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Passamos para o jornal das 18h, com a jornalista Vanessa Cruz. André Ventura anuncia que vai votar contra o pacote laboral no Parlamento, isto se não houver cedências do governo.
Por exemplo, em matérias como o despedimento e as alterações na área da parentalidade, o presidente do Chega diz que o partido se opõe a várias medidas deste anteprojeto da revisão laboral e, por isso, se assim continuar, o voto será mesmo contra.
Uma lei que quer poder despedir toda a gente de qualquer maneira, sem qualquer critério. Nós estamos contra isso. Nós temos que ir atrás de quem vive de subsídios, não é de quem trabalha. Esta lei não é boa. Esta lei premeia quem não faz nada. Não está bom e não a vamos aprovar. Esta lei premeia quem vive de subsídios, quem vive da Segurança Social. Esta lei não premeia quem trabalha. E eu quero uma lei que premeie quem trabalha, quem se esforça.
Depois destas declarações, André Ventura disse mesmo com todas as letras que, se o diploma chegar ao Parlamento como está agora, o Chega está contra, porque, acrescenta, está errado este pacote laboral. É uma posição diferente de quando a greve geral foi anunciada. Na altura, André Ventura também disse que a paralisação era um erro e associou-a à extrema-esquerda. Agora mostra-se do lado dos trabalhadores.
E ainda antes destas declarações de André Ventura, um outro candidato presidencial, António Filipe, disse que quer ver se o Chega vai ser consequente.
O candidato apoiado pelo PCP na corrida a Belém foi entrevistado esta manhã no "Sob Escuta" da Rádio Observador, considera que André Ventura tem sido incoerente nas posições que foi assumindo sobre o pacote laboral e a greve geral. Quer ver para crer o que o Chega vai fazer quando o diploma chegar ao Parlamento.
Eu não sou deputado, não vou votar este pacote laboral, mas se fosse deputado, obviamente, não tinha a mínima dúvida, ia votar contra. Ele vai ter que votar e nós vamos ver qual é que vai ser o seu posicionamento de voto, porque ele é deputado e vai ter que votar o pacote laboral. E aí ver-se-á. Será a prova do algodão, saber se afinal está a favor ou se está contra aquilo que ontem parecia estar contra, uns dias antes parecia estar a favor, quanto ao segundo dia de votação. Enfim, logo veremos.
Se o Chega votar mesmo contra, acrescenta António Filipe, o mérito então é da greve geral.
E outros dois candidatos na corrida a Belém, Luís Marques Mendes e António José Seguro, têm posições diferentes sobre o que deve, afinal, o governo fazer agora perante a greve geral.
Para António José Seguro, devia mesmo retirar a proposta atual de reforma do Código do Trabalho e começar a negociar do zero.
Um país para progredir tem que ter estabilidade política, mas também precisa de paz social. Ora, o governo é que tem que ter responsabilidades para criar as condições para essa paz social. Por isso eu volto a fazer um apelo ao governo, para que o governo retire esta proposta e inicie novas conversações na concertação social entre empresários e representantes dos trabalhadores.
Desafio lançado pelo candidato presidencial apoiado pelo PS, Marques Mendes, que tem o apoio dos partidos que compõem o governo, PSD e CDS, pede cedências dos dois lados.
Todos têm que ter alguma coisa a ganhar neste processo laboral. Se não tiverem nada a ganhar, então não vai haver acordo. Portanto, todos têm que ceder para que todos possam ter alguma coisa a ganhar.
E acha provável que o governo ceda?
Acho que é inevitável. Apresenta-se uma proposta de um modo geral, mais maximalista, para depois ir fazendo concessões.
O ponto de vista de alguns candidatos presidenciais sobre as próximas fases das negociações do pacote laboral do governo.
E ouvimos aqui na última hora, na Tarde Política, no Explicador, a antiga ministra do Trabalho do PS, Ana Mendes Godinho, receia que a greve geral de ontem tenha sido uma greve só na função pública, e diz que o governo está a cometer um erro ao desvalorizar o impacto desta greve.
Responde assim a vários governantes que classificaram a greve de inexpressiva e minoritária. Enquanto a CGTP anunciava a participação de três milhões de trabalhadores, o governo desvalorizava. António Leitão Amaro, ministro da Presidência, por exemplo, disse mesmo que a greve não foi geral, mas sim da função pública. É uma desvalorização que Ana Mendes Godinho não gostou de ouvir e pede ao governo que escolha outra estratégia.
Quando a Autoeuropa, a maior empregadora do país, está encerrada, acho que é difícil dizer que isso é uma greve só na função pública. Por outro lado, acho que também é um sinal péssimo estar a tentar colocar e criar guerrilhas entre trabalhadores da função pública e trabalhadores do setor privado. É um erro que a história já mostrou que não funciona. Não é um bom caminho querer ignorar ou menorizar o que aconteceu.
A antiga ministra do Trabalho do último governo de António Costa, foi a convidada do Explicador da Tarde Política, pede que o governo saiba retirar sinais do protesto de ontem. Aplaude, entretanto, a reunião que foi convocada pela ministra do Trabalho, uma reunião com a UGT para a próxima terça-feira.
Eu acho que o diálogo é sempre o caminho e é sempre o sinal necessário. Só é pena que só venha depois de se ter tido que esgotar medidas dessa dimensão. Naturalmente, se me perguntar, tenho esperança que este sinal tenha servido para o governo perceber que tem que mudar de estratégia.
Ana Mendes Godinho, socialista, antiga ministra do Trabalho de António Costa, a propósito desse novo encontro que está agendado entre governo e UGT na próxima terça-feira.
E Vanessa, a UGT tem duas linhas vermelhas.
Sim, as alterações ao Código do Trabalho têm aqui duas linhas vermelhas por parte da UGT. O secretário-geral reagiu aqui na Rádio Observador à convocatória da ministra. Sérgio Monte quer que Rosário Palma Ramalho deixe cair duas propostas. Vamos saber quais são.
Nós, na questão do outsourcing, é uma matéria em que está proibido durante um ano, estamos incisivos a que esse período seja reduzido Mas deve-se manter ali um travão, um sinal de que o outsourcing é para externalizar serviços, e não para despedir trabalhadores para contratar outros mais baratos. Isso é que não podemos admitir. E depois, o banco de horas individual vem claramente prejudicar a negociação coletiva.
São duas medidas em que a UGT promete fazer um braço de ferro: o banco de horas individual e o regime de outsourcing. O governo quer flexibilizar este regime. Na lei atual, impede as empresas de contratarem serviços externos durante o ano que se segue a um despedimento coletivo. O executivo Luís Montenegro quer acabar com esse travão.
Falamos agora de outras negociações, neste caso, na área da saúde. Os trabalhadores do INEM também avisam o Conselho Diretivo do INEM que têm linhas vermelhas.
Uma posição tomada hoje em assembleia geral, já comunicada ao novo presidente Luís Mendes Cabral. Os trabalhadores do INEM alegam a necessidade de salvaguardar direitos no âmbito da reestruturação do Instituto Nacional de Emergência Médica, que assegura a emergência pré-hospitalar. Em declarações à Agência Lusa, Rui Gonçalves, coordenador da Comissão de Trabalhadores, sublinha que não vai admitir qualquer extinção de postos de trabalho, nem qualquer mobilidade forçada.
Mas há outras notícias a marcar a tarde desta sexta-feira, 12 de dezembro.
Foram condenados o antigo dono da equipa de ciclismo W52 FC Porto, Adriano Quintanilha, e o antigo diretor desportivo, Nuno Ribeiro. Vão os dois cumprir penas efetivas por esquema de doping. Foram condenados a quatro anos e nove meses de prisão. É consequência do julgamento da operação Prova Limpa. O tribunal comprovou que Quintanilha pagava as substâncias dopantes e tinha o poder de decisão sobre as mesmas. Nuno Ribeiro fazia a ligação com os ciclistas, comprava os produtos e dava orientações aos atletas. Depois de Portugal, Itália é dia de greve nacional. Foi convocada pelo maior sindicato italiano para protestar contra o orçamento de 2026 da primeira-ministra Giorgia Meloni. O sindicato estima que cerca de 61% dos trabalhadores do setor público e do setor privado tenham aderido a esta greve e que mais de 500 mil pessoas estejam nas ruas, nas principais cidades italianas. O funcionamento dos transportes públicos, das escolas e outros serviços públicos pararam hoje em Itália. O país tem, de resto, assistido a uma série de greves ao longo dos últimos meses contra as políticas econômicas do governo de Giorgia Meloni, também contra o apoio da primeira-ministra de Israel. Ricardo, Judite, conhecem a Missa do Parto?
Sim. Não conheces, Judite?
Não.
É uma tradição madeirense, para esta altura.
Ok. Vou contar-te então, Judite. O Ricardo já sabe.
Sabes que eu sei tudo.
Sim, é verdade. E para os nossos ouvintes também conhecerem, se não conhecem esta tradição, é uma tradição desde o século XV, na Madeira, nos nove dias que antecedem a Missa do Galo, no Natal, celebra-se uma missa por dia, sendo que há mais de 10 anos também se festeja, não só na Madeira, mas aqui no continente, em Alfragide. É o que nos explica Ana Castro Neves, médica imunologista, que faz parte da organização.
Em Lisboa, fazemos apenas uma única missa. Essa missa, preservamos sempre a estrutura original, ou seja, há cânticos que são só feitos, são só entoados, digamos assim, nessas nove missas, que não se ouvem em mais nenhuma outra missa, nem sequer na Missa do Galo. A igreja está ornamentada com o bordado típico da Madeira, é feita a lapinha típica da região, ou seja, em escadinhas, onde é ornamentada com as giurinhas e a fruta da época, também como agradecimento à colheita do ano anterior e a pedir as bênçãos do ano vindouro.
No final da missa, há comida e música.
Claro, não podia faltar.
As festividades portuguesas são assim.
Tinha de haver comes e bebes, como é lógico.
E toda a comunidade está convidada para um momento de convívio com gastronomia típica da Ilha da Madeira, pois claro, todos podem levar algo para partilhar.
Podemos também provar a gastronomia típica da região, nomeadamente o bolo de mel, as broas de mel, a carnezinha de alhos, a poncha, o cacau e, portanto, pede-se também que quem venha, naquilo que seja à medida das suas possibilidades, não é uma obrigação, que traga algo para partilhar, porque um dos valores essenciais desta caminhada para o Natal, nós poderíamos dizer também a caminhada todo o ano, é este sentimento de partilha e de ajuda entre as pessoas.
Dá para abrir o apetite, não dá? Dá, sim, senhor. Sobretudo a esta hora.
E come-se tão bem.
Na Madeira.
Na Madeira.
Como sim, senhor.
Come-se bem em todo lado, mas na Madeira come-se bem.
Deixem-me só também dar aqui a indicação de quando é, afinal, esta missa.
Mas afinal, quando é que é isso? Quando é que é a Missa do Parto?
Amanhã cedo, sábado, como manda a tradição, mas cedo, mesmo cedo, só para madrugadores, 06:30 da manhã.
06:30 da manhã?
06:30 da manhã.
Mas a poncha, às 06:30 da manhã.
Pois, exato. Na Paróquia da Divina Misericórdia, em Alfragide. A missa vai ser presidida pelo bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa, dom Rui Gouveia, que também é de uma família madeirense.
A Missa do Parto fica aqui a sugestão. Amanhã, às 06:30 da manhã, em Alfragide. Uma tradição madeirense de Natal fica a sugestão. A fechar este jornal das 06h00, a Vanessa Cruz vai regressar às 06h30 para atualizar as notícias.