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Jornal das 6, com a Vanessa Cruz. Luís Montenegro celebra hoje dois anos de governo e deixou alguns recados à oposição.
O primeiro-ministro recebeu os membros dos dois governos que já liderou para uma fotografia de família esta tarde. Deixou claro que sabe que precisa da oposição para aprovar reformas, mas Vasco Maldonado Correia, com limites.
O governo de Luís Montenegro celebra dois anos de existência e o primeiro-ministro adapta uma antiga frase para declarar que agora o povo já sente o avanço do país.
O país está melhor e os portugueses também estão melhor.
Num discurso nos Jardins de São Bento, Montenegro elencou as principais áreas de atuação do governo e já com a promessa de novas reformas a caminho.
Somam-se diversas reformas que se vão sucedendo semana após semana nas decisões do Conselho de Ministros. Nas próximas semanas, com enfoque na reforma da contratação pública e do Tribunal de Contas.
Pelo meio, Montenegro anuncia mais uma medida.
O governo vai lançar a linha Portugal Resiliência Energética, no montante de € 600 milhões, operacionalizada através do Banco Português de Fomento e destinada a financiar, por via de crédito, as necessidades de tesouraria e fundo de maneio das empresas mais afetadas pela subida dos custos energéticos.
E assumindo que ainda não alcançou todos os objetivos, mostra-se disponível para o diálogo, mas com avisos para a oposição.
Nós sabemos muito bem que é necessário um diálogo aberto e leal com os partidos da oposição, mas também sabemos que governar não é reagir ao ruído, é agir para o futuro.
E se a mensagem não tiver ficado clara:
E uma coisa é estar disponível para negociar e chegar a um consenso. Coisa diferente é ceder ao imobilismo.
Em São Bento, o primeiro-ministro recebeu membros dos dois executivos que liderou. Na fotografia de família, acabou por se rodear de três dos que já saíram: Margarida Blasco, Pedro Duarte e Pedro Reis. Quem não compareceu foram as antigas ministras Maria Lúcia Amaral e Dalila Rodrigues.
Vasco Maldonado Correia, com a celebração dos dois anos de Luís Montenegro em funções governativas. Os ministros Nuno Melo, Maria do Rosário Palma Ramalho e Miguel Pinto Luz não estiveram presentes nesta celebração, estão fora de Lisboa.
E o PS, entretanto, já reagiu ao anúncio de Luís Montenegro e à avaliação que o primeiro-ministro faz da governação. O que é que diz o Partido Socialista, Vanessa?
O PS chamou os jornalistas à sede no Largo do Rato, em Lisboa. O líder parlamentar Eurico Brilhante Dias classifica o anúncio do apoio feito por Luís Montenegro às empresas de propaganda e diz que os executivos de Luís Montenegro têm falhado nestes dois anos.
Ao fim de dois anos, as promessas não só não foram cumpridas, como setorialmente, em diferentes áreas, o governo falhou de forma rotunda. É por isso que hoje não podemos deixar de dizer: a propaganda não apaga o mau governo. Este é um mau governo, governa mal e, ao fim de dois anos, o país, a vida das pessoas, está pior.
Eurico Brilhante Dias a dizer o contrário do que disse Luís Montenegro. O PS considera que a vida das pessoas está pior.
E também há reações às medidas anunciadas esta tarde, depois do almoço de aniversário. A Confederação Empresarial de Portugal considera benéfica a linha de apoio de € 600 milhões anunciada hoje pelo primeiro-ministro.
Armindo Monteiro diz que esta linha de financiamento vai aumentar a competitividade de Portugal.
Nós precisamos ser competitivos, seja nas empresas que são eletrointensivas, mas também para a nossa logística. Se nós não tivermos as condições que Espanha tem para o transporte, nossa competitividade fica circunscrita à fronteira. Precisamos de ter as mesmas condições e esse ponto foi agora concretizado e saudamos, naturalmente, esta medida.
O presidente da CIP, entrevistado pelo jornalista Miguel Pina-Andrade, Armindo Monteiro considera que apesar de o apoio ajudar as empresas, seria melhor que não fosse uma linha de crédito, que as ajudas financeiras fossem efetivas.
E os pequenos e médios empresários dizem que esta nova linha de crédito é desnecessária.
O presidente da Confederação das Micro, Pequenas e Médias Empresas, Jorge Pisco, avisa que as linhas de crédito só trazem endividamento às empresas.
Mais uma linha de crédito que o governo decide anunciar com pomba e circunstância, mas que não vem ao encontro daquilo que são as necessidades das micro, pequenas e médias empresas. E na realidade, as linhas de crédito são mais endividamento para as empresas, e isto no atual momento, em uma crise económica tão grave que começamos a ter no país, não há necessidade de linhas de crédito, precisamos é de apoios concretos e não de linhas de crédito.
O representante das PME, entrevistado pelo jornalista João Lourenço, Jorge Pisco, diz que Luís Montenegro vive num mundo cor-de-rosa quando diz que o país está melhor e os portugueses também.
Assinalam-se hoje os 50 anos da Constituição da República Portuguesa. Foi aprovada há 50 anos no Parlamento, na Assembleia Constituinte. A direita quer avançar com uma revisão constitucional, a esquerda está contra e no meio disto tudo, o que quer o PSD, o partido do governo, Vanessa?
A sessão solene no Parlamento ficou marcada pelos vários posicionamentos. Chega, Iniciativa Liberal e CDS têm uma posição taxativa, que é de rever a Constituição. A esquerda, como dizia, está contra. Ora o PSD, pela voz do deputado Cristóvão Norte, preferiu valorizar a Constituição que existe, embora admita uma ou outra melhoria.
Pode ser aperfeiçoada e atualizada, mas os seus alicerces devem permanecer intocáveis. São esses alicerces que são intemporais.
O desafio do nosso tempo não é ter mais ou menos Constituição, é saber cumpri-la no que verdadeiramente importa.
Sendo que Luís Montenegro não tem excluído rever a Constituição mais à frente. André Ventura, que esta semana já tinha anunciado que vai avançar com uma proposta até o final do ano, desdramatizou os perigos de uma revisão constitucional.
Nós precisamos de uma revisão constitucional, pois não temos que ter uma Constituição que caminhe nem para o socialismo, nem para o cheganismo. Deve caminhar para onde quer. Deve caminhar pela sua liberdade, deve caminhar por aquilo e por aqueles que quer salvaguardar.
E o líder do PS, Eurico Brilhante Dias alerta, por outro lado, para os riscos que considera haver de um processo acordado à direita.
Esta é uma Constituição que serviu e serve, onde se reveem os democratas, os firmemente democratas, da esquerda à direita. Quando hoje nos querem projetar um futuro que não é mais que um passado já vivido, ainda que olvidado ou desconhecido por muitos, é tempo de reafirmar os valores centrais da nossa Constituição.
Posição do PS, que é secundada pelos partidos mais à esquerda.
A sessão solene dos 50 anos da Constituição ficou esta manhã marcada novamente por uma cena que envolveu André Ventura e que levou alguns deputados da Constituinte, que estavam a assistir à sessão nas galerias, a abandonar o espaço do Hemiciclo.
O líder do Chega assumiu, durante o discurso que fez, a falta de cortesia que estava a ter para com os deputados da Assembleia Constituinte. André Ventura recordou as FP 25 e os presos pós 25 de abril e classificou até alguns deputados constituintes como assassinos. Foi nessa altura que alguns deputados saíram do Parlamento.
Não é por saírem que a verdade não será dita.
Srs. Deputados. Faz favor de continuar, sr. Deputado André Ventura. Faz favor.
É a prova do que nós sabemos, que eles nunca souberam conviver com a liberdade. Eles só sabem conviver com a sua liberdade.
E, portanto, srs. Deputados, contenham-se na gesticulação que não dignifica este Parlamento. Os srs. Deputados constituintes estão presentes a convite da Assembleia da República.
O presidente da Assembleia da República chegou depois a pedir ao deputado do Chega e vice-secretário da Mesa do Parlamento, Filipe Melo, que se calasse, o que o levou também a deixar o Hemiciclo. Jerónimo de Sousa, Helena Roseta e António Motapregro foram alguns dos deputados constituintes que abandonaram as galerias. Disseram depois que se sentiram insultados e acusaram André Ventura de falta de educação.
E já em plena Páscoa, a Associação de Hotelaria de Portugal nota um aumento de cancelamento nos destinos urbanos portugueses, como Lisboa e Porto, mas estão a aumentar noutros lados, Vanessa?
É o que vamos tentar perceber. O presidente desta associação explica que é uma das consequências da guerra no Médio Oriente, estas reservas a escassear no Porto e em Lisboa. Ao contrário da Madeira e do Algarve, as duas principais cidades estão a ser afetadas. É o que explica Bernardo Trindade.
Clientes oriundos de Israel, por exemplo, que normalmente optam por destinos urbanos. E atenção, não só Lisboa e Porto, como é Madrid, Londres ou Paris. Ou mesmo clientes asiáticos que faziam escala em aeroportos, em zonas que estão neste momento a ser impactadas diretamente pela guerra, estamos a sentir cancelamentos.
Cancelamentos de turistas israelitas e asiáticos em Lisboa e no Porto. Já a Madeira e o Algarve estão a receber turistas que noutra altura poderiam fazer férias no Chipre, na Turquia, na Tunísia e no Egito.
E há outras notícias a marcar a tarde desta quinta-feira, 2 de abril.
E vamos começar pelo futebol. O Sporting recebe o Santa Clara em Alvalada amanhã. Em caso de vitória, os Leões aproximam-se do topo da classificação, onde está o Futebol Clube do Porto. Na antevisão, o treinador do Sporting, Rui Borges, elogiou o novo treinador do Santa Clara e acredita que a equipa adversária continua a ser uma formação bem organizada na defesa.
Continua a ser uma equipa muito bem organizada defensivamente, uma equipa que deixa criar poucas oportunidades de golo às equipas adversárias. Muito forte no contra-ataque, ataque rápido, jogadores fortes na frente de ataque, rápidos, fortes no um para um também, com boas tomadas de decisão. Por isso, é uma equipa muito competitiva, muito intensa nos duelos. É das equipas com mais cartões também no campeonato. Demonstra bem a intensidade.
Os elogios de Rui Borges ao Santa Clara, agora treinado por Petit. O treinador da formação insular avisa que o desafio é difícil, até porque o Sporting não costuma perder pontos em Alvalade. É um jogo às 20h30 da noite, amanhã, Sexta-feira Santa, com relato em direto na Rádio Observador. Portugal vai estar com níveis elevados de concentração de pólen na atmosfera durante a próxima semana. Nas regiões autónomas, os valores devem ser um pouco mais baixos do que no continente, mas continua a haver uma concentração elevada de pólen. Portanto, quem tem alergias tem que ter um cuidado acrescido. É o último dia do prazo. A alemã Lufthansa oficializou hoje a proposta não vinculativa para comprar a TAP. De manhã, já tinha sido a Air France KLM a fazer o mesmo. Está corrida, a TAP a ganhar fôlego. O Irão está a trabalhar num protocolo para monitorizar o tráfego no Estreito de Ormuz. De acordo com Al Jazeera, está quase a concluir este projeto, juntamente com Oman, para estabelecer um novo regime de navegação. Ricardo, vamos falar de algo que a Filomena Martins, que está aqui e que vai entrar no "O Vencedor" já a seguir, gosta muito: cães.
Gostamos todos.
Pois é.
Gostamos todos.
Há mais uma história com final feliz. De vez em quando contamos algumas aqui na Tarde Política, Filomena. Esta é sobre a Molly, uma border collie.
Border collie que é tida como uma das raças com os cães mais inteligentes de todas. É um cão pastor.
Pois é, tens algum border collie, Filomena?
Não, mas gostava.
Vou contar-vos a história da Molly. Estava desaparecida desde 24 de março na Nova Zelândia, depois da dona ter caído de um penhasco de 55 metros durante uma caminhada. A dona, Jéssica, foi entretanto resgatada de helicóptero e da Molly, nem sinal.
Podiam ter aproveitado o helicóptero para procurar a cadela.
Olha, e foi mesmo essa a vontade da empresa familiar de helicópteros que esteve com esta missão a cargo, mas não havia orçamento para financiar uma busca particular. A história foi partilhada na internet, várias pessoas contribuíram para o resgate e conseguiram mais de 11 mil dólares. E sim, a Molly foi encontrada na passada terça-feira, já está em casa com a dona.
É uma história que acaba bem, fica sempre bem também a fechar o noticiário aqui, o Jornal das 6 na Rádio Observador. Vanessa Cruz vai regressar. Não vem acompanhada de um border collie, mas vai regressar às 18h30.