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Horas. Muito boa noite, eu sou o Ricardo Lopes. São 4 da manhã, hora de atualizar toda a informação. Começamos com o tema que marca a atualidade nacional. Hoje é dia de greve geral contra o pacote laboral. Fabian Figueiredo, deputado único do Bloco de Esquerda, diz que a larga maioria da sociedade portuguesa está contra as alterações à legislação do trabalho. O deputado esteve presente ao final desta noite num piquete de greve no Hospital de São João, em Lisboa. Fabian Figueiredo julga que o pacote laboral vai provocar uma descida dos salários e diz que ninguém percebe por que o governo insiste nestas alterações, que classifica como uma guerra com quem trabalha.

Ficou muito evidente para o comum dos portugueses que este pacote laboral é absolutamente inoportuno, que vai provocar uma baixa dos salários, quando um dos principais problemas que nós temos em Portugal é as pessoas trabalharem tanto por pouco salário, que se vai na bomba de gasolina, no supermercado, na prestação da casa. Ninguém percebe por que o governo insiste nesta guerra contra quem trabalha.

Declarações do deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, num piquete de greve esta noite no Hospital de São José, em Lisboa. O discurso à esquerda é idêntico. Também esta noite, o secretário-geral do Partido Comunista acusa o governo de declarar guerra aos trabalhadores, utilizando aqui a mesma expressão que Fabian Figueiredo. O Paulo Raimundo esteve ao início desta madrugada numa concentração de grevistas do metro de Lisboa, nos arredores do Marquês de Pombal. Paulo Raimundo prevê uma resposta adequada dos trabalhadores às decisões do executivo, isto referindo-se ao pacote laboral, e acusa o governo de fazer uma declaração de guerra aos trabalhadores.

Eu acho que o governo fez uma opção, que foi de afrontar os trabalhadores, foi de fazer uma declaração de guerra aos trabalhadores com o pacote laboral. Mais precariedade, mais regulação dos horários, justamento sem justa causa, pôr os pés em cima de quem trabalha. Esta gente pôs a funcionar, esta gente pôs o metro a funcionar e está a ter a resposta. Já tinha sido levado no dia 11 de dezembro, tinha sido levado aqui no metro, nas empresas, nos locais de trabalho, nas ruas. Aqui está uma grande greve geral para dar uma grande resposta a dizer não, não a este pacote laboral.

"Não a este pacote laboral", diz Paulo Raimundo esta noite, quando falou aos jornalistas junto à sede do metro em Lisboa, já estava fechada a essa hora. Paulo Raimundo disse também esta tarde que o pacote laboral está mais perto de ser derrotado do que ser implementado. Também nesta concentração esteve o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, garante que a greve vai ter um grande impacto e prevê uma massiva adesão por parte dos trabalhadores. Reforça a ideia de que o pacote laboral é um retrocesso de direitos e em resposta a Luís Montenegro, que ontem disse que a maioria dos trabalhadores vão comparecer no trabalho neste dia de greve geral e apelou também a que a paralisação não afetasse estes portugueses que querem ir trabalhar. Tiago Oliveira diz que o primeiro-ministro devia ser mais humilde quanto a esta matéria. Lembra que esta é já a segunda greve geral em mandatos do atual governo e apela a que Luís Montenegro reflita sobre os motivos que levam as pessoas a fazer greve.

Nós temos um primeiro-ministro que está completamente alheio à realidade e o primeiro-ministro, em vez de se preocupar em dizer algo dessa dimensão, devia se preocupar por que é que no seu mandato esta já é a segunda greve geral. Devia se preocupar com as razões que trazem os trabalhadores a assumir a luta contra este pacote laboral. Isso é que deviam ser as principais preocupações de alguém que está à frente do país.

Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, que antecipa uma grande adesão dos trabalhadores à greve geral contra o pacote laboral. E alguns constrangimentos da greve já se fazem sentir. O metro de Lisboa fechou mais cedo, fechou às 11 da noite. Na cidade do Porto, apenas duas linhas mantêm a circulação. A recolha do lixo está também a ser afetada em algumas cidades. Há impactos também na aviação. De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil, 65% dos voos planeados para o dia de hoje já foram cancelados. Estamos a falar de 329 dos 508 voos que estavam previstos ser realizados em serviços mínimos. Durante esta quarta-feira, a saúde, educação e transportes vão ser os setores mais afetados. Como disse, o setor dos transportes já começou a sentir os efeitos da greve, deve ser um dos mais críticos. No entanto, João Lourenço, a greve deve afetar vários setores ao longo de todo o dia.

Quando os relógios marcarem 11 da noite, o metro de Lisboa encerra a atividade. A transportadora da capital não tem serviços mínimos e por isso a atividade apenas vai retomar às 6h30 da manhã do dia 4. Quem também não vai ter serviços mínimos é a Transtejo, ou seja, não está previsto transporte fluvial entre as margens do rio Tejo. A única alternativa para quem quer atravessar o rio é a Fertagus. A Carris garante 12 carreiras em funcionamento, mas em horários diferentes. A CP já garantiu serviços mínimos. Haverá alguns comboios urbanos em Lisboa, Porto e Coimbra. Também estão previstos circular alguns alfa pendulares, intercidades e regionais. É importante verificar os comboios que estão previstos no site da CP. Na cidade do Porto, as últimas viagens do metro de hoje iniciam entre as 10h e as 11 da noite, mas há serviços mínimos para esta quarta-feira. A transportadora portuense vai funcionar durante todo o dia na linha amarela entre Santo Ovídio e o Hospital de São João, bem como entre as estações da Senhora da Hora e do Estádio do Dragão. Na educação, a greve pode provocar o adiamento de um exame de português de sexto ano no ensino superior. A paralisação abrange todos os docentes e investigadores das universidades e institutos politécnicos. Para além das aulas, também a realização de avaliações ou participação em júris de avaliação pode estar em risco já amanhã. Na saúde, os sindicatos dos médicos e enfermeiros garantem uma grande mobilização à greve. Os efeitos já se podem fazer sentir ao início da noite de hoje, devido aos inícios de turno. Pela primeira vez na história, a linha SNS 24 vai estar em greve. Esta paralisação pode fazer disparar os tempos de resposta para duas ou três horas, mesmo em situações potencialmente graves. Nos serviços do Estado, o Instituto dos Registos e Notariado apenas vai garantir serviços mínimos em funcionamento para atos presenciais urgentes e atendimentos de emergência. Os constrangimentos também são esperados nas repartições de finanças e tribunais.

O trabalho do jornalista João Lourenço, com um resumo das principais dificuldades que a greve promete causar. O ministro da Presidência manifesta-se contra a atual lei laboral. António Leitão Amaro acredita que a taxa de desemprego nos jovens é elevada, muito graças à atual legislação. Isto foi numa entrevista ao "Correio da Manhã". O ministro rejeita as críticas dos sindicatos de que esta nova proposta de alteração à lei retira direitos aos trabalhadores e volta a sublinhar que Portugal tem, neste momento, uma legislação rígida e atrasada comparativamente a outros países.

Nós vemos que Portugal tem uma legislação mais rígida, mais atrasada, com menos flexibilidade para os trabalhadores organizarem a sua vida profissional.

Mas acha que é a lei que faz com que haja uma taxa de desemprego jovem em Portugal muito alta?

Muito, claro. Uma parte da explicação não é só o desemprego jovem ser o triplo do desemprego normal, é também a precariedade ser o triplo nos jovens do que nos trabalhadores em geral. Por quê? Porque temos uma legislação que é muito rígida, protege muito contratos que existem e desprotege muito aqueles que vão entrar no mercado.

O ministro da Presidência falou também da prestação social única, diz que os portugueses precisam trabalhar para combater a pobreza sem depender de subsídios. Ainda na política nacional, mas agora noutro tópico, André Ventura diz que a proposta do partido para a redução da reforma para os 65 anos ou 40 de descontos vai custar 1,8 mil milhões de euros aos cofres do Estado. Admite ser um gasto a mais para o executivo. No entanto, o líder do Chega apresenta duas soluções para financiar esta proposta, diz que este valor, 1,8 milhões, é equivalente a dois anos de desperdício na saúde. André Ventura vai mais longe nas sugestões, justifica que o valor pode também ser pago pelos imigrantes à Segurança Social.

Ora, nós temos um excedente da Segurança Social que dizem que os imigrantes trazem de 4 mil milhões de euros. Não me parece muito se os imigrantes que chegam a Portugal, além de todos os benefícios que têm na saúde, na habitação, no acesso a subsídios, puderem dar uma parte desse contributo para que quem já cá está e começou a trabalhar mais cedo no país, possa ter uma reforma mais baixa. Isso por um lado. Mas esse excedente esgotar-se-ia. Não, se temos uma contribuição anual de 4 mil milhões dos imigrantes, metade, ou menos de metade, se calhar, pode ser usado para conseguirmos que os portugueses que trabalhem, tenham uma idade de reforma mais digna.

Sugestões do líder do Chega em entrevista à CNN Portugal. André Ventura falou ainda sobre outra reforma, desta vez a reforma laboral, para reafirmar que vai votar contra a proposta.

Esta é uma má reforma laboral, transmite uma ideia errada. Nós vamos mudar. Amanhã é uma greve geral. O senhor mantém ou não essas suas reivindicações para dar o seu aval? Não é a greve geral que me preocupa. A greve é um direito dos trabalhadores, a UGT nem sequer se vai juntar. A CGTP decidiu fazê-la. Neste momento, esta reforma laboral é má, não contará com o apoio do Chega.

Declarações de André Ventura na CNN Portugal. Foi notícia de fecho nesta edição das quatro da manhã. A informação regressa à antena da Rádio Observador às 05h. Até lá.