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Duas horas. As notícias com Marta Caramelo Nobre.
Boa noite. Os sociais-democratas reúnem-se este sábado em congresso em Anadia, no distrito de Aveiro. A reunião nacional arranca um dia depois de o Chega e os partidos de esquerda terem rejeitado a proposta de alterações à lei laboral do governo e, por isso, deverá ser um dos temas a marcar o evento. O primeiro-ministro Luís Montenegro e o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, culpam o Chega pelo falhanço do acordo. Acusam o partido de André Ventura de colocar em causa a sustentabilidade da Segurança Social ao insistir na descida da idade da reforma. Ainda assim, o líder do Chega diz que tentou até à última, um consenso com o Executivo. Numa conferência de imprensa na sede do partido, o presidente do Chega afirmou que o governo optou por seguir sozinho e de forma arrogante.
O governo optou por seguir em frente e dizer que nenhuma mexida na idade da reforma podia ser feita, porque desequilibraria todo o sistema de pensões. Procurei até à última hora que fosse possível chegar a um consenso. O que não posso, porque a consciência não permite e porque os eleitores também não o permitiriam, nem aceitariam, é trair a visão fundamental que temos de que uma reforma ou dita reforma laboral possa transformar-se num instrumento de perseguição sobre quem trabalha e destruição da economia portuguesa. O que aconteceu hoje no Parlamento, não se trata de nenhum cálculo político, trata-se de defender precisamente aquilo de mais precioso que temos em Portugal.
André Ventura deixa ainda claro que o Chega não partilha a visão do PSD e da Iniciativa Liberal sobre a precariedade das condições de trabalho.
Nós não vemos o trabalho como uma relação de exploração e de domínio de uns sobre outros. O PSD sabia isso e o seu primeiro-ministro também sabia isso. Foi neste pressuposto de visão, repito, de que não partilhamos a visão do PSD e da Iniciativa Liberal, de que se deve descartar completamente quem trabalha, sobretudo os mais fracos e os que ganham menos, que aceitamos, mesmo assim, por ser a única via possível, encetar um processo complexo de trabalho e de negociação, que culminou, aliás, numa proposta de 47 páginas de alteração ao texto legal.
André Ventura, numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa. Ainda sobre a queda da reforma laboral. A ministra do Trabalho considera que o chumbo no Parlamento foi um falhanço para o país. É a reação de Maria Rosário da Palma Ramalho, que falava aos jornalistas no Parlamento antes de uma audição parlamentar sobre a prestação social única. A ministra afasta a demissão e explica que o país fica a perder com este chumbo.
Eu julgo que é, sobretudo, uma derrota para o país, porque perdeu-se uma oportunidade histórica de permitir que Portugal avançasse numa matéria em que está muito mal na cauda da Europa, em termos de salários, em termos de produtividade. E esta reforma contribuía de uma forma equilibrada, ou seja, sem desvanecer de modo algum os direitos dos trabalhadores, no sentido de pôr Portugal mais próximo da Europa. E ao não conseguirmos isso, naturalmente, é uma oportunidade perdida para o país.
Declarações aos jornalistas da Ministra do Trabalho no Parlamento esta sexta-feira. Ficou em prisão preventiva a mulher suspeita de matar a enteada de oito anos, em Valpaços. A madrasta da criança foi ouvida no Tribunal de Vila Pouca de Aguiar. A mulher foi detida na passada quinta-feira, depois de durante a madrugada ter confessado o crime e ter indicado aos polícias o local onde deixou o corpo da menina de oito anos. A arguida está fortemente indiciada pelo crime de homicídio qualificado. A advogada da defesa, Mónica Teixeira, explica que já esperava esta medida de coação, mas adianta que vai ainda pedir um parecer psiquiátrico.
Vamos tentar uma perícia psiquiátrica. Ela colaborou. Ela tentou, desde que caiu nela, ainda com os inspetores da PJ, colaborar, ajudar ao máximo na investigação e na recolha de toda a verdade material para o processo. Hoje, sim, também falou, em sede de primeiro interrogatório. Confessou muitos dos factos que estavam neste processo e mostrou muito arrependimento.
Mónica Teixeira, advogada de defesa da mulher que ficou em prisão preventiva, em declarações aos jornalistas no final da audiência no Tribunal de Vila Pouca de Aguiar. O Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo defende que Luís Montenegro devia ter sido informado da tentativa de ataque do grupo Armilar Lusitano antes de ser feita a divulgação na comunicação social. Foi uma queixa feita esta sexta-feira pelo primeiro-ministro, que lamentou não ter sido informado pelas autoridades, e sim através da comunicação social, num momento delicado para ele e para a família. À Rádio Observador, o presidente do OSCOT, o coronel Francisco Rodrigues, sai em defesa da posição de Luís Montenegro.
Sem pôr em dúvida exatamente a questão levantada, a dúvida ou a negação de ter conhecimento desta situação, a não ser pela comunicação social, acho que lhe devia ter sido comunicada anteriormente a situação, tanto mais que faria com que ele próprio também estivesse, de certa forma, atento a qualquer situação que poderia estar relacionada com a questão em si.
Ainda assim, Francisco Rodrigues defende que esta é uma prova de que as autoridades são capazes de conter este tipo de ataques. Entretanto, a Procuradoria-Geral da República veio esclarecer que a lista de alvos do grupo neonazi foi conhecida numa altura tardia, quando já não existia perigo, uma vez que os principais suspeitos estavam em prisão preventiva. No Reino Unido, pelo menos uma pessoa morreu e quase 90 ficaram feridas na sequência de uma colisão entre dois comboios. De acordo com as autoridades britânicas, 88 pessoas ficaram feridas, 11 em estado muito grave e 22 com ferimentos graves. Nas operações de resgate, estiveram cinco helicópteros de emergência, bem como mais de 30 veículos. O acidente terá acontecido quando um comboio que seguia de Corby para Londres embateu na traseira de outro proveniente de Nottingham. O primeiro-ministro britânico já reagiu na rede social X, Keir Starmer expressa condolências à família da pessoa que morreu e agradece aos serviços de emergência pela resposta rápida ao trágico incidente. Olhamos ainda para o Mundial de Futebol, isto porque há instantes arrancou um dos jogos mais esperados desta madrugada, Brasil-Haiti, e para nos dar conta dos destaques desta partida, agora em direto comigo em estúdio, o jornalista Martim Madeira. Boa noite, Martim.
Boa noite.
Há bocado antecipavas um furacão brasileiro e a verdade é que o Brasil já marcou.
Já marcou e já podia ter marcado mais. O Brasil começou a todo o gás, era esperado já. O Brasil tem que ganhar este jogo obrigatoriamente, quer marcar muitos gols depois de uma exibição pobre contra Marrocos, agora está à procura de uma exibição melhor, com muitos mais gols para agradar também a torcida brasileira, o que nem sempre é fácil. Ancelotti conseguiu aqui, pelo menos do que consigo observar destes primeiros 35 minutos, organizar um bocadinho melhor as ideias de jogo do Brasil. Um dos grandes problemas era Roger Ibañez no lado direito, não subia muito o lateral-direito. Ao trocar Roger Ibañez por Danilo, Danilo tem estado a subir um bocadinho mais na lateral direita, deixando o espaço livre para Raphinha entrar por dentro, fazer diagonais para dentro e aparecer nas costas da defesa do Haiti. Outro também dos grandes problemas foi a troca de avançados. No início da antevisão falámos do avançado novo, que entrou Matheus Cunha para o lugar de Igor Thiago. O problema é que Igor Thiago estava a ser um avançado que, apesar das suas características muito boas de área, vamos só agora ver este lance do Brasil, porque agora Raphinha está isolado à frente da baliza, faz um remate e é gol do Brasil e foi Matheus Cunha novamente. Não foi Raphinha, mas sim Matheus Cunha a fazer o segundo gol da partida aos 35 minutos. Vinicius Junior saiu, arrancou pelo lado esquerdo, puxou para dentro, foi para o meio, arrastou a marcação. Matheus Cunha conseguiu fazer uma diagonal nas costas dos jogadores da defesa do Haiti pelo lado esquerdo. Vinicius Junior foi encarar o defesa. O defesa não teve outras hipóteses, só seguia Matheus Cunha ou deixava Vinicius Junior com espaço no meio, estava num três para dois, era difícil defender esta bola. Vinicius Junior conseguiu encarar o defesa, deu um toque para a esquerda, Matheus Cunha pegou na bola, isolado, sozinho, sem ninguém pela frente, puxa a bola para o pé esquerdo, para o pé mais fraco, na entrada da grande área. Vemos também agora a rotissão, porque Vinicius Junior faz esta arrastação da marcação e Matheus Cunha aparece do lado esquerdo. Vinicius Junior só tem que dar para o lado esquerdo e Matheus Cunha pega com o pé esquerdo já dentro da área, num ângulo ainda um bocadinho difícil do lado esquerdo, não muito ângulo, consegue dar um remate e é mesmo, como se diz, onde a coruja dorme, Marta. Não sei se conhece esta expressão, mas onde a coruja dorme foi mesmo no sítio certo. Foi naquele ângulo, foi no buraco da agulha. O guarda-redes tinha que cobrir aquele primeiro poste do Haiti, não conseguiu, a bola entra mesmo no ângulo superior esquerdo do primeiro poste da baliza do Haiti. Portanto, Brasil 2, Haiti 0 e Ancelotti, como eu estava a dizer, conseguiu resolver este problema do meio-campo. Tinha na altura dois pivôs, Igor Thiago não conseguia segurar jogo. Com a entrada de Matheus Cunha, faz uma espécie de falso nove. Matheus Cunha consegue descer para o meio-campo, liberta espaço para Paquetá e Bruno Guimarães se mexerem um bocadinho mais no campo, irem para o lado esquerdo e para o lado direito, não ficarem fixos na posição do meio. Casemiro fica ali a fazer a posição de trinco, mais parado, mais no meio e Vinicius Junior a conseguir sempre e juntamente com o Raphinha, a abrir bem nas alas e a entrar em diagonais para dentro nas costas dos jogadores do Haiti. Foi assim que o Brasil tem estado e é assim que o Brasil tem estado a procurar a maior parte das oportunidades. Raphinha já teve dois gols anulados, onde Casemiro e Bruno Guimarães colocaram bolas nas costas da defesa do Haiti e Raphinha conseguiu marcar dois gols, mas os dois foram anulados. E agora este gol do Matheus Cunha, apesar de ter vindo numa perda de bola, vem exatamente da mesma filosofia. Portanto, Vinicius Junior cortou para dentro, foi, encarou o defesa, Matheus Cunha faz o movimento nas costas da defesa, que é isto que o Brasil está à procura, vai para o lado esquerdo, marca o primeiro. Já o primeiro gol, Matheus Cunha teve mérito, mas a bola foi um bocadinho uma carambola que ressaltou num defesa e entrou, mas neste, um grande gol de Matheus Cunha com o pé esquerdo a meter a bola mesmo no ângulo superior esquerdo, mesmo ao primeiro poste da baliza do guarda-redes do Haiti. O Brasil a ser um autêntico furacão. Brasil 2, Haiti 0 aos 40 minutos de jogo.
Jornalista Martim Madeira, que está a acompanhar este jogo do Brasil com o Haiti. Notícia de fecho do Jornal das Duas. A informação regressa às 14h30.