta notícia que faz nesta altura manchete também no site do Observador, sendo que esta tarde o PSD forçou o adiamento da votação de um requerimento do PS para o Parlamento ouvir o Instituto Nacional de Estatística sobre as implicações económicas e orçamentais da revisão das estimativas da população em Portugal.
Noutro plano da atualidade e a merecer grande atenção, o secretário-geral da NATO abre a porta a uma eventual intervenção da Aliança Atlântica no Médio Oriente, caso as negociações entre os Estados Unidos e o Irão falhem.
Foi no encerramento da Cimeira da NATO, em Ancara, na Turquia, Mark Rutte afirma que existe consenso dentro da aliança em relação à ideia de que o Irão não pode ter armas nucleares. Sublinha que apesar de Teerão se encontrar fora do território da NATO, isso não significa que a aliança não tenha de intervir.
É absolutamente claro que a política da NATO, partilhada por todos os 32 Estados-membros, é que o Irão nunca venha a adquirir capacidade nuclear. É evidente que o Irão se encontra fora do território da aliança. No entanto, isso não significa que a NATO nunca possa intervir. Se tal se revelar útil, a NATO está sempre disponível para desempenhar um papel, mas para já importa primeiro acompanhar a evolução da situação nos próximos dias e semanas.
À entrada para este encontro da NATO, Donald Trump mostrou-se descontente com os aliados europeus com queixas de falta de apoio durante a guerra com o Irão. Mark Rutte garante que a Europa cumpriu com os deveres.
Quando se analisa a situação entre o final de fevereiro e meados de abril até o início do cessar-fogo, com um total de até 5000 missões a partir das bases europeias, penso que isto é a prova de que os aliados europeus cumpriram com o prometido.
Secretário-geral da NATO no final da cimeira em Ancara, Mark Rutte garante que a Aliança Atlântica vive um dos momentos de maior união de sempre e sai mais forte desta cimeira. A próxima reunião vai ter lugar na Albânia.
E perante estes desenvolvimentos no conflito do Médio Oriente, o preço do barril de Brent, que serve de referência para Portugal, por exemplo, aqui o preço do barril continua a subir nos mercados internacionais, Vasco.
Está a esta hora a ser negociado a mais de US$80, numa subida significativa face à última sessão, um valor que reflete o fim do acordo do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão anunciado por Donald Trump esta manhã. Decisão relacionada com o ataque a três navios mercantes no estreito de Ormuz, que são atribuídos ao regime iraniano. Em resposta, os Estados Unidos atacaram na última noite vários alvos em território do Irão. O mesmo deve acontecer esta noite, é o que explica Donald Trump.
Atingimo-los com muita força. Provavelmente vamos fazer o mesmo hoje à noite. Eu já os avisei de que isso vai acontecer. Nós atacámos a ilha de Kharg ontem e eu disse para não atingirem o petróleo, porque podemos mesmo tomar a ilha e eles não podem fazer nada quanto a isso. Os meus soldados cumpriram e não atingiram nenhum dos canos. Nós podemos colocar um bloqueio outra vez e desta vez será apenas para o Irão. Os outros países poderão passar à vontade.
And it'll only be a blockade for Iran. Anybody else can have whatever they want.
Ameaça do presidente dos Estados Unidos, sendo que nesta última hora o Irão ameaçou voltar a fechar o Estreito de Ormuz, cenário avançado pela televisão estatal iraniana, em caso de nova ofensiva norte-americana.
E esta tarde Donald Trump esteve reunido com Volodymyr Zelensky.
Reunião que aconteceu à margem da Cimeira da NATO. No final do encontro, numa conferência de imprensa conjunta, Trump anunciou que a Casa Branca deve autorizar a produção de mísseis Patriot em território ucraniano.
Uma das coisas que acho que vamos falar hoje, foi-me contada por um passarinho, sobre o fato de lhes darmos o direito de criar mísseis Patriots. Vamos mostrar-lhes como é que isso se faz. Na verdade, é muito complexo, mas eles vão perceber rapidamente essa complexidade. Portanto, uma das coisas de que vamos falar é que vocês vão ter uma licença para fabricar Patriots. Isso é muito fixe, certo? Desta forma, não podem queixar-se de que não os estamos a dar o suficiente. Fabriquem-nos vocês mesmos.
Não estabelece aqui nenhum calendário. O presidente dos Estados Unidos, os mísseis usados nos sistemas de defesa antiaérea têm sido pedidos com alguma insistência por Volodymyr Zelensky.
E o primeiro-ministro português acredita que Portugal vai cumprir pela primeira vez os compromissos de investimento em defesa, compromissos que foram assumidos com os parceiros da NATO.
Garante até que o bom comportamento do governo português mereceu elogio do secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte. Luís Montenegro antecipa fechar o ano com um investimento de 3,1% do PIB para matérias de defesa.
Temos desenhado já para este ano de 2026 o reforço precisamente desse investimento, quer na componente exclusivamente dedicada à defesa, quer na componente de utilização dual, que vai fazer com que, de acordo com aquilo que é a nossa estimativa e expectativa, no final deste ano, o agregado destas duas componentes signifique cerca de 3,1% do nosso Produto Interno Bruto já em 2026.
Primeiro-ministro, no final da Cimeira da NATO em Ankara, Montenegro insiste também que a via diplomática e negocial é a única forma de restabelecer a normalidade no Médio Oriente.
E agora por cá, em Portugal, a nova urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal está a registar constrangimentos. Estamos recordados que foi concentrada no Hospital Garcia de Orta, em Almada, mas Vasco, há utentes que estão a ser desviados para outras unidades de saúde?
Um cenário que se verificou entre domingo à tarde e segunda-feira de manhã. O polo principal, que se situa no Hospital de Almada, no Garcia de Orta, recebeu apenas grávidas encaminhadas pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes do INEM, o que se voltou a repetir na madrugada de terça-feira. A Urgência Regional de Ginecologia e Obstetrícia da Península de Setúbal devia estar a funcionar em pleno, depois da concentração de recursos decretada em abril pelo governo. Estes problemas estão relacionados com a falta de médicos para completar as escalas durante o período de férias, uma informação que foi confirmada pelo hospital ao jornalista do Observador, Tiago Carmo.
Há dificuldades na elaboração das escalas, falta de médicos e, portanto, nestas situações a urgência não pode funcionar em pleno. Nestas situações só há um médico especialista escalado, que depois teve o apoio de médicos internos e, portanto, a urgência tem que estar referenciada apenas para os casos mais graves. Mas era uma situação que o governo queria evitar e por isso é que fez esta reforma, esta concentração de urgências, mas parece que não está a conseguir.
O atendimento na Urgência Regional de Ginecologia e Obstetrícia da Península de Setúbal foi, entretanto, normalizado ontem de manhã, mas os constrangimentos podem repetir-se em breve.
E a ministra da Saúde, por seu lado, admite, obviamente, constrangimentos nas urgências durante o verão.
Assume que para assegurar a resposta desejada, seria preciso ter o dobro dos profissionais no Serviço Nacional de Saúde. Ana Paula Martins refere que esta altura do ano é particularmente exigente para o SNS, porque além da falta de recursos humanos, entra também, como aqui ouvimos há pouco, o período de férias dos profissionais. Admite, por isso, Ana Paula Martins, que não pode garantir que o verão vai decorrer de forma tranquila.
No futebol, Ruben Amorim já foi apresentado como novo treinador do AC Milan.
Fora de cena desde janeiro, quando saiu do Manchester United, o treinador português de 41 anos volta a assumir o comando técnico de uma equipa, desta vez o AC Milan, que já não vence o Campeonato Italiano desde 2022. Não é, de resto, o único português que vai vestir as cores do gigante italiano. Gonçalo Ramos também já foi oficializado. É o reforço mais caro da história do Clube de Milão e merece rasgados elogios do novo treinador.
Nós acreditamos muito no Gonçalo Ramos. Acho que ele provou no último jogo de Portugal contra a Croácia, contra um bloco muito baixo, marcou com três defesas em cima dele. E se vires os jogos em Itália, às vezes também é assim, as equipas defendem muito bem e ele consegue marcar contra blocos baixos, mas também em transição. Se o virem jogar cinco minutos, é a mesma coisa que jogar o jogo todo. Para mim, isso é muito importante. Quando vejo o Gonçalo Ramos a jogar, tudo o que interessa é a equipa.
Elogios de Ruben Amorim a Gonçalo Ramos na apresentação como novo treinador do AC Milan nesta tarde.
E há outras notícias a marcar a tarde desta quarta-feira, 8 de julho.
O presidente da República espera uma resolução rápida dos problemas em torno da avaliação dos exames nacionais. António José Seguro grande, que está a acompanhar a situação, que vai falar sobre o tema ainda esta semana com o primeiro-ministro, espera também que a confiança no sistema de avaliação não saia beliscada deste processo. Voltou a subir o número de vítimas portuguesas dos terramotos na Venezuela. São agora 102 os portugueses e lusodescendentes que morreram na sequência desses sismos. Mais duas vítimas mortais face ao último balanço, dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros. A nível global, a última atualização aponta para quase 3600 mortos, perto de 17 mil feridos na sequência dos terramotos na Venezuela. Ricardo, ontem falámos aqui, creio que te recordarás, sobre Nigel Farage, que colocou o lugar à disposição no Parlamento inglês. Vai recandidatar-se. Agora fica a saber que tem um adversário de peso na corrida.
Mas conservador, trabalhista?
Difícil dizer, porque talvez te recordes também que Farage anunciou que a nova eleição vai ser um combate entre o povo e as elites.
Exatamente.
E tinha razão, porque pela frente vai ter um conde, ou seja, alguém das elites. Chama-se Count Beanface. Vou traduzir aqui para português, fica algo como-
Count Beanface?
Ou seja, Conde Cara de Lixo. Falamos de um homem que se veste com armadura, capa e em vez de um capacete, como indica o nome, usa um caixote do lixo na cabeça, autoproclama-se como, e estou a citar, "um guerreiro independente do espaço".
Portanto, é uma caricatura, é isso?
Sim, algo como já vimos aqui nas presidenciais com Manuel João Vieira, se calhar não tão à letra, mas é uma personagem criada por um comediante chamado Jonathan Harvey-Davids, mas vai mesmo candidatar-se. Falamos aqui de um membro perdido da nobreza britânica, mas que já concorreu em três outras eleições para o Parlamento, ainda não conseguiu vencer.
Provavelmente não vai conseguir derrotar Farage. Haverá debate na televisão?
Creio que para já ainda não está marcado, mas é de acompanhar.
Count Beanface, o Conde Cara de Lixo, a fechar o Jornal da Cinco.