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Rádio Observador. Jornal das oito, edição do jornalista João Gama. E começamos a olhar para a reunião magna do Partido Socialista, a lista opositora a José Luís Carneiro para a Comissão Nacional não foi aceite.

Foi rejeitada pela mesa do Congresso, liderada, como sabemos, por Carlos César. Em causa está a falta de nomes para constituir a lista candidata à Comissão Nacional. A lista opositora ainda recorreu, mas a decisão acabou por ser validada pelo Congresso. A acompanhar os trabalhos está o Miguel Vitero Dias. Miguel, boa tarde. Que justificações dá à mesa do Congresso para esta decisão?

Ora, Carlos César diz que foram apresentados apenas sete nomes, são necessários 250. A lista opositora, liderada por Ricardo Gonçalves, um militante histórico de Braga, recorreu de imediato, foi até ao palco do Congresso para conversar com Carlos César. Carlos César disse que havia a hipótese de recorrer. Ricardo Gonçalves assim o fez e colocou à votação do Congresso sobre se a decisão da mesa era a correta ou não. Claro está que o Congresso validou a decisão de Carlos César e, por isso, esta lista não foi aceita. Depois dessa rejeição, Ricardo Gonçalves veio aqui até à zona dos jornalistas mostrar que tinha os 250 nomes na lista, mas que houve um problema na impressão da lista e que por isso foi entregue apenas a primeira folha que tinha os tais sete nomes referidos por parte de Carlos César, que é o presidente do partido e, por isso, também por inerência, o presidente do Congresso. Ora, Ricardo Gonçalves foi crítico de José Luís Carneiro durante a tarde. Tem sido também antes do arranque deste Congresso. Diz que é necessária uma lista opositora para mostrar também algum debate interno dentro do próprio Partido Socialista, mas acabou por não conseguir levar avante a ideia de ter uma lista opositora à Comissão Nacional, que é o órgão máximo entre congressos. E disso deu conta Carlos César, quando recebeu a tal folha com os sete nomes.

A mesa aceitou uma lista para a Comissão Nacional, que é aliás encabeçada por Inês de Medeiros, e não aceitou uma lista encabeçada por Ricardo Gonçalves, que foi apresentada apenas com sete nomes.

Carlos César a dar conta desta falha na lista de Ricardo Gonçalves. Por isso, neste momento os serviços estão a verificar a lista de José Luís Carneiro, que é encabeçada por Inês de Medeiros, presidente da Câmara de Almada, que acabou há pouco de discursar ao Congresso. E a lista de Ricardo Gonçalves não foi sequer admitida, portanto, os nomes não estão sequer a ser verificados para se perceber se há ou não os tais 250. Também durante a última hora, Miguel Costa Matos, antigo presidente da Juventude Socialista, deputado do PS, é o autor de uma moção setorial que pede a José Luís Carneiro para deixar de estar em cima do muro, para assumir uma oposição mais vocal, mais assertiva com o governo, e disso deu conta ao Congresso.

Nós precisamos de ter uma postura forte, nós temos que nos dar ao respeito. O PS tem de escolher quais são as áreas nas quais quer fazer entendimentos e quais são as áreas nas quais quer ser oposição e alternativa. Não dá para ser em todos. Não dá também para ser em nenhum. Nós precisamos de mais do que carta, nós precisamos de falar para o país, porque o PS é candidato a governar o país e não candidato a parceiro parlamentar deste governo.

Miguel Costa Matos, que encabeça este grupo de militantes que tem também, por exemplo, Pedro Costa, que defende uma oposição mais agressiva, mais aguerrida com o governo de Luís Montenegro, numa noite que não se deverá prolongar muito, pelo menos é essa a intenção de Carlos César, que não vai sequer interromper os trabalhos para jantar, para que os trabalhos possam concluir-se por volta das 21h30, 22h da noite. É esse o objetivo. Faltam ainda discursar algumas figuras do partido. Por exemplo, o líder parlamentar Eurico Brilhante Dias ainda vai discursar esta noite e estará também daqui a pouco em entrevista na emissão especial do Observador, aqui no Congresso do Partido Socialista.

Uma entrevista que vai ser realizada por ti, Miguel Vitero Dias, a acompanhar este 25º Congresso do Partido Socialista. Está a acontecer, como sabemos, em Viseu.

E não é a única entrevista que a Rádio Observador fez esta tarde. Francisco Assis pede ao PSD que recue no acordo com o Chega para o Tribunal Constitucional.

Fala o eurodeputado de uma profunda irresponsabilidade. Foi entrevistado pela Rádio Observador em Viseu. Deixa um alerta: a escolha de juízes para o Tribunal Constitucional pode colocar em causa um respeito mútuo entre os dois partidos fundadores da democracia, e deixa, por isso, um aviso direto ao Partido Social-Democrata.

Seria um ato de profunda irresponsabilidade do meu ponto de vista.

E é suficiente para a tal crise irreversível ou não?

Se porventura isso acontecer, alterará radicalmente a relação entre os dois principais partidos políticos em Portugal. Isso não deve, evidentemente, ter como consequência natural, automática e inevitável que o Partido Socialista, por exemplo, diga de antemão que vai inviabilizar orçamentos ou vai contribuir para derrubar o governo.

Francisco Assis aponta também ao Partido Socialista, diz que o PS de José Luís Carneiro tudo deve fazer para evitar que se chegue a uma crise irreversível na relação entre os socialistas e o governo da AD.

Devemos ter todos uma grande preocupação em contribuir para que se não chegue a uma situação de crise irreversível na relação entre os dois partidos. E é por isso que eu fiz essa afirmação há pouco. Isto é, as democracias precisam, entre outras coisas, de duas que me parecem fundamentais. Primeiro, do ponto de vista social, que exista uma classe média forte e, no plano político e partidário, que coexistam duas soluções alternativas de esquerda e direita moderadas e que se respeitem uma à outra. Isso é absolutamente indispensável para a manutenção de um clima democrático.

Os avisos de Francisco Assis, entrevistado pelos jornalistas do Observador, Rita Tavares e Miguel Vitor Dias.

E os reparos de José Luís Carneiro ao PSD não estão a ser motivo de preocupação? Hugo Soares fala de uma conversa para a claque.

O secretário-geral dos sociais-democratas comentou assim as declarações do reeleito secretário-geral do PS. José Luís Carneiro avisou o governo e o PSD que se semearem ventos, vão acabar por colher tempestades e com alguns reparos à aproximação do PSD ao Chega na eleição, por exemplo, dos órgãos externos da Assembleia da República. Em declarações à Agência Lusa, Hugo Soares desvaloriza. Falou à margem de uma tomada de posse da nova conselheira do PSD em Cabeceiras de Basto, garante que o governo vai continuar o seu caminho e dialogar com todos os partidos com representação parlamentar.

E o coordenador do Bloco de Esquerda pede que o PSD se pronuncie sobre a revisão constitucional.

José Manuel Pureza quer que os sociais-democratas saiam de um silêncio tático e que se posicionem a favor ou contra uma nova revisão da Constituição. No final da reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, que aconteceu este sábado, José Manuel Pureza, coordenador do partido, criticou ainda as medidas que foram anunciadas pelo governo esta sexta-feira para a habitação.

O ministro Leitão Amaro, quando anunciou as medidas do governo, vincou, repetidas vezes, que o intuito do PSD era proteger o mercado, de tal maneira que os proprietários, nas palavras dele, se sentissem impulso, eles próprios, para colocarem de livre vontade as suas casas, as suas habitações no mercado. Não é nada disso que está em causa, evidentemente. Se há alguma coisa que tem que ser protegida, são aquelas pessoas que não têm dinheiro para pagar a casa.

José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda, em conferência de imprensa, depois da reunião desta mesa nacional do partido.

E na atualidade internacional, o Irão chegou a acordo com o Paquistão para deixar passar 20 navios pelo Estreito de Ormuz.

"Navios com bandeira paquistanesa", escreve o ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão na rede social X, a anunciar este acordo. A passagem será limitada a dois navios por dia. O líder da diplomacia de Islamabad diz que é um gesto bem-vindo e construtivo por parte do regime de Teerão, que merece o reconhecimento do governo paquistanês. Fala mesmo de um pronúncio de paz que pode contribuir para trazer a estabilidade à região. Numa publicação nas redes sociais, apela ainda a J. D. Vance, Marco Rubio e Steve Witkoff para manterem e para recuperarem as negociações diplomáticas com o Irão.

E João Gama a fechar. Treinador e jogador do Sporting foram parar ao hospital depois de se queixarem de um cheiro intenso no balneário do Dragão Arena.

A equipa de andebol do Porto recebe hoje o Sporting, mas antes do jogo começar, o jogador Christian Moga e o treinador Ricardo Costa queixaram-se de um cheiro intenso, descrito como semelhante a lixívia e propício a dar sono. De acordo com o Correio da Manhã, o alerta foi dado pelo plantel leonino a poucas horas do início do jogo. Vários jogadores tiveram mesmo de ser assistidos por uma equipa médica. Entretanto, o Futebol Clube do Porto já reagiu em comunicado. O clube desmentiu de forma absoluta, clara e inequívoca os relatos que foram divulgados antes da partida. O jogo estava agendado para às 18h. O apito inicial acabou por se atrasar 20 minutos. O jogo que está neste momento ainda a decorrer.

E é o ponto final no Jornal das 8, edição do jornalista João Gama. Já a seguir voltamos a Viseu, ao Congresso do PS, onde se encontram os repórteres do Observador, que já a seguir entrevistam Eurico Brilhante Dias.