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As notícias com Matilde Malva Sabino.
Boa noite. Vamos a um ponto da situação dos incêndios em Portugal. Os 19 idosos retirados do lar de São Martinho de Anta já têm onde passar a noite. É no concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real, que está a situação mais preocupante a esta hora. Um lar em São Martinho de Anta foi evacuado por precaução. A presidente da Câmara indica à Agência Lusa que, dos 19 idosos retirados do lar, sete vão passar a noite na Santa Casa da Misericórdia de Sabrosa. Os restantes ficam no Mercado dos Produtos Durienses. Momentos antes, em declarações à RTP3, a presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, Helena Lapa, tinha confirmado a retirada destes utentes e garantiu que iam ser encontradas soluções para estas pessoas.
Tiramos todos os utentes do lar, por uma questão de precaução, por causa do fumo e das faúlhas. E vamos agora, estamos a tratar agora disso. Já liguei à Segurança Social também. Entretanto, também há disponibilidade no lar da Santa Casa em Sabrosa para algumas camas, que acabaram de se disponibilizar, e vamos tentar fazer o melhor.
Declarações de Helena Lapa esta noite de sábado. O fogo no distrito de Vila Real intensificou-se nas últimas horas, sobretudo em São Martinho de Anta, com o vento a dificultar o trabalho dos bombeiros. As chamas estiveram perto de uma creche e três bombeiros terão ficado feridos. Há também várias estradas cortadas. O alerta para o fogo foi dado esta tarde de sábado, pouco depois das 14h30, em São Cimbrão. Entretanto, as chamas já chegaram a Sabrosa e estão a ameaçar algumas habitações. O fogo vai consumindo uma zona de mato. No combate às chamas, no local, estão cerca de 270 operacionais e mais de 90 veículos. Os dados são da página da internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Ainda a norte do país, é esperada uma noite de muito trabalho em Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo. Isto no dia em que se completa uma semana desde o deflagrar das chamas no concelho, fogo continua ativo. No entanto, em declarações à RTP3, minutos antes da 01h, o comandante da Proteção Civil, Elísio Oliveira, espera que no decorrer da noite, o fogo finalmente dê tréguas.
Os próximos dias serão obrigatoriamente muito trabalhosos. Teremos apenas reacendimentos após darmos este incêndio como extinto. Aquilo que nós temos neste momento são áreas que foram apagadas, de forma a todos percebermos a linguagem utilizada, e houve reativações. Aquilo voltou novamente a acender e nós temos que garantir que estas reativações não se vão tornar em novos focos de incêndio, complicando aqui todo o trabalho efetuado. Iremos dar o incêndio como dominado, será a próxima fase. Isto não quer dizer que ele não volte novamente a estar ativo, mas estamos muito perto de ter as condições necessárias para que este incêndio venha a estar dominado.
Declarações de Elísio Oliveira à RTP3. O comandante prevê uma noite difícil para as autoridades. Mais cedo, num ponto de situação feito pelas 20h da noite de sábado, o comandante da Proteção Civil confirmou que não há populações em risco, uma confirmação que, entretanto, mantém-se, e deu conta das dificuldades que persistem.
Mantém-se ativo. Todo o trabalho que tem sido feito de consolidação em grande parte do perímetro deste incêndio. Não existem povoações em risco neste momento. Temos algumas situações ainda que exigem muito trabalho e muito cuidado. Temos o fogo em alguns pontos localizado em linhas d'água, onde não é possível colocar os bombeiros, os elementos da UEPS da Guarda Nacional Republicana ou as equipes de sapadores florestais a trabalhar, por um lado, por questões de segurança e outro, porque pura e simplesmente não existe acesso.
Elísio Oliveira, da Proteção Civil. Neste momento, continuam no terreno, em Ponte da Barca, mais de 500 operacionais, apoiados por quase 200 viaturas. No geral, em todo o território continental, são quase 1700 operacionais, apoiados por 540 meios terrestres, que estão a combater mais de 40 incêndios em Portugal continental. Todo o território nacional está, a partir deste domingo, em situação de alerta, devido ao risco elevado de incêndio. É uma medida decretada este sábado pelo governo. A situação de alerta vai vigorar até à próxima quinta-feira. Em causa estão os valores elevados de temperatura que podem provocar incêndios em vários pontos do país. Todos os distritos de Portugal continental estão assim sob aviso laranja para o calor, com exceção de Faro. Este anúncio do estado de alerta foi feito ao início da tarde de sábado pela ministra da Administração Interna. Maria Lúcia Amaral quer o reforço da vigilância e, por isso, detalha as proibições que já estão em vigor.
Proibição de acesso, circulação e permanência no interior dos espaços florestais, de acordo com os planos municipais de defesa da floresta contra incêndios. Proibição da realização de queimadas e queimas, bem como suspensão de autorizações que tenham sido emitidas. Proibição da realização de trabalhos nos espaços florestais e demais espaços rurais com recurso à maquinaria. Proibição da utilização de fogo de artifício ou outros artefatos pirotécnicos, bem como suspensão de autorizações que tenham sido emitidas.
A Ministra da Administração Interna numa declaração ao país. Mais tarde, na CNN Portugal, o governo justificou a situação de alerta decretada com o agravamento do estado meteorológico e a pressão sobre o dispositivo de combate aos incêndios. Questionado sobre o número de meios disponíveis, o Secretário de Estado da Proteção Civil considera que o atual contingente é suficiente. Rui Rocha descarta, por isso, a necessidade de ativar o mecanismo europeu de proteção civil.
Nós temos um dispositivo que é o mais robusto de sempre, no que diz relativamente aos meios aéreos, é o maior dispositivo de sempre, com 76 meios aéreos, embora tínhamos aqui apenas 72 disponíveis por força de uma vacatura de um concurso, mas o mecanismo europeu é apenas acionado em situações extraordinárias e excecionais. Dar nota de que mesmo na semana passada, com toda a criticidade, nós não tivemos todo o nosso efetivo de meios aéreos a operar. Meios aéreos e falta também dos operacionais e das pessoas. Também é importante. Se me permite os meios aéreos, porque houve bastante dúvida sobre essa efetividade.
Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, em entrevista à CNN Portugal. Também a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil considera que o estado de alerta decretado pelo governo é suficiente. Em entrevista à SIC Notícias, o comandante da Proteção Civil, José Guilherme, confirma que o estado de alerta foi ativado após proposta da Proteção Civil.
A autoridade, no âmbito daquilo que é o seu planeamento, propõe e apresenta as suas fundamentações e depois a decisão é sempre-
Mas propuseram, portanto?
Sim.
E era isto que queriam? Acham que isto é suficiente ou que era preciso mais? Porque o que vem aí são dias muito complicados.
Vêm dias muito complicados, com muito calor, aumentos de ventos pontuais.
Humidade baixa.
Mas isto foi a proposta, neste momento, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que foi seguida pelo governo, e daquilo que é as medidas impostas por esta situação e esta declaração, pensamos que-
Que é suficiente. O comandante José Guilherme, em entrevista à SIC Notícias, defende que o dispositivo atual da Proteção Civil é suficiente no combate aos fogos. Não é o que defendem os socialistas. O PS considera que o governo devia ter ativado o mecanismo europeu de proteção civil. A posição é do secretário-geral socialista à margem da apresentação da candidatura do PS à Câmara de Castro Marim, em Faro. José Luís Carneiro deixou críticas ao executivo de Luís Montenegro. Diz que o governo devia ter ativado os mecanismos de cooperação com a União Europeia para pré-posicionar meios aéreos para o combate aos incêndios. Carneiro queria mais por parte do governo, ainda assim, concorda com a medida tomada pela Ministra da Administração Interna.
Julgo que a definição do estado de alerta é uma boa decisão. O governo ouviu as palavras do Partido Socialista e pareceu-me adequado. Do meu ponto de vista, deveria ter dado um passo ainda em frente, nomeadamente em relação ao diálogo com os parceiros europeus, no âmbito do mecanismo europeu de proteção civil. Era bom termos os mecanismos de apoio aéreo da União Europeia pré-posicionados para que, em função do contexto meteorológico, possamos mobilizar esses meios de forma mais célere para os fazer chegar onde eles venham a ser necessários. Julgo que a definição do estado de alerta é uma boa decisão. O governo ouviu as palavras do Partido Socialista e pareceu-me adequado. Do meu ponto de vista, deveria ter dado um passo ainda em frente, nomeadamente em relação ao diálogo com os parceiros europeus, no âmbito do mecanismo europeu de proteção civil. Era bom termos os mecanismos de apoio aéreo da União Europeia pré-posicionados para que, em função do contexto meteorológico, possamos mobilizar esses meios de forma mais célere para os fazer chegar onde eles venham a ser necessários.
José Luís Carneiro, que aproveitou ainda para expressar a solidariedade com os bombeiros e elementos da Proteção Civil. Destaca o que diz ser uma atuação heroica. A Iniciativa Liberal critica o governo por só agora declarar situação de alerta devido aos incêndios. É uma posição defendida por Mariana Leitão esta tarde de sábado em Mafra. A líder do partido diz que o anúncio já vem tarde.
Parece-me que quando temos o país já na situação em que está há mais de uma semana, parece-me que vem tarde. O problema tem uma extensão grande, que se não se fizer nada pra o resolver, vai continuar ano após ano e que enquanto não for visto como o verdadeiro flagelo que é e o governo tomar as ações que são necessárias para resolver a situação, isto vai continuar a acontecer.
Declarações da presidenta da Iniciativa Liberal aos jornalistas em Mafra. Mariana Leitão apela ainda que o governo tome medidas mais concretas para que os problemas do passado não se repitam. O Ministério dos Negócios Estrangeiros condena o vídeo divulgado pelo Hamas de um refém israelita a cavar a própria sepultura. No vídeo, o jovem visivelmente magro diz que não tem comida suficiente e que raramente bebe água. Deixou também uma mensagem a Netanyahu, diz sentir-se abandonado. Entretanto, o ministério liderado por Paulo Rangel já reagiu. Através da rede social X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros exige a libertação dos reféns e o desarmamento do Hamas. Acusa ainda o grupo militar da Palestina de manipulação cruel do sofrimento e de terrorismo extremo. Notícia de fecho deste jornal. A informação regressa às 15h30. Até já.