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Na Rádio Observador. Jornal das 9 na Rádio Observador, com a edição da Laura Figueiredo. Laura, 15 pessoas morreram na sequência do descarrilamento do Elevador da Glória, em Lisboa. O governo decretou um dia de luto nacional.

O elevador que liga aos Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara, em Lisboa, descarrilou esta tarde. O alerta foi dado por volta das 18h. O INEM confirma que os passageiros já foram todos retirados do elevador. Há 15 vítimas mortais.

Estamos a registar 18 feridos deste incidente, onde destacamos cinco feridos graves, transportados para o Hospital Santa Maria, São José e São Francisco Xavier. E temos a registar também um total de 13 feridos ligeiros, dentro dos quais destacamos uma criança que está internada no Hospital Santa Maria. Relativamente às vítimas mortais, até agora, os números finais são 15 vítimas mortais.

Pode haver mais vítimas mortais?

Não, o número está completo. Estamos a falar de um total de 18 feridos, já transportados ao hospital, e 15 vítimas mortais.

O INEM adiantou ainda que há portugueses entre as vítimas mortais, mas não revela, para já, mais informações sobre as nacionalidades. Anteriormente, a Proteção Civil tinha adiantado que várias pessoas ficaram encarceradas. A mesma fonte avança ainda que as causas do acidente podem estar relacionadas com cabos e com a forma de funcionamento dos elétricos, uma vez que funcionam de forma compensada. A Rádio Observador falou com uma testemunha que presenciou o acidente. Teresa Davó faz o relato.

Aconteceu precisamente por volta das 18h05. Eu estava aqui junto ao Elevador da Glória, à Rua da Glória, com um colega meu, quando o elevador, aquele que estava mais embaixo, já quase a chegar, a estacionar, sofreu um pequeno solavanco e as pessoas lá dentro assustaram-se. Nós prontificamo-nos para ajudar, mas logo a seguir vimos o elevador de cima desenfreado, sem travões. Começámos todos a fugir, porque pensámos que fosse embater no de baixo, mas ele na curva, descaíu e embateu com o prédio aquele da Rua da Glória, aquele canto ali.

Aquele amarelo.

Aquele amarelo. Exatamente. Eu prontifiquei-me logo a ir à entidade reguladora da comunicação que fica aqui. Sei que tem lá sempre um PSP. Avisei. Os meios foram muito rápidos. Passado cinco minutos, já estava aqui polícia, passado 10 minutos, já tínhamos aqui um carro de bombeiros e à medida do tempo a ajuda foi continuando a chegar.

Quantos passageiros estavam lá dentro e quantos saíram feridos?

Não deu para perceber. O de baixo estava cheio. Houve pessoas que eu vi que estavam feridas também.

No de baixo, também?

No de baixo, também. Porque foi pequeno, mas não foi assim tão pequeno. Ou seja, aquilo cheio, as pessoas embateram lá dentro umas com as outras. Vi um rapaz que tinha também a perna ensanguentada. No elevador de cima, não consegui perceber se existiam pessoas lá dentro. Percebi que estava uma pessoa no passeio naquele momento e penso que talvez tenha sido, não quero avançar nada, obviamente.

Tenha sido a vítima mortal.

Exatamente. Lembro-me de ter visto aquela pessoa, no momento em que olhei, no momento em que bateu, a pessoa estava lá.

E quanto tempo depois começaram a chegar polícia e bombeiros?

Foi muito rápido. Estamos aqui nos Restauradores. A polícia chegou logo, devia ser polícia que estava aqui também na zona. Chegou logo um carro de bombeiros, os dois carros de emergência do INEM, o desencarcereamento dos bombeiros chegou depois.

Relato de Teresa Davó, à Rádio Observador, uma testemunha que presenciou este acidente. O ascensor da Glória que esteve em manutenção entre 26 de agosto e 30 de setembro do ano passado.

E Carlos Moedas afirma que Lisboa está de luto.

O autarca falou há cerca de uma hora, no local do acidente. Confirma que existem vítimas mortais e fala num acidente trágico para a cidade.

Estamos todos no terreno a tentar socorrer as vítimas deste trágico acidente para a cidade de Lisboa. Estou em contacto com o Presidente da República, com o Primeiro-Ministro e com todo o Governo, porque é um momento trágico para a cidade. É um momento muito duro. Nós agora temos que estar aqui a tratar e temos que estar no terreno. Posso confirmar que há vítimas mortais e queria deixar aqui os meus sentimentos. Obviamente, não podemos, neste momento, confirmar o número. Isso será confirmado oportunamente. Mas aquilo que posso dizer é que Lisboa está de luto. E é um momento trágico para a nossa cidade.

Carlos Moedas sublinha um trágico acidente que não devia ter acontecido.

Infelizmente, é gravíssimo. Infelizmente, aquilo que se passou aqui, obviamente, é um acidente que não deveria ter acontecido, mas oportunamente aqui estaremos para responder a todas as perguntas. Mas neste momento, por respeito às famílias, não podemos estar agora a comunicar. Muitas dessas vítimas que estão em estado grave, estão nos hospitais.

O autarca de Lisboa sublinha ainda a assistência rápida dos bombeiros sapadores, que foram alertados às 18h08, estavam no terreno às 18h11.

Alexandra Leitão quer apurar as causas do acidente, mas diz que hoje não é dia para isso.

A Rádio Observador, a candidata socialista à Câmara de Lisboa, sublinha que agora é altura para salvar pessoas.

Hoje não é dia para isso. Hoje é dia para salvar as pessoas que estão lá e para manifestar essa solidariedade. Naturalmente que temos que saber o que aconteceu, naturalmente que temos que apurar até o fim as causas deste terrível acidente, até para evitar que torne a acontecer. Vamos acompanhar, eu própria, vamos acompanhar a par e passo e com grande detalhe a evolução destes acontecimentos e do que acontecerá a partir de amanhã, mas isso é amanhã. Hoje, fica aqui mesmo a minha solidariedade para todos os envolvidos.

Alexandra Leitão, em declarações da Rádio Observador.

Laura, como já referimos, o governo decretou um dia de luto nacional. Vai ser cumprido amanhã.

Uma informação avançada por fonte oficial do gabinete do primeiro-ministro. Na nota adiantam que o governo decidiu declarar um dia de luto nacional como uma manifestação de pesar e solidariedade do povo português. Assim, é declarado o luto nacional no dia 4 de setembro, amanhã, quinta-feira. De acordo com a fonte do gabinete, Luís Montenegro cancelou também parte da agenda de quinta-feira. Mantém apenas a reunião do Conselho de Ministros e a participação por videoconferência no encontro de líderes da Colegião de Boa Vontade sobre a Ucrânia.

Antes, o primeiro-ministro tinha já lamentado profundamente o lamentável acidente e garante que terá as averiguações necessárias.

O governo e o primeiro-ministro expressam profunda consternação e solidariedade às vítimas e famílias. Na nota divulgada, consta que o governo está desde os primeiros momentos a acompanhar a situação e também a resposta das várias autoridades de emergência médica, unidades de saúde, proteção civil, forças de segurança, transportes, em estreita articulação com a Câmara Municipal de Lisboa, é o que diz a nota, que diz também que embora registe a prioridade no momento para o socorro às vítimas, refere que as autoridades competentes vão realizar, no devido tempo, as averiguações necessárias para apurar as causas deste acidente.

E o presidente da República foi o primeiro a reagir, lamenta profundamente as vítimas e quer que o acidente seja rapidamente esclarecido.

Marcelo Rebelo de Sousa lamentou profundamente este acidente com o Elevador da Glória, em particular as vítimas mortais e os feridos graves. De acordo com uma nota publicada no site da presidência, Marcelo Rebelo de Sousa espera que a ocorrência seja rapidamente esclarecida pelas entidades competentes. Entretanto, o chefe de Estado já cancelou a Festa do Livro no Palácio do Belém, que acontecia entre amanhã e domingo.

E Laura, ao longo das últimas horas, além do governo, os líderes das principais forças partidárias foram reagindo a este acidente.

André Ventura, o presidente do CHEGA e também líder da oposição, reagiu na rede social X. Diz que o acidente deixa uma marca dolorosa na cidade de Lisboa e expressa um profundo sentimento de tristeza com o acidente. Já o secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, manifesta-se chocado com o acidente do Elevador da Glória, defende que é preciso apurar exaustivamente as causas que originaram esta tragédia. Quanto ao líder da Iniciativa Liberal, também lamenta o sucedido. A presidente Mariana Leitão diz que é fundamental que seja realizada uma investigação rigorosa para apurar as causas e assegurar que são implementados todos os procedimentos necessários para que uma tragédia destas nunca mais se repita. Também o LIVRE diz estar em choque com as mortes. Na rede social X, o porta-voz Rui Tavares diz-se consternado com a existência de vítimas mortais e também atento ao acompanhamento dos feridos.

E a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes vai realizar uma ação de supervisão ao descarrilamento.

Em comunicado, a AMT garante que nos próximos dias vai realizar uma ação de supervisão ao acidente, cujos resultados vão ser divulgados com a maior celeridade possível. A AMT, que tem por missão regular e fiscalizar este setor da mobilidade e dos transportes, diz ter recebido com profunda preocupação e consternação a notícia do descarrilamento do Elevador da Glória e já também endereçou os pêsames aos familiares e amigos das vítimas mortais.

Também o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários vai investigar o descarrilamento, mas só tem um investigador para este setor.

O gabinete vai abrir uma investigação ao descarrilamento do Elevador da Glória, em Lisboa. De acordo com o que adiantou à Lusa, devido à limitação dos meios humanos na área ferroviária, só amanhã de manhã o gabinete vai dar início à recolha de evidências no local.

Foi o Jornal das Nove com a Laura Figueiredo.