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Jornal das seis, com a jornalista Vanessa Cruz. Para alguns setores, os apoios do Estado ficam aquém, outros aplaudem as medidas. O governo anunciou esta tarde descontos adicionais no gasóleo para setores considerados mais vulneráveis à crise energética.

Descontos no gasóleo agrícola e profissional. Também as IPSS, as Instituições Particulares de Solidariedade Social, são abrangidas. À cabeça está, Vasco Maldonado Correia, esse desconto de €0,10 por litro de combustível.

Para aliviar o impacto da crise energética, o governo voltou a anunciar descontos para os combustíveis, desta vez a pensar nos setores mais expostos para o período entre os meses de abril e junho. Fica aprovado um apoio de €0,10 por litro de combustível para os transportes pesados de mercadorias e passageiros, táxis, agricultores, pescadores, bombeiros e também IPSS. E feitas as contas:

As medidas que estamos a tomar significam cerca de €150 milhões por mês de apoio na área dos combustíveis.

O que não está em cima da mesa, garante Luís Montenegro, é o regresso do IVA zero.

Neste momento, não vemos essa como uma medida adequada.

O governo não exclui novos apoios, mas só pretende dar um passo de cada vez.

Nós não sabemos a dimensão que a crise pode tomar e a duração. É preciso ter sentido de equilíbrio e é preciso irmos adaptando a realidade àquilo que são as necessidades e também as possibilidades do país.

O antigo presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, tinha defendido a ação reformista de Luís Montenegro, música para os ouvidos do primeiro-ministro.

Não tendo havido nenhuma espécie de articulação, o artigo caiu que nem uma luva naquilo que foram as decisões do Conselho de Ministros.

O chefe de governo olha para o excedente orçamental do ano passado para fazer nova metáfora futebolística.

Estamos na Liga dos Campeões da estabilidade econômica e financeira da Europa.

Para a habitação, foram também aprovadas medidas fiscais para incentivar rendas moderadas, construção com IVA reduzido e isenção de mais-valias, e também uma reforma na urbanização para acelerar processos e reduzir custos na construção. Além disso, o governo decidiu que após dois anos sem acordo em heranças indivisas, um ou mais herdeiros possam forçar a venda dos imóveis.

Vasco Maldonado Correia, com as decisões que saíram da reunião do governo esta sexta-feira, medidas para habitação, apoios também para fazer face à subida do preço dos combustíveis.

Agora importa também ouvir setores abrangidos por estas medidas. Por exemplo, a CAP, a Confederação dos Agricultores de Portugal, diz que já chegam com atraso e ainda assim, também não chegam.

À Rádio Observador, o presidente da CAP, Luís Mira, olha para o mercado espanhol para apontar algumas críticas aos apoios que foram aprovados pelo governo português.

Face àquilo que, por exemplo, os espanhóis aplicaram, já vem atrasado. A segunda tem a ver com os montantes. Comparado com o que foi atribuído à Espanha, não só aos combustíveis, em que é menos da metade do que os espanhóis receberam, tem também a falta de uma compensação para os fertilizantes.

A compensação para os fertilizantes tinha sido pedida pelas associações do setor agrícola, acabou por ficar fora das medidas aprovadas pelo Conselho de Ministros. O presidente da CAP diz que se apostou pouco na promoção da competitividade neste Conselho de Ministros. Apesar das críticas, também reconhece, Luís Mira, que o desconto no gasóleo agrícola vai trazer alguma estabilidade ao setor. Também escutamos aqui na Rádio Observador o porta-voz da ANTRAM, que representa os transportadores de mercadorias. André Matias de Almeida defende também que os apoios são curtos e pede medidas concretas de tesouraria para aliviar a tesouraria das empresas. A mesma crítica é feita pelos taxistas.

Opinião diferente têm as IPSS, que aplaudem este desconto adicional nos combustíveis.

O presidente da Confederação das Instituições Particulares de Solidariedade Social, Lino Maia, também falou com a Rádio Observador, diz que é uma ajuda importante por causa do apoio domiciliar.

Fazemos diariamente muitos quilómetros e, portanto, o combustível tem um impacto muito grande, o aumento de custo tem um impacto muito grande. Portanto, todo o apoio é necessário e bem-vindo.

Lino Maia, que representa as IPSS. A Rádio Observador está também a tentar ouvir outros setores abrangidos por estes descontos no preço dos combustíveis, as empresas de transporte de passageiros e os bombeiros.

André Ventura considera que estas medidas anunciadas pelo governo para fazer face ao aumento dos combustíveis são uma espécie de remendos.

"Mais ou menos remendos" é a expressão utilizada por André Ventura, que à margem de uma visita a uma feira em Matosinhos, admitiu que não desvaloriza o que foi anunciado pelo governo, mas pede medidas estruturais. Ao contrário do primeiro-ministro, André Ventura defende que é urgente reduzir o IVA sobre os combustíveis. Sublinha também que o imposto está a causar uma enorme pressão nos preços e acusa o executivo do Luís Montenegro de não querer mexer no IVA porque está a arrecadar dinheiro.

Esta visita, André Ventura também comentou o artigo de Aníbal Cavaco Silva, hoje publicado no Expresso. O que disse Ventura, Vanessa?

O ex-presidente da República, vamos começar por contextualizar, pediu coragem e firmeza ao governo da AD para avançar com reformas de fundo. Ataca também aquilo que descreve como forças de bloqueio, em especial o CHEGA e a aproximação que o PSD tem feito ao partido. Ora André Ventura diz que já está habituado às críticas de Cavaco Silva e atribui culpas ao antigo chefe de Estado pela situação em que está o país.

Quem é que permitiu que o cabaz alimentar chegasse a estes valores? Foi o CHEGA? Não foi, foi o partido a que pertence o professor Cavaco Silva, o PSD. Quem é que permitiu desbaratar o dinheiro que veio da União Europeia durante os anos 80, 90, 2000, e que as pessoas ficassem cada vez mais pobres e Portugal seja hoje, como ele próprio diz, um país relativamente pobre?

Quem é que foi 10 anos primeiro-ministro? Não fui eu. Quem é que foi presidente da República? Não foi o André Ventura, foi o professor Cavaco Silva.

As perguntas deixadas por André Ventura, que também deu logo as respostas que, no entender do Chega, considera serem as respostas que devem ser dadas. Reação a esse artigo de Cavaco Silva.

E voltando às consequências da guerra do Medio Oriente na economia, o presidente da REN afasta, para já, um problema de abastecimento de energia. Ainda assim, admite que a atual crise é mais complexa de gerir do que a crise que foi provocada pela guerra na Ucrânia.

Enquanto o mundo está a atravessar esta crise energética causada por uma instabilidade no Medio Oriente, o presidente da REN, empresa que gere a rede e as reservas de gás em Portugal, assegura que o país não enfrenta um problema de abastecimento, mas sim de preços de energia, pelo menos para já. É o que diz Rodrigo Costa em entrevista ao Observador.

Às vezes perguntam-nos: "Mas acham que isto vai afetar os preços da energia?" Claro que vai afetar. Já está a afetar. Os Estados Unidos não sei há quantos anos é que não tinham a gasolina a ultrapassar os $5 por galão.

Mas neste momento ainda estamos com uma preocupação, volto à pergunta inicial, mais de preços do que de abastecimento.

Hoje a preocupação nítida, claramente, é mais de preços do que de supply, ou abastecimento.

O presidente da REN, entrevistado pelas jornalistas Alexandra Machado e Ana Suspiro. Rodrigo Costa lembra que há países que estão a tomar medidas, que passam por racionar a utilização de combustível. Avisa também que o gás natural vai continuar a ter importância durante muitos anos e que não vai ser substituído por inteiro pelas energias renováveis.

Os destaques desta entrevista ao presidente da REN, para ler na íntegra no site do Observador. Entretanto, Vanessa Cruz, vamos à pergunta das sextas-feiras: quanto aumenta, ou será que aumenta, o gasóleo e a gasolina na segunda-feira?

Desta vez os combustíveis não sobem, Ricardo, vão descer. O governo decidiu manter o valor do desconto do ISP, que conjugado com o IVA, dá um desconto total de quase 0,095 € no gasóleo, pouco mais de 0,05 € no litro de gasolina. Sendo que, contas feitas, a partir de segunda-feira, o gasóleo deve descer 0,01 €, a gasolina 0,025 €.

E há outras notícias a marcar esta sexta-feira, 27 de março.

Os Estados Unidos estão a usar centenas de mísseis Tomahawk no Medio Oriente e isso está a preocupar o Pentágono. É o que indica uma notícia do Washington Post. De acordo com o artigo, mais de 850 destes mísseis cruzeiro de longo alcance e de alta precisão acabaram por atingir o Médio Oriente. O Washington Post cita uma fonte do Pentágono norte-americano, que avisa que o número de mísseis está num nível muito baixo, ainda nesta altura. Outra fonte indica que os Estados Unidos podem estar a ficar sem estas munições, o que vem contrariar as informações de Donald Trump, que ontem, na reunião de gabinete com os secretários de Estado norte-americanos, afirmou que os Estados Unidos têm recursos ilimitados. É a mesma expressão de Donald Trump. A seleção nacional portuguesa de futebol faz hoje o último treino em Cancún, antes de partir para a Cidade do México. Vai defrontar, na madrugada de domingo, a seleção mexicana, um encontro particular de preparação para o Mundial deste ano. Esta tarde, Bruno Fernandes foi o escolhido para a conferência de imprensa diária da equipa das Quinas, sem Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva na convocatória. Deve ser o médio do Manchester United a usar a braçadeira de capitão da seleção. Diz que é uma grande honra para qualquer jogador.

Isso ainda não sei, não sei se vou jogar. Ainda não sei se vou ter a braçadeira ou não, mas obviamente é um privilégio enorme, se assim acontecer. Acho que, como eu disse, são coisas que nós não chegamos a sonhar. O facto de estar na seleção já por si só é o maior sonho que eu alguma vez poderia ter concretizado. Entrar em campo, poder cantar o hino e com a braçadeira de capitão, liderar a equipá num jogo, num estádio tão icônico como é este, é um motivo de enorme orgulho para mim.

Bruno Fernandes, em conferência de imprensa no México, um registo captado pela RTP3. O último treino da equipa de Roberto Martínez na cidade de Cancún, antes da partida para a Cidade do México, está agendado para as 10:00 p.m, hora portuguesa. Este Portugal-México joga-se no mítico Estádio Azteca, na madrugada de domingo, às 2:00 a.m. Vai ter relato em direto aqui na Rádio Observador. E agora, um desafio, Ricardo, Judite: imaginem um rapper a ganhar as eleições aqui em Portugal e com maioria.

Por que não? Já vi tanta coisa.

Pode acontecer.

Um rapper, ok. Pode acontecer.

Pode acontecer. Aconteceu no Nepal. Balen Shah, 35 anos, é agora o primeiro-ministro do país.

É rapper.

É rapper, já tem governo e pode, pela primeira vez desde 1959, ter uma maioria de dois terços no Parlamento. Ele fez uma campanha com especial enfoque nas plataformas digitais, por exemplo, os podcasts. Reuniu multidões, transformou a mensagem de anticorrupção num fenômeno viral. Chegou a ser presidente da Câmara de Katmandu. Devem estar a perguntar-se agora se este rapper teve sucesso ou não.

Por cá temos a deputada do PS, Eva Cruzeiro, que é rapper.

Pois é. E este rapper, que chegou a primeiro-ministro.

E podemos ouvir alguma da sua obra?

Podemos. Ele faz música desde 2010. Ora escutem aqui. Nepalesa.

E vá-me rapper ou não rapper.

Deve ser rapper, aqui está. E as músicas focam-se muito em temas como a consciência social, também a corrupção. No YouTube, o novo primeiro-ministro do Nepal, Balen Shah, este rapper, tem músicas que alcançam 13 milhões de visualizações e esta que estamos a ouvir fala sobre o desejo de um Nepal feliz e a dançar.

E fica também um abraço para a gigantesca comunidade nepalesa que está em Portugal. Ficamos com Balen Shah até ao fim deste Jornal da Sao.