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Jornal das 11, na Rádio Observador, com o jornalista Carlos Pedro. E começamos, Carlos, com André Ventura, que apelida os apoios fora da área socialista a António José Seguro de partners do sistema e diz estarem também a levantar-se contra quem quer pôr em causa esse mesmo sistema.

É a resposta de Ventura à carta aberta assinada por mais de duas centenas de figuras fora da área socialista, que declararam hoje apoio a António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais. O candidato apoiado pelo Chega diz que esta eleição será uma luta dos taxistas contra quem quer acabar com os tachos. Fala inclusive numa vitória da sua candidatura e explica por quê.

Alguns que andaram toda a vida a apoiar o PSD, a Iniciativa Liberal, o CDS, agora saem de repente de onde estão para dizer: "Eu apoio o doutor António José Seguro, porque isto é uma luta da democracia contra o autoritarismo". Mas, caras, nunca estiveram tão enganados. Isto não é uma luta da democracia contra o autoritarismo. Isto é uma luta dos taxistas contra os não taxistas. Nós temos é um país a levantar-se contra alguém que quer pôr em causa o sistema de interesses nacional. E isso, meus caros, deixem-me dizer-vos, independentemente do resultado que venha a acontecer no dia oito, já é uma vitória nossa, porque nós já conseguimos uma coisa. Tudo o que é os partners do sistema, já vieram a público e agora sabemos quem são, da Iniciativa Liberal ao CDS. Seremos nós contra eles até os derrubarmos e até vencermos o sistema de interesses.

Críticas que se estenderam ao próprio António José Seguro. Ventura acusa o candidato de ser arrogante por achar que já venceu as eleições e não querer debater. Ventura quis também falar sobre agricultura, um tema que diz deve estar no centro do debate político. Aqui reprova o acordo do Mercosul.

Querem nos alargar o mercado para o Brasil, para o Paraguai, para a Argentina, para o Uruguai. Países que produzem, e muito, mas não têm que cumprir as regras que os europeus têm que cumprir. É que primeiro Bruxelas criou-nos uma série de regras ambientais, supostamente, que obriga os agricultores a terem que cumprir. E, portanto, o agricultor hoje não pode fazer nada sem pagar milhares de taxas, que tem que pagar para tudo, sem ter que ter não sei quantos produtos que cumpram as regras ambientais da União Europeia. Mas vai competir com quem? Com agricultores no Brasil, no Uruguai, no Paraguai, onde não há nenhumas regras ambientais ou quase nenhumas, e onde não há nenhumas regras de exigência laboral. Isto é concorrência justa? É evidente que não.

André Ventura, esta tarde em Santarém.

E seguimos agora com o líder do CDS-PP. Nuno Melo associa o Chega ao socialismo e apela, por isso, ao voto em consciência na ida às urnas do dia 8 de fevereiro.

Os centristas estiveram em convenção autárquica esta tarde no Porto. Aí o líder dos democratas cristãos tentou explicar o posicionamento do partido na segunda volta das presidenciais. Sem endossar o apoio a Seguro ou a Ventura, Nuno Melo diz que não adianta escolher entre direita e esquerda quando o Chega defende o que defende.

Não se é de direita ou de esquerda, porque se diz que é de direita ou de esquerda, e o Chega realmente defende aumentos de impostos e um Estado a dar tudo a todos, o que normalmente só acontece com o dinheiro que é dos contribuintes ou com a tal mão metida no bolso de quem trabalha. E eu constato que mais socialismo que isto não há. Mais socialismo que isto não há.

Nuno Melo, que considera normal não apoiar um candidato da área socialista, referindo-se a António José Seguro.

E também Paulo Raimundo recusa que a ida às urnas do próximo mês signifique uma eleição de direita contra a esquerda. Ainda assim, o comunista apela ao voto em António José Seguro.

E pediu também que não se desvalorize a segunda volta das eleições, apontando que o desfecho não está assegurado. Isto enquanto deixou críticas à campanha de voto útil da primeira volta, bem como ao que classificou como manobra das sondagens com candidatos de primeira e de segunda. Esta tarde, num comício em Lisboa, o secretário-geral do PCP voltou a não se mostrar entusiasmado com a candidatura de Seguro, mas não pensa noutra alternativa. Paulo Raimundo, esta tarde em Lisboa, deixou também apelos de mobilização aos trabalhadores para as ações organizadas pela CGTP contra o pacote laboral.

E ouvimos também neste jornal das 11, do PS, que acusa o Governo de exercer uma pressão ilegítima sobre as entidades responsáveis por avaliar os impactos ambientais e pede, por isso, uma audição urgente no Parlamento ao Ministro da Agricultura.

Através de comunicado, o grupo parlamentar socialista afirma que dois ministros do governo de Luís Montenegro exigiram publicamente que as autoridades ambientais não cumpram a lei. Os socialistas recordam um vídeo enviado aos técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, no qual José Manuel Fernandes, o Ministro da Agricultura, apelou à proatividade e defendeu que quando a legislação impede a concretização de projetos, deve-se questionar se a lei faz sentido. O PS considera que esta é uma visão negacionista muito perigosa sobre a necessidade de preservação da natureza e dos acordos internacionais assumidos por Portugal.

E também a marcar este sábado, Carlos Pedro, uma megaoperação conjunta da PJ, Força Aérea e Marinha, que capturou mais de oito toneladas de cocaína e deteve ainda quatro traficantes de droga em pleno Oceano Atlântico.

A notícia foi avançada esta noite pela CNN Portugal, que dá conta de que a embarcação estaria a ser escoltada até Lisboa. De acordo com a mesma fonte, trata-se de uma das maiores operações de combate ao tráfico de droga dos últimos cinco anos em Portugal. Os militares terão passado os últimos dois dias em alto-mar à procura da embarcação, tendo a mesma sido localizada durante a madrugada. A droga vinha proveniente da América do Sul.

E antes da informação local, seguimos com o desporto. O Sporting foi a Faro vencer por duas bolas a uma, graças a um gol de Luís Suárez, já para lá da hora.

Foi aos 90 mais seis que o colombiano saltou mais alto do que toda a gente e fez de cabeça o gol da vitória leonina. O Sporting esteve a vencer, deixou-se empatar, teve de sofrer até à última para, pelo menos, não deixar fugir ainda mais o Fogo do Porto na tabela classificativa. Nos festejos do segundo gol, nota para a expulsão de Matheus Reis. E na análise à partida, Rui Borges lamentou a entrada da equipe em campo na segunda parte, mas destacou a justiça do triunfo.

No final do jogo, mas acho que merecida por tudo que fomos fazendo ao longo do tempo. Podia nos ter sido caro os 10 minutos que entramos mal na segunda parte. Foram uns 10 minutos, o Arouca podia ter virado o jogo, tem a oportunidade logo em seguida de fazer 2 x 1, uma grande defesa do Rui. Tirando isso, controlamos o jogo, fomos tentando criar várias aproximações à baliza. Poderíamos aqui ou ali definir melhor, mas poderíamos ter sido prejudicados em 10 minutos que não entramos muito bem.

Uma vitória difícil e com dedicatória especial.

Dedicar a vitória à minha mãe, que faz anos, deixar um beijinho grande, dizer que a vitória é para ela. Difícil, porque sofre bastante, vive muitos jogos. Queria deixar um beijinho à Luna Cândida aqui em especial e dedicar também esta vitória a ela.

Já do lado arouquense, Vasco Seabra lamentou o gol sofrido no último lance do encontro. Ainda assim, fala em orgulho, mas recusa vitórias morais.

Muito orgulhoso dos jogadores, com uma vontade muito grande de lhes dar os parabéns. Não vivemos é de vitórias morais e claro que nos fugiu um ponto. Eventualmente, poderiam ter fugido três, porque acho que a equipa criou realmente as melhores oportunidades do jogo.

Vasco Seabra, que não coloca em causa o triunfo do Sporting, que está agora à condição a quatro pontos do líder Futebol Clube do Porto, que só joga na segunda-feira. A equipa de Alvalade aumentou também a condição para seis pontos, a diferença para o terceiro classificado, Benfica, que entra em campo amanhã para defrontar o Estrela da Amadora na Luz. O jogo que vai poder ouvir com relato em direto aqui na Rádio Observador a partir das 18h. Nota ainda para a vitória do Estoril esta noite em casa contra o Vitória por 4 x 2. A equipa da linha ultrapassou o conjunto de Guimarães e alcançou a oitava posição da Primeira Liga de Futebol.

11h08, vamos atualizar agora, Carlos Pedro, informação de âmbito local.

A começar por Vila do Conde, a Câmara Municipal decidiu encerrar a Avenida Marquês de Sá da Bandeira e a Avenida Infante Dom Henrique ao trânsito automóvel e pedonal, em causa o agravamento das condições meteorológicas causadas pela passagem da depressão Ingrid. A medida começou ontem à noite e vai estar em vigor, pelo menos, até às 9h de amanhã. Também em Leiria, há um encerramento, desta vez na Praia de Pedrógão. O município vedou esta tarde os acessos ao areal depois das previsões de mau tempo para este fim de semana. Através das redes sociais, a autarquia apela à população que evite deslocações desnecessárias a esta praia e que siga as recomendações das autoridades. Ainda por causa das condições meteorológicas, foram canceladas as ligações entre a Trafaria, o Porto Brandão e Belém. Mantém-se apenas a circulação de passageiros entre Porto Brandão e Belém, informou a Transtejo e Soflusa. Ainda não há previsão para a retoma das outras ligações. Em Santa Maria da Feira, um acidente com seis carros na A23 fez seis feridos, um deles em estado grave. Aconteceu esta tarde no sentido sul-norte, um dos veículos envolvidos na colisão acabou por capotar. Para o local foram mobilizados vários meios de socorro. A circulação acabou também por sofrer constrangimentos. Em Santarém, a Biblioteca Municipal vai receber o escritor angolano José Eduardo Agualusa. A iniciativa acontece no âmbito da primeira edição deste ano do programa Conversa com Escritores. O evento tem como objetivo promover o debate em torno da literatura e da cultura africanas. Fechamos em Loures, o carnaval vai ter a colaboração de 2600 figurantes e 15 carros alegóricos. No total, vão estar presentes 20 grupos carnavalescos que vão representar diferentes épocas da história. O arranque das festividades está marcado para o último dia deste mês de janeiro.

Carlos Pedro, de regresso às 11h30 para atualizar as notícias na Rádio Observador. Carlos, um abraço, até já.

Até já.