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Vamos às notícias. São as notícias das 20h, com edição de Miguel Cordeiro. E Miguel, em destaque, a Ministra da Saúde quer remodelar o serviço de urgências em Portugal, num trabalho que pode demorar cerca de um ano.
Admite Ana Paula Martins que há falta de recursos no SNS e, por isso, defende que é preciso concentrá-los. A ministra aponta para a necessidade de fazer uma otimização nas urgências, que identifica como uma das maiores redes de toda a Europa, a rede que existe em Portugal. Perante os jornalistas, a ministra avança que está a ser feita uma revisão do serviço de urgências a nível nacional por vários especialistas e aponta as primeiras datas que prevê para ter resultados deste trabalho.
Os primeiros resultados desta reorganização acontecerão no final do mês de novembro. O que eu quero dizer com isto? Estará em audição pública esta primeira parte do trabalho deste grupo de especialistas, por uma questão de transparência, e depois avançaremos para essa regionalização das urgências.
Resultados para novembro referentes à região de Lisboa e Vale do Tejo, uma das zonas onde os tempos de espera de urgências são mais elevados. A reorganização das urgências do SNS a nível nacional, de acordo com a ministra, vai durar cerca de um ano.
Ana Paula Martins volta a dizer que está de consciência tranquila com o trabalho que tem feito e que só sai do cargo quando o primeiro-ministro entender. Hoje a ministra assina um artigo de opinião no JN, em que aponta o trabalho que já realizou, mas a governante recusa que seja um mecanismo de autoelogio ao governo.
Ana Paula Martins escreve esse artigo de opinião em que sublinha que reformar exige coragem aos atores políticos, tempo de concretização, perseverança e capacidade de gerir os descontentamentos. Esta tarde, esteve a ministra na inauguração do Hospital Lusíadas, em Beloura, em Sintra. À margem, foi confrontada com esse artigo e rejeitou que seja um texto preenchido de elogios à atuação do Ministério da Saúde.
O artigo que eu escrevi não pretendia, de forma alguma, ser nenhuma ode ao trabalho que temos feito. Ou seja, eu falo do trabalho que temos feito, mas também falo de factos com números que não estão bem. Naturalmente. E, portanto, o que eu lhe posso dizer? A consciência não me pesa porque eu estou a cumprir o meu dever. E eu já disse isto várias vezes. Mesmo atendendo àquilo que os barómetros dizem, e eu compreendo, eu não confundo popularidade com responsabilidade.
Ana Paula Martins, que nessas declarações acabou também por reagir à tracking poll da CNN, que avança que Ana Paula Martins é a ministra com maior taxa de reprovação dentro do governo. A ministra diz que é comum que a pessoa a cargo da pasta da Saúde tenha uma avaliação mais negativa.
Seguimos com as notícias. A Federação Académica do Porto abriu hoje a terceira residência universitária. O presidente desta federação aproveitou o momento para atacar a paralisia do Estado e a inação das universidades. Considera que não há respostas suficientes para o problema da habitação para estudantes.
Francisco Porto Fernandes, presidente da Federação Académica do Porto, falou na inauguração de uma residência universitária na Póvoa de Varzim. Uma residência construída com o apoio da autarquia, que vai receber 11 alunos e que aumenta para 75 o número de camas que são disponibilizadas por esta federação. O presidente, na inauguração deste estabelecimento, pede mais ação do Estado e aponta o dedo às universidades, que acusa de não conseguirem fazer o suficiente nesta área.
Quando nós criticamos a falta de camas no movimento estudantil, acusamos muitas vezes os governos PS e PSD. Têm a sua quota-parte de culpa, mas não podemos esquecer das instituições de ensino superior, muitas delas com grandes capacidades financeiras e que ano após ano adiam o investimento em ação social, porque preferem investir noutro tipo de áreas.
Declarações de Francisco Porto Fernandes, da Federação Académica do Porto. Esta é a primeira residência desta federação inaugurada fora do município do Porto. O evento contou também com a participação e com elogios do presidente da Assembleia da República.
O antigo ministro da Defesa, Azeredo Lopes, diz que os resultados das eleições regionais na Alemanha mostram que vivemos num período de extremos.
O partido de extrema-direita, a Alternativa para a Alemanha, AfD, venceu ontem as eleições regionais no nordeste do país, na região de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, e por pouco não alcançou o limiar para a entrada no Parlamento estadual. Os resultados ameaçam aumentar a pressão política sobre o chanceler alemão, Friedrich Merz, que admitiu que estes resultados tratam-se de um desastre. Na análise a este resultado, o antigo ministro da Defesa português, Azeredo Lopes, afirma que é espantoso o governo alemão não ter conseguido eleger representantes nessa região. Alerta também para a vitória do partido de esquerda radical, o Die Linke, em Berlim, e diz que vivemos num período de extremos.
Nós vivemos o tempo dos extremos, porque não posso esquecer que em Berlim, por exemplo, ganhou um projeto claramente de extrema-esquerda, se assim posso exprimir. O Die Linke é também um projeto de charneira, mas do outro lado do espectro ideológico e, por isso, é extraordinário pensarmos que o governo, que é suportado essencialmente pelo partido do chanceler, a CDU, não conseguiu sequer estar representado nas eleições de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
Azeredo Lopes no programa Gabinete de Guerra, na Rádio Observador.
E nos Estados Unidos, J.D. Vance defende a decisão de Trump de tirar o acesso da imprensa à Casa Branca.
Três meios de comunicação foram expulsos da Casa Branca, anunciaram hoje que vão avançar com uma ação judicial contra o executivo de Trump por ameaças à liberdade de imprensa e ao jornalismo independente. Falamos da CNN, do Politico e do MS Now. Durante a tarde, as cadeias de televisão norte-americanas CBS, NBC, ABC e Fox decidiram suspender a cobertura de Donald Trump em apoio aos órgãos de comunicação social que ficaram proibidos de entrar na Casa Branca, sendo que essa suspensão inclui a ausência de fornecimento de imagens de eventos presidenciais às diferentes cadeias de televisão e imprensa. Trump reagiu. Numa mensagem na Truth Social, o presidente norte-americano acusou a imprensa norte-americana de ser uma ameaça à segurança do país. E agora, J.D. Vance, vice-presidente, também ataca os órgãos de comunicação social envolvidos.
Ele não está a proibir os meios de comunicação social. O que ele está a fazer é dizer: "Nós vamos conceder acesso à Casa Branca se se envolverem no que é, na prática, propaganda". Temos de nos lembrar que estes três órgãos de comunicação representam cerca de 92% das notícias negativas sobre o presidente dos Estados Unidos e a administração. Portanto, se dedicam ao que é, na prática, propaganda de extrema-esquerda, por que razão uma Casa Branca republicana lhes concederia acesso especial? Eu acho que é totalmente adequado, a menos que, claro, comecem a comportar-se como verdadeiras organizações noticiosas.
J.D. Vance, em defesa de Donald Trump.
E agora 20h08, o que outras notícias marcam a atualidade, Miguel?
Os Estados Unidos da América suspenderam os voos em Boston, Nova Iorque e Filadélfia devido a um corte na linha de fibra ótica. Os voos foram suspensos pela Administração Federal de Aviação. A empresa disse à Agência Reuters que o cabo de fibra ótica terá sido acidentalmente cortado num estaleiro de obras em Nova Jersey. O incidente obrigou ao desvio de vários voos para outros aeroportos devido a problemas na comunicação entre os aeroportos. Um bombeiro sofreu ferimentos ligeiros durante o combate a um incêndio em São Mamede de Coronado, na Trofa. A Proteção Civil explica à Agência Lusa que o bombeiro foi transportado para o hospital, sendo que esta tarde, por causa deste incêndio, também foram retirados cerca de 40 alunos e três funcionários de uma escola, a Escola da Vila, em Paço. O alerta para este incêndio foi dado às 15h. Estão a combater as chamas cerca de uma centena de operacionais desde essa hora. Um fogo que já provocou ferimentos num bombeiro.
E é o ponto final no Jornal das 8, edição do jornalista Miguel Cordeiro está de saída. A informação regressa atualizada às 20h30. Miguel, até amanhã.
Até amanhã.