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As notícias com Carlos Pedro.
Bom dia. Começamos este jornal pelos incêndios. Há cinco frentes ativas em Nelas, localidade do distrito de Viseu. É uma informação confirmada pelo comandante dos Bombeiros Voluntários de Nelas. Guilherme Almeida revela que a subida de intensidade dos ventos provocaram reacendimentos no local.
O incêndio ainda continua ativo. Esperávamos, eventualmente, uma janela de oportunidade com aumento de humidade, mas isso não se veio a verificar, com a agravante dos ventos fortes, que nos estão constantemente a criar problemas, dada a rotação. E aquilo que ardeu e que já esteve apagado e extinto, está novamente a regressar o fogo, dada a rotação de ventos. Temos, neste caso, cinco frentes ativas. Não houve problemas com as habitações, de facto, terem sido consumidas, mas as pessoas voluntariamente, dado o fumo e a instabilidade que estava na localidade, deslocaram-se a esta zona que estava preparada para receber, eventualmente, pessoas que tivessem que ser deslocadas e por lá vão pernoitar e estão a ser acompanhadas.
Um ponto da situação do incêndio em Nelas feito durante esta madrugada, num registo captado pela CNN Portugal. O comandante revela que as chamas já provocaram seis feridos e diz que o número de meios no terreno ainda não é suficiente. Em Coimbra, o vento está também a dificultar o trabalho das autoridades. O fogo está disperso por vários pontos na Serra do Carvalho e a alastrar para uma área urbana. É um relato feito pela Sic Notícias durante esta madrugada. No local estão mais de 300 bombeiros apoiados por mais de 100 viaturas. O alerta para as chamas foi dado pelas 16h20 de ontem. Este incêndio em Coimbra já obrigou a evacuação de uma escola na localidade de Seira. Entretanto, as autoridades chegaram a dar as chamas como dominadas, mas a situação voltou a reunir alguma preocupação. Isto devido à constante subida de intensidade dos ventos. Em Baião, no distrito do Porto, há cinco frentes ativas também. As chamas lavram com intensidade. É o que revela o presidente da Câmara Municipal, Paulo Pereira. Fala no cenário dantesco e sublinha que a prioridade das autoridades é garantir a segurança das pessoas.
Qualquer coisa de inacreditável, é um cenário dantesco, conforme se pode ver. Ao fim da tarde, as chamas amainaram um pouco. Entretanto, com este vento que se faz sentir, tornaram a reativar-se e portanto, neste incêndio onde nós estamos aqui no posto de comando, está agora outra vez com cinco frentes ativas a arder com intensidade. E o que estamos a fazer foi aquilo que fizemos sempre durante todo o dia, com os meios possíveis. O foco tem sido claramente, conforme já foi durante todo o dia, a proteção da vida das pessoas, tentar, dentro do possível, salvar aquilo que são os bens, mas isso, conforme tem acontecido, também nem sempre tem sido possível.
As palavras de Paulo Pereira, presidente da Câmara Municipal de Baião. Este incêndio foi um dos que provocou maior destruição em infraestruturas. No total, mais de uma dezena de casas arderam. Em Albergaria-a-Velha, o fogo já chegou a todas as freguesias do concelho. As chamas continuam a ameaçar habitações. No início desta madrugada, a situação ficou complicada na aldeia de Ribeira de Fráguas, como dá conta o fotojornalista do Observador, João Porfírio.
Nós estamos em Ribeira de Fráguas, perto de Albergaria-a-Velha, e neste momento as chamas estão completamente descontroladas. O vento, que há coisa de meia hora não se fazia sentir de maneira absolutamente nenhuma, agora é fortíssimo, o que fez com que as chamas ficassem descontroladas aqui nesta pequena aldeia a poucos quilómetros de Albergaria-a-Velha. Aqui as pessoas saíram praticamente todas de casa para ver as chamas a aproximarem-se de suas casas e do centro da aldeia. O vento fez com que as chamas ficassem completamente descontroladas e ameaça várias habitações aqui nesta pequena aldeia.
O ponto de situação do fotojornalista do Observador, João Porfírio, que esteve a acompanhar a subida de intensidade das chamas na aldeia de Ribeira de Fráguas. A situação é semelhante na aldeia de Telhadela, também no município de Albergaria-a-Velha. Há pessoas na rua a tentar evitar que as chamas se aproximem das casas e um grande contingente de bombeiros no local. A acompanhar a situação esteve o repórter Miguel Cordeiro. Falou com o Filipe Pereira, presidente do Grupo Desportivo Recreativo de Telhadela. Isto porque um pavilhão esteve mesmo rodeado de chamas. Ainda assim, o fogo não atingiu o edifício, que serviu para os bombeiros pernoitar.
As instalações, ainda agora vieram trazer. Temos ali águas, temos sumos, leites, frutas, sobretudo. Os bombeiros muitas vezes vêm aqui, alguns vão pernoitar aqui, temos balneários e tudo é necessário agora, nesta altura.
Quando é que colocou isso à disposição? Foi já desde o dia de ontem?
Não, foi a partir de hoje da manhã. O pessoal da aldeia começou a trazer para aqui, famílias, particulares, empresas, nomeadamente agora malta até do continente aqui mais perto, que é do outro concelho de Oliveira de Azeméis. Foi trazer mantimentos para ajudar os bombeiros.
E o fogo esteve aqui também muito próximo.
Sim, ainda agora mesmo, esteve aqui juntamente ao pavilhão e não há meios suficientes, a gente compreende, mas ficamos alarmados. E ali logo aqui com uma casa também, uma, duas, com uma copa bastante alta da árvore. E é isto. Por agora, está calminho.
Disse-me que há bombeiros que vão pernoitar aqui. Já se sabe alguma coisa, números?
Não, não tenho mesmo números, porque nem eles próprios têm, porque isto está tão agressivo, mesmo ali na zona de baixo da ribeira, no fundo do lugar, de Telheirela, que não se sabe. Está a dispor, a comer bem e depois é para quem vier. Não temos mesmo números.
Diga-me o seu nome.
Filipe Pereira.
E vive aqui toda a vida?
Vivo em Telheirela, sim.
Alguma vez viu alguma coisa desta dimensão, uma situação semelhante?
Não, nunca. Nem mesmo minha mãe, que já tem 70 e tal anos. Nunca ninguém viu assim isto, porque ficamos cercados. Nunca vivemos.
Uma reportagem do jornalista Miguel Cordeiro, que esteve à conversa com Filipe Pereira, presidente do Grupo Desportivo e Recreativo de Telheirela. Ainda no distrito de Aveiro, mas agora em Oliveira de Azeméis, mais de 400 operacionais combatem as chamas apoiados por 150 viaturas. Este é um dos incêndios que tem gerado mais preocupação no país. Está ativo desde o início da tarde de domingo. Mais a norte, em Vila Pouca de Aguiar, as chamas voltam a ameaçar habitações. Recordo que três casas arderam no incêndio que deflagrou na aldeia de Zimão, concelho de Vila Pouca de Aguiar. Também vários idosos tiveram de ser deslocados para locais mais seguros. Durante a noite de ontem, vários populares juntaram-se a bombeiros e militares da GNR no combate ao fogo. No total, são mais de 100 focos de incêndio ativos em Portugal continental. A zona Norte é a mais afetada. Já arderam 10 mil hectares entre a Área Metropolitana do Porto e o distrito de Aveiro. Nos vários teatros de operações, estão mais de 5 mil operacionais apoiados por mais de 1500 viaturas. São dados disponíveis e que vão sendo atualizados no portal da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. E ainda no tema dos incêndios, que marcou toda a atualidade nacional durante o dia de ontem, o governo anunciou a criação de um gabinete interdisciplinar para ajudar na monitorização dos incêndios e dar resposta às populações afetadas. Uma informação confirmada pelo primeiro-ministro na noite desta segunda-feira, em declarações aos jornalistas na sede da Proteção Civil. Luís Montenegro revelou que o gabinete vai situar-se em Aveiro, mas o foco vai estar em todas as situações de emergência no país.
Criando já amanhã um gabinete, que será sediado no Conselho de Aveiro, mas não é específico para o incêndio que circundou o Conselho de Aveiro, em Oliveira de Azeméis, em Sever do Vouga, em Águeda e em Albergaria Velha. É um centro multidisciplinar com a presença de seis ministérios, que vai a partir do centro do país, onde Aveiro também se localiza, acompanhar tudo aquilo que vai sendo o território afetado e com os respetivos municípios, iniciar os trabalhos, em primeiro lugar, de apoio direto imediato já, e depois também de recomposição, reconstrução das zonas que forem mais afetadas.
O primeiro-ministro deixou ainda um aviso: as próximas horas vão ser difíceis.
Dentro desta palavra de tranquilização e de serenidade, também é preciso termos realismo. Nós vamos passar horas difíceis nos próximos dias, temos de nos preparar para isso e temos de nos juntar para isso.
As palavras de Luís Montenegro, que apela aos cidadãos para seguirem as instruções das autoridades. O governo anunciou ainda a extensão do alerta vermelho de incêndio no país até quinta-feira à noite. E antes do primeiro-ministro, falou Marcelo Rebelo de Sousa. Saudou Luís Montenegro por ter cancelado a agenda para hoje, revela que fez o mesmo e diz que a situação dos incêndios é prioritária. Marcelo Rebelo de Sousa refere ainda que a ajuda é para pedir sempre que for necessária, mesmo que seja preciso recorrer a apoio internacional.
Eu penso que é fundamental sublinhar que aprendemos com a preocupação de ir dando uma resposta com todos os apoios que são necessários, se necessário, internacionais, plano dos apoios e a intervenção dos meios aéreos nacionais, que só hoje, acabei de ouvir, tiveram 179 intervenções. Isto é um grande esforço.
As declarações do Presidente da República, que agradece ainda à União Europeia a resposta rápida no envio de aviões para ajudar no combate às chamas em Portugal. Na política, Maria Luísa Albuquerque deve conhecer hoje a pasta na nova equipa de Ursula von der Leyen, na Comissão Europeia. A presidente do organismo reúne-se esta manhã com a Conferência de Presidentes do Parlamento Europeu. Em causa está a proposta do Colégio de Comissários no próximo ciclo institucional, que dura até 2029. Fontes europeias ouvidas pela Lusa asseguram que a apresentação vai mesmo ocorrer esta manhã. Isto depois de ter sido adiada uma semana. Voltamos atenções para a atualidade internacional. O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, viaja hoje para o Egito. Em causa está um encontro com os mediadores egípcios com vista a um acordo de cessar-fogo em Gaza. Blinken vai também presidir à inauguração do diálogo estratégico Estados Unidos-Egito. O objetivo é discutir os esforços contínuos para alcançar um cessar-fogo em Gaza que garanta a libertação de todos os reféns, alivie o sofrimento do povo palestiniano e ajude a estabelecer uma segurança regional alargada. Esta é uma revelação feita pelo porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, citado pelo jornal israelita Haaretz. Já o Hamas pede uma longa guerra de desgaste contra Israel. O novo líder do grupo palestiniano, Yahya Sinwar, pede resistência aos aliados pro-iranianos na Faixa de Gaza, no Iémen, Líbano e ainda no Iraque. O líder do Hamas promete que vai contrariar a vontade de Israel e pede golpes profundos contra o sionismo. E no futebol, o Sporting estreia-se hoje na nova edição da Liga dos Campeões e Rúben Amorim quer a equipa a jogar de forma diferente. O Sporting dá hoje o pontapé de saída na nova prova da Liga dos Campeões frente aos franceses do Lille. Os Leões têm 11 jogadores que se podem estrear na competição e apesar da falta de experiência da equipa, Rúben Amorim não esconde a vontade de entrar a ganhar.
Queremos acima de tudo ganhar jogos, marcar gols e jogar de uma forma diferente, porque olhando para os jogos da Liga dos Campeões, e nós fomos ver, mesmo no ano que nós passamos aos oitavos de final, onde ninguém esperava, eu sinto que nós temos que jogar este ano de uma forma diferente. E acho que isso também é um objetivo. Obviamente que ganhar é o principal, mas queremos jogar bem, ter mais protagonismo nos jogos do que tivemos há três anos.
As declarações do treinador do Sporting, Rúben Amorim, captadas pela Sport TV. O jogo entre Sporting e Lille está marcado para às 20h, joga-se no Estádio José Alvalade e vai contar com relato e análise aqui na Rádio Observador. Foi esta a notícia de fecho neste jornal. A informação volta à antena da Rádio Observador pelas 06:30 da manhã.