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Jornal das 10 com Beatriz Félix e Beatriz Mário Centeno diz que não tenciona concorrer à liderança do PS, nem ser candidato a primeiro-ministro.
Foi o que disse o ex-ministro das Finanças e antigo governador do Banco de Portugal, hoje na apresentação do livro "Contas Certas". Uma apresentação que, Martim Madeira, contou com várias figuras do PS.
Mário Centeno apresentou o livro Contas Certas, com a coautoria do jornalista Filipe Santos Costa. Uma apresentação que contou com grandes nomes da história do PS. António Costa e o atual secretário-geral do partido marcaram presença. E momentos antes do evento, questionados sobre uma possibilidade de Centeno poder vir a ser um concorrente na liderança do PS, Mário Centeno e José Luís Carneiro tiveram uma interação, no mínimo, constrangedora.
Vou ter aqui um concorrente.
Concorrente para quê?
Não sei. Você é que sabe.
Não.
Está lá um cartão. Se Mário Centeno aceitar.
Esse é um assunto que diz respeito a Mário. Até já!
Uma questão sobre um cartão militante, que fica a cargo agora do ex-ministro das Finanças. Já no final do evento, Centeno explica que o livro é apenas uma visão sobre o caminho do país.
O meu papel, neste momento, é tão só, e se calhar já não é pouco, o de apresentar aquilo que é a minha visão sobre o caminho que o país fez.
O ex-governante do Banco de Portugal utiliza ainda uma analogia de uma mesa de três pernas como uma obrigação de os governos darem estabilidade a Portugal.
É obrigação de quem está e quem vive o ciclo político em cada momento, criar essas mesas de três pernas, que a qualquer momento permite fazer o país avançar. Não vai ser entregue pelo IKEA, nem vêm as instruções de montagem. É preciso construí-las.
Já sobre vir a ser primeiro-ministro, Centeno recusa.
Não gostava nada de ser primeiro-ministro.
Ainda sobre uma comparação, sobre ser o novo Passos Coelho da esquerda, Mário Centeno diz que é uma comparação sem qualquer cabimento.
Essa comparação é despropositada, porque o nosso passado é completamente diferente e não há nenhuma comparação possível, mesmo entre uma situação e a outra.
O livro Contas Certas, de Mário Centeno, uns bastidores da vida do ministro, que no final até tem direito a uma playlist com a primeira música a ser de Amália e que Centeno diz ter dedicado ao secretário de Estado do Orçamento em 2016.
Aprendi a fazer contas, na escola de tenra idade. Foi mais tarde, ainda às tontas.
É um trabalho do jornalista Martim Madeira, já no final, ao som de Conta Errada, um fado de Amália Rodrigues que está no início de uma lista de músicas incluída no livro apresentado esta tarde por Mário Centeno.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde enviou para o Ministério Público uma denúncia sobre gastos de Miguel Guimarães na Ordem dos Médicos.
O mandato de Miguel Guimarães enquanto bastonário da Ordem dos Médicos entre 2017 e 2023, foi alvo de uma denúncia que já está nas mãos dos serviços do Ministério Público. O Observador apurou que os alegados ilícitos criminais apontados na queixa estão diretamente relacionados com atos de Miguel Guimarães, embora possa haver outros membros da ordem referidos no documento. A denúncia original foi enviada para a Inspeção-Geral em outubro do ano passado. Foi analisada durante vários meses no âmbito de um processo formal de inspeção. Também fonte do Ministério da Saúde confirma ao Observador que recebeu a denúncia e que a encaminhou para a IGAS. Na reação, Miguel Guimarães diz que desconhece a denúncia e recusa qualquer tipo de fraude. O antigo bastonário diz mesmo que nunca foi sequer contactado e lamenta toda esta situação.
Eu primeiro não sei o que é que a denúncia diz e acho isto profundamente lamentável. Eu quando fui bastonário da Ordem dos Médicos, aliás, à semelhança de quando fui presidente do Conselho Regional do Norte, nunca quis usar cartão de crédito, porque sempre que um bastonário ou um presidente do Conselho Regional é eleito, normalmente atribuem um cartão de crédito do banco no qual temos a conta para pagar eventuais despesas. Eu nunca o fiz, nunca quis ter o cartão de crédito, o cartão de crédito ficou para a Ordem, para guardarem no cofre. E portanto, eu não tenho nada, mas nada mesmo, nada que seja fraudulento, nada que seja despesas fora daquilo que são as despesas habituais de representação da Ordem.
É a reação de Miguel Guimarães a esta notícia avançada pelo Observador. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde enviou para o Ministério Público uma denúncia sobre os gastos de Miguel Guimarães quando era bastonário da Ordem dos Médicos.
Na política, o PCP quer mais esclarecimentos sobre as reservas de combustível do Estado e critica aquilo que apelida de política da porcelana.
Em causa está a mobilização de parte das reservas estratégicas nacionais de combustível para França. A ministra do Ambiente explicou esta semana que Portugal se viu obrigado a enviar uma parte dessas reservas de combustível para França por falta de capacidade de armazenamento em Portugal. Este esclarecimento surge depois de dúvidas levantadas por José Luís Carneiro. Em reação ao Raimundo, questiona a justificação dada pelo governo sobre a reserva estratégica e pergunta o que é que o Executivo tenciona fazer.
Perante essa possibilidade, perante essa justificação, que levou a todo esse processo, com qual situação estamos hoje confrontados? É uma multinacional, neste caso espanhola, poder vir a ficar nas mãos com a única refinaria que o país tem, que é a refinaria de Sines. E o governo sobre isso não diz nada? O PS sobre isso não diz nada? Estão preocupados com a reserva estratégica e não estão preocupados com aquilo que pode acontecer amanhã, que é ficarmos sem nenhuma possibilidade, tendo reservas, não poder refinar?
Palavras de Paulo Raimundo, que explicou à Agência Lusa que o PCP submeteu hoje no Parlamento uma pergunta dirigida ao governo. Os comunistas querem agora saber quais são os custos e quem paga e se, de facto, o governo procurou todas as possibilidades no território nacional de reter essa reserva. Além disso, o dirigente comunista questiona também quem é que pagou os custos da retirada do armazenamento de crude e de petróleo que Portugal tinha na refinaria de Matosinhos. Esta tarde, em declarações em Loures, o dirigente comunista aproveitou também para apontar o dedo aos partidos da política de porcelana, palavras de Paulo Raimundo, por não quererem taxar lucros extraordinários e focarem o debate na redução dos impostos.
O deputado do CDS-PP, João Almeida, critica os apelos do governo à diminuição do consumo de combustíveis.
Em causa, as declarações também da ministra da Energia e do Ambiente. Nos últimos dias, ambos os ministros, também o ministro da Economia, além de Maria da Graça Carvalho, recomendaram aos portugueses que procurassem consumir menos energia perante o aumento do preço dos combustíveis e a instabilidade nos mercados. Em declarações à RTP Notícias, o deputado do CDS, João Almeida, diz que existem muitas pessoas que não têm alternativa e que não têm capacidade de reduzir os consumos. Afirma também que as recomendações dos ministros não foram minimamente acertadas e que é o pior que se pode dizer aos portugueses.
Eu devo dizer que discordo em absoluto dessas declarações dos dois ministros. Discordo em absoluto e acho que é a pior coisa que se pode dizer às pessoas neste momento. Do ponto de vista da sensibilidade política, não foram minimamente acertadas e também não reconheço às declarações uma consequência evidente que fosse positiva, porque há muita gente que não tem alternativa de transporte público, por exemplo, para levar os seus filhos à escola, para levar os seus idosos a tratamentos.
São as declarações do deputado do CDS-PP, João Almeida, à RTP Notícias.
Beatriz, vamos ainda a outros temas que marcam a atualidade.
E falamos de atualidade internacional. O gabinete da presidência ucraniana desmentiu uma notícia da Bloomberg que dava conta de que Donald Trump teria pedido a Volodymyr Zelensky para se encontrar com Vladimir Putin em Moscovo. Esta tarde, a Bloomberg avançou que durante o encontro de Trump com Zelensky, na passada terça-feira, o presidente norte-americano teria feito a alegada proposta, mais tarde recusada por Zelensky. Uma notícia agora desmentida por Dmytro Litvin, o conselheiro de comunicação da presidência ucraniana. E falamos também do Irão, que diz que não vai alterar o programa nuclear do país, mesmo se reabrir o estreito de Ormuz. Esta é uma informação avançada por um alto funcionário iraniano à Agência Reuters, que falou sob anonimato. O funcionário acrescenta que o estreito de Ormuz ficará fechado até que todas as condições do Irão sejam cumpridas por parte dos Estados Unidos.