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São 3 horas.
Muito boa noite, eu sou o Ricardo Lopes, está com a Rádio Observador. Hora de atualizar toda a informação. Começamos com novidades sobre a Operação Influencer. Ao contrário do que garantia, afinal António Costa falou com Diogo Lacerda Machado sobre o processo da Start Campos. É uma notícia avançada pela TVI CNN, que teve acesso a escutas que desmentem o antigo primeiro-ministro. Em causa está o supercentro de dados construído em Sines. António Costa garantiu, numa conferência de imprensa em novembro de 2023, que Lacerda Machado nunca tinha falado a respeito deste assunto em circunstância alguma. No entanto, é agora revelado que, na véspera de Natal de 2022, Lacerda Machado informou o, na altura, primeiro-ministro da dinâmica extraordinária do projeto da Start Campos, algo que ambos juraram nunca ter acontecido. Esta chamada foi considerada relevante pela investigação. Pode ouvir-se Lacerda Machado explicar que o projeto está com uma dinâmica extraordinária e que os americanos vão finalmente a sério a Sines. Lacerda Machado diz a António Costa que achou que se justificava o antigo primeiro-ministro saber disto. Diogo Lacerda Machado tinha uma relação de grande amizade com o ex-primeiro-ministro, foi definido pela investigação como o grande influenciador, dando assim nome ao processo. Está em destaque no site do Observador o artigo do redator principal Luís Rosa, que desconstrói todas as novidades reveladas hoje. O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal considera que a UGT não reúne condições internas para aprovar um pacote laboral. Álvaro Mendonça foi o entrevistado do programa Sobescuta da Rádio Observador e diz-se surpreendido pelo chumbo unânime da UGT ao pacote laboral. Manifesta-se, no entanto, disponível para discutir novas propostas, mas duvida que a central sindical as apresente.
A avaliação que eu faço neste momento é de que não vai haver propostas novas da UGT. Vamos aguardar até o dia 7, mas com toda a franqueza, o que me parece é que a UGT não tem condições internas para aprovar um pacote laboral. Esta é a avaliação que eu faço.
E acha que não tem interesse em aprová-lo?
Acho que neste momento a UGT não tem condições internas para o aprovar.
Uma posição assumida por Álvaro Mendonça, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, no programa Sobescuta da Rádio Observador. Mudamos de tema. Faz hoje um ano que o apagão deixou Portugal às escuras. A equipa que estudou o apagão de abril do ano passado concluiu que o sistema português precisa de ser alvo de modernização. É necessário investimento e também inovação, ainda que admitam que a infraestrutura seja segura e também robusta. É o que adianta este grupo de aconselhamento técnico, que apresentou ontem o documento relativo a este episódio, sublinha que o sistema português é centralizado e também pouco digital. Dizem precisar de mais independência, não só a nível ibérico, mas também a nível europeu. Deixam cinco recomendações essenciais, explicadas aqui pelo jornalista Martim Madeira.
A começar por menos burocracia no Parlamento. O relatório critica o atual modelo por ser demasiado lento e complexo, e a recomendação é clara: o Estado tem de simplificar os processos, retirar a Assembleia da República das decisões puramente técnicas e planear com base na incerteza e não em calendários fixos. A segunda medida fala numa tecnologia e gémeos digitais. Não basta estender mais cabos e linhas, o futuro passa por baterias gigantes, centrais hídricas reversíveis e pela criação de um digital twin, um modelo digital de todo o sistema ibérico para prever falhas antes que elas aconteçam. A terceira medida fala numa governação mais clara. O GAT pede para que se clarifique quem manda no quê entre o governo, a ERSE e a REN, para evitar a atual opacidade e os incentivos desalinhados que podem prejudicar o investimento. A quarta medida fala numa digitalização total. A rede precisa de ser inteligente com sensores avançados que permitam uma resposta automática e em tempo real a qualquer perturbação na frequência da rede. A última e quinta proposta fala em novos mercados. Propõe-se que o consumidor seja remunerado por ser flexível, ou seja, criar mercados locais onde quem ajuda a equilibrar a rede possa ganhar com isso. Em suma, este relatório diz que Portugal tem hoje bons níveis de segurança, mas sublinha que para manter as luzes acesas nesta transição energética, precisamos de uma execução pragmática e, acima de tudo, de uma cooperação muito estreita com Espanha e o resto da Europa.
Trabalho do jornalista Martim Madeira, que esteve ontem a acompanhar a apresentação do relatório sobre o apagão. Confrontada com as conclusões deste mesmo relatório, a ministra do Ambiente, Maria Graça Carvalho, afirma que o governo já tinha adotado grande parte destas recomendações e justifica as falhas com o sistema espanhol.
O relatório da ENTSO-E era o primeiro passo, porque é ele que identifica as razões técnicas do evento. Não indica uma só, indica um conjunto, mas é claro onde é que foi e o tipo de falhas onde foi. Não há nenhuma dúvida que não foi em solo português e, portanto, foi em solo espanhol e o que é que os diversos atores e as diversas falhas técnicas, não foi só uma, foram várias, mas estão bem identificadas no relatório da ENTSO-E.
A ministra Maria Graça Carvalho sublinha ainda que a base de decisão política assenta em vários fatores, inclusive na componente científica e técnica e, ao mesmo tempo, em princípios éticos e constrangimentos orçamentais. Já o Partido Socialista acusa o governo de não ter implementado nenhuma das medidas necessárias depois do apagão. Na sede do partido, André Moscaldas, do Secretariado Nacional do PS, afirma que o Executivo não cumpriu com aquilo que prometeu aos portugueses.
O governo anunciou depois 31 medidas, com grande estrondo, mas a própria REN confirmou em audição parlamentar que os grandes investimentos já estavam programados antes do apagão. Não foram medidas novas, foi a aceleração de um calendário que já existia e nenhuma das medidas está implementada. Um ano depois, a ERSE ainda não classificou juridicamente o evento. Os portugueses que sofreram prejuízos continuam sem saber a que compensações têm direito. Os apoios às populações afetadas pelas tempestades chegaram tarde ou não chegaram e com dificuldades de execução. As falhas de coordenação que o apagão revelou não foram corrigidas. O mesmo guião, os mesmos problemas.
André Moscaldas sublinhou também que Portugal viveu em 28 de abril do ano passado o apagão mais grave em mais de duas décadas. Saímos agora de Portugal para olhar para o conflito no Médio Oriente. De forma cética, é como Donald Trump olha para a nova proposta do Irão para um acordo de paz que permita a reabertura do estreito de Ormuz. É o que avançam fontes citadas pelo Wall Street Journal. Trump terá conversado com alguns assessores sobre a proposta, informação confirmada pela porta-voz da Casa Branca durante uma conferência de imprensa esta segunda-feira. Para já, Trump não rejeita o documento por completo. No entanto, terá deixado claro que o Irão não está a agir de boa-fé. Donald Trump recusa-se assim a dar o braço a torcer pela principal exigência dos Estados Unidos: pôr fim ao enriquecimento de urânio, de modo a garantir que o Irão não vai produzir uma arma nuclear. Entretanto, os Estados Unidos ameaçam aplicar sanções a quem prestar serviços a companhias aéreas iranianas. É um aviso deixado à comunidade internacional pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos. Qualquer entidade ou pessoa que colabore com companhias aéreas do Irão vai enfrentar sanções norte-americanas. Isto no momento em que os voos comerciais entre e Irão estão a ser retomados. Os Estados Unidos são claros: qualquer serviço prestado, seja fornecimento de combustível, catering, taxas de aterragem ou até manutenção. O rei Carlos III já está na Casa Branca, reunido com Donald Trump. A visita assinala os 250 anos da independência norte-americana do domínio britânico. Acontece numa altura de alguma tensão diplomática entre Washington e Londres. A visita começou com um chá, segue-se uma festa no jardim da residência do embaixador britânico. Carlos III foi aos Estados Unidos acompanhado pela mulher Camila Parker Bowles. Grande parte dos momentos que constam na agenda vão acontecer longe das câmaras e também do olhar dos jornalistas. O rei deve, no entanto, discursar hoje no Congresso, no mesmo dia em que está marcado um jantar de Estado. Já na quarta-feira, Carlos III estará na cidade de Nova York, onde vai homenagear as vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001. No Gabinete de Guerra, ouvimos o especialista em Relações Internacionais, Orlando Samões, acredita que esta pode ser uma boa oportunidade para que os laços entre os dois países sejam restabelecidos. Isto depois de Trump ter classificado o Reino Unido como um mau aliado.
Eu creio que a última visita de Estado do monarca do Reino Unido foi em 2007 e, portanto, Trump naturalmente que está aqui a viver história a partir de hoje. Esperemos que não tenha aquelas situações um pouco indocorosas que aconteceram com o presidente ucraniano, com o primeiro-ministro do Japão, com o presidente da África do Sul e com tantos outros chefes de Estado. Aqui, de facto, é alguém que não tendo poderes executivos, e sabemos que Trump gosta muito de poder, é bom que, apesar disso, Trump reconheça nele a pessoa que pode trazer um melhor ambiente às conversações com o Reino Unido.
Orlando Samões, que esteve no Gabinete de Guerra desta segunda-feira à noite, disse também que espera que não haja nenhum momento constrangedor causado pelo presidente norte-americano, algo que já aconteceu com outros chefes de Estado. É desta maneira que terminamos o jornal das 3:00 a.m. Eu regresso já daqui a sensivelmente 20 minutos para uma breve atualização de notícias. Até já.