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Muito boa noite. Começamos as notícias com o Presidente da República. Considera Marcelo Rebelo de Sousa que o estado de calamidade foi decretado no tempo certo. O chefe de Estado diz que está a acompanhar todos os desenvolvimentos da atuação dos operacionais no terreno, recusa atrasos quanto à decisão de ativar o estado de calamidade.

Houve quem dissesse: "Ah, mas o Governo não podia ter declarado o estado de calamidade ontem?". Porque é facto que ninguém ontem pediu a declaração do estado de calamidade. É muito fácil pedir que tivesse sido há 24 horas, quando os próprios que acham isso não pediram há 24 horas. Por quê? Por uma razão muito simples: para se ter a exata noção do primeiro rescaldo da situação.

O Presidente da República sugere que seja criado um fundo para ajudar financeiramente no futuro, tendo em conta que fenômenos extremos são cada vez mais recorrentes.

Com a ideia de que estas calamidades se transformem em normais, isto era anormal. Ter de prever estruturas, um fundo que permita guardar meios financeiros para essa anormalidade, para essas calamidades.

Ouvíamos aqui Marcelo Rebelo de Sousa, que promete visitar os locais afetados pelo mau tempo dentro de alguns dias e justifica o silêncio até agora.

A pior coisa que pode haver é os responsáveis políticos aparecerem, tirando os autarcas, os locais, aparecerem cedo demais, enquanto dura a reação, pelo menos a primeira reação aos acontecimentos. E eu deixei de aparecer nos fogos desde então e esperei uns dias, e aqui é exatamente o mesmo.

Marcelo Rebelo de Sousa numa visita à Academia Militar, onde falou aos jornalistas. Luís Montenegro ficou surpreendido pela negativa com o cenário que encontrou esta tarde em Leiria e Coimbra. Um cenário que era pior do que esperava. O levantamento dos prejuízos vai ser feito a partir de amanhã.

Em termos de valores, confesso que neste momento é mesmo prematuro. Nós amanhã mesmo teremos o ministro da Economia e da Coesão Territorial a reunir com as comunidades intermunicipais e, portanto, com os senhores autarcas, para tentar fazer um primeiro levantamento, concelho a concelho, município a município, região a região, comunidade intermunicipal a comunidade intermunicipal. Isso é necessário para nós podermos decidir as nossas fontes de financiamento interno e também para podermos candidatar-nos a fontes de financiamento, nomeadamente à escala europeia.

O primeiro-ministro diz que o Governo está em contacto com a Comissão Europeia para desenhar e encontrar formas de financiamento. Precisamente, a presidente da Comissão Europeia manifesta a mais profunda solidariedade pelas vítimas e pelos danos causados pela tempestade. Ursula von der Leyen falou com o primeiro-ministro para assegurar que o bloco europeu está pronto para apoiar na recuperação através dos mecanismos mais rápidos e eficazes. A chefe europeia diz que o cenário é devastador. Agradece ainda, Ursula von der Leyen, a todas as equipes que estão a trabalhar para garantir a segurança dos cidadãos e a restabelecer o fornecimento de eletricidade. Adianta ainda, numa mensagem no X, que o comissário europeu da Energia e Habitação chega esta noite a Portugal para colaborar com as autoridades, que continuam a avaliar a dimensão total dos danos, numa visita que, de resto, já estava prevista. A vice-presidente da Associação de Municípios apela a todos os autarcas para preencherem os formulários de levantamento dos danos. Ana Abrunhosa, que é também autarca de Coimbra, lembra que quanto mais rápido houver essa informação, melhor.

Há um formato que está no site da CCDR, uns mapas que devemos preencher, que são fundamentais depois para qualquer candidatura, seja a fundos europeus, seja a outro tipo de fundos, os formulários são sempre os mesmos. As nossas equipas das câmaras municipais, com o apoio da comunidade intermunicipal, já está também a dar apoio aos municípios. Quanto mais rápido for esse levantamento dos danos e enviarmos para o Governo, mais rapidamente também o Governo sabe quanto é que precisa nas linhas de apoio.

Ana Abrunhosa acompanhou o primeiro-ministro na visita aos estragos em Coimbra. Revela que também a Câmara de Lisboa ofereceu ajuda e agradece a solidariedade de todos os corpos de bombeiros que têm estado no terreno. Pelo menos até domingo, mantém-se em vigor a situação de calamidade. Para já, abrange 60 municípios, pode ser alargada, uma decisão anunciada hoje em Conselho de Ministros. Nesta altura, mais de 380 mil pessoas continuam sem eletricidade em casa. A informação da E-Redes, à Agência Lusa, Leiria continua a concentrar a maioria das ocorrências, com mais de 280 mil clientes afetados. As equipes no terreno identificaram 450 postes de alta tensão, alta e média tensão, partidos ou danificados, assim como 24 subestações afetadas. No distrito de Leiria, o mais afetado pela passagem da depressão Christine, a E-Redes ativou o estado de emergência