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Jornal das seis, com Miguel Viterbo Dias. André Ventura pede ao governo que crie uma task force para resolver os problemas com os exames nacionais.
Uma medida proposta esta tarde pelo líder do Chega, numa conferência de imprensa na sede do partido, depois de se ter reunido com os deputados e assessores responsáveis pela área da educação. Além da criação de uma task force, Ventura defende o alargamento dos prazos de acesso ao ensino superior e também a isenção da taxa para a reapreciação dos exames nacionais. O líder do Chega critica também o governo por não ter tido em consideração os pareceres técnicos emitidos depois do projeto-piloto anteriormente realizado.
Foi absolutamente negligenciado aquilo que estava para acontecer: uma total desorganização do ponto de vista da atribuição de classificações, da sua distribuição, da sua reavaliação e também da interligação administrativa entre o ensino básico, secundário e superior.
André Ventura diz, por isso, que o governo é o principal e único responsável por este problema.
Isto é tudo responsabilidade do governo. Não só porque atirou as culpas para pais, para professores e para a comunidade escolar, como também porque, já quando conhecíamos as falhas do processo, ousou atribuir às famílias a responsabilidade de terem marcado férias numa altura em que havia exames, como se as férias das famílias fossem iguais ou do mesmo modelo que as férias que o senhor ministro tem ou pode ter.
Declarações de André Ventura na sede do Chega, num registo captado pela RTP. O líder do partido diz ainda que em sede própria haverá tempo para escrutinar todas as falhas que ocorreram no processo de avaliação.
E o ministro da Educação anunciou hoje que os estudantes vão ter uma época especial de exames em setembro, mas quer evitar uma mudança no calendário, no acesso ao superior.
Essa época especial é apenas para os alunos com nota incorreta ou com nota suspensa. O ministro da Educação anunciou hoje uma época especial de exames, numa conferência de imprensa, em que garantiu que o objetivo é que nenhum aluno saia prejudicado.
Os alunos que não disponham de toda a informação necessária para decidir se devem ir à segunda fase dos exames nacionais, a esses alunos será dada a possibilidade de realização de exames numa época especial, a realizar no início de setembro e que, para os devidos efeitos, contará como segunda fase para esses alunos.
Fernando Alexandre, que assegura que não vai existir uma mudança no calendário do acesso ao ensino superior.
Os alunos não serão prejudicados na sua candidatura à primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, nos termos do respectivo regulamento. Esse regulamento já prevê a atualização das candidaturas submetidas até ao fim do prazo ou, após o fim do prazo, a sua submissão ou alteração, quando resultante de reapreciações ou reclamações. Assim, tendo em conta este enquadramento, não há necessidade de alterar o calendário da primeira fase de candidaturas ao ensino superior.
É garantia do ministro da Educação, apesar da desistibilidade dos reitores para mudarem o calendário. Nesta conferência de imprensa, Fernando Alexandre rejeita também os pedidos da oposição e dos diretores escolares para isentar as taxas para a reapreciação das provas.
E o PS concorda com a criação de uma época especial para os alunos afetados pelo processo de classificação dos exames.
Ainda assim, pede que o governo assuma as responsabilidades pelos problemas de forma mais clara. O deputado do PS, Porfírio Silva, critica as explicações do ministro e defende uma mudança no calendário do acesso ao ensino superior.
O senhor ministro anuncia, para já, uma modificação de calendário muito pequena, muito limitada. O que esperamos é que isso seja um sinal de que o senhor ministro está disponível para falar com o CRUP e o CSISP para ver que adaptações é que possam ser necessárias, de modo a não prejudicar nem os alunos que tiveram as suas classificações afixadas mais cedo e também não prejudicar os alunos que ainda não têm classificações certas e adquiridas.
Porfírio Silva sublinha que as falhas detectadas em todo o processo contribuíram para aumentar a desconfiança à volta do ministro.
Esta encrencalhada não tem soluções ótimas, mas nós, neste momento, o que nos concentramos é que o senhor ministro trabalhe com as instituições que ajudam a resolver e que têm que lidar com estas situações e faça o rendilhado suficiente para que não haja prejudicados. O prejuízo da instabilidade, o prejuízo do estresse acrescentado, o prejuízo da alteração dos calendários das famílias é um prejuízo que está causado, mas não vamos chorar sobre o leite derramado. Vamos procurar que sejam encontradas soluções.
A reação do PS, através de Porfírio Silva, que defende que todos os esclarecimentos devem ser dados para evitar uma comissão parlamentar de inquérito. Já o Bloco de Esquerda diz que Fernando Alexandre foi incompetente a gerir este processo.
A seção de vítimas de abusos na Igreja cancelou uma reunião com a Casa Civil da Presidência porque queria ser recebida pelo próprio presidente da República.
A associação Coração Silenciado, que representa as vítimas de abusos sexuais na Igreja, cancelou uma reunião com a Casa Civil da Presidência da República porque exige ser recebida por António José Seguro. À Agência Luz, o porta-voz desta associação disse que não estava disponível para se reunir com assessores e quer falar diretamente com o chefe de Estado, tal como tinha acontecido no passado com Marcelo Rebelo de Sousa. A associação Coração Silenciado vai pedir apoio ao presidente para fiscalizar o processo de compensações financeiras atribuídas pela Igreja Católica às vítimas. Esta associação contesta que 40 vítimas não tenham recebido compensações porque os casos foram arquivados no Vaticano.
Noutra notícia desta segunda-feira, o primeiro-ministro foi a Roma às compras.
Foi anunciar a compra de três fragatas. O anúncio foi feito ao lado da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. É um investimento de € 4 milhões, com Luís Montenegro a dizer que esta compra das três fragatas é também uma forma de salvaguardar os interesses estratégicos do país.
Este acordo que hoje celebramos na área da defesa para a aquisição De três fragatas. Estamos a falar de um investimento de 3900 milhões de euros, aproximadamente. Estamos a falar de capacidade, que é a capacidade portuguesa e a capacidade europeia de vigilância dos nossos recursos marítimos e de salvaguarda dos nossos interesses estratégicos.
Luís Montenegro, numa conferência de imprensa conjunta ao primeiro-ministro, diz ainda que a cooperação com a Itália é uma oportunidade económica para Portugal, que vai além da compra de equipamento militar.
No Reino Unido, há novo primeiro-ministro e já está a mudar o governo.
Andy Burnham já dispensou vários ministros de Keir Starmer, a quem sucedeu hoje, o vice-primeiro ministro e o ministro da Justiça, bem como os titulares das Finanças, da Ciência e da Habitação já anunciaram que vão deixar as pastas. No primeiro discurso como primeiro-ministro, Burnham prometeu fazer as mudanças mais profundas dos últimos 40 anos. No explicador da tarde política, o especialista em assuntos europeus, Henrique Burnet, diz que o novo primeiro-ministro quer ir em busca dos eleitores descontentes.
No fundo, ir buscar eleitores que são tradicionalmente eleitores descontentes que esperam que o Estado os ajude. E nisso, de facto, encontrámos no Burnham um discurso estatista, de vamos ajudar as pessoas que ficam para trás, vamos resolver os problemas dos anos 80 e das indústrias que fecharam. Pode ser, e isso seria uma coisa curiosa, e acho que vale a pena ficarmos à espera para ver, se Burnham encontra um lugar para os partidos sociais-democratas europeus que têm andado à procura de um sítio.
As explicações do especialista em assuntos europeus, Henrique Burnet, no explicador desta tarde de política dedicado à mudança no governo do Reino Unido.
E há outras notícias a marcar esta segunda-feira.
O Pentágono escondeu dezenas de casos de feridos norte-americanos no conflito no Médio Oriente. É uma notícia do New York Times, que explica que antes do ataque que matou dois membros do exército norte-americano na Jordânia, existiram outros três que feriram dezenas de soldados norte-americanos e danificaram vários helicópteros, mas o Pentágono não deu conta de vítimas nestes ataques, nem sobre os danos no equipamento militar. Os Houthis declararam bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita. A milícia apoiada pelo Irão, no Iémen, anuncia num comunicado que o bloqueio vai ser feito na entrada sul do Mar Vermelho. Este estreito que liga o Oceano Índico com o Canal do Suez é onde passam 10% do comércio mundial. Em 2023, um bloqueio deste estreito levou a que os navios tivessem que atravessar o Cabo da Boa Esperança na África do Sul, o que causou um aumento dos preços de exportação e importação dos bens.
O Miguel Vítor Dias vai regressar às 18h30 para atualizar as notícias.