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Cinco horas. As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira.

Muito bom dia. Centenas continuam nas ruas, em Lisboa e no Porto, em defesa do direito à habitação. Os manifestantes recusaram-se a abandonar as concentrações e pernoitam nas tendas instaladas nas duas cidades. Na Invicta, os manifestantes continuam concentrados na Praça Dom João I. Ambiente calmo a esta hora no Porto, Laura Figueiredo.

Os ânimos aqui na Praça Dom João I estão bastante calmos já desde as duas da manhã, hora a que a polícia saiu da praça, tanto a Polícia Municipal como a PSP, mesmo a carrinha de intervenção que aqui estava. Todos deixaram a praça depois de cerca de uma hora e meia, em que decorreram uma espécie de negociações entre os manifestantes e a polícia. Nestas negociações, começou por o advogado, que representa o movimento, falar com o subintendente que estava a liderar estas conversas. A polícia começou por pedir que os manifestantes retirassem as tendas e que desmobilizassem. A ordem acabou por não ser acatada, até porque ainda continuam aqui as cerca de 50 tendas que foram sendo montadas desde o início da noite. E de fato, os manifestantes também não desmobilizaram. Ao fim de cerca de uma hora e meia, a polícia acabou por sair daqui. Nos momentos que se seguiram a isso, houve um silêncio na praça, também bastante incerteza. Falei com vários manifestantes que não sabiam o que ia acontecer, se a polícia iria ou não regressar, mas de fato não regressou, pelo menos até então, e os manifestantes mantêm-se desde aí em silêncio. Ainda formaram um cordão, durante algumas horas manteve-se aqui um cordão humano à frente das tendas. Os manifestantes que estavam mesmo na linha da frente tinham um capacete e também proteções nos braços. Falei com alguns que me deram conta de que era a preparação para o caso de a polícia de intervenção aparecer aqui. Isto já como cuidados depois do que aconteceu na madrugada de quinta-feira, mas até ver, nada disso se repetiu hoje. Continuam a passar de vez em quando aqui alguns carros-patrulha, mas é simplesmente isso, passam e não ficam. É este o resumo que se faz do dia de hoje. A assembleia popular começou por volta das 19h. Foi votada a decisão de permanecer aqui esta noite, também com as tendas, que, como dizia, foram sendo montadas. Acabaram por ficar aqui cerca de 50 tendas que se mantêm. Os manifestantes para já ainda não foram dormir. Muitos dizem que não o vão fazer, porque não querem deixar de estar alerta para o caso de a polícia vir até aqui. Para este domingo, há algumas atividades programadas aqui na praça, pelo movimento que luta pela habitação, mas vamos aguardar para ver o que acontece este domingo.

O relato da jornalista Laura Figueiredo, jornalista do Observador, que esteve a acompanhar este protesto na Praça Dom João I, no Porto. Situação semelhante na capital, Lisboa, onde a grande maioria dos agentes da polícia que estiveram no local desmobilizaram. No local continuam apenas os manifestantes em protesto, é o que relata o jornalista do Observador, Miguel Pina Andrade.

O forte contingente policial que a certa altura, esta tarde e esta noite, se fez sentir aqui na Praça do Rossio, já desapareceu quase por completo. Já não se vê nenhuma daquelas carrinhas da Unidade Especial de Polícia. Estão apenas duas carrinhas da PSP, da Equipa de Intervenção Rápida, e um carro da Polícia de Trânsito, que vai fazendo rondas aqui pelo Rossio. Os manifestantes, esses sim, como disseste, mantêm-se em peso aqui na Praça do Rossio. São muitas dezenas de tendas. Os manifestantes, alguns já foram descansar, recolheram às tendas, outros mantêm-se aqui num clima de boa disposição e festa, vão cantando. Às vezes, são entoados alguns cânticos que se foram ouvindo durante toda a noite e durante toda a tarde. Há pouco, um dos organizadores dava conta de que o objetivo é permanecer aqui durante alguns dias. No entanto, também ressalvou que se a polícia assim o entender, que os manifestantes estavam dispostos a sair. No entanto, a indicação que temos é de que eles vão continuar aqui na Praça do Rossio. Isto numa altura em que o maior momento de tensão da noite, por assim dizendo, já passou. Foi quando alguns elementos da Polícia Municipal tiraram as baias de ferro que os manifestantes usaram pra fazer um perímetro à volta das tendas. E também há pouco, os organizadores da manifestação diziam aos manifestantes para se juntarem em grupos de afinidade, isto para alguns enquanto dormiam, outros vigiarem as imediações da Praça do Rossio para se protegerem, precisamente contra uma eventual carga policial. Mas, como disse, neste momento o ambiente é de alguma tranquilidade. Os manifestantes vão cantando, a maior parte da polícia já desmobilizou e os manifestantes continuam aqui, no meio da Praça do Rossio, com este aparato de muitas tendas, o que marcou o dia de hoje e que também marcou os últimos dias na cidade do Porto.

O relato do jornalista Miguel Pina Andrade, que esteve a acompanhar o protesto pela habitação em Lisboa, no Rossio. O presidente da Câmara Municipal do Porto recusa deslocar-se à manifestação na Praça Dom João I. No entanto, revela ter convidado os manifestantes para uma reunião. Entre as palavras de ordem mais ouvidas no protesto, tem estado o pedido de demissão de Pedro Duarte. Os manifestantes desafiaram o autarca a dar a cara e a aparecer no protesto. Pedro Duarte rejeita, mas garante estar disponível para o diálogo.

Nós já convidamos os manifestantes para se quisessem ir à câmara reunir, que estávamos abertos a isso. Já o fizemos há dois dias.

A garantia de diálogo de Pedro Duarte, numa curta declaração do presidente da Câmara Municipal do Porto à TSF, à margem da celebração dos 50 anos da Associação de Moradores da Zona do Campo Alegre. O Ministro da Habitação garante que o governo vê os protestos com enorme preocupação e reconhece que se a população se manifesta, manifesta-se com razão. Miguel Pinto Luz diz que o Executivo está ciente dos problemas, no entanto, sublinha que não é por causa deste governo que há atrasos na implementação das medidas necessárias na habitação.

Olho com enorme preocupação. Acho que a população, quando se manifesta, manifesta-se com razão, porque sente, porque dói, porque há dor. Hoje, o problema da habitação é um problema que aflige muita gente. O governo está absolutamente ciente disso. E, portanto, este governo pode ser acusado de muitas coisas, mas não pode ser acusado de que as medidas de facilitação da vida dos senhorios, de diminuição da carga fiscal, é que impactaram no valor das rendas. Não, porque elas não estão em vigor.

Miguel Pinto Luz, em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena 1 do Jornal de Negócios. O ministro saiu ainda em defesa do autarca do Porto, Pedro Duarte.

O doutor Pedro Duarte, e bem, defendeu os interesses da cidade do Porto. É um homem sensato, um humanista, um social-democrata daqueles nos quais eu me revejo, e geriu com humanidade, foi mantendo diálogo, eu acompanhei também a situação, foi mantendo diálogo com os manifestantes. E depois, a questão da administração interna. Eu não me vou imiscuir, não sou especialista e, portanto, não sei avaliar como é que foi a intervenção ou não. Eu acho é que tem que haver autoridade, tem que haver respeito por todos, tem que haver direito à manifestação, mas com respeito por todos. É só isso que eu digo. E acho que o presidente da Câmara, Pedro Duarte, está fazendo um excelente trabalho à frente da Câmara do Porto.

Elogios de Miguel Pinto Luz, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, à atuação do presidente da Câmara Municipal do Porto, também ele do PSD, e que integrou já o Executivo de Luís Montenegro. O PCP acusa o governo não só de não resolver o problema da habitação, como ainda de o agravar. O líder comunista critica a nova lei do arrendamento apresentada pelo Executivo. Paulo Raimundo considera que só vai agravar o problema no mercado da habitação e acusa o primeiro-ministro de ser egoísta.

Nós achamos que o governo, com as opções que está a tomar, também com o Chega e a Iniciativa Liberal, não só não está a resolver, como está a acentuar um problema. E não vale a pena, senhor primeiro-ministro, vir falar de egoístas, porque egoísta é o senhor primeiro-ministro quando se junta aos egoístas que querem as casas todos para eles, querem os rendimentos todos para eles, querem a concentração da riqueza toda para eles.

A acusação do líder comunista Paulo Raimundo, em entrevista esta noite à RTP Notícias. Protestos também a marcar a atualidade internacional. Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em França, Itália, Bélgica e Albânia, em protesto contra o custo de vida e as políticas governamentais. Em França, o ministro do Interior, Laurent Nunez, contabiliza 550 mil manifestantes. Só em Paris foram 110 mil, números que ficam muito aquém dos apresentados pelos organizadores dos protestos, que apontam para 800 mil participantes. Houve confrontos, incêndios e pilhagens que levaram a mais de mil detenções. Paris, Lyon e Marselha foram os principais focos de tensão. O presidente Emmanuel Macron promete punir os responsáveis pela violência. Isto numa mensagem publicada na rede social X. Também o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, através dessa rede social, o X, acusa grupos de extrema-esquerda de tentar impor uma agenda através da violência. Em Itália, os protestos em Milão e Bolonha também terminaram em confrontos, com a polícia a recorrer ao gás lacrimogéneo e a canhões de água. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, condena a violência, mas reconhece o direito à manifestação. Na Bélgica, centenas de jovens protestaram também contra o aumento dos custos da educação. Também na Albânia, milhares saíram às ruas para exigir a demissão do primeiro-ministro. Está tudo dito nesta edição das 5 da manhã, o essencial da informação. Está de regresso às 17h30 em formato síntese.