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Jornal das 7, na Rádio Observador, com Miguel Viterbo Dias. Em Setúbal, a mãe das duas crianças terá começado agora a ser ouvida pelo juiz de instrução.
Três horas depois de ter chegado ao tribunal, só agora é que o juiz terá começado a ouvir a mãe das duas crianças abandonadas em Alcácer do Sal. À chegada ao tribunal, a mãe e o padrasto das crianças mostraram-se exaltados, com gritos. O mesmo já tinha acontecido no posto da GNR de Palmela, onde estiveram durante a manhã. No exterior do Tribunal de Setúbal está o Ricardo Lopes. Ricardo, só agora é que a audição arrancou?
Precisamente. Mais de duas horas e meia depois de terem entrado aqui no edifício do Tribunal de Setúbal, começou então o interrogatório judicial. Temos a informação de que a mãe das crianças será a primeira a ser ouvida pelo juiz de instrução criminal. Entrou na sala sensivelmente há 10, 15 minutos. Só depois, e de forma separada, será então ouvido o marido, padrasto das crianças. Sabemos também que o advogado oficioso demorou algum tempo a chegar. Depois da entrada dos arguidos, só chegou por volta das 18h e sabemos que o Ministério Público também já fez chegar aqui ao tribunal o despacho de promoção. Importa explicar o que é. É um documento emitido pelo Ministério Público, onde narra todos os acontecimentos e dá o seu parecer oficial sobre os crimes. Indica assim ao juiz de instrução criminal quais as medidas de coação que sugere para os arguidos. Não temos acesso a esse documento, mas sabemos que há aqui três possíveis cenários em cima da mesa. Pode ser aplicada uma medida de coação mais leve, o termo de identidade e residência, ou também ser tomada a decisão de deixar sair o casal em liberdade. No entanto, teriam de se apresentar de X em X tempo junto das autoridades. Ambos os cenários não parecem muito prováveis, inclusive o termo de identidade e residência, na medida em que não têm qualquer residência em Portugal e, à partida, nunca serão deixados sair em liberdade. A última opção será o juiz decretar prisão preventiva, mas esta decisão implica também alguns pressupostos legais, que é importante explicar. Os arguidos são acusados de dois crimes: exposição ao abandono e também violência doméstica. São esses os crimes que são imputados em Portugal. Há também outros crimes no estrangeiro, nomeadamente em França. Estes crimes em Portugal não atingem os cinco anos de prisão efetiva, logo, não são passíveis da medida de coação mais gravosa, que seria a prisão preventiva, a não ser que o juiz defina aqui algumas alíneas agravantes. Pode considerar que há o risco e o perigo de fuga, de tentarem fugir. Há também a questão do alarme social e também a questão de ser um crime relacionado com duas crianças e a questão da descendência, particularmente para a mulher, no caso, que é a mãe das crianças. Por enquanto, nós vamos continuar aqui a aguardar. Temos informação que só começou há instantes, como disseste. Vamos continuar aqui a aguardar fora do Tribunal de Setúbal.
O Ricardo Lopes, ainda com uma tarde, noite pela frente nesta primeira audição da mãe e do padrasto das duas crianças que foram abandonadas no Conselho de Alcácer do Sal.
E no plano político, Luís Montenegro aponta o dedo ao PS e ao Chega pela rejeição da reforma laboral.
Os dois partidos já anunciaram que vão votar contra a proposta do governo. O primeiro-ministro pede mais consequência nas palavras e nos compromissos e acusa PS e Chega de não resistirem a deixar tudo na mesma.
Nós temos de ter em Portugal uma consequência naquilo que dizemos e naquilo que são os compromissos que firmamos com as pessoas. Eu vejo muita gente defender reformas estruturais, transformações estruturais no país e depois quando nós queremos avançar com elas, por mais ponderadas, por mais equilibradas que sejam, é o caso da reforma laboral, não resistem àquilo que é eventualmente mais popular fazer e mais imediato fazer, que é deixar tudo na mesma.
O chefe do governo, Luís Montenegro, esta tarde em Vila Nova de Foz Côa, num registo captado pela RTP. E numa altura em que surge uma sondagem que o coloca em terceiro lugar, surgem também leituras diferentes para estes dados. Os números revelados na edição de hoje do Diário de Notícias revelam que os socialistas conquistam mais de 33% dos votos. A AD cai para os 23%, fica até ligeiramente abaixo do Chega. No Explicador desta tarde, o antigo deputado social-democrata Duarte Pacheco diz que a mudança de poder no Largo do Rato já está a dar sinais.
Que o Partido Socialista, a partir do momento em que tem uma liderança mais ao centro, consegue ir buscar alguns dos descontentes com a governação. Isso deve ser um sinal positivo para o Partido Socialista, porque aquilo que nós tivemos no passado e que levou à queda do PS para a terceira força política, foi uma radicalização à esquerda, que os eleitores penalizaram gravemente.
Duarte Pacheco reforça ainda que a queda da AD pode estar relacionada com a falta de capacidade do governo em transmitir a mensagem sobre as reformas que está a executar. Já Adalberto Campos Fernandes, da área socialista, alerta que um governo apenas pode ter sucesso se for apresentando algo novo ao país todas as semanas.
Tem que haver alguma coisa que se devolva ao cidadão eleitor, porque os partidos fazem um contrato de confiança política baseado numa promessa, que é um contrato em termos de programa eleitoral no primeiro tempo das eleições e depois do programa do governo. E tem que haver todas as semanas, eu diria que são desnecessários anúncios, absolutamente desnecessários, mas seria muito útil que todas as semanas acontecesse alguma coisa de concreto.
Adalberto Campos Fernandes e Duarte Pacheco no Explicador desta tarde da Rádio Observador, a olharem também para esta sondagem, para o Diário de Notícias, que coloca a AD em terceiro lugar, ligeiramente abaixo do Chega e com o PS a liderar as intenções de voto.
E arranca hoje o Congresso da JSD, a Juventude Social-Democrata, com dois candidatos a concorrer à liderança daquela estrutura partidáriaO que acontece pela primeira vez em seis anos.
Clara Sousa Alves e João Pedro Luís são os candidatos à liderança da JSD, a juventude do PSD. A reunião magna arranca hoje em Viseu com a presença de Hugo Soares, secretário-geral, na sessão de abertura, que está marcada para às 21h. Recebemos a esta hora Clara Sousa Alves, uma das candidatas. Obrigado pela disponibilidade para se juntar a nós. O seu opositor diz que disponibilizou várias datas e que andou pelo país a apresentar o projeto para a JSD. O congresso não acaba por ser o palco preferencial para esse debate que tem pedido?
Antes de mais, boa tarde. Muito obrigada por esta chamada e pela possibilidade de estar em linha. Naturalmente que o congresso é o espaço principal para o debate e para confronto de ideias, mas isso não dispensa dotarmos todos os militantes com toda a informação possível e que haja espaço também para antes do congresso, onde se decide quem será o próximo líder, haver diálogo, debate de ideias, confronto e, sobretudo, que os militantes possam estar informados e ter toda a informação sobre o que cada um dos candidatos defende. Da minha parte, acrescentar também que não deixei de estar em campanha e de estar próxima e presente em todos os distritos, com todos os militantes e, a par disso, ter dado a minha disponibilidade total para que esse confronto fosse possível, em respeito pelos militantes e pela juventude portuguesa. Não deixei de ir aos Açores, não deixei de ir à Madeira, não deixei de estar no continente e não deixei também de ter disponibilidade para permitir aos militantes.
Para esses frente a frente. O PSD é atualmente governo. O facto de existirem duas candidaturas não provoca alguma imagem de falta de união? E por outro lado, se o que sentiu é que o caminho que está a ser seguido pela JSD é um caminho errado.
Não significa falta de união, significa precisamente que a juventude do PSD está viva, há democracia interna a funcionar. Significa também que é bom para o PSD ter uma juventude social-democrata ativa, viva, com confronto de ideias e propostas que façam a diferença na sociedade portuguesa.
Trabalha com a Ministra do Trabalho, passo o pleonasmo. A reforma laboral tem sido um dos temas em destaque nos últimos meses. Como é que acrescentar mais flexibilidade acaba por dar mais segurança laboral aos jovens?
A reforma laboral não tem um único pilar da flexibilidade. É importante, mas a par da flexibilidade, tem também o aumento da competitividade e da produtividade, que indiretamente acabam por aumentar salários e garantir que os jovens tenham salários médios mais altos, que lhes permita também avançar com a entrada no mercado de trabalho, com o processo próprio de emancipação. E a par da valorização dos direitos dos trabalhadores jovens, há também um efeito indireto na competitividade, na produtividade e no aumento dos salários.
Clara Sousa Alves, muito obrigado pela disponibilidade para se juntar a nós nesta edição das 19h. Uma das candidatas à liderança da JSD. Na última hora ouvimos também João Pedro Luís, que defende que a JSD deve conseguir manter uma voz interventiva junto do Governo.
Num contexto em que o partido onde a JSD está integrada lidera o Governo, a responsabilidade da JSD é ainda maior. Propostas, convicções e posições firmes não faltam nesta candidatura, porque consideramos que a JSD tem mesmo, neste momento em particular em que estamos no Governo, de ter uma agenda própria, com a qual tem de conseguir influenciar positivamente as políticas públicas do Governo pelo nosso partido liderado.
João Pedro Luís e Clara Sousa Alves, os dois candidatos à liderança da JSD, numa eleição que decorre este fim de semana.
O Governo contraria a Comissão Europeia e diz que a demora nos aeroportos é um problema em vários países.
Bruxelas disse ontem que na maioria dos Estados-membros o processamento dos registos demora pouco mais de um minuto, por isso negou que as filas no Aeroporto de Lisboa se devam ao novo sistema de controle de fronteiras. Ora, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, diz que não é verdade.
Não é o que está a falhar em Portugal. Deixe-me começar por aí. Eu acho que esse é o principal argumento, é o que está a falhar na Europa. Nós temos relatos de problemas em Amsterdão, em Milão, em Munique, nos aeroportos de Tenerife e, portanto, eu acho que não vale a pena. Eu entendo, a Comissão Europeia tem de facto um orgulho grande e uma necessidade grande, e eu entendo a necessidade deste novo sistema. É um sistema que nos serve para proteger mais as nossas fronteiras e é um imperativo não só nacional, mas europeu. Agora, vamos reconhecer, isto não é um problema português, é um problema europeu neste momento.
A mesma opinião tem o diretor-executivo da ANA Aeroportos, que diz que o controle de fronteiras não é um problema específico de Lisboa.
O que temos vindo a fazer é trabalhar de forma colaborativa com o Governo, que está muito empenhado em resolver a questão do problema do controle de fronteiras, mas não é um problema específico a Lisboa. Nós temos o conhecimento que é um problema a nível europeu.
Thierry Ligonnière, o CEO da ANA Aeroportos, a defender a operação no Aeroporto de Lisboa.
E outras notícias a marcar a tarde desta sexta-feira.
Ainda sobre transportes, a Flixbus acusa a Rede Expressos de má-fé sobre o acesso ao terminal de Sete Rios, em Lisboa. A Rede Expressos comunicou à Flixbus os horários disponíveis para utilizar o terminal de Sete Rios, mas a Flixbus diz estar perplexa e acusa a Rede Expressos de continuar a recorrer a manobras dilatórias, recusando-se a aplicar a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa. Donald Trump diz que o Irão está a implorar para que se chegue a um acordo. O presidente norte-americano falou na Casa Branca durante a apresentação do novo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos. Sobre o Irão, Trump reitera a ideia de que o país não pode ter uma arma nuclear e diz também que na viagem que fez à China, fez questão de vincar a Xi Jinping que os Estados Unidos têm o melhor exército do mundo. A fechar, a cantora e atriz Miley Cyrus vai receber uma estrela no Passeio da Fama em Hollywood. No passeio ou calçada, depende. Se for em Portugal era calçada.
Sim, no passeio vai estar o nome ao lado de grandes nomes. Elvis Presley, por exemplo.
Lá está, nos clássicos outra vez, não é, Ricardo? Bom, depois não digas que a culpa é minha. A cerimónia acontece esta noite em Los Angeles.
Não te vou responder.
Junta vários nomes conhecidos. Miley Cyrus recebe assim uma das maiores homenagens da indústria. Ela que se tornou conhecida ainda adolescente na personagem de Hannah Montana no início dos anos 2000, foi depois construindo uma carreira na música com mudanças de estilo pelo caminho. Nos últimos anos voltou a ter grande sucesso com a música "Flowers", que lhe valeu dois Grammys.
E tu, Miguel Viterbo Dias, vais ter de esperar pela tua vez para poderes figurar no Passeio da Fama.
Se tivesse começado mais novo.
Miguel Viterbo Dias vai regressar às 19h30.