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Jornal das seis, com a jornalista Vanessa Cruz.

Segundo chumbo da UGT ao pacote laboral, o Primeiro-Ministro pede à central sindical para refletir sem paixões partidárias e para ceder no encontro da concertação social, que está agendado agora para 7 de maio. Essa data foi anunciada pela Ministra do Trabalho e Luís Montenegro, o chefe de governo, diz que só há seis pontos, de entre dezenas de pontos, a separar agora a UGT dos patrões e do Executivo. Luís Montenegro defende que cabe à central sindical fazer concessões.

"Aquilo que é necessário agora, para poder haver um acordo, é que haja também uma cedência por parte da UGT, porque em bom rigor, sobre aquilo que não houve acordo, o único parceiro que ainda não cedeu foi a UGT. Vamos aproveitar as próximas duas semanas para, de forma tranquila e sem paixões partidárias metidas ao barulho, podermos fazer uma avaliação final".

O Primeiro-Ministro, que está no Chipre para um conselho informal de líderes europeus, a sublinhar uma ideia já defendida esta tarde pela Ministra do Trabalho.

E foi pela voz da Ministra Rosário da Palma Ramalho que se conheceu a agenda de uma nova reunião entre os parceiros sociais em sede de concertação social. E no fundo, a Ministra do Trabalho, Vanessa, lança um ultimato à UGT.

Esta é a última oportunidade.

"O governo entende que não basta a UGT manifestar disponibilidade para continuar a negociar, se vier a haver propostas do governo. A UGT terá que mostrar que quer efetivamente uma aproximação e não continuar a ter pretextos para fazer fugas para frente. O governo esperará, nos próximos dias, uma posição realmente construtiva e clara da UGT sobre os poucos pontos que ficaram em aberto no processo negocial. Poderemos, se essa posição vier, fazer um último esforço. Senão, avançaremos com o diploma para o Parlamento. Desta forma, o governo vai agendar uma reunião da Comissão Permanente da Concertação Social, que vou convocar para o dia 7 de maio. E encerraremos o tema formalmente".

Reunião daqui a 15 dias para haver tempo para reflexão, é o que diz a Ministra do Trabalho.

Mas a UGT já deixou, de novo, o aviso que não vai desistir das linhas vermelhas que traçou.

Espera que o governo apresente novas propostas na reunião em concertação social, é o que diz o vice-presidente da Central Sindical, José Abrão.

"A senhora Ministra poderá até dizer que a UGT tem que se aproximar, mas a grande questão que está aqui é que é o governo que tem que se aproximar às posições da UGT em questões que são verdadeiramente essenciais. E, portanto, há aqui a marcação para o dia 7 de maio, deste encontro em sede de concertação, pois que o governo leve também propostas novas, porque queremos defender trabalhadores".

José Abrão na Rádio Observador, vice-presidente da UGT. Questões como outsourcing, o banco de horas e a jornada contínua continuam a ser fatores que estão a impedir um acordo que seja assinado pela UGT.

E temos que ouvir outros parceiros sociais. O que dizem os patrões, Vanessa?

Vamos começar pela Confederação Empresarial de Portugal, a CIP. Armindo Monteiro, presidente da CIP, está conosco em direto. Muito bem-vindo. Os patrões têm alguma esperança que mais um encontro na concertação social resulte depois num acordo depois deste novo chumbo da UGT?

Olá, boa tarde. Boa tarde a todos os que nos ouvem. A Confederação Empresarial de Portugal, a CIP, neste momento, mais importante, e é preciso dizer isto com este sentido da responsabilidade, mais importante que qualquer alteração à legislação laboral, é importante falar verdade. Aquilo que o país inteiro está a viver em todos os dias é um embuste. Eu prezo a palavra e cada palavra ponderada. E, portanto, repito, um embuste.

Mas por quê?

Porque não é verdade aquilo que é dito em relação ao que os empregadores pretendem. Não é verdade que os empregadores pretendem diminuir a dignidade dos trabalhadores, pretendem despedir de forma arbitrária, pretendem reduzir o direito à greve, pretendem diminuir os direitos da paternidade. Desculpe, isto é importante. Os empresários deste país têm dignidade e nunca viram nenhuma confederação empresarial a pedir aquilo que eu acabei de enumerar. Nunca. E por isso, este lado panfletário, como tem sido feita esta negociação, é a altura de dizer basta.

Está, portanto, contra a convocação de um novo encontro em sede de concertação social por parte do governo.

Isto tem-se transformado em comícios permanentes. Cada final de reunião da Confederação Sindical é mais um conjunto de declarações que não correspondem àquilo que está no documento. E eu respondo já a sua questão. E é por essa razão que nós decidimos colocar para download de todos os portugueses o documento que está no nosso site e pedimos autorização para fazer também uma divulgação de todos os documentos, de todo o processo negocial até aquiNós queremos informar, não queremos que sigam as nossas ideias, não queremos consensos à volta das nossas ideias, não queremos forçar consensos. Não. Neste momento, move-nos um aspeto: expor os factos e cada um decide por si, porque quem não tem acesso a esses factos, eu percebo que possa tirar conclusões erradas. Agora, quem participa nas reuniões e ainda assim, cá fora, diz o que não é, então seguramente tem outras motivações. E eu dou um exemplo. Há bocado foi dito que a UGT nunca poderia concordar, depois de um despedimento ilícito, que a decisão da reintegração deixasse de estar no tribunal e passasse para decisão do empresário. Eu queria perguntar em que versão é que isso esteve escrito, porque eu tenho participado em todas e que eu saiba, e tenho alguma literacia, nunca vi isso escrito em lugar nenhum. E portanto, não é uma questão de interpretação, é uma questão factual. Eu estou a exprimir, de forma indignada, a forma como isto está a ser conduzido e a forma como isto está a ser tratado na opinião pública, porque não é razoável que isto seja tratado desta forma. Não se trata de encontrar consensos. Os consensos ou dissensos dependem, naturalmente, da perspectiva que cada um tem. Agora, o que não é possível é nós laborarmos a partir de questões que não são verdade.

É então indignado e sem a esperança que vai para esse encontro da concertação social?

E com uma condição: não aceitaremos declarações ou propostas verbais. Se a UGT tem pontos e tem propostas, que sejam de forma escrita. Por quê? Porque nós já entramos para uma reunião onde tínhamos dois pontos para consensualizar. Saímos dessa reunião, tínhamos cinco por consensualizar. E hoje foi acrescentado mais um, já vai em seis. Portanto, queremos um documento escrito da UGT que diga concretamente quais são os pontos e quais são as propostas. E assim, nós sentar-nos-emos à mesa.

Arlindo Monteiro, obrigada por ter estado nesta edição das 18h da Rádio Observador. E ouvimos já em seguida o presidente da Confederação do Comércio e Serviços, João Vieira Borges. Acompanha a CIP nesta indignação?

João Vieira Lopes.

Sim, peço desculpa, João Vieira Lopes.

A nossa posição é clara. Nós fizemos um esforço significativo ao longo destes meses para encontrar consenso em um conjunto de pontos. Conseguiram se encontrar na maioria deles, alguns não se conseguiram. Isso é normal nos processos negociais. E por isso consideramos que este tipo de negociação que foi feita, de certo modo, esgotou-se.

Pode aproximar-se um pouco, porque estamos a ouvi-lo um pouco mal, João Vieira Lopes. O processo está esgotado, quer dizer que a reunião que foi agendada pelo governo, em sede de concertação social, não faz sentido?

Não, achamos que este tipo de discussão esgotou-se, mas a CCP sempre defendeu que era mais positivo, quer em termos da paz social, quer em termos do sistema de concertação social português, ir para a Assembleia da República um documento consensualizado na concertação social, sendo que a Assembleia da República tem toda a legitimidade para fazer o que entender. Mas a experiência demonstrou-nos que tem sido sempre mais positivo no passado e que inclusivamente aquilo que normalmente sai da Assembleia da República não é muito diferente, e além disso, também dura durante muito mais tempo esse tipo de legislação. Por isso, nós aceitamos, naturalmente, ir para a concertação social. Agora, para voltar a discutir, há uma questão que para nós tem que ser clara, ou seja, a UGT tem que nos apresentar de uma forma bastante clara quais são os pontos que considera imprescindíveis para fechar um acordo. E nós sob esses pontos pronunciar-nos-emos.

Fica esse apelo, João Vieira Lopes, por parte da CCP, aqui com algumas dificuldades, mas fica essa ideia essencial. A CCP vai regressar à negociação laboral, mas quer que a UGT apresente pontos em concreto para que seja possível chegar a um acordo.

E os partidos já disseram alguma coisa, Vanessa Cruz?

Sim, apesar de apontarem motivos diferentes, os partidos da oposição são unânimes na crítica à postura do governo na negociação da reforma laboral. Uns porque querem ir mais longe, como é o caso da Iniciativa Liberal, outros porque querem deitar a proposta ao lixo, é o caso dos partidos mais à esquerda.

E há outras notícias a marcar a tarde desta quinta-feira

Chegou ao fim o julgamento do processo Saco Azul, com a absolvição de todos os arguidos, incluindo o Benfica e o antigo presidente do clube, Luís Filipe Vieira. Em causa neste processo estava um esquema baseado em contratos fictícios de consultoria informática para, alegadamente, retirar do Benfica mais de €1.800.000, que depois terão voltado ao clube sob a forma de numerário, mas não ficou provado. O juiz do Tribunal Central Criminal de Lisboa diz que só com uma perícia técnica forense é que seria possível apurar quem fez o quê, quem entrou nos sistemas e os problemas informáticos que foram criados. A PJ apreendeu mais de 270 obras de arte em Penalva do Castelo, no distrito de Viseu, incluindo de pintores clássicos como Pablo Picasso e também Miró. Pertenciam, alegadamente, a um cidadão norte-americano que morreu em 2024. As diligências da Polícia Judiciária foram efetuadas em colaboração com o Museu Nacional Machado de Castro. Agora é oficial: o governo vai convidar a Air France KLM e a Lufthansa a apresentarem propostas vinculativas para a compra da TAP. É uma decisão que sai do Conselho de Ministros desta manhã. A próxima proposta para a privatização de uma parte minoritária da TAP por estas duas empresas tem de ser apresentada até julho. O governo espera ter uma decisão final tomada em setembro. Os Estados Unidos já redirecionaram 33 navios no âmbito do bloqueio ao Irão. É um balanço feito pelo Comando Central Norte-Americano, numa altura em que Donald Trump, ainda na última hora, disse que o que quer que esteja a fazer, parece estar a resultar muito bem. E continua a dizer, Donald Trump, que o Irão está ansioso por chegar a um acordo, mas do lado iraniano não há indicações sobre isso. Foi um segredo guardado durante quatro anos pela Força Aérea Sul-coreana. A causa de uma colisão entre caças da Força Aérea deveu-se a, não sei se estão preparados para isto, Judite.

Eu já sei o que foi.

Então não diga.

Não digo. A Judite não sabe.

Não.

Olha, não foi uma falha técnica, ou pelo menos não podemos dizer que tenha sido.

Vou só dizer que estes F-15K da Força Aérea dois custam mais de €57 milhões.

Certo.

Sim, e o que aconteceu? Não foi uma falha técnica, mas a tecnologia entrou nesta história. Um dos pilotos estava à procura da selfie perfeita dentro da cabine de comando.

Oh, meu Deus!

E para isso fez manobras não planeadas e depois deu-se o acidente.

Acabou por riscar o aviãozinho.

Pois é.

57 milhões, não é?

Sim. E só agora, quatro anos depois, é que as autoridades sul-coreanas acabam por revelar o que esteve por trás deste desastre. A boa notícia é que os pilotos sobreviveram.

E eu fico sem saber uma coisa.

A selfie valeu a pena?

Essa selfie valeu a pena ou não, não é?

Pois, da selfie não encontrei a imagem, não.

Temos de ir ao Insta deste piloto sul-coreano.