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Obrigada.
Começa agora o Jornal das 8, edição de Vanessa Cruz. Vanessa, o Ministro da Educação e do Ensino Superior diz que está a ser feita uma interpretação grave das declarações que fez esta tarde. Fernando Alexandre recusa ter dito que os estudantes carenciados são responsáveis pela degradação das residências universitárias.
Vamos começar por ouvir as primeiras palavras de Fernando Alexandre, que geraram polêmica.
Aquilo que nós fazemos no ensino superior é não misturar, é pôr nas residências universitárias os estudantes dos meios socioeconômicos mais desfavorecidos. E por isso é que depois elas se degradam. Quando nós metemos pessoas, que são basicamente todas de rendimentos mais baixos, a beneficiar de um serviço público, nós sabemos que esse serviço público se deteriora.
O ministro, esta tarde, ao apresentar o plano de ação social para o ensino superior, agora ao anoitecer e depois das críticas de PS, PCP, LIVRE e PAN, Fernando Alexandre recusa ter dito que os estudantes carenciados são responsáveis pela degradação das residências universitárias.
Eu não disse isso, isso é totalmente falso. Eu não disse isso. O que eu disse é que quando tem um serviço público que é usado apenas por pessoas que não têm voz, que são de rendimentos mais baixos, devido à gestão, foi isso que eu disse, o serviço se degrada. Foi isso que eu disse, é só ouvir as minhas declarações. Aliás, nós vamos partilhar imediatamente o link, eles foram transmitidas online, com todos, e peço que oiçam com atenção, porque aquilo que eu faço ali é uma apologia da mobilidade social, da igualdade de oportunidades.
O problema é de gestão das residências, não dos alunos serem mais ou menos carenciados, é o que esclarece o ministro Fernando Alexandre, que tem ainda críticas a fazer aos partidos à esquerda, sobretudo ao PS.
Sem se darem ao trabalho de estudar ou pelo menos de ouvir as minhas declarações. E por isso acho lamentável este tipo de atitude, que de fato não abona nada a favor da nossa democracia. Eu lamento que um partido como o Partido Socialista, com as responsabilidades que tenha, venha pedir a demissão de um ministro sem nem sequer perceber o que o ministro disse.
Fernando Alexandre, em declarações na RTP Notícias. Antes deste esclarecimento, o PS tinha instado o ministro a voltar atrás com a palavra ou a sair do governo. O LIVRE e o PCP também se pronunciaram, acusaram Fernando Alexandre de estigmatizar os alunos universitários mais desfavorecidos. O Partido Comunista pediu até uma audição no Parlamento. O ministro diz que vai com todo o gosto.
A UGT e a ministra do Trabalho saíram da reunião desta tarde otimistas quanto às negociações do pacote laboral.
Mário Mourão, secretário-geral da UGT, esteve sentado à mesa de negociações com Maria Rosário Palma Ramalho, um encontro acompanhado pela jornalista do Observador, Teresa Freire. Teresa, agora em direto, boa noite. Conclusões.
Boa noite, Vanessa. Exatamente, já terminou a reunião. A ministra do Trabalho convocou a UGT para esta reunião, para retomar as negociações. À entrada da reunião, o secretário-geral desta central sindical admitiu que as expectativas eram altas e, à saída, confirmou estas expectativas. Admite que a reunião foi bastante produtiva.
Foi uma reunião muito construtiva, foi uma reunião muito produtiva e vamos continuar o trabalho, e há muito trabalho para fazer. Aliás, eu disse uma vez: temos que partir a pedra, e pedra dura. E por isso, é isso que vamos fazer. Vamos continuar esse trabalho com um reinício positivo e que eu espero que traga frutos.
São as palavras do Mário Mourão, o secretário-geral da UGT, que falou aos jornalistas e logo a seguir falou a ministra do Trabalho, para fazer o balanço desta primeira reunião depois da greve geral. Maria Rosário Palma Ramalho garante que o governo mantém a mesma disponibilidade que sempre teve.
Como proposta para construção normativa, o governo mantém, exatamente como tinha antes, disponibilidade para construir as soluções. Enfim, nós teremos que nos encontrar a meio caminho. Da nossa parte, nada mudou. Da parte da UGT, terá que perguntar à UGT.
As palavras da ministra do Trabalho, que disse que o governo se mantém disponível. Importante também referir que tanto a ministra como o secretário-geral da UGT garantiram que a reunião foi apenas para definir a metodologia e não o conteúdo das possíveis alterações ao anteprojeto deste pacote laboral. A ministra pediu que a UGT agora apresente propostas e a UGT garantiu que o vai fazer.
Reportagem da Teresa Freire. A UGT otimista, a ministra a admitir aproximar posições sobre o pacote laboral.
E deste encontro saiu ainda outra novidade sobre o salário mínimo, Vanessa.
O diploma de atualização do salário mínimo nacional para €920 vai amanhã a Conselho de Ministros. É uma subida de €50 a partir do próximo ano.
O vice-presidente da bancada do PSD desvaloriza algumas decisões do Tribunal Constitucional, como a alteração que previa a perda da nacionalidade.
Para o deputado Paulo Lopes Marcelo, essa é uma medida de caráter simbólico, que não mexe na estrutura geral da lei e no objetivo político principal de PSD e CDS. Em entrevista ao Observador, o vice-presidente do grupo parlamentar social-democrata diz que agora cabe ao Chega decidir se quer ou não fazer parte da solução.
É uma situação que só se verificará em muito poucos casos, mas era uma questão mais simbólica. No fundo, reforçar que a pertença a uma comunidade política traz uma série de direitos, mas também traz deveres de cumprimento das regras dessa comunidade política.
Mas era um ponto muito importante para o Chega, por exemplo. Isso pode dificultar aqui esta fase de ultrapassar estas normas inconstitucionais?
Pois, isso terá que perguntar ao Chega, não é?
Paulo Marcelo, em entrevista no programa Sofá do Parlamento da Rádio Observador, garante que a decisão do Tribunal Constitucional não belisca o espírito da lei da alteração à Lei da Nacionalidade, que sai reforçado, considera, com este acórdão.
E esta tarde foram entregues os Prêmios Sakharov, em Estrasburgo. Terminou com um compromisso por parte da presidente do Parlamento: não deixar para trás a Geórgia e a Bielorrússia.
Roberta Metsola garante que vai exercer toda a pressão política para expor as violações aos direitos humanos por parte de ambos os países, patrocinados pela Rússia. Um compromisso assumido pela presidente do Parlamento Europeu nessa entrega dos Prêmios Sakharov, distinção que é dada pelo Parlamento Europeu desde 1988 a figuras que lutam pela defesa da liberdade de expressão e pensamento. Este ano, os laureados foram dois jornalistas, uma georgiana e um bielorrusso, que estão presos por questões políticas. O Observador está no Parlamento Europeu e acompanhou a cerimônia. João Costa Campos, que ficou marcada por apelos dos vencedores aos líderes europeus.
Journalist Andrei Poczobut from Belarus and Imzia Amaglobeli from Georgia.
Um bielorrusso, outra georgiana, ambos jornalistas, ambos presos por desafiarem a mão pesada do Estado. Representam milhares que vivem todos os dias em repressão e é por isso, diz Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, que são os justos vencedores do prêmio.
With this prize, the European Parliament carries their message and amplifies it in the strongest of signals.
Há cinco anos preso, há cinco anos sem ver a família. O jornalista bielorrusso foi representado pela filha, diz que este prêmio não muda o passado, nem volta a unir a família que foi sacrificada à custa da luta pela liberdade de expressão, mas mostra que é possível fazer justiça.
Your recognition cannot change the past, but it gives us something extremely precious for the future: the belief that justice and humanity still have a place in this world.
Do lado da jornalista georgiana, vem uma colega que denuncia perante os eurodeputados a pressão constante sobre jornalistas no país. A Geórgia, que vive sob forte influência russa, agradece o prêmio, mas pede mais ação aos líderes europeus e avisa: deixar países como a Geórgia e a Ucrânia sozinhos é um erro histórico irreparável.
It will be an irreparable historical mistake, for which you and us will have to pay a heavy price. I also wish that these statements turn into an action.
Do lado do Parlamento Europeu, tem luz verde. Roberta Metsola garante toda a pressão política em favor das vítimas do autoritarismo na Europa.
This Parliament stands firmly at your side, and we reaffirm this in order to keep Georgia as close to Europe as it deserves and its people deserve.
Um trabalho do jornalista João Costa Campos. O Observador está no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, a acompanhar esta que é a última sessão plenária deste ano.
E a notícia de fecho do Jornal das Oito, edição da jornalista Vanessa Cruz.