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São 10 horas, um minuto. Jornal das 10, António José Soares. Marcelo Rebelo de Sousa reúne-se com o primeiro-ministro ao final da tarde, no Palácio de Belém.

Uma informação avançada esta noite na página oficial da Presidência da República. A nota não adianta mais nenhum detalhe sobre o encontro entre Luís Montenegro e o chefe de Estado.

O governo não descarta a possibilidade de avançar com a moção de confiança, mesmo que a moção de censura do PCP seja chumbada.

É uma ideia que foi deixada no ar hoje pelo ministro dos Assuntos Parlamentares. Várias fontes partidárias confirmam ao Observador que essa hipótese foi lançada por Pedro Duarte.

Ainda assim, o PCP, responsável pela apresentação da moção de censura, quis matar a conversa logo à partida.

Os comunistas terão dito que se o governo queria avançar com uma moção de confiança, então já o teria feito. O Observador sabe também que o PS pretende manter a Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso do primeiro-ministro, mesmo que o Executivo caia. Os socialistas dizem que tal vai acontecer, seja nesta ou na próxima legislatura.

E a Rádio Observador tem preparada uma emissão especial amanhã à tarde para acompanhar o debate da moção de censura do PCP.

Vamos contar com a antevisão ao debate no Parlamento. Vamos também acompanhar todas as declarações a partir da Assembleia da República e ter análise logo em seguida.

Mais de três quartos dos mares europeus são poluídos por navios e vítimas da fraca legislação ambiental e também pela falta de fiscalização.

São as principais conclusões do relatório divulgado hoje pelo Tribunal de Contas Europeu. O documento analisa as medidas ambientais adotadas pela União Europeia entre 2014 e 2024 e salienta que, além do número de mares poluídos, é difícil localizar os centros de poluição e descobrir os autores. O relatório destaca que a legislação europeia é mais exigente que as normas internacionais. Porém, a aplicação entre os 22 países do bloco com costa marítima fica aquém do necessário e as medidas de fiscalização e penalizações à atividade marítima são ineficazes. Navios de carga, cruzeiros, ferries, embarcações de pesca e recreio são as principais fontes de poluição marítima, com o Tribunal de Contas Europeu a apontar a perda de contentores no mar como um problema emergente.

A Cimeira árabe vai adotar o plano do Egito para a reconstrução da Faixa de Gaza.

Um anúncio feito pelo presidente do Egito na intervenção de encerramento do encontro entre os vários líderes, que decorreu hoje no Cairo. A informação citada pela Al Jazeera indica que o objetivo é impedir que o presidente Donald Trump possa avançar com a criação de uma riviera do Médio Oriente. O plano egípcio vai ter uma duração de cinco anos. Na primeira fase, vai ser feita a remoção de escombros e a instalação de habitações temporárias na região de Gaza.

Ainda no plano internacional, Donald Trump pretende anunciar o acordo de minerais com a Ucrânia e ainda hoje.

De acordo com a agência Reuters, que cita várias fontes ligadas ao processo, o presidente norte-americano e Volodymyr Zelensky poderão assinar o entendimento em breve. A agência de notícias avança que Trump terá dito aos conselheiros da Casa Branca que quer fazer o anúncio na comunicação ao Congresso desta terça-feira à noite, já madrugada, hora de Lisboa. O acordo tinha sido colocado em suspenso depois do polémico encontro nos Estados Unidos. Zelensky tinha se deslocado a Washington na passada sexta-feira para assinar este entendimento, o que acabou por não acontecer devido à discussão com o presidente e vice-presidente dos Estados Unidos na Sala Oval da Casa Branca.

A especialista em Relações Internacionais, Daniela Nunes, considera que Zelensky está a ceder à pressão dos Estados Unidos ao anunciar que a Ucrânia está pronta para iniciar negociações de paz.

Ouvida no programa Gabinete de Guerra, da Rádio Observador, a especialista sublinha que a discussão entre o líder ucraniano e Donald Trump, na Sala Oval da Casa Branca, teve um papel importante na tomada de posição anunciada esta tarde. Reitera ainda que o compromisso para a paz da Ucrânia não altera a posição de Trump face ao conflito.

Não me parece que o presidente Trump caia nestas palavras e, de repente, mude radicalmente o que até aqui tem vindo a ser uma postura absolutamente desprezível face ao apoio à Ucrânia, face à própria Ucrânia e à luta destes últimos três anos de todos os aliados no Ocidente.

Sobre o acordo de minerais, Daniela Nunes espera que Zelensky não tenha tomado uma decisão precipitada perante o conflito entre os dois líderes e face à urgência de Donald Trump em assegurar os interesses econômicos dos Estados Unidos em solo ucraniano.

Entretanto, as tarifas econômicas levadas a cabo por Donald Trump entraram hoje em vigor e o primeiro-ministro do Canadá anunciou a retaliação.

Justin Trudeau diz que arranca a partir de hoje uma tarifa de 25%, com efeitos imediatos, sobre os produtos vindos dos Estados Unidos. Em conferência de imprensa, o chefe do governo canadiano acusa a administração norte-americana de trair o mais antigo aliado dos Estados Unidos e de iniciar uma guerra comercial entre os dois países. Justin Trudeau explica que o Canadá está contra a aplicação de tarifas, mas apenas o faz para provar que não há vencedores numa guerra comercial.

"Donald, durante oito anos nós trabalhamos juntos e fizemos grandes coisas. Nós assinamos um histórico acordo que permitiu criar o número recorde de postos de trabalho e crescimento econômico para os dois países. Fizemos grandes feitos no cenário internacional, tal como o Canadá e os Estados Unidos sempre fizeram durante décadas. Agora, deveríamos estar a trabalhar juntos para garantir uma América do Norte ainda mais próspera, num contexto de grande incerteza ao redor do mundo. Não é meu hábito concordar com o Wall Street Journal, mas Donald, se eles te definem como alguém muito inteligente, esta medida é algo muito idiota de ser feito."

Justin Trudeau anunciou ainda que as tarifas de 25%, aplicadas pelo Canadá, vão durar até que as aplicadas por parte dos Estados Unidos sejam retiradas.

Na análise, o economista António Nogueira Leite fala numa má decisão da parte do Canadá.

Em declarações ao "Observador", o economista considera que o país não deveria retaliar. António Nogueira Leite destaca os impactos que este tipo de tarifas vai gerar.

Os estudos que já existem para aquilo que estava em cima da mesa, mostram que os Estados Unidos crescerão menos no curto prazo e sempre menos a médio e longo prazo. Mas a quebra é menor do que no caso, quer do Canadá, quer do México, que são relativamente mais afetados. Para além que a inflação acontecerá em todos os países. Em termos de teoria económica, o ideal era o Canadá não retaliar. Só que eu acho que politicamente não é possível. Um dirigente político dizer: "As nossas empresas são oneradas com tarifas enormes e nós não retaliamos." Ao não retaliar, os efeitos simétricos aos que ocorrem na América não ocorreram no Canadá.

O economista António Nogueira Leite afirma que este tipo de tarifas vai aumentar a inflação e os preços, sendo os consumidores os mais afetados. Nuno, para terminar, vou-te perguntar uma coisa: já ouviste falar do maior iceberg do mundo?

Não.

Não?

Não.

Ok.

Não.

De acordo com o British Antarctic Survey, é uma plataforma de gelo conhecida como A23a, está encalhada desde o sábado passado a cerca de 70 km de um local de vida selvagem muito importante, a Ilha da Geórgia do Sul.

Portanto, é a autoestrada do bebe interior. É a A23, não é?

Não é bem.

A sério? Mas como é que isso pode afetar, de facto, a fauna? Agora falando muito a sério.

Se este iceberg chegasse à ilha, e como ele tem uma superfície de mais de 3 mil km², tem um peso de cerca de mil milhões de toneladas. Não é fácil pegar naquilo.

Não, não é.

Podia colidir ou encalhar em águas menos profundas da ilha e afetar a alimentação de crias de pinguins e de focas.

Mas explica-me só uma coisa, como é que um iceberg se mantém intacto com alterações climatéricas, com oscilações?

Um iceberg, ainda por cima deste tamanho.

E desse tamanho.

Exatamente. Este iceberg soltou-se em 1986.

Já anda por aí há bastante tempo.

Desde 86. Soltou-se de uma plataforma de gelo na Antártida, ficou preso durante mais de 30 anos junto da plataforma continental, mas voltou-se a libertar em 2020. Depois disso, tem feito uma viagem muito lenta para norte, porque ele é muito grande, não consegue andar depressa. Tem sido atrasada, felizmente, pelas correntes do oceano e agora está encalhado perto da Ilha da Geórgia do Sul.

Isto é preocupante. Estamos aqui a brincar, mas estamos aqui, de facto, é realmente muito-

É só assuntos que preocupam bastante.

É verdade. A informação estará de regresso com a ação iceberg a partir das 10h30. Pode ser?

Pode ser, Nuno. Até já.

A seguir vamos ter o "Isto não passe na rádio". Fique por aí.